Declaração de Voto
25 de Setembro de 2009 por Zé NevesTenho muitas críticas a fazer em relação ao Bloco e ao PCP e a cada dia que passa estou mais seguro de que a política que faz falta é a que se faz à margem dos partidos e do Estado. Não entendo que a política seja necessariamente uma relação contratual entre representantes e representados. Isto não significa que a presente refrega eleitoral me seja indiferente, como aliás se tem visto. Confesso, mesmo, que não consigo explicar racionalmente o meu empenho nestas coisas e, na verdade, a estas horas deveria era estar a dormir, porque amanhã temos uma aula sobre o Mouzinho da Silveira. Mas, sucede que, ao seguir a campanha na tv, não consigo deixar de sentir que aquela também é a “minha gente”. E, quando digo “aquela”, digo os homens e mulheres que fazem a militância do Bloco e do PCP. Posso achar que canalizam as suas energias para um confronto que não é o mais importante, esse da história dos passos perdidos, mas a importância que atribuem ao confronto que estão a travar empresta-me a sua própria inquietação. Que sejam todos felizes no domingo, é que eu desejo, do fundo do coração e do modo mais lamechas possível. Entretanto, algumas pessoas que têm lido o meu apelo ao reforço da votação no PCP e no BE perguntam-me se vou votar nos dois partidos. E como é que isso se faz. Não tenho resposta satisfatória, mas devo dizer qual será a minha opção, com o à vontade que resulta do facto de me parecer minoritária aqui neste blogue: no próximo domingo, votarei no BE. Dizem-me que se trata de um albergue espanhol, mas eu sempre me senti bem em albergues espanhóis. Além de que, por mais que eu ache que a gente do PCP é também a minha gente, temo que o sentimento não seja recíproco. Ao fim e ao cabo, eu sou comunista, mas não sou marxista-leninista, e isto é, para o Comité Central, uma impossibilidade lógica. Nada disto, porém, importa muito. Os votos fazem-se aos domingos, mas as barricadas erguem-se durante os dias de semana. E estou certo que encontrarei “a minha gente”, toda ela, do mesmo lado da barricada – já esteve mais longe, aliás. E se, após a subida eleitoral de domingo, ainda sobrar algum espaço para este gordo que aqui vos escreve, contem comigo para a primeira calhauzada. Ou então para distribuir panfletos e escrever posts inúteis.

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