Meus caros amigos: o BE perdeu (quer dizer, perdemos todos)
28 de Setembro de 2009 por Carlos Vidal
GODARD. Histoire(s) du Cinéma.
Sobre Godard, Jean-Luc Godard. Sempre o considerei não apenas como um dos grandes cineastas de sempre, mas também como um dos grandes pensadores do nosso tempo. Não, não me refiro apenas à condição de “pensador da imagem”, falo de um pensador num sentido muito vasto, total, um ensaísta, um filósofo, um pensador do fragmento como Montaigne, mas também um pensador, ao mesmo tempo, de um corpus global, como – que dizer – Deleuze, Badiou, Habermas, Peter Sloterdijk…
É evidente que o cinema ocupa aqui uma centralidade, mas também se pode dizer que a partir daqui é todo o mundo, todo um mundo, que é pensado, cirurgicamente dissecado. Impiedosamente (e é isso que faz deste homem alguém de uma grandiosidade indiscutível: pessimista, lírico, visionário, humano!) E sobre o cinema diz-nos Godard nessa obra de pensamento única (repito: ÚNICA!) que é Histoire(s) du Cinéma - o cinema falhou porque não impediu a direita, o fascismo, a guerra, Hitler…
Faço um paralelo com as eleições de hoje: não, não andava aqui, neste pleito eleitoral, nenhum Hitler, não é isso. Mas refiro-me ao discurso triunfalista de Francisco Louçã há pouco. Absurdo. Ele, Louçã, devia ter aprendido com Godard, Jean-Luc, que, já agora, não sei se é um cineasta de cabeceira de Louçã como é meu (permita-se-me que o diga). O BE perde estas eleições. O BE fracassou, porque não impediu a direita dura de Portas de ficar em terceiro lugar, nem impediu Sócrates de cantar vitória. Fracassámos todos. Nenhuma esquerda “renascida” estas eleições põem em marcha. NENHUMA. E contra isto não há sofismas, nem belos ou labirínticos discursos. Até amanhã.

GODARD. Histoire(s) do Cinéma

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