Campanha canalha

O Expresso, seguindo a sua velha tradição de notícias encomendadas à beira das eleições, procura fazer um ataque de carácter ao líder do Bloco de Esquerda revelando que Francisco Louçã tem 30 mil euros em PPR’s. Para este jornal outras contas astronómicas, escondidas em offshore, não são matéria relevante ou serão do foro pessoal.
Na minha opinião, a uma semana da eleição, Louçã fez mal em responder algo mais do que isto. Ao declarar que este dinheiro provém dos seus rendimentos como professor e, sobretudo, que eram todas as suas poupanças, Louçã desvaloriza o argumento verdadeiro que nunca disse estar contra os PPR’s mas sim contra os respectivos benefícios fiscais, colocando-se a jeito para a questão inevitável: terá investido todas as suas poupanças num PPR por causa dos benefícios que diz combater?

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11 respostas a Campanha canalha

  1. ordinário diz:

    Já agora o ‘jornal’ não quer dizer as ‘poupanças’ do Balsemão,da Manela;do homem da mala,do Oliveira Costa,do Cavaco,do Isaltino,daquele bando do Funchal,do Ferreira do Amaral e,claro dos ‘jornalistas’ do Espesso que já não compro!Querem dinheiro?vão trabalhar malandros!Propagandistas!!!!

  2. Carolina diz:

    A resposta de Louçã foi curta, mas suficiente: afirmou que precisamente por ter um PPR é que sabe que não compensa. Também ficou claro, pelo menos para mim, que ele estava contra os PPR porque os beneficios eram para os bancos, e não tanto para as pessoas.

  3. nunocastro diz:

    mas a pergunta é pertinente…

  4. Luis Rainha diz:

    Não é bem assim Tiago: “Façam as contas, todos os PPR perderam dinheiro todos os anos”, “com os benefícios fiscais aos PPR’s todas as pessoas estão a pagar alguma coisa para as pessoas que têm PPR’s serem enganadas pelos bancos”. E etc. Isto é mesmo falar contra os PPRs, parece-me.
    Mas olha que ele não “diz combater” esses benefícios; ele tem mesmo feito várias propostas para acabar com eles – o que até dá razão ao seu argumento de agora: não se importa de fazer propostas contra o seu interesse pessoal.

  5. Manuel Resende diz:

    Tiago:

    Ora vamos lá a ver. Marx sobrevivia (também) à custa do dinheiro que o Engels lhe mandava. E de onde provinha o dinheiro? Da fábrica têxtil que o Engels tinha. Da exploração dos operários do Engels.

    Contradição? Mas como poderia o Marx ter escrito o Capital e outras obras sem isso? Quem tinha que o apoiasse? Não pertencia a um grande partido, o movimento operário era incipiente…

    Ele vivia numa sociedade capitalista e era obrigado a viver com as contradições dessa sociedade.

    Sem essa protecção de Engels (ele próprio comunista), teria sido esmagado sem piedade. Ou, então, ter-se-ia transformado num sicofanta, às tantas. (Bem, se a minha avó tivesse rodas…)

    Não quero fazer comparações, quero apenas mostrar, por um exemplo extremo, o tipo de situações em que um indivíduo se vê envolvido. Para isso é que é preciso a política, para procurar mudar colectivamente as circunstâncias em que nos movemos. Não?

    Saudações
    manel

  6. nunocastro diz:

    pó Luís

    vá lá que ainda há alguém neste blog que não se deixe levar na voragem do fanatismo mais estreito de vistas.

    e o comentário do Tiago é anedótico. É mais que óbvio que Louçã sempre, mas sempre, falou contra os PPR. E a meu ver muito bem…

    agora esta desculpa blasé, do “contra o interesse pessoal” essa roça o mais patético dos patéticos.

    muito mau…

  7. antónimo diz:

    tinha sido melhor que o Expresso se preocupasse com as declarações de interesse de deputados como Jorge Neto. É um elenco bem mais divertido, mas como o PSD nunca disse nada contra os off-shores…

    é uma lógica de cabeça de alfinete. um fulano ou uma fulana até pode roubar, mas como sempre defendeu o roubo isso não o torna criticável peos jornais

  8. Augusto diz:

    Ás vezes os politicos deveriam poder ser mal educados…

    Eu se fosse ao Louçã , mandava o Expresso e quem encomendou este artigo para o C………

  9. Antoine diz:

    O que o Chico tem dito é mentira e ele sabe: nem todos os PPR´s têm dado prejuízo. Há quem tenha PPR´s com taxa de juro garantida e essa até depende da altura em que o PPR foi feito. Por exemplo, agira há PPR´s que garantem 4% (menos o imposto).
    Vamos, portanto, a ser verdadeiros e não fanáticos. O Chico pediu vento colheu tempestade. E devia explicar-se porque as pessoas não são estúpidas e por mais que ele repita o mote de que todos os PPR´s dão prejuízo não torna isso numa verdade.

  10. MC diz:

    “Ao declarar que este dinheiro provém dos seus rendimentos como professor e, sobretudo, que eram todas as suas poupanças”

    Louçã enraiza mais um pouco da sua moralidade anti-produtiva, enaltecendo os coitados, fazendo-se passar por um, e diabolizando os criadores. O homem sabe o que faz e a ascensão é, apesar de imoral, meritória (p.e. devida ao mérito).

    Claro, tb se pôs a jeito para a real pergunta, mas e quem é que lha vai fazer? Não há homens com auto-estima suficiente para um confronto no campo das ideias. Esse é um risco que Luçã e o BE não correm.

  11. MC diz:

    “Louçã fez mal em responder algo mais do que isto. Ao declarar que este dinheiro provém dos seus rendimentos como professor e, sobretudo, que eram todas as suas poupanças”

    Ao fazê-lo, incutiu um pouco mais das raizes da sua (i)moralidade anti-produtiva, enalteceu os coitados e fez-se passar por um deles.

    Mais grave, volta a lançar reptos implicitos, maldizendo quem tem apenas por ter, sem distinguir a “origem” de nada.

    è claro, tb se expõe à pergunta verdadeiramente reveladora mas, que é que a vai fazer? Não existem homens de auto-estima para um confronto no campo das ideias. Esse é um risco que Louçã e o BE não correm.

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