Vozes de burro

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Eu bem queria. Mas não dá. Andei a pesquisar o Jamais em busca de cretinices similares às dos Simplexes e pouco lobriguei de notável. Não sei se é a iminência adivinhada da derrota que lhes dá a sobriedade ou se é apenas uma questão de estilo dos intervenientes. Facto é que só a bílis costumeira do Vasco Graça Moura anima aquelas hostes.
Para encontrar posts mesmo jeitosos, a pingar disparate, é melhor ir ao sítio do costume. Também aqui não se percebe raiz da coisa: nem todos os simplexes são tontos ou lulus encartados. Mas quase todos parecem ter entrado num transe infernal com o cheiro da previsível vitória; a agressividade exagerada, o uso impenitente de argumentos absurdos, as graçolas sem pilhéria… aquilo é um armazém de pequenos monstros de maus fígados.
Vejam, à laia de exemplo, este pequeno naco de prosa, saído do encéfalo fervilhante de alguém que, apropriadamente, assina “Jumento”: «A saída de José Manuel Fernandes do Público é aquilo que se pode designar por um negócio equilibrado, até porque nestas coisas de Belmiro não é propriamente um mãos dadas. Como disse o homem da SONAE quem quiser os serviços do público paga, levado à letra esta declaração explica o negócio do José Manuel Fernandes, o Belmiro paga-lhe a indemnização para que saia e o PSD dá-lhe uma reforma dourada.» Que é isto? O que é ser “mãos dadas”? O que aconteceu às concordâncias? Que se passa com as vírgulas? E que quer a asinina criatura dizer?

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4 respostas a Vozes de burro

  1. Tiago Mota Saraiva diz:

    Uns desunham-se por chegar ao céu… seu… nosso, os outros sabem que hão-de ficar por aí. Será isso?

  2. toni diz:

    Sabemos (porque nos está fresquinho na pele) o que nos custou o (des)governo PS (PseudSocialista). Para quem já não se lembre muito bem do que foram os governos em que participou a Manela, fica aqui um cheirinho: http://aeiou.visao.pt/incidente-na-campanha-do-psd=f529912

    Lindo momento de campanha. Será caso para dizer: “habituem-se”???

    PS com ou sem D (e +/- CDS) é tudo a mesma coisa. Porrada e mau viver!

  3. Calma que o pesadelo está quase a terminar.

  4. M. Abrantes diz:

    “Mas quase todos parecem ter entrado num transe infernal com o cheiro da previsível vitória.”

    O querido líder fez-lhes mossa na mioleira. Só assim se explicam os autênticos atentados ao bom-senso argumentativo com que topamos em alguns blogues.

    Para nosso mal, esta maluqueira desenfreada transmite-se depois aos governos. Esperemos que o acaso (só pode ser, dadas as dificuldades de Sócrates na escolha de bons ministros) não traga para a educação mais uma vedeta que ache que a culpa das más notas a matemática é dos jornalistas. Porca miséria!

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