A história de uma daquelas cartas perdidas, que chegam a uma noiva que já é avó, enviada por um jovem soldado da I Guerra que morreu na ofensiva do Marne, repetiu-se hoje em Portugal: Domingos Lopes, militante do PCP desde há algumas décadas e “crítico” desde há alguns uns anos, anunciou hoje com pompa e circunstância o seu abandono do Partido, nomeadamente porque o PCP não condenou a invasão de Praga em 1968. Nem os jornais, nem a televisão, nem a net, conseguiram informar antes Domingos Lopes (que, se bem me lembro, até trabalhava na Secção Internacional dos comunistas) do odioso facto, e por isso só hoje – quando recebeu uma cartinha velha de mais de quarenta anos – ele soube, e pensou, e decidiu, e saiu. O sentido de oportunidade é espantoso – e o carteiro não tem culpa, porque é a sua profissão.




Os motivos são fantásticos. Só faltou invocar o pacto germano-soviético ou a presença das FARC na Festa do Avante.
De qualquer forma é surpreendente o facto de Domingos Lopes ainda ser militante do PCP, até porque já anunciou o seu apoio ao PS nas eleições autárquicas de Lisboa: http://www.cidadaosporlisboa.org/index.htm?no=10100001741:082009.
Parece-me lamentável que o anuncie hoje.
Tiago Mota Saraiva,
Não percebo muito bem porque acha surpreendente que alguém apoie, em determinada circunstância, alguém de fora do seu partido, sem que isso implique a desfiliação automática (e, no caso, parece-me que o apoio expresso foi aos “Cidadãos por Lisboa” e não directamente ao PS, mas adiante).
A Joana Amaral Dias também apoiou o Mário Soares e continua a ser do BE…
e o camarada saramago? também é surpreendente, não? é que também apoia o costa. será que também devia de ir a andar?
já agora alguém leu a carta ou apenas as duas ou três frases das quatro páginas que ele escreveu?
Não terá sido antes por motivo da invasão do Alandroal?
Caro Sérgio Pinto,
quando se inscreve num Partido, pressupõe-se que é porque concorda com a sua linha ideológica, com o seu programa e com os seus estatutos. Posto isto, quando se entra num partido, de forma séria e comprometida, não se vai apoiar outro partido ou candidatura. Compreendo que esteja habituado à política que escorre debaixo das tampas de esgoto em que se entra em partidos mais por interesses pessoais que por interesses colectivos e em que o importante é destacar-se e não fazer militância voluntária. Contudo, no PCP privilegia-se o colectivo e a unidade. Ou seja, o PCP não é um fim mas uma ferramenta da classe trabalhadora para atingir um determinado fim. Dali não virão benefícios pessoais mas antes sacrifícios. Por isso é que é um partido revolucionário que privilegia a disciplina democrática que significa que a decisão que prevalece é a da maioria do partido e não dos barões, das elites ou das personalidades. Para esta gente, como Domingos Lopes, a democracia é quando as suas opiniões são aplicadas mesmo que a maioria não esteja de acordo com elas. Provavelmente, para si, a democracia interna é quando uma minoria decide por todos e os outros, desligados dessas decisões, pulam entre partidos e candidaturas, numa visão oportunista da participação política.
Caro Paradise Café,
José Saramago constitui mais um triste exemplo. Como muitos outros que acham que ser de esquerda é apoiar-se Manuel Alegre – que agora aparece em comícios com o Sócrates – ou António Chora, o paradigma do sindicalismo “moderno” – grande amigo de Manuel Pinho, o mesmo que disse na China que se devia investir em Portugal porque cá a mão-de-obra é barata. Ou até daqueles que apoiaram o Zé que fazia falta e que criticaram o PCP por não o fazer. É que por mais exemplos que se dê, o PCP é que é o mau-da-fita. E a esquerda “moderna” é que é boa. Mesmo que de moderna não tenha nada e repita erros com um século de história.
Para terminar, é lamentável que Domingos Lopes se ofendido com uma série de posições que o PCP tomou e defende como se não tivesse concordado com elas e até participado nas decisões. Domingos Lopes foi um dirigente e como tal sabe bem quais são as regras. Afastou-se durante os últimos anos e aproveitou este momento eleitoral para vestir a roupa de palhaço e cavalgar na onda do oportunismo. Como sempre, o tempo provará e demonstrará onde foi parar.
A JAD continua no BE,é certo, mas à margem…quanto a mim,bem.
E aí está ele na SIC Noticias com o Crespo a fazer perguntas, não tarda nada ainda vai parar a um estágio de inteligentes, uma …drola qualquer
ver
http://www.musicamestre.blogspot.com
Pedro Bala realmente o PCP não tem emenda, o problema é vosso, Domingos Lopes é vosso militante há 40 anos, já vem do tempo da ditadura , em que militar em qualquer força de oposição , podia no minimo custar um excerto de porrada na Pide, e um tempo em Caxias, e no máximo o ASSASSINATO ás mãos da policia politica do Salazar e do Caetano.
Discordo da oportunidade desta tomada de posição do Domingos Lopes, mas o que é que o BE tem a ver com esta história….
Se calhar o PCP depois do debate cordato do Jeronimo com o Louçã, resolveu seguir os ditames do Francisco Lopes , e vai de atacar por tudo e por nada o BE, como ontem se viu no comicio de Corroios.
Francisco Lopes que foi eleito deputado por Setubal pelo PCP , e que é actual cabeça de lista pelo mesmo distrito , exigiu trocar de lugar na Assembleia da Republica com outro deputado, para não se sentar ao lado de Mariana Aiveca deputada eleita pelo BE por Setubal.
Realmente , falar em possivel unidade das esquerdas é pura utopia…
Pedro Bala,
“Como sempre, o tempo provará e demonstrará onde foi parar”.
Esta frase condensa o que de pior há num certo comunismo anti-comunista à la PCP. Felizmente há outros comunismos e não cabe aos pedros balas deste mundo passar atestados de comunismo a ninguém.
Dito isto, não percebo por que saiu agora e não há 1 mês. mas só isso.
Ó Tiago afinal de contas Cuba é uma Democracia ?
A Coreia do Norte é Socialismo Progressista ?
A Invasão da Checolosváquia foi um Acto Libertador ?
Os Gulags eram campos de férias ?
Os mais de 60 milhões de assassinados pelo Comunismo foi o resultado da Luta dos Trabalhadores ?
A Stasi eo KGB eram organizações de vanguarda ao serviço dos Trabalhadores e Contra as Politicas de Direita ?
O Pacto do Estaline com o Hitler para a divisão e pilhagem da Polónia foi uma acto do Internacionalismo Comunista ?
os gato fedorento é que tinham uma série “Lopes” não era? Pelos vistos, este sketch chegou atrasado…
chico da tasca
Tanta coisa que se passou nos últimos dias e eu sem dar por nada!
O Domingos Lopes não se devia limitar a desfiliar-se do PC, devia era convocar já umas manifestações contra essas coisas todas. Talvez ainda vá a tempo de restaurar o Baptista em Cuba
Pedro Bala.
Eu chamo a isso a prostituição de trabalhadores os quais esquèçeran-se de Ronald Reagan e a sua vergonhosa amiga Anglo,nunca fiz part de algum partido politico exactament por aquilo que escrève.
O sindicalismo trouxe-me a parte de probelêmas mais complèxos que politicos,o que não inpedio de trabalhar nos Stats em vários estados mesmo em Africa.Mas èra pelas competencias que por ser amigo do boss,mas látambem numa mesura enorme existe a prostituição do ètre humaim,mas menos naquèlas que tivèram que ter uma actividade escolar,éra por isso que o trabalhor ser procurado,onde ele tinha que ter uma carta emitida par le governo,e onde a reciclagem è obrigatoria a todos os tres anos,somos procurados pela competencia não por o comprimento da lingua.
Estou na reforma depois de 10 anos e vi os governos a se corronpre para obstruir èssa clausa numca conseguio á causa dos estudos,onde todos que entram para um partido politico não sejam aceitados por os outros,a Filandia è o pais onde existe o menos de corrupção,Portugal o 26 os U.S.A 22 só mostra o bordel que vai nos outros 193 paizes principalmente industrialisádos,e a fuga para fora do nosso pais da mão d’obra especialisada!! Onde a misèria se deixa prostituir por uma carta de votação
A carta de Domingos Lopes
E eu pensava que ele já tivesse saído. Sempre foi um pavãozinho.Ainda me lembro dos tempos em que ele era um dirigente da “linha mais dura”. Mas isso foi nos anos 74, 75. Depois, lembro-me quando uma vez visitou a Bulgária e respondia ás criticas ao sistema, com arrogância e desprezo. Este é um daqueles que, podemos dizer, é uma folha seca. Caíu. Bardamerda
Não conseguia dizer melhor que o António Figueira.
Pingback: cinco dias » Domingos Lopes
Tenham calma, não há drama nenhum. O Domingos limitou-se a exercer um direito.
Tenham calma porque o Domingos se limitou a exercer um direito. Nada mais do que isso.
O direito ao oportunismo?