Caro Zé Neves e caro leitor, e assim?, não está melhor??, ou, pelo menos, bem


DUCHAMP. Étant donnés – 1º la chute d’eau / 2º le gaz d’éclairage. (1946-)1966, revelação mundial, 1969.

O Zé Neves escreveu:

«O “voto útil” apela à transformação da política num simples procedimento eleitoral de apuramento de uma elite governativa, à qual caberá gerir convenientemente a população, menorizando o parlamento enquanto lugar de um conflito de ideias e propostas, que supostamente espelhará a diversidade de opiniões nessa mesma população.»

Eu proponho:

O “voto” apela à transformação da política num simples procedimento eleitoral de apuramento de uma elite governativa, à qual caberá gerir convenientemente a população, empolando o parlamento enquanto lugar de um conflito de ideias e propostas, que supostamente espelhará a diversidade de opiniões nessa mesma população.

Sabe o leitor que foi assim que Guy Debord escreveu um dos livros do século XX (pequenos desvios, pequenas trocas e roubos de Marx-Hegel)?

Sabe, certamente. Bom, mas depois da brincadeira debordiana (muito séria, aliás) aqui fica a minha declaração de voto – legislativas e autárquicas (se votasse em Lisboa): CDU nos dois casos.

Agora, volte a ler-se o meu parágrafo e o do Zé Neves, sff. Depois, pensemos talvez.

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9 respostas a Caro Zé Neves e caro leitor, e assim?, não está melhor??, ou, pelo menos, bem

  1. l.rodrigues diz:

    Pensei talvez e fiquei na dúvida.

  2. Luis Rainha diz:

    Mas não sabes tu que a CDU já governou a câmara lisboeta em coligação, tratando de “gerir convenientemente a população” da mesmíssima forma de todos os outros, incluindo negociatas em interesse próprio, empregos a rodos para amigos, etc., etc?
    Que irá mudar semelhante voto, sobretudo se Santana ganhar?

  3. xatoo diz:

    curioso, as únicas diferenças entre as duas frases está em duas palavras (o voto) “Útil” e “Empolando” (vs Menorizando)
    menorizando ou empolando, murchando ou ereccionando, esta cena faz-me lembrar o famoso In-Out do Kubrick com as suas personagens energúmenas actuando por alternância fodilhona. Tudo o mais, a tentativa do controlo oficial das mentes, se revelou ser inútil

  4. Carlos Vidal diz:

    Luís, concentremo-nos, por agora, nos eventos do próximo domingo.

    (De resto, acho eu, os votos nas autárquicas servem para eleger presidentes de junta, representantes nas assembleias municipais ou na Assembleia Municipal, assembleias de freguesias … – não sei se estou a usar os termos correctos do poder autárquico, mas a coisa não anda longe do que eu disse. No essencial, na questão central, entre Costa e Santana, assim posta a coisa, abstenho-me.)

  5. Pastor diz:

    Pois é de repente o rebanho, ficou demasiado grande e sem qualquer tipo de orientação mínima. Torna-se difícil para os pastores orgnizarem tantas vontades distintas (quem não entendeu a que rebanho me refiro, puxe um bocadinho pela cabeça e pela hitória)

  6. A.Silva diz:

    Mais coisa menos coisa, parece-me que a diferença entre os dois paráfrafos, está entre ser-se revolucionário, ou “reformista”, seja lá isso o que fôr.

  7. tu agora és corrector de provas dos alunos do ISCTE, da Nova ou lá o que é?

  8. zé neves diz:

    carlos, não me é indiferente a diferença entre uma democracia de índole parlamentar e uma democracia de índole governamental. Dito isto, não creio que a democracia se esgote na representação – pelo contrário, creio que a tarefa comunista é construir uma democracia além da ideia de representação política. creio que partilhas esta ideia.

  9. Carlos Vidal diz:

    caro amigo Zé Neves, que a tarefa comunista está para além da representação política, sem dúvida que estamos de acordo. Já não entendo bem a pertinência da tua primeira frase: a preocupação acerca da diferença entre uma democracia parlamentar e uma democracia governamental, pois o meu problema estava e está relacionado com o cerco que a democracia tout court faz à invenção de sociedades inéditas (indiscerníveis, imprevisíveis). Falava eu da democracia tout court (repito) como asfixia. E o problema é este: o que é que tu podes inventar em democracia parlamentar eleitoralmente? (longo, longo problema – mas até eu sou contraditório aqui, porque voto. Ninguém – dir-se-ia – é perfeito.)

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