Domingos Lopes

Domingos Lopes abandona o PCP abjurando algumas das posições do partido em termos de política internacional. Percebe-se a estranheza do António Figueira quando lembra o tempo passado sobre alguns dos factos históricos em apreço. A mim, todo ingenuidades, coloca-se-me uma outra questão: porque é que o PCP se permite a manter posições de política internacional inteiramente absurdas que possam — justa ou oportunistamente — ser usadas para diminuir o partido? No entanto, mais interessante, talvez, seria colocar a questão ao contrário: porque é que o PCP precisa dessas posições absurdas para continuar a existir contra os seus descontentes? (replay)

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13 respostas a Domingos Lopes

  1. Luis diz:

    Mas quais são as posições de política internacional inteiramente absurdas do PCP? Eu francamente não vejo nenhuma. Quer dar algum exemplo?

  2. Bruno Sena Martins diz:

    Para não ir mais longe as 3 invocadas na tal carta de Domingos Lopes, sendo que o absurdo é um qualificativo meu: “O PCP ainda não condenou a invasão da Checoslováquia e elogia a Coreia do Norte e a China” (http://ultimahora.publico.clix.pt/noticia.aspx?id=1400696)

  3. Chico da Ribeira diz:

    Louis a China è o unico pais na tèrra a ter guardado as suas origens mais de 5000 anos foi invadido,várias vêzes por povos disparates(como nós) fomos,um pequeno exemplo em 1916 a 1 grande guerra ainda não tinha acabádo os stats invadiram a Guatemala.
    Para dar uma mão d’obra ridicularmente paga por a United Fruit,o grande receio o efeito dominó,tal como os Inglêses mantinham a drga na China os stats mantinham nos paises pobres do sul.
    Depois do Fidèl ter acabado com o bordel na sua ilha,o partido pcp tem que manter relaçôes com paises com os quais a politica nacional não mantinha!! A China não è Macao nem Hong-Kong è maior que isso e os stats è a eles que tem a maior divida.A Coreia do Norte è um jogo estratégico,tal como a Geórgia o è para os stats

  4. Tiago Mota Saraiva diz:

    Bruno, eu coloco-te uma outra questão:
    Em que medida achas que algumas das posições do PCP que qualificas de absurdas (e que calculo saber ao que te referes), influencia a sua acção política?

  5. FCosta diz:

    Porque é que o PCP precisa dessas posições absurdas para continuar a existir contra os seus descontentes?
    Porque talvez diga o que pensa (e pensa mal) e não o que será conveniente em termos de vantagens políticas (o que é bom).
    O facto de se achar que se deve ou não dizer o que se defende em função dos interesses politiqueiros é que é absolutamente lamentável e infelizmente prática dominante, com forme o post documenta

  6. Bruno Sena Martins diz:

    Tiago, acho que nada nada interferem com a política interna e, nesse sentido, com a acção politica, mas, ainda assim, são questões histórico-simbólicas importantes.

  7. pedro bala diz:

    Há que dividir a discussão em duas partes. Por um lado, a súbita discordância de Domingos Lopes, ex-membro da Secção Internacional do PCP, com posições políticas sobre determinados acontecimentos históricos. Por outro lado, sobre essas mesmas posições políticas. Porque se ele esteve durante 40 anos no PCP e tendo sido membro daquele organismo não me venham dizer que não esteve de acordo com essas posições. Estas suas declarações são, naturalmente, um golpe de oportunismo.

    As análises que o PCP faz não são condicionadas pelo receio de que este ou aquele militante mais susceptível possam sair. São condicionadas pela opinião da maioria do colectivo partidário. E não as escondemos por elas serem mais ou menos populares no seio da comunicação social.

  8. Miguel diz:

    Concordo com o Pedro Bala.
    Noto, também, que o “timing” escolhido para esta saída foi muito oportuno. Uma das razões evocadas (a questão da Checoslováquia em 1968) também foi muito oportuna, pois as questões abordadas nesta campanha eleitoral dizem respeito aos portugueses. Qual o motivo de abordar um assunto de há 41 anos na Checoslováquia, em plena campanha eleitoral, quando se discutem casos que dizem respeito a Portugal?
    Finalmente, proponho as seguintes questões: será que Domingos Lopes, ao actuar desta forma, em plena campanha eleitoral, beneficiou a CDU? Porque escolheu o actual momento para agir de uma maneira a enegrecer a imagem do PCP e da CDU? Sabia que, em torno da sua actuação, estaria a dar trabalho à comunicação social para atacar a campanha da CDU? Como reagiriam os outros partidos se o mesmo caso acontecesse com eles?

  9. O caso da Chécoslováquia em 1968, tratou-se de uma forte ofensiva contra revolucionária, de cariz endógena, com um já avançado nível de degradação político-social, que requereu o apoio militar de países da mesma cor política e membros do pacto de varsóvia.
    Este é um caso polémico, dada a forte deturpação de informação da oposição política e, em Portugal mais ainda, visto que estava vingente uma ditadura Fascista-anti comunista.
    O PCP nunca prescindiu das suas posições de solidariedade internacional, mesmo no tempo em que se era preso e morto por isso, muito menos quando se trata de combater a imensa manipulação imperialista, por este mesmo motivo é que me parece completamente despropositado avaliar tais posições como absurdas.

    Domingos Lopes é mais um caso típico de dissidência, com todo o oportunismo que lhe é característico.

  10. Pascoal diz:

    Dou de barato o caso da Checoslováquia, mas a defesa do regime chinês e do da Coreia do Norte são suficientes para eu fazer zapping quando aparece o Bernardino Soares

  11. É interessante a forma como se avalia a China, não nos esqueçamos de quem somos!
    A China não é nem um quarto daquilo a que está sujeito nos juízos de valor comuns, que a caracterizam no Ocidente. Eu diria que hoje a China tem muito mais apoio nosso (Europa) e principalmente dos EUA, que lhes devem a maior parte do défice, do que principalmente os partidos comunistas, que censuram a sua ambiguidade política.
    Quanto à Coreia do Norte, é de se acentuar as condições a que estão sujeitos. Umas das pincipais causas da presiguição à Coreia do Norte, é a posse de ogivas nucleares, não obstante não se julga o facto do maior numero destas ogivas, concretamente 10.500 ogivas no total de 30.000, pretencer os EUA, para não falar nas ogivas que estes forneceram à Coreia do Sul, Israel, etc…
    Concerteza que não sabe que a Republica Popular Democrática da Coreia, tem vindo a apelar a negociação da não proliferação, juntamente com a China e a Rúsia, no entanto esta apela a nível geral, sem a típica hipócrisia norte americana, que sugere que apenas a Coreia do Norte não prolifere e se desarme totalmente, sujeitando-se á total vulneralidade.
    Se as pessoas se dessem ao trabalho de pesquisar as verdadeiras posições do PCP, talvez não se sujeitassem tão facilmente à futilidade.
    É lógico que o PCP censura as questões sociais de países como a Coreia do Norte e a questão nunca foi essa. O PCP compreende e combate a exploração e os crimes dos países ricos do Ocidente no mundo, como por exemplo no Iraque, Israel, Afeganistão, entre muitos outros países.
    Enfim, compreendo que não se possa confiar em qualquer historiador, no entanto pode-se encontrar muitas coisas nos dias de hoje.

  12. O PCP está vivendo o “mundo da fantasia”…A Invasão da Checoslováquia não teve a condenação do partido e, agora, o apoio À Coreia do Norte …
    De minha parte, em artigo de 1969, analisei a invasão da Checoslováquia e, agora, em 2010, fiz a releitura desse artigo, 40 anos depois. No meu site http://www.armandomoraesdelmanto.com.br, na parte de artigos, tem o artigo “Secretaria da Juventude”, onde está o “Invasão da Checoslováquia”, acrescido do Registro Histórico “Svoboda, Svoboda!”.
    É um registro. Vale ser lido.
    Saudações democráticas,
    Delmanto.

  13. Luis Nogueira diz:

    A piada toda é que o Domingos já tinha conhecimento de tudo isso antes de entrar para o partido e militou uns bons aninhos sem sobressaltos de consciência (para lhes chamar alguma coisa… ), foi secretário do Alvaro Cunhal ou coisa que o valha, andou pelas televisões a implorar “deixem-me ser comunista” e não foi nada chefe das relações internacionais do Partido, ajudante, quando muito, chefe era o Albano Nunes. Vem agora alegar com boatos e coisas não provadas para se justificar. Não chegou ainda, já se vê, à aberração da Zita, às peidorreirices do José Manuel Mendes, ao tachismo do Letria (da loja dos 300 do Judas), da Medina, do Raimundo Narciso e de outros que tais. É melhor dedicar-se à caça (se clhar foi por aí que aderiu ao Alegre) e à advocacia, e não escrever mais ficção, porque escreve bastante mal. Luis Nogueira

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