Avós dos cidadães

O simpático Paquete de Oliveira é o provedor dos telespectadores da RTP. E mantém por lá um programa intitulado A Voz do Cidadão. A edição que hoje vi glosava os erros cometidos em plena emissão por jornalistas e pivots da casa. Depois de algumas perorações sobre «erros inadmissíveis», o provedor dá a voz a uns espontâneos que despejam a sua fúria linguisticamente correcta contra os atropelos a que a nosso falar é sujeito na RTP. Aparece às tantas um matuto a clamar: «não é umas gramazinhas; é uns gramazinhas!”. Não está mal, não senhora. Isto para nem mencionar a ira que acomete um outro telespectador, indignado pelo uso de “à última da hora”: «isso não existe!» Olvidando que o uso basta muitas vezes para legitimar uma expressão e que há quem pense que se trata de uma versão abreviada de “à última badalada da hora”, hipótese plausível que daria todo o sentido à frase.
Se calhar, era melhor averiguar se sabem mesmo o que dizem antes de lhes dar voz.

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Uma resposta a Avós dos cidadães

  1. Se lesses a capa de hoje do 24horas ficarias a saber que os Gato Fedorento são “humuristas”!

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