problemas do mau humor conceptual

Nem tudo é mau. Sinal de que alguma coisa se move é que até já se fala de luta de classes em convenções do PS. Por isso talvez não seja despropositado trazer à liça um autor como E.P.Thompson. Escrevia ele: «Os sociólogos que pararam a máquina do tempo e, com uma boa dose de pretensão e mau humor conceptual, desceram à casa de máquinas para dar uma olhadela, contaram-nos que em nenhuma parte puderam localizar e classificar uma classe. Apenas podem encontrar uma multidão de pessoas com diferentes profissões, rendas, hierarquias de status e tudo o mais. Decerto têm razão, uma vez que a classe não é esta ou aquela parte da máquina, mas a maneira pela qual a máquina trabalha uma vez colocada em movimento; não este ou aquele interesse, mas a fricção de interesses – o próprio movimento, o calor, o ruído estrondoso.» Assim escrevia E.P.Thompson, autor recentemente publicado pela Antigona num pequeno livro. Vale a pena comprarem. A minha mãe diz que a tradução é muito boa. Entretanto, enquanto não chegam as festividades natalícias, deixo um link para um outro texto de Thompson, primeiramente editado no Brasil e recentemente publicado na Vírus.

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14 respostas a problemas do mau humor conceptual

  1. ezequiel diz:

    terei o dúbio prazer de ler o sr Thompson

    mas na sua lingua

    muito mais barato e

    apesar de existirem excelentes traduções de tudo e mais alguma coisa

    não acredito e não gosto de traduções

    mesmo das excelentes

    perde-se sempre qualquer coisa…pode ser coisa pouca

    mas o pouco por vezes é muito, as people say

    tenho um amigo beatnik luso americano q tem uma coleção invejável de livrinhos da antigona.

    excelente pub house.

    obrigado

    cumps
    z

  2. Zé Neves diz:

    ezequiel, faz bem em ler o original. até porque o que se perdeu na transição ficou aqui em casa… a minha mãe não se importa porque gosta muito de mim.
    cumps
    z

  3. manuel resende diz:

    Eu também sou assim como o Ezequiel. A bíblia só em aramaico, hebraico, ou, quando muito, em koinê, o Distraievski só em rurso, o aquele da guerra só em chinês, a Odisseia só em grego, o Hegel, o Froid, o Marz e o Haideguer só em alemom, e o próprio Sheikespiar só na versão original, nem sequer transcrito para inglês moderno. Quê! É muito mais fixe, não se perde nada. E é muito mais barato.

    Cumps

    E o Gunnar Myrdal? Só em sueco.
    manel

  4. António Figueira diz:

    Escusavas de ouvir esta, Zeck
    (vá, diz-lhes que sabes aramaico)
    Abraço, A.

  5. Miguel diz:

    “A minha mãe diz que a tradução é muito boa.” Podemos saber qual o nome da sua mãe?
    O meu tio diz que Hunter S. Thompson é um bom escritor. O meu pai diz que o melhor que já leu de HST foi “Fear and Loathing on the Campaign Trail ’72”.

  6. zé neves diz:

    miguel, a minha mãe disse que a tradução era muito boa porque fui eu que traduzi, em conjunto com um colega.

    ezequiel e manuel, também prefiro os originais. mas olhem, se imaginarem a trabalheira que deu descobrir tradução para os tipos de pão e de farinha de que o Thompson fala… fariam o esforço misericordioso de ler a tradução portuguesa. até tem um pequeno texto de introdução.

  7. manuel resende diz:

    Também tu, meu filho Neves!

    Então não vês que eu sou tradutor? E sei muito bem o que isso custa, os tipos de pão e farinha…

    Um abraço e, Ezequiel, imaginemos que passava uns quatro meses a traduzir uma peça de Shakespeare por 1500 euros, que tal?

    Isto não é para justificar as falhas dos meus colegas e minhas, nem para esquivar a perda que existe mesmo nas boas, muito boas e excelentes traduções. (Mas, aqui para nós: que leitor inglês hoje não perde muito do que está nas peças de Shakespeare? E será que o leitor estrangeiro não perde nada ao ler no original, hein hein, pisc, pisc?)

    É apenas para sublinhar uma coisa: assim como as pessoas julgam que a electricidade é uma coisa que está nas tomadas, assim também não percebem o quanto devem ao esforço da imensa chusma de tradutores que lhes trouxe o património cultural da humanidade à porta de casa como os padeiros e leiteiros de antigamente.

    A nossa cultura é em grande parte uma imensa tradução. Tenho dito.

    manel

  8. ezequiel diz:

    ó Manel,

    tanto frenesim por tão pouco.

    a resposta à tua provocação de meia tigela é simples:

    quando possível deve-se ler o original…

    quando não é possível deve-se ler as traduções excelentes.

    Caro Manuel,

    eu tb trabalho como tradutor.

    já li muitas obras traduzidas do Franciu para o Ingl…e pude constatar que se perde muito…

    o mesmo parece acontecer com as obras em alemão q são traduzidas para Inglês. um académico alemão que foi meu prof disse-me uma vez que preferia ler O ser e o tempo em Inglês porque era “mais fácil, mais acessível.”

    Eu estudei filosofia política. gostaria de saber ler e escrever fluentemente o Latim e o Grego (e o Alemão claro)

    Conheço alguns académicos portugueses fluentes ou quase fluentes em 4 ou 5 linguas. pertencem à “old school”, uma tradição demasiado exigente para este sr Manuel Resende, pelos vistos.

    A tradução brasileira de, por exemplo, O Ser e o Tempo…é simplesmente uma grandessíssima merda.

    Foi isto q me ensinaram na escola. se possível, deve-se ler o texto na lingua original.

    O aramaico é para os arqueologos-as.

  9. ezequiel diz:

    (Mas, aqui para nós: que leitor inglês hoje não perde muito do que está nas peças de Shakespeare? E será que o leitor estrangeiro não perde nada ao ler no original, hein hein, pisc, pisc?)

    É tradutor mas a lógica não é o seu forte.

    Está a invocar uma perda para legtimar outra. A perda do leitor Inglês é radicalmente distinta da perda de algguém que le uma má tradução. percebe a diferença, Manuel? acho que sim.

    o leitor estrangeiro perde alguma coisa ao ler no original?? Não. não perde. só se for burro ou preguiçoso. sou um purista, lamento.

    Leia o que Gadamer escreve sobre a tradução. talvez lhe interesse. acho que fala de shakespeare.

  10. ezequiel diz:

    sim, a nossa cultura é em parte uma imensa tradução…não hajam dúvidas. mas isto não elimina o prob de fundo. cada palavra tem o seu milieu.

    mas precisas de conhecer o que traduzes a fundo para perceberes todas as nuances, metaforas etc etc. e chegares ao substrato vivencial do texto bla bla. Ou seja, tens que conhecer profundamente aquilo que traduzes, o imenso mundo histórico e vivencial do qual emana os textos.

  11. ezequiel diz:

    António,

    eu posso ouvir esta e muitas mais. é um verdadeiro prazer.

    brados de burro…não chegam…aos…

  12. ezequiel diz:

    errata: emanaM

  13. manuel resende diz:

    E o burro sou eu?

    manel

  14. manuel resende diz:

    eh eh

    É melhor parar por aqui, porque isto não tem nada a ver com o post

    Beijos

    manel

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