Fodidos, talvez


NAM JUNE PAIK. In-Flux House. 1993.

«Os três canais foram iguais [na noite eleitoral] numa coisa: fizeram cartel, programando todos os intervalos publicitários em simultâneo. Sócrates nunca referiu a perda de votos, de deputados e da maioria absoluta no discurso; e a essa realidade virtual correspondeu o tom geral das TVs. Com a TVI domesticada (Sócrates deu a sua primeira entrevista ao canal no último dia de campanha), com a RTP na mão e a SIC alinhada com a estratégia da central de propaganda do PS-governo, o partido de Sócrates dispõe dum poderoso aliado para formar coligação: a TV generalista (…). Quanto aos comentadores, quase nada adiantaram. À parte na RTP1 Vitorino, que deu a análise oficial do PS, e Marcelo, que deu a análise de um PSD semi-independente, não houve comentário inovador. É porventura outro sinal do que nos espera na política e na comunicação: nenhum entusiasmo, nenhuma certeza, muita negociação e conversa em plano descendente, mas com a coligação PS-central de propaganda alimentando a irrealidade enquanto o poder se exerce.»

Eduardo Cintra Torres, Público (via Portugal dos Pequeninos)

Este texto de Cintra Torres não é propriamente de hoje – mas é desta semana e é do FUTURO próximo.

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6 respostas a Fodidos, talvez

  1. Tudo isto já foi descontinuado, tu o bom do grande murdoch, do ted turner e tal é que continuam nesta, este produto saiu da linha de produção, está completamente desvalorizado e ultrapassado. O estertor da tal civilização do livro, da comunicação, quero eu dizer.
    O Blockbuster aqui do bairro também já fechou. Fechou a telepizza e de momento estou com receio que me venham contar e taxar as minhocas cá da horta.

  2. Salustiano diz:

    Talvez!?

  3. Antónimo diz:

    Até subscrevo, mas não aprecio Cintra Torres.

    Veja-se que não gosta de Mike Leigh por filmar realidades dos bairros operários.

    É um crítico vertente estalinista, que faz crítica esquadrada pelos seus preconceitos ideológicos e que só entende a arte como ferramenta.

    No caso dele, como ferramenta PSD, que o homem é dessas bandas, aliás como o João Gonçalves – bem fincado no salazaranjal.

  4. Carlos Fernandes diz:

    Pertinente, como sempre (rima e e´verdade), E.C.Torres!; é um dos intelectuais lusitanos que merece o nome de “lusitano”, cujo espírito crítico e indomável (só se verga e ajoelha perante a VERDADE), o caracteriza. Nesta crónica mais uma demontração deste facto: cartel nos media…
    Pois é, falta é acrescentar: e há quantos meses isto acontece? Se calhar há (muitos) mais telejornais em que os anuncios, e os temas das peças, e as abordagens a dar aos temas são combinados previamente.

    Pobre povo, tratado por uma meia dúzia intocável ( quer pelos partidos de direita quer pelos de esquerda) como carneirada estúpida a manipular…

  5. tanto relógio de corda e de cuco, vai haver limpeza pela certa.

  6. O diz:

    E os nao-fodidos, talvez?

    Well, luckily Portuguese telepolitics do not reach this far. As such, I am nao-fodido. Nao…

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