Certíssimo


FISHLI & WEISS

«Francisco Louçã prevê que o “grande confronto” do Bloco de Esquerda (BE) com o Governo socialista recém-eleito acontecerá no debate sobre o Orçamento do Estado (OE), considerando que é inviável uma estabilidade governativa, uma vez que “a instabilidade já existe há muito tempo”.»

Este artigo foi publicado em cinco dias. Bookmark o permalink.

7 respostas a Certíssimo

  1. ezequiel diz:

    A estupidez do líder do BE continua a surpreender-me: Louçã parece querer parecer um parasita da instabilidade que nos afecta a todos. Triste e contraproducente.

  2. Carlos Vidal diz:

    Caríssimo ezequiel,
    Um tal de Jonathan Spence traçou um perfil de Mao, considerando-o um niilista puro, um mestre da desgovernação. Grande elogio fazes ao sr. Louçã (e eu pensava que os traços de génio de Mao eram só de Mao). Bom, outro indivíduo, o Zizek (que sabe muito bem apanhar aquilo que está no “ar”), seguindo Spence e Badiou, escreveu:

    «Mao retira a transgressão da sua forma ritualizada e do seu carácter lúdico, tomando-a a sério: a revolução não é apenas uma válvula temporária de escape, uma carnavalesca explosão destinada à superação por uma manhã seguinte de sobriedade – a revolução é algo para ficar. Além do mais, esta lógica da suspensão carnavalesca pertence às sociedades tradicionais hierárquicas. Com o desenvolvimento do capitalismo, e especialmente o actual “capitalismo avançado”, é próprio da “normalidade” predominante, de certo modo, tornar-se permanentemente “carnavalizada”, na sua constante auto-revolução, suas reversibilidades e permanentes reinvenções; deste modo, é uma ética “fixa” (stable), enquanto estratégia crítica do capitalismo, que é cada vez mais a excepção.
    Como, neste contexto, revolucionar uma ordem cujo princípio é o da constante auto-revolução ?»

    Parece-me bem para Mao. Chama-se a isto não vacilar em nenhum projecto de emancipação.

    Mas, será que queres aplicar isto a Louçã????
    Queres aplicar esta citação a um parlamentar????

  3. ezequiel diz:

    Pois, sr Vidal, devo confessar que a sua imbecilidade tb não deixa de me espantar: se o sistema está em constante “auto-revolução” as condições seriam propícias para a acção revolucionária. Os atributos essenciais do capitalismo avançado não mudaram patavina. São mais sólidos do que o fervor padresco do Louçã.

    Mao foi o facínora que o senhor e o Zizek gostariam de ser. Louçã é um mero parasita da instabilidade actual, um padreco que vai arrastar o seu partido para a ruína com a sua arrogância desmedida. O homem é incapaz de explicar o seu projecto governamental, que é pouco mais do que umas críticas moralistas pouco convincentes. Mas, como é sabido, os Maoistas não gostam de explicar coisa alguma. Preferem colocar tanques em Tianamen Sq e impor o mais brutal capitalismo estatal a uma população que tratam como mão de obra barata e pouco mais. Os membros da nomenklatura Chinesa fariam o Warren Buffet corar de vergonha. Talvez não tenha reparado mas há uma luta de classes na China que opõe uma minoria de poucos milhões a uma maioria que ainda hoje é tratada como se fosse carne de canhão dos senhores feudais.

    Só mesmo um idiota consegue acreditar que uma sociedade em estado de flux constante poderia “fixar” uma ética. E o pós-modernismo? Faz parte desta eterna mutabilidade que paradoxalmente solidifica a dominação??

    Haja pachorra para tanto estupidez, sr Professor.

  4. Sm diz:

    Louçã apanhou um balde de água fria: cresceu perdendo o terceiro lugar que as sondagens reservavam (e acreditou) para si e a complementaridade suficiente à esquerda. Aliás do mesmo modo que o PC (esperadamente) Esse só se espantou do seu lugar – todavia ainda não táxi, verdade.
    E depois , há Portas (o mano protagonita) com a pobreza rural e a zanga PSD a recortá-lo ali a meio desta feita.
    Mas foi giro ver Louça a enfrentar… a sondagem.

  5. este sim inverte esta crítica para converte-la em autonomia ( ensaio emancipatório, não? dizes tu…), mítica cada vez mais mítica, quanto pretende ser crítica. Estes suiços são do grande cacete, right on.

  6. Carlos Vidal diz:

    Calma Zeque, mais calminha, caro Zeque (quase zizeque, mas ainda não, calma).

  7. ezequiel diz:

    Meu caro,

    estou mais calmo do que o mar morto. disse o que pensava. vivo num país livre, apesar de tudo. se fosse milionário pagava-lhe uma longa estadia na sua bem amada China…como trabalhador ao serviço da emancipação colectiva…de uns poucos!

Os comentários estão fechados.