Vasco Pulido Valente por Rick D.

Rick Dangerous prossegue a sua série “O Impasse Reaccionário”. Este segundo capítulo é dedicado aos últimos escritos de Vasco Pulido Valente. E vale a pena ser lido do princípio ao fim.

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5 respostas a Vasco Pulido Valente por Rick D.

  1. António Figueira diz:

    O post é porreiro, a última frase est un peu trop – o efeito é um bocadinho pesado, parece-me. Dito isto, acho que lhe escapa (e porque não haveria de escapar?, o texto não é sobre isso) o verdadeiro problema de VPV: é que VPV, para viver, para ganhar dinheiro, escreve demais, e escreve sobre o que não sabe: a cultura de VPV é uma coisa datada e muito localizada, do séc. XIX político-literário português à tradição empirista das universidades inglesas (descoberta in situ há 40 anos e nunca actualizada nem sequer questionada), e, fora dessa espécie de prè carré, o tipo sabe pouco ou nada. Eu tenho pena que a dura luta pela existência o leve a fazer as figuras que faz, porque lhe aprecio o português, but that’s life.

  2. Chico da Ribeira diz:

    Tem em Françês em Ingles,Alemão Portugues,e Espanhol.tem para todos os gostos.mas è qualquer coisa de muito sèrio leiam por favor

    http://www.globalresearch.ca

  3. Na biblioteca dos spectrums consta a obra de VPV. A questão de ele ter de escrever sobre o que não sabe, apesar de bem colocada, parece-me que repete apenas um pouco a imagem que o próprio tenta passar, a saber, a de que ninguém lhe reconhece o justo mérito que tem enquanto historiador e que este país não tem lugar para intelectuais do seu nível. A sobrevivência é um problema de todos nós, o egocentrismo é que já não. E recuando um pouco nas suas colunas, que leio religiosamente na mesma divisão bem cheirosa de minha casa, ver um historiador dar como razão para o crescimento dos votos à esquerda a “miséria atávica de portugal” é um pouco simplista e revela apenas um amargo de boca. Nesse sentido, lamento que lhe tenham tirado o jornal de sexta na TVI. Aquelas colunas ainda vão piorar.

  4. António Figueira diz:

    A história do VPV é a história-enquanto-narrativa-literária-que-flui, um produto anglo-saxónico que se fixa no facto político e que é alheio a causalidades mais complexas, e de que o último grande avatar foi o A.J.P. Taylor, que o VPV reverencia mas cuja prodigiosa capacidade de trabalho nem de perto nem de longe imita (desde O Poder e o Povo que o homem – tirando o Glória, que é outra conversa – só escreve opúsculos e se gasta em jornais; onde é que está a mítica biografia do Palmela, o maior dos devoristas, que foi prometida há alguns trinta anos?). O VPV a falar de teoria social é um pouco como o Prof. Marcelo a sugerir leituras ou a falar de bailado, em vez de fazer maledicência política: não sabe o que diz, e de resto não é para isso que lhe pagam.

  5. Pois. De acordo com a tua apreciação acerca dos limites de VPV, mas mesmo quem escreve contra o relógio pode adoptar um conjunto de cautelas linguísticas e metodológicas e, em geral, reconhecer as limitações da sua posição. Acontece que VPV escreve como se estivesse a dizer a última e definitiva palavra sobre assuntos que manifestamente não domina.
    Estou a chegar ao fim do seu último livro de ensaios (o nome dele aparece na capa maior do que o título…) e chega a ser hilariante acompanhar um super-Vasco a percorrer 2 séculos de história – e domínios que vão do militar ao económico, passando por extensos perfis psicológicos deste ou aquele protagonista – tecendo considerações categóricas e ajuizando acerca dos méritos e deméritos de cada acto e personagem. A parte do liberalismo e da I República ainda fluem, mesmo se o autor optou por dispensar-nos da maçada das referências bibliográficas e das fontes, colando citações de textos coevos ao seu próprio discurso com uma liberdade surpreendente. Já as partes do Estado Novo e da revolução, nomeadamente o longo capítulo sobre marcello caetano e o curto artigo sobre Cunhal, são um conjunto de lugares comuns e de disparates que não aguentam o mínimo exame crítico.
    Admito que cães de guarda é um pouco forte demais para o Jerónimo. Mas ainda está tudo em aberto e quem demonstra tanta preocupação com a economia nacional e as piquenas e médias empresas facilmente se prestará a servir de último guardião da propriedade e da ordem pública. O tempo o dirá. Com as devidas proporções, não faltam vocações policiais na Soeiro Pereira Gomes e na António Serpa.

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