Para que serve o voto na esquerda radical?

Os comentários e análises aos votos contabilizados à esquerda do PS ilustram o equívoco contido na metafísica da representação. «Fala-se» através do voto e essa forma de comunicação política  não apenas se sobrepõe a todas as outras como reivindica para si propriedades exclusivas. A política passa então a ter a forma de um hemiciclo com 230 lugares sentados (mais do que uma carruagem de TGV, menos do que os militantes do Bloco de Esquerda em Aveiro) e chama-se «participação» ao que é efetivamente uma delegação.

Repare-se bem no contrasenso que nos apresentam como mensagem cívica: quem não vota abdica de ter  uma voz própria e uma palavra a dizer acerca do governo da sua vida. É irresponsável e cúmplice das piores patifarias.  Mas quem vota, delegando noutros a possibilidade de falar por si e decidir por si, é responsável e maduro. Está representado, na mesma medida em que se pode afirmar que outros estão prontos para o representar.

Com esta curta fábula infantil se defende este regime, asfixiante em certos momentos é certo, mas suficientemente confortável para que nele caibam os herdeiros dos vencedores e dos vencidos de Novembro de 1975. O equívoco que referi é fácil de ilustrar. Comparem o que escreveu o Zé Neves com o que escreveu o João Rodrigues e com o que escreveu o Nuno Ramos de Almeida. Todos votaram (penso eu) na mesma força política, mas o significado que atribuem ao seu voto e o horizonte que desenham na sua justificação é significativamente díspar. Os argumentos do João parecem-me os mais sólidos – quem deseja apoiar e reforçar um programa social-democrata de esquerda encontra ali os seus defensores mais consequentes. Já os do Nuno e os do Zé parecem-me transportar em si um registo de ambiguidade que identifico também no voto do Carlos Vidal na CDU.

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O problema do pluralismo contido em cada opção de voto é que ele deixa para depois o que  se gostaria de  ver definido desde logo. Para depois e, naturalmente, para outr@s. O Zé ainda poderá ouvir no parlamento um deputado bloquista fazer a apologia do trabalho e da produtividade. E ainda que possa escrever centenas de linhas em sentido contrário, aquele deputado poderá sempre com propriedade chamar em seu auxílio o meio milhão de votos que ali o trouxe, entre os quais o do próprio Zé. Ele «ganhou-os», «conquistou-os» e, corolário lógico de semelhante raciocínio, eles pertencem-lhe. Alguém que tenha votado no Bloco para exprimir o seu desejo de ver Portugal fora da NATO, ainda poderá assistir à sua utilização para aprovar um orçamento no qual estão inscritas as verbas necessárias à manutenção da presença militar portuguesa no Afeganistão.

Dir-me-ão que a política não se esgota no voto e eu serei o último a contrariar semelhante argumento, ainda menos a propósito dos exemplos que invoquei, todos eles conhecidos por uma intervenção mais ampla  e rica do que a sua declaração de voto. Não é a ortodoxia extra-parlamentar que motiva este comentário. O que me parece verdadeiramente problemática é a relação que se pretende estabelecer entre o conflito e o voto, formulada em tempos de modo exemplar pela CDU, quando nos desafiava a «levar a luta até ao voto».

Depositar numa urna o nosso desejo de acabar com o Estado, o patriarcado e o trabalho assalariado não é necessariamente – sublinho toda a cautela que este advérbio de modo encerra – a coisa mais «razoável» e «pragmática» a fazer. Eu desconfio da facilidade com que se formula essa relação e se extrapola até ao infinito o significado do voto. E não o faço por ter lido a esse respeito alguma densa e refinada argumentação teórica. Antes observo a facilidade com que se banaliza, no movimento estudantil ou nas mobilizações de precários, o pressuposto de que a escola de classes (ou a mercantilização do ensino) e a exploração capitalista (ou os contratos a prazo) se combatem votando à esquerda. Reparem, não afirmo desde já que isso é impossível, limito-me a constatar que não é óbvio.

O problema contido na ideia de uma representação parlamentar do conflito, de uma representação dos movimentos sociais pelos partidos de esquerda, é um problema de estratégia. Deixando de lado as situações em que a disputa pela direcção deste ou daquele movimento/organização de massas por dois partidos (vocês sabem bem do que é que eu estou a  falar) queima tudo à sua volta, resta o problema de fundo. Queremos que o envolvimento e a acção política de cada um contribua decisivamente para tomar a sua vida nas suas mãos, ou aceitamos facilmente que isso só pode resultar da acção de terceiros e através da mediação do voto?

A diferença não é pequena e contém em si o que distingue um sujeitos de um objecto, o exercício da democracia  ou o seu consumo.

Nesse sentido, toda a demagogia imbecilizada que encheu de alarmismo o discurso da direita e do PS ao longo da campanha eleitoral não me comove. A invocação do espectro da «esquerda radical» para descrever dois partidos políticos que apresentaram programas de reforma e modernização é apenas um sinal da indigência intelectual que caracteriza o debate político em Portugal.

Quem deseja a transição para um modelo de acumulação capitalista regulado pelo Estado, caracterizado pela inovação e pelo conhecimento, dotado de serviços públicos eficazes e universais, ocupando uma posição privilegiada no processo de divisão mundial do trabalho, tinha no Bloco de Esquerda (ou na CDU, ainda que com outra formulação e menos ênfase na «economia do conhecimento») a melhor opção de voto. A esse nível, um milhão de pessoas não é pouca coisa e deverá significar qualquer coisa. Muitos foram certamente sensíveis ao tom responsável com que Francisco Louçã e Jerónimo de Sousa se propuseram apresentar soluções para os graves problemas do país.

Quem deseja manter a combinação de sub-desenvolvimento, clientelismo, paternalismo e provincianismo a que se chama «Portugal», recorrendo uma e outra vez à ficção de um desenvolvimento «à irlandesa» ou «à finlandesa» ou «à espanhola», defendendo mais ou menos investimento público, mas tendo como eixo de referência a putativa ambição de integrar o «pelotão da frente» da integração europeia, tinha no CDS, no PSD e no PS outras tantas variantes da mesma coisa.

O que fica de fora da representação política, pelo próprio facto de não poder ser formulado nesses termos, é aquilo a que alguns chamaram, timidamente, a hipótese comunista. Esse horizonte, que em nada se confunde com o da «esquerda radical», convoca outros debates e problemas, desde logo porque retira a emancipação dos trabalhadores da esfera do legislador (que altera o código do trabalho) ou do governante (que promove políticas de pleno emprego), devolvendo-a aos próprios trabalhadores.

Numa obra recentemente celebrizada pelo deputado João Galamba, Marx desenvolveu uma formulação que me parece conter o essencial da questão: “O comunismo não é para nós um estado de coisas a estabelecer, um ideal pelo qual a realidade se deva egular. Chamamos comunismo ao movimento real que supera o actual estado de coisas. As condições deste movimento resultam da premissa actualmente existente.”

Contra esta posição pode, evidentemente, desenvolver-se a objecção de que eu nada adianto de prático relativamente ao que há para fazer. É uma objecção respeitável, mas que funciona apenas no interior de uma concepção linear da história, que considera mecanicamente que a soma de pequenas transformações é a condição indispensável às grandes transformações. De uma perspectiva comunista trata-se, pelo contrário, de identificar as condições para a superação desse tempo vazio e homogéneo, para a interrupção do monólogo elogioso que a ordem presente elaborou sobre si própria.  Os problemas de ordem prática poderão então ser encarados de uma perspectiva mais ampla do que a da simples e imediata «eficácia». Cito a esse respeito as primeiras das seis teses sobre o imprevisível: “Toda a história é a história da construção do imprevisível. O primeiro átomo do imprevisível é a desconstrução da aparência, ou seja, a descodificação do previsível.”

Outros ainda escreveram, em França ao que se sabe, uma convocatória. Dela extraio, para este efeito, uma citação que me preencheu a cabeça no passado domingo, enquanto se sucediam e atropelavam no ecrã televisivo os nossos futuros representantes. Reza assim: “Periodicamente, a esquerda sofre derrotas. Isso agrada-nos, mas não nos chega.  Pretendemos que a sua derrota seja definitiva. Sem remédio. Que nunca mais o espectro de uma oposição conciliável venha planar no espírito daqueles que se sabem inadequados ao funcionamento capitalista. A esquerda – e isto é admitido pelo mundo inteiro hoje em dia, mas recordá-lo-emos ainda depois de amanhã? – faz parte integrante dos dispositivos de neutralização próprios da sociedade liberal. Quanto mais se agudiza a explosão do social, mais a esquerda invoca a «sociedade civil». Quanto mais a polícia exerce impunentemente o seu arbítrio, mais ela se declara pacifista. Quanto mais o Estado se liberta das últimas formalidade jurídicas, mais ela se torna cidadão. Quanto mais cresce a urgência de nos apropriarmos dos meios da nossa existência, mais a esquerda nos exorta a espertar, a reclamar a mediação, se não mesmo a protecção, dos nossos senhores. É ela que nos incentiva hoje em dia, perante governos que se colocam abertamente no terreno da guerra social, a procurar a sua compreensão, a redigir as nossas queixas, a formular reivindicações, a estudar economia política.


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13 respostas a Para que serve o voto na esquerda radical?

  1. vá lá dizer isso para a empregada do continente que trabalha que se desunha e não vê um chafo.

    de resto, o texto soa a caixa de ressonância das teses de Zé Neves; não vejo, em momento algum, onde está a tua visão “díspar”.

    outra coisa: depois de tão grande panfleto não disseste como é que se cria emprego. ou escapou-me a fórmula nas entrelinhas de tanta prolixidade?

    como dizia o Luís Pacheco: “Pãozinho, senhores do surrealismo, pãozinho!”

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  3. xatoo diz:

    “os vencidos de Novembro de 1975”, atendendo apenas à lógica de individualista de observação de Ricardo Noronha, não cabem em lado nenhum. Porque se trata, não de visões de individuos, mas do interesse colectivo de todo um grupo étnico-social, os portugueses, que neste regime subjugado ao economicismo politico neoliberal não têm representação como um todo

  4. Ricardo Noronha diz:

    Caro Nuno, peço-lhe que leve todos os textos que escrevo a todas as empregadas do continente que trabalham que se desunham e não vêm um chafo. Depois diga-me o que é que elas acham.
    Entretanto, se não se importa, comecemos pela sua própria opinião, que beneficia do facto de já ter lido o que escrevi. Desconheço o que sejam as teses do Zé Neves, mas se fizer o favor de as descrever sucintamente, poderemos identificar o que as distingue ou as aproxima deste post.
    Por certo compreenderá que não me propus ser «original» ou «criativo», mas expor um ponto de vista sobre o assunto, que naturalmente partilho com outras pessoas. Se a isso preferir chamar ressonância, nada tenho a opôr.
    Finalmente a pérola de todos os comentários sempre que se argumenta contra o trabalho.
    Penso que se «criam empregos» com recurso a vários elementos. Um deles, seguramente, é o investimento em salários, matérias-primas e bens de produção. Nada de novo. O que nunca compreendi é como é que se luta para «criar emprego» e peço a quem ler isto que se dê ao trabalho de mo explicar.
    Por outro lado, «criar emprego» só se torna uma necessidade imperiosa de sobrevivência – para mim como para uma empregada do Continente – no curso de um longo processo histórico carregado de combates, através do qual o conjunto da vida se viu subordinado ao processo de acumulação capitalista e um amplo conjunto de actividades se viu resumido na figura do trabalho assalariado. Não sei se isto é uma inteira novidade para o Nuno, mas muito antes de alguém se preocupar com a «criação de emprego», já se fabricava o paõzinho.
    A citação do Luiz Pacheco não deixa de ser curiosa. Foi quase sempre com a farinha surrealista que ele cozeu o seu pão.

  5. LAM diz:

    Pequena observação a propósito de surrealismo:
    o parlamento eleito em 2005 contava 142 deputados daquilo a que chamam esquerda. O parlamento agora eleito e da mesma esquerda abrangente terá 127 deputados.
    Custa-me entender o que será possível agora que não foi no passado.

  6. ezequiel diz:

    o voto na esquerda radical, no centrão ou na direita radical ou moderada não serve para coisa alguma, meus caros. a podridão deste país tem outra origem, muito menos complexa e muito mais difícil de combater.

  7. Luís Bernardo diz:

    Não conheço quase nada de Marx, para além de leituras diagonais do Capital e do Manifesto do PC.
    Contudo, estas tomadas de posição, oblíquas e prolixas, lembram-me sempre de algo, quando participo em actividades desligadas da lógica partidária (de que não sou fã e nunca serei):

    11. Os filósofos têm apenas interpretado o mundo de maneiras diferentes; a questão, porém, é transformá-lo.

    “É uma objecção respeitável, mas que funciona apenas no interior de uma concepção linear da história, que considera mecanicamente que a soma de pequenas transformações é a condição indispensável às grandes transformações.”

    Pois. Isto lembra-me alguém. Esse alguém disse, certa vez, que o papel do intelectual não é estabelecer leis, oferecer solução ou profetizar, dado que estará apenas a contribuir para a cristalização do poder. Esse alguém também se cansou de si próprio e foi para a rua.

    Já que estou numa de autores, deixo ainda outra:

    “I want freedom, the right to self-expression, everybody’s right to beautiful, radiant things.”

    Não tem nada a ver com o texto. Ou terá? Fica a questão.

  8. Caro Ricardo, nota-se que nunca fizeste mais nada para além da academia. porque de outra forma saberias que a empregada do continente não passaria do primeiro parágrafo do teu texto…

    lembro apenas que aquilo que tu chamas a metafísica da representação – outras tantas ressonâncias, que mais valia serem identificadas – já foi uma “física” muito concreta da liberdade dos povos. A heteronomia foi outrora uma ambição das mais apetecidas. A representação por interposta pessoa, grupo ou sistema, uma das mais interessantes opções. Para o compreender basta pensar que a representação se encontrava na pessoa do representado – completa dualidade do Rei: representante e representado!

    é ler os discursos da Comuna, das revoluções americana e brasileira (chamo-lhe revolução porque é isso que ela foi – contra o império, claro) para perceber que a tal “metafísica da representação” era a voz organizada do povo. Foi sempre uma ilusão, dir-me-ás. Pois, talvez. Mas uma ilusão que mudou muita coisa e não me parece que tenha sido no sentido do Lampedusa.

    por outro lado, a um nível mais técnico, era preciso que o Ricardo ou o Zé Neves, propusessem um outro sistema decisional – é que desde a associação de estudantes, passando pelo grupo de chinquilho de aguiar da beira, a representatividade delegada por maioria é a única que assegura uma vontade geral. Imperfeita? Claro, como é imperfeito o sistema informático do Cavaco.

    outra coisa, a formulação mais concreta que conheço da hipótese comunista é dada por Badiou num artigo da New Left review. convém lê-la de novo e “me deitar”.

    finalmente (pareço o pedro silva pereira) registo o que o Lam diz no seu comentário. a vossa euforia é um bocado extemporânea…

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  10. Ricardo Noronha diz:

    Caro Nuno, a referência anterior à funcionária do continente já deixava um pouco o seu rabo de fora, mas agora o seu rêgo (se assim se pode dizer) ficou completamente à vista.
    Você acha, paternalisticamente, que quem se vê obrigado a desempenhar tarefas rotineiras, desagradáveis ou extenuantes é forçosamente menos capaz de debater certos temas.
    A consequência lógica é que quem se propõe fazê-lo é forçosamente alguém muito bem instalado e que não sabe o que custa ganhar a vida.
    É significativo que esse esquema mental sirva, em proporções semelhantes, a estalinistas, conservadores, social-democratas e liberais para desautorizar qualquer formulação política que recuse a divisão social do trabalho e a hierarquia como ordem natural das coisas. A esse nível, as semelhanças são incríveis e igualam todos em elitismo.
    O Nuno não nota nem deixa de notar o que quer que seja porque desconhece em absoluto aquilo que eu já fiz para «ganhar a vida» ou o «pãozinho». Calculo que já tenha tido mais e piores empregos do que alguma vez lhe passou pela cabeça, mas isso não é, em si mesmo, uma qualidade.
    A ideia miserabilista de que o «povo» só se preocupa com o «pãozinho» é uma imbecilidade reaccionária, venha da boca de quem vier. Não preciso de ir muito longe – aliás, qualquer exemplo familiar serviria – para sua informação o meu bisavô, que era bate-chapas, lia Anatole France, Zola e Gorki, e achava que isso também era militar activamente contra o fascismo. Nem só de pão…

  11. Justiniano diz:

    Caríssimo nuno castro!
    Correctíssimo, o seu comentário, e perfeitamente de acordo, com a pequeníssima excepção do considerando inicial.
    De qualquer modo, estou em crer que o Ricardo, como muitos outros, pretende a erosão da legitimação liberal atacando o princípio democrático que é um mero critério prático.
    Registo, especialmente, “A heteronomia foi outrora uma ambição das mais apetecidas”, (entendo que o nuno quer significar superação de anomia e arbitrariedade… Será!!?? Se sim, tanto melhor!)
    A mesma construção, do nuno castro, poderia referir-se ao trabalho assalariado dependente como síntese da mediação entre a justiça comutativa, segurança jurídico-económica e a utilidade social da indústria humana (Acaba por ser essencialmente redutor, instrumental e pressupoe um indivíduo antropologicamente delimitado, portanto pouco liberal, nada burgues mas aceitável, por enquanto.)
    Um bem haja, que nunca é demais!

  12. Justiniano diz:

    Caríssimo Ricardo.
    “O que nunca compreendi é como é que se luta para «criar emprego» e peço a quem ler isto que se dê ao trabalho de mo explicar.”
    O conceito emprego é um bocado desagradável, um quase nada e quase tudo.
    Trabalho, em sentido lato, pode ser!?
    Todos os indivíduos que lutaram pela liberdade de criar e modificar o mundo exterior (agregados em nações pela sua independencia, muito importante) – lutaram para criar emprego, mais trabalho para poderem trabalhar mais e com empenho na criação da riqueza que os sirva.

  13. Ricardo Noronha diz:

    “Todos os indivíduos que lutaram pela liberdade de criar e modificar o mundo exterior (agregados em nações pela sua independencia, muito importante) – lutaram para criar emprego, mais trabalho para poderem trabalhar mais e com empenho na criação da riqueza que os sirva.”
    Pois…

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