Duplex

Há uns tempos, os amanuenses voluntariosos estavam certos de que os recadinhos de Lopes da Mota aos magistrados do caso Freeport eram apenas uma conversa privada entre colegas; depois, também garantiram que o convite a Joana Amaral Dias não passava de uma coisa entre duas pessoas. Agora, a tribo já aplaude que um jornal publique uma mensagem interna de um seu concorrente. Isto por estarem em causa ponderosas “razões de Estado”. Querer abafar um processo ou comprar um candidato com sinecuras estatais são assuntos reservados e da esfera íntima dos envolvidos; torpedear a concorrência já justifica tudo.
O sabujismo consegue mesmo fazer mirrar as meninges aos acólitos.

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11 respostas a Duplex

  1. Espero que daqui a uma semana a tribo leve a resposta devida.

  2. antónimo diz:

    E qual é a resposta devida, Daniel Santos?

    Eu gostava que o PS ganhasse (não há hipótese de ganharem nem o PCP nem o BE, pelo que é apenas uma preferência do mal menor que, no entanto, em circunstância nenhuma me fará votar útil no PS) com maioria tão relativa que precisasse do PCP e do BE para poder formar Governo e tão relativa que aproveitasse para varrer de vez o Sócrates, e não aproveitasse para ficar com o António Costa.

    Já me parece que a resposta admitida como devida para estas bandas, seria a vitória de Manuela Ferreira Leite bem acolitada por Cavaco Silva. Andarei a ler-vos mal?

  3. anonimo diz:

    luis rainha, você é cá um mete nojo… estes tipos não conseguem resistir à tentação da convergencia estratégica com a extrema direita, só para tentatrem ocupar o lugar do PS

  4. anonimo diz:

    estes tipos do 5 dias não conseguem resistir à convergencia estratégica com a extrema direita só para tentar deitar abaixo o PS para depois tentarem ocupar o lugar…

  5. Luis Rainha diz:

    Portanto, para o(s) caro(s) anónimo(s), recusar o duplipensar é convergir com a extrema-direita. Sim senhor(es), linda amostra de pensamento.

  6. Aires da Costa diz:

    “torpedear a concorrência já justifica tudo”
    Luis Rainha
    – Não o sabia defensor de um pacto interpares em favor da reputação dos órgãos de comunicação social!
    – Não sabia que preferia que o comum dos mortais continuasse sem saber como aquelas notícias chegaram ao Público
    E já agora, uma pessoa tão bem informada como o senhor talvez me saiba dizer como é que o Professor Louçã sabia quem tinha estado na origem das notícias do Público sobre sa suspeitas de escutas na Presidência?

  7. Luis Rainha diz:

    1- não divulgar correspondência privada sem motivo de força maior já me parece boa ideia. Mas quando esta correspondência foi mantida entre colegas, ainda mais. Resultado: não tarda nada, não há fonte que confie num órgão de comunicação social.
    2- já se sabia, de acordo com o próprio jornal: uma fonte próxima da presidência. A encomenda já era transparente então.
    3- nem ideia. Não devasso o mail ao homem.

  8. antónimo diz:

    Luís Rainha, Claro que as fontes confiam nos órgãos de comunicação social. Pelos vistos quem não pode confiar nos órgãos de comunicação social são os leitores, já que aqueles engolem todos os iscos que lhes jogam, cana de pesca e tudo.

    Por cima ainda juram a pés juntos que o que publicaram é de uma clareza diáfana, enquanto não vão dar lustro à alma de assessor barrosista e bushista.

    Eu – que nunca tive alma de assessor, de manga de alpaca nem para movimentações tribais e muito menos para as bandas do PS – pergunto-lhe:

    – Se não acha grotesco misturar (1) as pressões do Lopes da Mota e (2) a negociata com Joana Amaral Dias com (3) uma desvalorização das movimentações presidenciais para levar Manuela Ferreira Leite ao poder (se existem mesmo escutas governamentais, não imagino maneira pior de lidar com elas), como se o Governo estivesse metido em tudo da mesma maneira. Isso sim, é que me parece uma linha de pensamento de clareza meridiana.

  9. Luis Rainha diz:

    Antónimo,
    Eu não misturo nada, excepto as reacções aos casos que elenca. Aqui, interessa-me sim a duplicidade de posturas: para as simplexes almas, 1 e 2 deveriam ter sido silenciados, pois a sua divulgação feriu a sacrossanta privacidade dos intervenientes; mas o mail do Público deveria mesmo ter sido publicado.
    Aliás, ignoro se o governo esteve mesmo “metido” nesta parvoíce das escutas, embora me pareça que se trata de uma tosca invenção dos crânios que rodeiam o nosso presidente mais bimbo desde Américo Tomás.

  10. antónimo diz:

    Luís Rainha,

    Mas é que há outras posições e nada as recomenda como vindas de amanuenses.

    Acho, por exemplo, que 1 e 2 deviam ter sido denunciadas, mas ainda acho que 3 também. Além de bimbo como o almirante, Cavaco é manifestamente mal intencionado.

    A defesa intransigente de protecção das fontes deve ser feita (mesmo contra o código penal aprovado) mas vinco mais uma vez (já o fiz em comentário do Arrastão) o que diz o Código Deontológico dos jornalistas.

    A protecção da fonte deixa de ser a regra quando a fonte tenta canalizar informação falsa. Não sabemos de facto se Fernando Lima tentou canalizar informação falsa (e até pode ser falsa e ele e o PR acreditarem que é verdadeira). Mas o caso das escutas parece configurar antes um problema grave de falta de dimensão para o cargo – o que não é novidade para ninguém tirando para joralistas como Ricardo Costa que lhe estenderam uma passadeira vermelha entre o Possolo e Belém (no caso o centro cultural) – e uma inventona para puxar o tapete ao Governo. E a maneira como a coisa correu só agora se viu clarificada. E volto a dizer agora como já disse em Agosto por aqui: Este caso é das coisas mais graves que ocorreram em termos institucionais e políticos em Portugal.

    Só jornalistas preocupados com o mercado e com a competitividade mas pouco preocupados com a informação poderiam desleixar este caso como um disparate de Verão. Só ontem ouvi uma jornalista a dizer a Cavaco que “ele podia bem podia dizer que era preciso discutir os problemas do país, mas que a notícia tinha tido origem em Belém”

    Se o Governo foi péssimo para a segurança social, para a educação (um campo onde eu fechava o mário nogueira, com a ministra com os professores e atirava tudo a um poço), para a função pública, para os militares e forças de segurança, para o serviço nacional de saúde isso não invalida que tivessem legitimidade para serem péssimos. Já não tinham para os abusos, prepotências e pequenas tiranias que foram cometendo. Não entendo também um partido nem uns militantes que tanto criticaram Cavaco PM, agora apreciem tanto o Sócrates PM.

    Mas apesar de tudo (de ambos os partidos contribuirem para o País do Tudo a Saque) ainda vou preferindo o PS, que não deita tudo fora com a água do banho, ao PSD que além de ter os mesmos defeitos ainda tem por lá uns vícios liberais e conservadores que me arruinam os nervos. Manuela bem pode falar da asfixia democrática, que lembro-me bem dela na guerra das propinas (que a propósito, já são das mais altas da UE).

    O blogue é V. mas tom tem sido o de ataque cerrado ao Sócrates (o que é correcto), aceitando como bons todos os ataques contra ele (mesmo que venham de gente e de partidos e de opiniões pouco recomendáveis) o que me parece que em época de campanha ajuda-os mais do que lhes mina também o caminho.

    A questão do fim do jornal de 6ª da TVI (não falo das intervenções anteriores de sócrates, essas sim condenáveis), as escutas de Belém ou a classificação má (eu ainda lha dava mais péssima) de Rui Teixeira não são armas muito limpas e apenas me parecem maus meios justificados pelos fins. Só que o fim arrisca-se a ser a Manuel Ferreira Leite. E se pelo PS ainda há dois ou três tipos capazes de fazer a cama a Sócrates e de pensar em políticas de esquerda, no PSD não estou a ver quem o faça. Em havendo poder, até o António Preto pode ser primeiro-ministro que eles acham bem.

  11. Luis Rainha diz:

    Concordo com o essencial: antes o PS (e sempre podemos sonhar que o quase-engenheiro passa mesmo a acusado num destes dias). E claro que nem todas as acusações contra Sócrates fazem sentido; esta das escutas parece-me um delírio de droga marada. Quanto à classificação do extravagante juiz que fazia gala em pavonear-se face às câmaras a propósito de tudo e de nada, acho que o problema não é a nota mas sim a sua ausência – e isto já parece algo bizarro.

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