Dos dezanove por cento de votos na esquerda radical ou uma belíssima fissura no sagrado princípio da propriedade privada

A esquerda radical – é tempo de aceitarmos o epíteto sem prurido? – alcançou um resultado muito interessante, confirmando a possibilidade de interrompermos os mecanismos do inevitável, que reduzem a política a um simples acto de gestão do que já existe. Trata-se de uma lição. Há dez anos atrás, ninguém acharia este resultado possível, mas foi. E foi porque existiram homens e mulheres que lutaram por um conjunto de princípios por eles tidos como elementares – princípios afirmados independentemente de supostas impossibilidades derivadas de condições ditas objectivas e dependentemente de possibilidades resultantes das suas vontades subjectivas – que acabámos por chegar a este ponto de situação. Em proporção muito diferente, é certo, BE e PCP cresceram. Há uns anos atrás, cinco, dez, quinze anos, alguém aqui arriscaria, porventura, que uma força à esquerda do PS, e dissociada do PCP, pudesse chegar aos 10% de votos? E alguém igualmente arriscaria que o PCP manteria e até subiria a sua votação? Talvez. Mas nunca ninguém pensaria que acontecessem ambas as coisas, todos achávamos que uma coisa seria feita à custa da outra. O facto de não ter sido assim é o elemento mais enigmático que o presente cenário político-eleitoral oferece a todos os militantes, activistas e eleitores que votaram à esquerda do PS, ou, até, a muitos dos que votaram no próprio PS. Cabe-nos não desaproveitar este “sinal dos deuses”, o que nos deverá levar muito além do próprio âmbito partidário e institucional. É claro que os 19% da esquerda radical não retiram efeito mediático ao resultado do CDS. E os significados da subida do partido de Paulo Portas não devem ser minimamente menosprezados – aliás, é pena que houvesse gente que se lembrasse do fantasma salazarista a propósito de um tgv e não a respeito do culto do trabalho e da ordem feito por Portas. Mas, notem bem, qualquer anticomunista que se preze, a si, aos seus e aos seus bens, estará seguramente mais preocupado com os nossos 19% da esquerda radical do que estará aliviado com os 10,5% do CDS de Paulo Portas. A votação de BE e PCP vem alargar os campos do possível de modo inusitado; deverá, por isso mesmo, colocar de sobreaviso todos os que  classificaram as propostas da esquerda radical como sintoma de loucura, irracionalidade, extremismo. Há 19% de pessoas que votaram em partidos que, de acordo com a maioria dos comentadores e especialistas, querem desprivatizar tudo e mais alguma coisa. E mesmo que não seja verdade que esses partidos tenham planos de tal ordem, o facto de se neles se ter votado diz-nos muito acerca dos limites desse respeito supostamente natural que a espécie humana nutriria pelo princípio sagrado da propriedade privada. Enfim, o anticomunismo primário de tantos e tantas comentadores conseguiu criar este monstro que é a esquerda radical. O monstro seguramente agradece e, nos próximos anos, tudo faremos para ajudá-lo a engrandecer-se na sua disformidade. O velho comunismo, o novo esquerdismo, a democracia económica, se não os encontramos matematicamente programados nas verdades proclamadas pelos partidos que a eles são associados, seguramente se reanimam com as mentiras com que os seus adversários pretenderam caluniar tais partidos. Destruidores de pátrias, ateístas empedernidos, adeptos da preguiça, redistribuidores obsessivos, inimigos da concertação, peões da luta de classes – saibamos estar à altura destas calúnias, aceitando-as se não com orgulho, palavra de que não gostamos, pelo menos com um sorriso nos lábios.

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32 respostas a Dos dezanove por cento de votos na esquerda radical ou uma belíssima fissura no sagrado princípio da propriedade privada

  1. Carlos Vidal diz:

    Falhámos, Zé Neves, em parte falhámos, algo falhou – não menosprezes tanto o Godard que eu cito em baixo.
    Cumps.
    CV

  2. Eduardo F. diz:

    Hoje é 28 de Setembro.
    Há um texto no Georden para lembrar a efeméride que, com toda a certeza, ficará arredada dos média durante o dia que passa.

  3. antónio diz:

    Estive todo o dia fora, não vem ao caso porquê.

    Depois tinha uns amigos estrangeiros para cear, estivémos à conversa (pois, eu falo “estrangeiro”, acontece…)

    Quando eles se foram liguei a BBC, e a CNN, consigo fazer isso, e na TV. Estive 15 minutos de roda daquilo (e entretanto pensei com os meus botões, não vale a pena espiar a France24, a Deutsche Welle, a TVE1, a RAI Uno ou a Al-Jazeera. Para esses as notícias andam à roda do G.P. em Singapura, da inundação em Manila, dum golpe nas Honduras, ah e parece que o SPD foi “esmagado” na Alemanha (Ich hatte es dir vor gesagt, mein freund J., aber Du…)

    Sobre nós, e as nossas ‘importantes eleições’ (president dixit…) nada em volta de nada.
    Não somos notícia, não há novidade.
    Não faço ideia se é bom ou se é mau, o meu tempo das certezas já me abandonou faz muito.

    Tenho uma “vantagem competitiva” sobre muitos de vocês: posso abandonar o ‘rectângulo’, que se calhar servi mais que muitos e fixar-me num país do 3º mundo, assim como… deixem-me lá pensar… Canadá ??

    Boa sorte para vocês todos… e são brancos, não é ? Entendam-se ou então atirem com a ‘coisa’ para o fundo do mar. Eu não estarei cá para ver, de certeza certa.

    P.S.

    Mais PS ? Porreiro pá. Limiano ? Ainda mais porreiro, pázinhos.
    A mim tanto me faz.
    Desprezo-os a todos por igual, o que me vale é que o voto não é obrigatório.
    Sou ‘tuga’ de coração e carteirinha, resta-me ter saudades.

  4. Artur Sequeira Portela diz:

    Perder é sempre fodido!!!

  5. m diz:

    ( não vem não. veja lá se percebe que votos em tais partidos , a anos luz do que agora queremos : morra o estado , só mexem enquanto a hipótese de não ganharem mais que 20% é o normal. quando passarem disso a malta deixa de votar. voto de protesto? be é só isso. ninguém faz a miníma do que é que o be quer. eu até votava nele se pudesse por as minhas plantas na varanda.)
    Porque pensa que cds ficou à frente de be contra todas as estimativas? não somos palermas e manipuláveis tanto como julga. estamos fartos de estado , leviatã já não é preciso , já não guerreamos com o exterior e internamente dá ideia que estado não serve para nada)

  6. javali diz:

    militantes e militantas, se faz favor, ou estamos aqui perante uma evidente discriminação das fêmeas?

  7. Bernardo Sardinha diz:

    A vitória do insustentável BE foi a derrota de esquerda. Os novos votos no BE foram dos irmãos gémeos dos que votaram CDS. Apenas constestatários. Uns constestataram para um lado, outros para outro.

  8. Não é por acaso que a Nogueira Pinto se congratulava pelo facto do CDS ficar à frente do bloco, mas não sendo a política propriamente um campeonato de futebol, não posso partilhar a ideia de que falhámos. A politica institui-se em torno da economia e da ideologia e está em permanente ebulição, por isso haja ânimo para novos desafios.

  9. complemento:
    assim partilho mais a posição do Zé Neves, do que a do Carlos Vidal.

  10. Luis diz:

    Zé Neves, por favor tire o PCP dos seus filmes, delírios e pesadelos.

  11. viana diz:

    Um excelente comentário, que identifica o essencial sobre o acessório. Aliás, algo talvez ainda mais radical se passou na Alemanha. A esquerda radical (apesar do radicalismo dos Verdes alemães ser distinto do que norteia o Die Linke) teve quase tantos votos quanto o SPD! Houve uma reconfiguração brutal da paisagem política alemã à Esquerda, que terá reverbações por toda a Europa.

    Passando ao comentário do acessório, fiquei contente por nem BE (apesar de seu apoiante) nem CDU conseguirem ter uma maioria absoluta de deputados na AR com o PS. Tal faz com que seja politicamente impossível quer o BE quer a CDU se deixarem levar pela tentação de se coligarem com PS, cedendo demasiado nas políticas que têm defendido. Agora, se o PS se quiser coligar à Esquerda, terá efectivamente de fazer cedências enormes (que não acredito serem – para já – possíveis por parte de José Sócrates), implementando um diálogo sério com toda a Esquerda, iniciando a reconfiguração porque esperamos. A Esquerda Socialista tem tempo, há que saber esperar. Este não é o momento certo para entrar em acordos de governo com o PS. Não com um líder, Sócrates, que é (ainda) odiado à Esquerda. Mas, em 2011, após as eleições presidenciais, independentemente de quem ganhar, é certo que PSD+CDS quererão derrubar o governo e forçar novas eleições. Será então o momento da verdade de Sócrates. Ou alia-se à Esquerda, cedendo em toda a linha (relativamente às sua polítcas habituais), ou a sua carreira política termina, com uma mais que certa derrota nas urnas perante o PSD (muito provavelmente pré-coligado com o CDS) em eleições antecipadas. Eu sei que revoltará os estômagos de alguns, Carlos Vidal por exemplo, a prespectiva duma frente de Esquerda na AR apoiar um governo de Sócrates (a partir de 2011). Mas, lembrem-se, que o que conta são a atitude e as políticas, não a pessoa em si. E políticas de Esquerda serão mais facilmente implementadas por um Sócrates fraco, agrilhoado à Esquerda (pela imagem, hã?…), do que por um novo líder do PS, que não terá interesse à partida (antes de novas eleições, onde a pressão do voto útil no PS será bem mais intensa) em fazer tais concessões. De qualquer maneira, acho este cenário muito improvável, pois quase de certeza Sócrates preferirá uma descansada reforma num chorudo emprego numa qualquer empresa privada.

  12. chico da tasca diz:

    Este miserável post para além da presunção e do auto-convencimento que revela, e da arrogância (!), revela outra coisa que eu, como orgulhoso anti-comunista primário, sempre pensei dos comunas de merda : são gente que presta muito pouco !

  13. chico da tasca diz:

    E outra coisa : a esquerda totalitária ficou nos 2 ultimos lugares, é certo que com votos demasiados para qualquer país que queira ser desenvolvido.

    Portanto, a sua capacidade de influenciar o que quer que seja é limitada, pois há o CDS e ainda temos o PSD que, seguramente, irá ter uma nova liderança.

    O que eu prevejo é que a esquerda totalitária, nomeadamente os comunas ortodoxos (que venceram mais uma vez, pois claro…) irá ser votada ao ostracismo, por parte do Engenheiro Sócrates.

    Eu votei no PS, no PS de Maria de Lurdes Rodrigues (que espero sinceramente que continue no Governo, pois foi uma excelente ministra), de Vieira da Silva, do Engenheiro Sócrates, e votei para a maioria absoluta, mas caso ela não se verificasse, como não se verificou, foi com a intenção de que o PS, fizesse acordos e/ou coligações quer com o CDS quer com o PSD, mas nunca, nunca, com a esquerda totalitária.

    Foi esse o sentido do meu voto no PS.

    E já agora, eu sei que a esquerda totalitária é perita em sabotar os regimes democráticos nomeadamente através de esperas, de insultos e de ajuntamentos de carneiros.

    O sentido do voto dos portugueses foi dar a vitória ao PS, para este fazer acordos com o CDS e o PSD, e é isso que a esquerda totalitária vai tentar dinamitar por todos os meios subversivos que conhece e que aprendeu da experiência dos regimes torcionários que patrocinou.

    Mas vão perder porque o estalinismo e o marxismo e o totalitarismo nunca passará em Portugal.

  14. viana diz:

    Oh chico da tasca, não me diga! Votou no PS do rendimento mínimo garantido e dos casamentos homossexuais? Compreendo que esta manhã ainda esteja mal disposto, com o grande sapo que teve de engolir… Infelizmente, os seus desejos de coligação não se vão realizar. Desejava mesmo, pá! Nas próximas eleições bem que poderia tentar votar no seu PS para mantê-lo acima dos 30%. Ia ser tão bonito! O fim da capacidade do PS alguma vez chegar de novo à maioria absoluta…

  15. xatoo diz:

    Errado. A verdadeira esquerda radical não elegeu nenhum radical. Estou a pensar em concreto na hipótese de ver Garcia Pereira como deputado. Nunca conseguiu, nem foi ainda desta vez, o que é seguramente uma perda na diversidade de opiniões no parlamento burguês – num sistema que pura e simplesmente escorraça mediaticamente a hipótese de ali existirem alguma vez radicais de pensamento anti-capitalista

  16. chico da tasca

    “O sentido do voto dos portugueses foi dar a vitória ao PS, para este fazer acordos com o CDS e o PSD”

    Vê-se

    “Ana Gomes diz que coligação com o PP “nunca, jamais””

    “Coligação com BE não «repugna nada» Mário Soares”

    Atrasado mental..

  17. Chico, a Assembleia não é um campeonato de futebol, isso de primeiros e últimos lugares é palha para comentadores, não tem nenhuma consequência política concreta. E acho extraordinária essa leitura de que os eleitores do PS o querem coligado com o PSD e o CDS. Chama-se projecção, a esse mecanismo psicológico.

    Os deputados lá estarão, todos. Concordo com o Zé Neves, vejo nestes resultados mais uma abertura de possibilidades (e de responsabilidades) do que qualquer outra coisa.

  18. Carlos Vidal diz:

    Francamente, não sei o que é que esta Inês Meneses aqui vem farejar: é que a senhora jugulenta ainda consegue ser mais patética e imbecil do que a Carmelinda Pereira (que, peço desculpa, não é imbecil, nada imbecil, é apenas uma lírica e simpática). A imbecilidade da jugulenta fá-la tacticamente (imbecil e esperta, portanto, mas saloia) pensar que isto de PS, PCP, BE é tudo mais ou menos a mesma coisa. Se eu pudesse, apagava tudo o que esta tipa aqui nos traz (nas minhas caixas não entra).

  19. chico da tasca diz:

    A coligação do PS com a esquerda totalitária significaria :

    – o fim da economia de mercado.

    – o fim da iniciativa privada.

    – o fim das liberdades individuais.

    – a estatização de bens, pessoas e empresas.

    – o dominio das corporações da administração pública sobre os restantes portugueses.

    – o governo do país a partir da rua.

    Não foi com essa intenção que eu votei no PS.

    Eu votei no PS para que este continuasse com a politica que manteve até agora :

    – Reforma da Administração Pública.

    – Liberalização da Economia.

    – Privatização das empresas sobre a alçada do Estado.

    – Responsabilização dos trabalhadores da Função Pública, com avaliação com consequências na carreira, premiando os melhores e castigando os que o não são.

    – Total indiferença perante manifestações.

    – Total indiferença perante a pressão dos Lobbies Corporativos nomeadamente por parte da CGTP e da Fenprof, braços armados do PCP.

    etc..

  20. Eu gostaria de subscrever oi post do José Neves, bem como o comentário acima da Inês Meneses. Mas não consigo. Se há uma janela de oportunidade à esquerda, ela é muito pequenina. Porquê? Por causa das clivagens/ressentimentos que atravessam as formações político-partidárias da nossa esquerda (por exmplo, entre o BE e o PC há uma espécie de guerra surda). E, depois, há todo um contexto histórico que fez do PS o partido socialista mais à direita ou, melhor dizendo, menos à esquerda de toda a Europa. Não estou a falar dos seus dirigentes históricos ou até dos mais jovens, mas sim do seu eleitorado, das suas raízes à época do 25 de Abril. Tudo isso, associado às Idiossincrasias do PC, torna muito difícil um entendimento. Coligações à esquerda, ou acordos de incidência parlamentar, são normais por essa Europa fora, mas muito difíceis de firmar aqui em Portugal. Mesmo um estratégia concertada, na oposição, entre o BE e a CDU me parece mais uma miragem. Mas gostaria que as coisas fossem doutra maneira, volto a frisar.

    P.S. No tempo em que o Ferro Rodrigues era Secretário-geral do PS, aí sim, talvez fosse possível um acrodo com o BE

  21. toni diz:

    Cada vez mais o entendimento entre BE e CDU, na proposta política e na resistência ao (des)governo neoliberal se vai impôr. É crucial que essa conjugação de esforços ganhe consistência e se assuma cada vez mais como “A ALTERNATIVA” em relação ao charco bafiento que é esta política de há 30 e tal anos para cá. O que o PS vai ou não fazer, logo se verá. À esquerda do PS, a unidade impõe-se. Vamos ver quem é que é mais sectário…

  22. Pingback: Da continuação da Luta – a Esquerda Radical em crescendo « (Re)Flexões

  23. Francisco diz:

    Zé bom Post. Mas demasiado condescendente com ambas faces da “Esquerda Radical”. É que ser Esquerda Radical n é suficiente, é preciso ser mais, é preciso ser Esquerda Radical e POPULAR. Isto mais para o BE, para o PCP espero q entendam que não basta reforçar a fé e reforçar os muros do castelo se o objectivo é a Vitória…

    Vamos ver se todos aprendemos com este resultado.

    Vai continuando!

  24. rui david diz:

    Gostei do post e acho interessante a argumentação do viana, como sempre um excelente comentador.
    Parece-me que há aqui dois problemas:
    a “esquerda radical”, se um décimo destes votos representasse algo mais do que um simpático activismo de sofá, já tinha colocado um problema sério de sustentabilidade do regime democrático. Esse “sentir” já se teria manifestado de forma concreta, nas ruas, sem necessitar, sequer, da mega sondagem que foram as europeias.
    Não se teria limitado às pitorescas declarações de um candidato do Bloco de Esquerda em Castelo Branco sobre a “falência da democracia representativa”, em contradição com a euforia triunfalista de Louçã na sequência de uma vitória segundo as regras desse (deste) mesmo regime.
    Daí as limitações do activismo de sofá e da “esquerda radical”. É um eleitorado tão volátil como o de parte do PS, flutuando entre o chico da tasca, tão à direita que se diria equivocado (ou que aparece aqui só para dar corpo à paranóia do PS “neoliberal” ou pior) e os muitos que terão votado contra Sócrates por desagravo contra qualquer ataque que terão sentido da parte deste governo.
    Um outro problema da esquerda radical é que a própria esquerda radical tem grande dificuldade em coordenar-se. Ainda estas eleições não arrefeceram e já surgem comentários como os do Bernardo Sardinha e do Carlos Vidal (um caceteiro troglodita candidato a guarda do Gulag, a quem ensinaram a ler e a escrever para mostrar ao mundo que a “esquerda radical” tem de tudo, até uma espécie de Vasco Graça Moura).
    Se alguém, como o toni, está à espera de uma “coordenação” de esforços da esquerda radical para alcançar não se sabe bem o quê, a não ser ajudar o PSD e o CDS a derrubarem o Sócrates, pode bem esperar sentado. Quanto ao sectarismo, o toni que avalie se o sectarismo mórbido do Vidal, que é um dado adquirido, é caso único.
    Quando o PSD regressar ao governo (notar que o Viana assinala uma “reconfiguração” do mapa político alemão à esquerda caracterizado pelo desmantelamento do SPD mas sempre com … Angela Merkel e os liberais firmemente no poder… so much para reconfigurações…) em coligação ou disputa com o PP, aí sim, o PS, seja ele qual for, será hipoteticamente readmitido na grande aliança para derrotar “a Direita”. É este um dos cenários que julgo possíveis para os próximos anos.

  25. Marxista diz:

    Bom post, importante começarmos a pressionar a malta do Bloco e do PC a se unirem. Sem sectarismos, UNIDADE CONTRA O CAPITAL!

  26. Justiniano diz:

    Caríssimo Zé Neves.
    Mas o que é, verdadeiramente, isso do sagrado princípio da propriedade privada!!??

  27. Pingback: A Governação Limiana « Solstício

  28. portela menos 1 diz:

    Eu votei no PS, no PS de Maria de Lurdes Rodrigues (que espero sinceramente que continue no Governo, pois foi uma excelente ministra), de Vieira da Silva, do Engenheiro Sócrates, e votei para a maioria absoluta, mas caso ela não se verificasse, como não se verificou, foi com a intenção de que o PS, fizesse acordos e/ou coligações quer com o CDS quer com o PSD, mas nunca, nunca, com a esquerda totalitária.

    e o chico escreveu isto tudo no boletim de voto?

  29. Justiniano diz:

    Caríssimo Zé Neves.
    Uma vez mais, porque entendo que seria interessante!
    Gostaria, se possível, que desenvolvesse, dentro dos limites “bloguíticos”, o sagrado princípio da propriedade privada.
    Sendo possível, também, explicitar de onde retira que os tais (19%??!) “E mesmo…diz-nos muito acerca dos limites desse respeito supostamente natural que a espécie humana nutriria pelo princípio sagrado da propriedade privada” e porque não os 100%!
    Antecipadamente grato e cordialmente,

  30. zé neves diz:

    caro justiniano. faz parte da ideologia dominante (seja lá isto o que for) a ideia do respeito absoluto pela propriedade privada. esta ideia dependeria da ideia de que a propriedade é um instinto da natureza humana. 19% é a soma dos votos de PCP, BE e MRPP. Tidos como partidos cujos programas representariam um ataque à propriedade privada. sobre a propriedade privada propriamente dita, voltaremos a isso mais tarde.
    abç

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  32. Justiniano diz:

    Caro Zé Neves. Leve o seu tempo.
    Cumps

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