Uma análise perversa (mas muito verdadeira) para o próximo dia 27 de Setembro


CARAVAGGIO. Cristo capturado.

Em The Puppet and the Dwarf: The Perverse Core of Christianity, Slavoj Zizek parte da tese que aquilo que revifica o cristianismo e a figura de Cristo é a traição. Cristo tornado homem deseja isso mesmo: ser um homem, libertar-se do fardo pesado da eternidade; para isso Cristo tem de se terrenizar efemeramente através do modelo humano. Mas, como diz Santo Atanásio, ele não pode morrer como homem, não pode morrer no leito como um homem. Logo, necessita de uma traição superior, ou seja, da traição de um dos seus mais próximos, para que a sua morte seja o mais elevada possível. Apesar disto, tal não é valorizado por S. Paulo, o fundador do cristianismo como “movimento” (S. Paulo que, com Badiou, Zizek compara a Lenine, o verdadeiro organizador de um movimento mundial e sem geografia determinada pela identidade).

O “Pai porque me abandonaste?” dos evangelhos é fundamental para que a morte se possa transformar em vida. Barthold Heinrich Brockes é um enorme escritor do século XVIII e o seu Der für die Sünde der Welte gemarterte und sterbende Jesus (Cristo martirizado e morto pelos pecados do mundo) serviu de libreto a oratórias das melhores de Telemann (que agora ouço dirigida por aquele que é provavelmente o maior mestre-intérprete da música desta época, sem dúvida René Jacobs – etiqueta HARMONIA MUNDI), Handel e Reinhard Keiser (e, deste, está também disponível a sua magnífica Croesus, também por Jacobs).

Mas, falava eu do texto de Brockes para exaltar o seu início, em Telemann, no primeiro coral a seguir à abertura (pesada, sofrida, em tonalidade menor): «para me ser dada vida eterna, tem a própria vida de desaparecer». É daqui que surge o fulcro perverso do cristianismo: se era proibido tomar da árvore do paraíso, porque lá estava ela? Se a essência do cristianismo em S. Paulo foi a ressurreição, como chegaríamos lá sem a traição de Judas?

Ora bem, podemos aplicar isto às eleições de 27 de Setembro? Sim. E como? Dizendo que é preciso que o PS perca as eleições para fazer desaparecer das suas fileiras uma personagem como J Sócrates e, além disso, expulso Sócrates do cargo de secretário-geral, limpo o PS, seria necessário que o PSD não pudesse formar governo porque PS, BE e CDU não o permitiriam por soma de votos. Então, melhor para a esquerda é que a direita de Ferreira Leite vença, mas por pouco, tão pouco que não possa formar governo mas seja suficiente para apagar Sócrates da chefia do PS. O resultado ideal seria pois este: nem Sócrates nem Ferreira Leite. A derrota de Sócrates não seria um governo de Ferreira Leite, mas sim o fim de Sócrates e isso só poderia ser positivo para a esquerda, seja lá o que isso for. “Vencedora” Ferreira Leite e sem condições para formar governo, Sócrates desaparecido de cena definitivamente, assim e só assim PS, BE e CDU poderiam sentar-se e dizer uns aos outros qualquer coisa. O quê não sei. Mas a vitória de Sócrates inviabilizará tudo isto.

Neste sentido, o meu voto é na CDU para que a personagem J Sócrates não prossiga o seu passeio triunfal nem em direcção ao poder, nem no poder (e porque sou marxista-leninista, pois o comunismo sem Lenine é quase como o socialismo arrumado numa gaveta por quem nem sabe o que é o socialismo nem onde está a gaveta). Tenho dito.

Este artigo foi publicado em cinco dias. Bookmark o permalink.

37 respostas a Uma análise perversa (mas muito verdadeira) para o próximo dia 27 de Setembro

  1. Caro CV

    sub escrevo a “morte política” de José Sócrates, não só por isso votarei CDU;mas não haverá aqui um senão? é que “Cristo morto” fica o mito!

    a morte natural do G 20, a atmosferização da “caverna dos quarenta ladrões” ou seja Suíças e offshores; por aí …também.

    cumprimentos
    daqui

  2. socrates da silva diz:

    sois um alarve…

  3. Pascoal diz:

    “Então, melhor para a esquerda é que a direita de Ferreira Leite vença, mas por pouco”
    Sempre podes votar nela, para ajudar.

  4. tenório diz:

    De acordo,sr. Vidal

  5. zé neves diz:

    caro carlos vidal, sabes que Lenine nunca disse que era marxista-leninista? Que a fórmula marxismo-leninismo remete, em grande medida, na história da URSS, para um período pós-Lenine? Bom, mas além disto, a minha pergunta, meio provocatória, meio ignorante, é esta: como é que alguém que preconiza uma política à margem do Estado se assume uma e outra vez como marxista-leninista? E do que estamos a falar quando falamos de marxismo-leninismo? De uma teoria do partido? De uma teoria da revolução enquanto tomada do poder de Estado? De uma teoria económica que acrescenta o quê à economia política marxiana? É que se é apenas da fidelidade a um legado, o problema está em que legados há muitos e alguns deles abertamente anti-ml. Como o trotsquismo. Ou outros. E por que raio não havemos de ser fiéis a isso também?

  6. Quantas vezes é preciso dizer que este Xixeque é muita porno, manda-lhe um DVD do Glauber Rocha isso, o marxismo não como teoria, mas como Teologia Política da acção revolucionária, mais o carácter messiânico inerente a todo o processo muito acentuado.
    Sabes como se diz no Braziu? Vai tomar no cu, ou vai ao google.

  7. Um texto brilhante, infelizmente apenas consigo reter a imagem de um Sócrates crucificado, sem direito a ressuscitar ao terceiro dia…

    Julgo que ao BE e ao PSD, a médio prazo, lhes interessa um governo de Sócrates com uma minoria no parlamento.

  8. Carlos Vidal diz:

    Grande Jecta, sempre em forma, agora afastado da FBAUL até 20 de Outubro, ainda melhor analista.
    Cá vamos contribuindo para doses de erudição:
    E sabes como se diz em espanhol, “vão levar no cu”?, que é o que eu desejo para vários colectivos………. é: “iros todos a tomar por culo”. Magnífico. De resto, que vença a Manuela pelos valores suficientes (e curtos) para Sócrates desaparecer definitivamente do mapa. Que Manuela não possa fazer nada com a sua vitória; que o PS se limpe do socratismo e da cocratalhada; que apareça “novo” (se possível, e esta é a parte mais difícil, se não impossível), que assuma responsabilidades e saiba compreender as razões do BE e PCP, que daí possa nascer qualquer coisa e que essa “qualquer coisa” evite um governo PSD-CDS. Quem poderia subtituir J Sócrates, a mais perniciosa figura política da história do PS (história já por si perniciosíssima)? Não sei agora – mas deixo duas pistas: é preciso encontrar nessa área (socialista e não anticomunista) uma espécie de um independente que seja um Medina Carreira de esquerda (já que este não interessa nada para a nossa conversa); dentro do PS, a única figura respeitável parece-me ser Manuel Carrilho, mas não sei se estaria para estas contas. Veremos. Teremos surpresas para a próxima semana??

  9. Niet diz:

    Fatal como o destino, não se pode iludir a questão/ herança do Marxismo Leninismo. Creio, no entanto, que Badiou, sobretudo, entrou numa via radicalmente crítica do leninismo histórico e prático. E, acrescente-se, que o trotskismo sempre sonhou- o de Mandel-Franck e Maitain:a filiação de Louçã -relançar um leninismo puro e duro. Hoje, J-C Milner classifica o Marxismo-Leninismo de uma fantasmagoria… Niet

  10. “Tutti quelli ancora, che seguitano el tiranno, participano della sua miseria, cosí nelle cose temporali come nelle spirituali ed eterne: onde perdono la libertà, che è sopra tutti li tesori, oltra che la loro roba e onori e figliuoli e donne sono in potestà del tiranno; e li peccati suoi vanno continuamente imitando, perché si sforzano di fare ogni cosa che li piace e assimilarsi a lui piú che possono: e però saranno nello Inferno partecipi della sua gravissima pena.” Do google.
    Sim eu sei, o PCP vai aumentar uns 3 ou 4 deputados e o Bilogo a mesma coisa ou quer que seja, continuará tudo na potestà del tirano.

  11. Da-se diz:

    Não quero acreditar que 30% dos portugueses sejam tão cegos que vão votar no trafulha da licenciatura por fax, da trapalhada do “fripór”, da mão por baixo da mesa na Cova da Beira, dos mamarrachos, da guerra à liberdade de expressão, etc..
    Seria o cúmulo da estupidez, da-se!!!

  12. o santo diz:

    Gostaria de vos lembrar o tempo em que a comissão de trabalhadores da CUF ocupou o poder. O resultado de tanto marxismo foi o que se viu. Rapidamente, houve muitos que entenderam mudar de ideias. Até hoje o Barreiro vive mergulhado numa crise sem fim à vista e já lá vão mais de 30 anos. A culpa, que em portugal morre sempre solteira, é do PCP e de mais ninguém. Continuem assim até à derrota final…

  13. Carlos Vidal diz:

    Zé Neves, penso que essa ideia de um marxismo sem leninismo é a linha do Bloco (oficial?) e é isso que separa, oportunisticamente acho eu (porque é mais cómodo eleitoralmente desvincularmo-nos de Lenine, ainda que isso, numa perspectica socialista, não faça sentido), é isso que parece separar o BE do PCP (e eu estou do lado deste último, embora em tempos idos tenha votado BE – há muito). Dito isto, poderia ser interessante discutir esta questão do marxismo sem leninismo, que me parece ser levada para um plano do marxismo como “santidade pura” (muito diferente das críticas de Rosa Luxemburgo, por exemplo). E o marxismo não é uma santidade “democrática” nem “eleitoral” felizmente para todos nós (e por isso é o espaço de emancipação de onde se tem de partir — e nunca a ideia de “esquerda eleitoral”!!). Lenine é quele homem que nos mostra, pela primeira vez, que o marxismo não é uma idealização, mas sim um fazer (FAZER!!). Ele fê-lo e, em 1991, houve uma falha e um colapso, não de Marx, não de Lenine, mas de outra coisa que Badiou até chamou “obscura” (ironicamente). É essa falha ou fracasso que eu assumo (como positividade) e tu não. E assumo como Badiou e Zizek quando citam Beckett na frase já mais do que conhecida: falhar e de seguida falhar melhor. Eu assumo isto que falhou e é daqui que eu quero partir para “falhar melhor”. Tu não partes daqui nem assumes isto. Acho que é isto que nos separa quanto a Lenine.
    Cumps.
    CV

  14. Carlos Vidal diz:

    caro ou cara Niet,
    Nada de substancial separa Badiou de Lenine, basta ver uma conferência de 90 e muitos, em que Badiou defende Lenine contra Kautsky.
    O ponto central da filosofia de Badiou neste terreno é o da crítica ao “partido”, pois o filósofo vê o século XX não como o da crise e colapso do marxismo ou leninismo, mas sim o séulo do colapso do “partido”.
    É isto.

  15. José CarlosMégre diz:

    Algumas sugestões ao sugestivo Autor.

    1. Releia adequadamente o Zizek (e, já agora, o Badiou). Mas sobretudo estude o Marx!

    2. Lenine com mais profiiência. Leninando assim, ainda acaba no Enver Hodja ou no Pol Pot.

    3. Seja mais carinhoso om o Bloco, sobretudo dando a Trotski o relevo que merece.

    4. Não tente matar politicamente o Sócrates! O gajo chega para si (o que não será grave) e ainda sobra muito. Você carece não só da riqueza ideológica da Ferreira Leite como do saber teórico enciclopédico do seu Mafarrico-Sócrates. Não mate o Diabo que lhe pode saír o Divino.

    5. Com que então Carrilho para GRANDE REUNIFICADOR DIALÉCTICO!
    Você desconhece o personagem; não vê que a Cultira, a inteligência e a argúcia política de Carrilho estão nas antípodas da sua sabedoria?

    6. Para quê tanta elocubração sobre cenários post-eleitorais impossíveis? Você consegue a proeza de SÓ NÃO considerar os cenários possíveis, por acaso os únicos restantes. Mas qual o interesse da realidade para um sofrível discípulo de Lenine?

    NOTA –
    Badiou ter defendido Lenine contra Kautsky o que é que prova? Já agora, uma passagem d Kautsky: “Upon the ruins of democracy, for which Lenin had fought until 1917, he erected his political power. Upon these ruins he set up a new militarist-bureaucratic police machinery of state, a new autocracy. This gave him weapons against the other Socialists even more potent than shameless lies. He now had in his hands all the instruments of repression which czarism had used, adding to these weapons also those instruments of oppression which the capitalist, as the owner of the means of production, uses against wage slaves. Lenin now commanded all the means of production, utilizing his state power for the erection of his state capitalism.” (In Lenin and the Russian Revolution of 1917). Kautsky e R. Luxemburgo: convinha ler TUDO…

  16. raul seixas diz:

    então és marxista leninista ..e então não dizes que és estalinista ..porque isso guardas bem guardado ..fazes-te de cordeiro qd es um lobo.
    o comunismo sem estaline é quase como o socialismo arrumado numa gaveta por quem nem sabe o que é o socialismo nem onde está a gaveta). Só sabe onde estão as balas para eliminar os camaradas .Tenho dito.

  17. Niet diz:

    Meu caro: No meio de um país devastado e a empobrecer delirantemente- Portugal Hoje – é consolador verificar que se ” pensa ” o futuro e a Revolução. Não há outro caminho: a prosa do Miguel Serras Pereira é um sinal emblemático disso neste Blogue! No que se refere a Lénine, uma questão de cada vez…,permito-me humilde e frontalmente citar C.Castoriadis : ” Depois de 1917, foi preciso que os operários russos, desiludidos com os Sovietes, retornem aos comités de fábrica e se ponham, contra as directivas de Lénine, a expropriar os capitalistas, para que Lénine elabore enfim, durante o Verão de 1916, o decreto de expropriação “, In ” Le Contenu du Socialisme”, págs.344 e seguintes. Niet

  18. “Perché, avendo io predicato molti anni per voluntà di Dio in questa vostra città, e sempre prosequitate quattro materie: cioè, sforzatomi con ogni mio ingegno di provare la fede essere vera; e di dimostrare la simplicità della vita cristiana essere somma sapienzia; e denunziare le cose future, delle quali alcune sono venute e le altre di corto hanno a venire; e, ultimo, di questo nuovo governo della vostra città: e avendo già posto in scritto le tre prime, delle quali però non abbiamo ancora pubblicato il terzo libro, intitulato Della verità profetica, resta che noi scriviamo ancora della quarta materia, acciò che tutto el mundo veda che noi predichiamo scienzia sana e concorde alla ragione naturale e alla dottrina della Chiesa.”
    Afirma pois então o que te apetecer mas no “denunziare le cose future” é que tu não és bom, erras sempre e voltas a errar, olha que o santinho do Messiah de Viseu não é flôr que se cheire e a entourage ainda é pior tudo gente da originalidade, diferença e estatuto de existência e ser mui especiais e tal.

  19. Carlos Vidal diz:

    Grande Jecta, já vi que esta minha observação do Manuel Carrilho caiu muito mal. E foi mal lida.
    Não falei no senhor com a ideia de vir a votar PS (como disse, votei Mário Soares em 1986, era eu muito muito novo, e o arrependimento até hoje dói, se dói !!!). Não, Jecta, Carrilho não quer para mim dizer absolutamente nada. É apenas uma hipótese para o próprio PS fazer a sua lavagem destes quatro anos (ou mais) – uma lavagem interna para os seus seguidores, nada mais, nada mais!

    Repito e concordarás: é uma sugestão de lavagem do PS para quem é membro ou simparizante da coisa (coisa da qual eu disto infinitos quilómetros). É o PS a lavar-se para os PSs.
    Nada que me interesse.
    É com eles, e já lhes estou a dar uma sugestão, e não devia fazê-lo, mas, enfim, está feito. Depois, eles que se amanhem. Não te preocupare que eu também não. Não é nossa família.

  20. Carlos Vidal diz:

    Uma outra coisa, Jecta:

    falei em Carrilho, porque já alguém falou em Costa, A. Costa.
    Porra, os gajos são uns suicidas sem vergonha na cara.
    Se assim é, então força.
    Ajudo-os com o Carrilho e os gajos querem o Costa.
    Então, vão morrer longe (até porque aquilo, aquele “partido” só empata, e há mais de 30 anos!)

    FORA!

  21. olha… a minha psicologa é uma morenaça muita boa, estou apaixonado por ela, tenho momentos de melhoras. Entretanto tenho lido uma livralha organizada pelo Sílvio Lima, presentemente vou no “Problemas – da ciência e filosofia contemporânea ” do grande José Pecegueiro, porque o real só existe pela experiência de ele, e a experiência de ele é sempre relacção entre ideias ( e não há meio de se sair daqui, a não ser pelo regresso ao nível do senso-comum, ou pela extrapolação ontológica – o que é precisamente o mesmo, excepto no que concerne ao refinamento da terminologia).

  22. Niet diz:

    Errata: O decreto de expropriação é 1918(Verão). Os Sovietes tinham sido criados em 1905 e o W.I. Ulianov tinha sido ferozmente contra a sua constituição…

    Sobre o papel de M.M. Carrilho na ” modernização ” do PS:1) tem jogado tão ” perso ” que não se vislumbra o esboço de uma alternativa por ele liderada, e os textos que publica no DN são de um ” tecnocracismo ” estonteante e perturbador;2) Mesmo se Sócrates se ” aguentar”, é mais do que claro que terá de impulsionar uma abracadabrentesca revolução no programa e imagem do PS;3) M.M. Carrilho pode ser ” repescado ” e extraído do seu exílio pariseense para colaborar com o novo ” J Sócrates “;4) Os atavismos da sociedade portuguesa, especialmente das suas élites partidárias e universitárias, podem inviabilizar sine die a indispensável reestruturação da vida política portuguesa,a ” integrada ” e triturada pelos mass-média do turbo-capitalismo lusíada..Niet

  23. LAM diz:

    Vá. Continuem lá. Tirando os palpites sobre Carrilho e/ou António Costa tem sido um agradável rewind.
    Contudo, se a questão estiver no leninismo ou na falta dele, porque raio se há-de ficar no leninismo à lá carte do PCP, e não se reconstrói a coisa a partir do histórico XX congresso d PCUS? Porque é que não é de outro ponto que se quer “partir para falhar melhor”?
    De outra maneira: se é leninismo que falta, porque é que o ponto de partida é o PCP actual?

    Historicamente curioso este fervor actual (penso que desde os anos em que o Bloco começou a ter maior expressão eleitoral – se soubesse como sublinhava “expressão eleitoral” – sobre as questões ideológicas e leninismo levantados por muitos apoiantes do PCP. Curioso porque, há 20 ou 30 anos atrás, fugiam desse tipo de conversas como diabo da cruz.

  24. zé neves diz:

    carlos. poderemos voltar a discutir isto com mais tempo. mas repito: eu não estou a falar de marxismo sem lenine. é possível tomar Lenine como um interlocutor incontornável (tanto como marx, se quiseres) e isso não ter nada que ver com marxismo-leninismo. olha, sobre isso valeria a pena centramo-nos, por exemplo, nas 33 lições sobre lenine, escritas por Negri. Ou, então, no Lenine de Trotsky.
    cumps

  25. Da, Da, já percebi não haver melhoras nos tempos mais próximos.

  26. Ironia diz:

    Mestrinho,

    Ando “priócupada” com o seu o seu “espanhuel”… onde aprendeu, no Nina?
    Ora, Vejamos!
    Comentário de Carlos Vidal Data: 26 de Setembro de 2009, 12:44 : “iros todos a tomar por culo”. Que língua é esta??? Espanholês???
    O correcto seria: “Ide todos [ustedes] llevar en el…”. (Ai o que eu gosto de tudo o que é correcto e obedece a regras 🙂 )
    Quanto à última palavra acertou. Muito bem escrita. PARABÉNS!!!
    Já sabe escrever duas palavras em espanhol “todos” e a última que não vale a pena repetir, pois já a sabe de “cor e salto alto” 🙂
    Parabéns, pelo menos já aprendeu duas palavras na língua de “nuestros hermanos”, a evoluir a esta velocidade… quando for um velhote de bengala, como eu, dará aulas de linguísta: “en español”.
    Que prececioso!
    Adiós Maestro… Buenas noches, chico!

  27. Carlos Vidal diz:

    Minha querida ironia (gosto mais de “ironia suprema”, isso sim é que é bom)
    V. é uma discípula mal agradecida e, pelos vistos, não sabe com quem está a falar – precisamente, com o crítico de “Lapiz” e “Exitbook” de Madrid. Bom, o meu castelhano. Citei o título do ensaio do meu amigo Fernando Castro Flórez (o mais prolixo dos cxríticos do lado de lá), “Ide-vos levar no cu”, inserto no notável catálogo, uma excelente survey das relações arte-política-violência, “Laoconte Devorado: Arte y Violencia Política”, importante exposição em Vitoria-Gasteiz em 2005, na qual, não poderia deixar de ser, tive de conferenciar – com o Fernando Castro e o meu velho amigo situacionista Pedro Romero: os três, veja lá, falámos da defesa da intervenção americana no Iraque por um artista que admiramos, apenas porque um anarquista (esse artista, Santiago Sierra) acha que se deve defender sempre a guerra, uma guerra, e qq mudança social necessita de guerra – vivá guerra!
    Entretanto, o texto em euskera dava: “Zoazte denok popatik hartzera!”

    Vá lá, e agora, também quer corrigir??
    Também sabe euskera?? Corrija-me, vá, valentona!
    Não lhe disse para nunca me corrigir??
    Sua engraçadinha!

  28. Ironia diz:

    Bem, mestre (engulo esta em seco… se vem no catálogo dum amigo seu)
    Ah, mas não persona non-grata, porque eu tenho a humildade de saber aprender, e sou agradecida, em especial quando aprendo algo me é útil no dia-a-dia. Esta frase, para mim não utilidade, pois nunca obedecerei a tais instruções…

    Por acasos até fiz uma na “estranja” com uma colega que era natural de Euskadi e me contou muitos pormenores da Eta. Não digo o nome desta amiga com quem perdi o contacto. Terrorismo sério foi o que “nuestro hermanos fizeram aos habitantes de Euskadi, chegando a proibi-los de falar euskera.
    Já lá vão muitos anos desde que aprendi algumas palavras nessa língua. O que eu nunca esqueci foi a amizade construída entre mim e essa miúda (na altura em que a conheci). Nunca esqueci quer o nome quer o apelido (que prometi nunca revelar). Ai, Saudades… de viver fora de Portugal!!!

    Engulo em seco a heresia de o ter corrigido! (gulp)
    E o Senhor Setôr é valentão ou não??

    “Por acasos” também o acho engraçadinho (Olha, que coincidência!!!)
    Ele há coisas na vida que não têm explicação possível!
    Desenerve-se e faça como eu, vá dorrmi, pá, que já se faz tarde…
    Buenas noches, chiquitito, te quiero mucho e Hasta mañana!!

  29. Ironia diz:

    Ah, esqueci-me : Viva a Paz!
    Sou Pacifista!

  30. Agora não tenho tempo, vou votar. No cromo acima, pós observação aturada, não me parecem mal as mãos do Homem.

  31. parece-me francamente bem o panejamento contiguo em vermelho e dourado. Este Merisi é do cacete, tem mais a mania da vida vivida do que o de andar em cortejo, as trevas o Blanchot-Bataille e tal são só para disfarçar. Como sabes, aquilo no barroco “havia” muito formalismo, mas o que interessa mesmo é o conteudo, a narração e a “mensage”, pois é, o “culectivo” quer é comunicar.

  32. Carlos Vidal diz:

    Também eu, grande Jecta, sempre votei no Merisi.
    Porque foi um mestre hábil na espada, e nunca hesitou usá-la quando e como devia (independentemente das consequências, pois).
    Que viva pois Merisi, Michelangelo Merisi.
    Aqui para nós, Jecta, o Merisi é o único que sempre soube que isto das pinturas ou pintura é feita de sombra e luz, e uma coisa nada tem a ver com a outra. Recortam-se sempre mutuamente como inimigas.

    Nunca conciliadas.

  33. Ironia diz:

    Mestrinho,
    Acabei de andar a pesquisar a tradução de “iros” usada pelo seu eruditíssimo amigo e não encontro tradução possível, nem como castelhano, galego, ou catalão. Tentei a tradução para 5 línguas diferentes e não existe tradução. Ou seja, receio bem que “Iros” não seja terminologia “espanhuela, de verdad”, sendo antes gíria ou jargão que não conste em dicionários, ou meramente uma conjugação verbal inventada pelo seu ilustre amigo. Cá para os meus ouvidos, na realidade, soa-me a uma contracção, em gíria, de: “Ide vosotros” = Iros. Será?? Penso que sim!

    “Desengulo” já o enorme sapo que o Senhor Setôr me fez engolir ontem.
    Eu que sou imbecil, analfabeta, vampiresa e vergonhosamente inútil (Claro que deveria saber que a gíria é comum nos títulos de ensaios do seu amigo “Fernando Castro Flórez (o mais prolixo dos críticos do lado de lá), inserto no notável catálogo,…” blá, blá, blá. Que Ignorante que sou, pá!). Ah, e não esquecer, é claro, a minha irreconciabilidade no que toca a luz e sombras – como Muitíssimo Bem diz o Seu Grande e Simbiótico Jecta- Faço, agora, um enorme : “Des-Gulp”. (Desculpe o som, perdão pela indelicadeza do arroto… Chi, Mãe ao que isto chegou!!!).

    Com os meus melhores cumprimentos para si e para todas as Grandes Almas que giram à sua volta (O Senhor Setôr deve ser, assim, “a modos que” uma espécie de Sol, à volta do qual gravitam um sem número de Planetas e Satélites… Ai, que Lindo! Deslumbrante!
    Mais uma vez cumprimentos e vénias… e blá, blá, blá…

    aqui, da Idiota, Imbecil, Analfabeta, Vampira, etc. e tal,

    Ironia

  34. Estais a ver?
    É a Cindy Sherman no céu e tu cá na terra, passo de súbito para ela, prontos, já não gosto deste Chicheque, mas podemos chegar a acordo. Certo?

  35. Ironia diz:

    Alminha,

    CV ganhou o 1º prémio, enquanto blogger apoiante da CDU (acho que foi merecido, apesar de algumas falhas imperdoáveis, salta à vista que são posts de um artista)

    Eu que não sou ninguém, nem sequer nada, talvez apenas uma espécie de vampira, a trucidar com urgência, posso ter a ousadia de lhe dar o primeiro prémio da Acoviteirice, da Conspurquice, Quadilheirice, da dor de Cotovelice??? Medalha de ouro de cheira Merdice sem Olfatice!

    A medalha de Ouro, do Menino de Ouro devia de ir para si, mas numa versão XXXL, digo eu, “a grande impostora” e imbecil.

    (Ah, Já agora gosto de Cindy Sherman – Grande artista, sabe comunicar de forma frontal, mensagens fortíssimas, sem Quadrilheirice, sem dor de Cotovelice, sem AlmaMerdice. Da arte da Cindy gosto eu.)

  36. Ironia diz:

    Alminha, “Piquena” alminha,

    Aqui vai uma miscelânea, que lhe dedico, feita em cima do joelho (mas, como “se a costuma a-dizer” para quem é, bacalhau basta.
    Bem, para dizer o que penso, cá para mim, até o bacalhau, que lhe dedico, é um colossal desperdício (mas eu sou mesmo assim, “barroca”: excessivamente, redundantemente, perdulária), deveria ser antes um “faked or pure Sh**” ao estilo do Paul M. (e até o estilo do Paul M, é Bom de mais para a sua “piquena” alma, como diria a nossa “rica”- a nossa” tia” Nelinha, não me diga que “o menino não acha”???).

    Ora cá vai:

    Big soul, your sickness spreads
    I’ve watched your secret toxins,
    weaving words of snakish lies,
    Believing your own concoctions
    The symptoms are so obvious,
    Yet the cure is yet to be discovered…
    It’s your poison fulfilling your matesouls,
    and one of the most lethal weapons.
    So many people are affected,
    It’s life span is unlimited
    It spreads by human contact.
    However, it will bommerang back to you.
    Well, actually, I’ve become imune, IMUNE.

    You clearly hate me, but do you really know me?
    You think I’m fake, have you witnessed what I’ve lived through?
    Have you ever been through a day, the way I live it, have you?
    When you have, probably you’ll swallow your toxins.
    You’ll be likely to bite your tongue a thousand times,
    Your big soul will surely agonize in your own poison,
    I couldn’t care less, serve you right! Serve you right!

    I’ll never try acting like you, for popularity,
    Or just because it’s “in”, I don’t really care,
    I will act the way I feel, I’ll do what I want to
    I’ll say whatever I feel very deep inside
    (The people who really matter to me
    Are the ones who wouldn’t care less
    About your snakish poisoning toxins,)

    Your past, oh yes, it’ll catch up with you,
    It will, and I won’t ever feel the least pity,
    Serve you right, you deserve it, you do.
    My Shell is providing me strong immunity.

    PS: Peço desculpa àqueles leitores que apreciam Poesia, mas para quem é, tinha mesmo de ser assim, sem cadência, com uma musicalidade que fere os ouvidos mais sensíveis… Perdão aos melómanos!!!

    Ora, Viva Bataille e a irreconciabilidade!!!

    Com os meus mais respeitosos cumprimentos aos Senhores Setôres,

    A Velha Ironia

  37. Pingback: cinco dias » Justiça para os traidores

Os comentários estão fechados.