Esqueçamos J. Galamba, falemos de Kim Il Sung

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(Erwin Wurm)

Depois das descobertas de J Galamba acerca do fim da utilidade da luta de classes na emancipação, e da inactualidade do marxismo (que eu denomino sempre marxismo-leninismo, como expliquei), pensei entrar no debate aqui encetado também para contrariar as “ideias” do mesmo. Não o vou fazer. Seria um disparate total, e uma perda de tempo, por duas ou três razões: não reconheço nenhuma competência a esse “filósofo” e autodidacta de lombada para esta discussão; o indivíduo está apenas deslumbrado imaginando-se já orgulhosamente nos corredores da Assembleia da República; ouvi Galamba falar de autores que muito me são caros, como Rancière, Badiou, Zizek e Jacques Derrida – ouvi, mas é como se não tivesse ouvido, pois o que Galamba deles disse nada com nenhum se relaciona. Falou pois de tudo menos do que pensam Badiou ou Derrida (ou Marx).

Além disso, a conselho do meu amigo almajecta, descobri ontem um magnífico discurso de Kim Il Sung, e portanto é dele que vou falar. Não para comparar Galamba ao chefe coreano, pois não se pode comparar um videirinho medíocre a um louco demente que aqui, por acaso, produziu um notável discurso – concretamente, sobre a unificação das duas Coreias.

O discurso de Kim Il Sung foi proferido em 1981 e constitui para mim a análise mais lúcida e objectiva sobre o tema da reunificação dos dois países. O que fez (ou desfez) Kim Il Sung para que estas suas ideias se implementassem não sei, mas que a sua análise aponta para o único caminho possível para a reunificação, disso não tenho dúvidas.

O discurso começa com Kim acusando os Estados Unidos, os maiores interessados na divisão das Coreias, e a sua análise parece-me correcta. Depois, a solução: qualquer reunificação do Norte com o Sul deve gerar um estado confederal. Diz Kim Il Sung: «Durante muito tempo, desde a libertação até hoje, no Norte e no Sul existem diferentes regimes e dominam diferentes ideologias. Dada esta situação, para realizar a unidade nacional e reunificar a pátria não se deve absolutizar a ideologia e o regime de uma parte. Se o Norte e o Sul tentam absolutizar cada qual a sua ideologia e impô-los á outra parte, isto provocará inevitavelmente o confronto e o conflito, o que aprofundará ainda mais a cisão”.

Em seguida enumera dez princípios que devem reger o novo estado confederal: independência total em relação ao exterior; intercâmbio económico entre Norte e Sul; colaboração educacional, científica e cultural; restabelecimento do serviço de transportes e comunicações; fomentar o bem-estar das massas trabalhadoras; criação de um exército nacional; etc. Não discuto aqui Kim Il Sung, nem comento a sua liderança. Refiro apenas este discurso, e só este discurso, interessantíssimo aliás.

Ah, e sobre Galamba nada tenho a dizer: faço minhas as palavras-imagens de Erwin Wurm. Quer dizer, não ouvi J Galamba com atenção. Estou ocupado com outras coisas.

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(Erwin Wurm)

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2 respostas a Esqueçamos J. Galamba, falemos de Kim Il Sung

  1. ezequiel diz:

    não se esqueçam de esqueçer o Johnny Galamba.

    sr prof,

    isto assim fica paradoxal

    intoleravelmente paradoxal

    não te esqueças de esqueçer…

    lembrar de não esquecer

    coisa complicadA

  2. almajecta diz:

    O pensamento de Kim Il Sung é cristalino e distinto. Sabe ler, não tem tiques e não é tão habilitado. Também não arrivou recentemente ao poder da coreia do norte apesar de enlouquecido. Como tenho tempo e muito, vi no You Tube o filme com a intervenção do novel deputado pelo PS. Esquecendo as não ideias mais o pretenso discurso desconstrucionista á laia do grande ideólogo agora em émulo, imagino os velhos PS de cultura francesa e maneiras finas, mais os casca grossa a ouvir aquela pertinaz lição. Uma grande afirmação nos termos. O que é que o erwin wurm está a fazer a uma daquelas feministas? Tambem gostei daquela rapariga morenaça que foi a Queluz.

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