apelar aos instintos mais básicos do povo português

Cada uma das palavras do título deste post deveria ser cuidadosamente discutida. Sabemos que os instintos são da ordem da natureza mas que a cultura não lhes é alheia. Sabemos que as coisas que julgamos serem básicas estão, na verdade, enredadas em processos que são mais complexos do que básicos. Por exemplo, não é do domínio da necessidade que todos e todas pulsemos com o cruzar de pernas de Sharon Stone em Basic Instinct. E sabemos ainda que povo é uma categoria não menos problemática do que massas, classes, elites, etc. Mas deixemos as palavras do título repousar em sossego, por um momento que seja, e aceitemos que o tópico do anti-espanholismo recorre aos instintos mais básicos do povo português, como tem sido referido. Aceitando que assim seja, convém, no entanto, não cair mais uma vez na tentação de agitar o fantasma salazarista a propósito de Manuela Ferreira Leite. Coisa em que um governo PS não faz diferença significativa em relação a um governo PSD, é a nível do contributo de ambos os partidos para os tópicos nacionalistas, em relação aos quais uns e outros se sentem tanto mais à vontade na medida em que os críticos dos nacionalismos estejam sempre a remeter o pecado nacionalista para as largas costas de António Oliveira Salazar. Sabe-se que tanto PS como PSD ocupam um lugar importante na história recente do nacionalismo em Portugal – da Expo98 ao Euro2004. Aliás, quem responde ao fantasma do anti-espanholismo de Ferreira Leite dizendo que ela é que trabalhou para “os espanhóis” não está a fazer menos pela vida do anti-espanholismo. Estão bem uns para os outros.

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6 respostas a apelar aos instintos mais básicos do povo português

  1. Tiago Mota Saraiva diz:

    E eu que esperava que escrevesses sobre os golos que Ronaldo marca em Madrid e não marca na selecção.
    Quando se discute o espanholismo lembro-me sempre de uma conversa que tive há mais de dez anos (porra que até deve ser há 15!) com um catalão que me dizia que Portugal era a única região espanhola independente.

  2. D.,H diz:

    Assim é: estão bem uns para os outros. Tem-se gerado uma onda patrioteira que vai fazendo o debate e alimentando pseudo-diferenças.
    O tiro de partida do patrioteirismo já fora dado por Sócrates ao justificar o seu apoio ao amigo Barroso, pá. Agora, que uns tentam apanhar a boleia no comboio de alta velocidade enquanto outros vêem navios, lá volta o tema do meu-patriotismo-é-maior-que-o-teu.
    Há muita hipocrisia em todo esse “anti-espanholismo”…O que a mim me surpreendeu mesmo, nesta legislatura, foi ver um deputado socialista a desempenhar em simultâneo a função de presidente da Iberdrola em Portugal, num claro conflito de interesses. Mas essa é outra conversa.

  3. amália diz:

    É preciso ser muito fanático para fazer estas confusões.

  4. manuel resende diz:

    Eu tinha um primo muito curioso, jogador de xadrez.

    Quando veio o 25 de Abril, estava a pensar uma jogada, muito calado e, no meio do silêncio, deixou cair esta:
    – Até que enfim passámos à frente dos espanhóis.
    Pronto.
    Era só isto.

  5. Da-se diz:

    O filho do paizinho, só com um pano encharcado, da-se!!!

  6. Chico da Ribeira diz:

    Deficil,uma grande parte da população vive quase na misèria extrema
    onde o falár é a ultima preocupação que eles tem.Mesmo na elite existe um deixar fazer vergonhoso.Em 1942 suicidouse no Brazil Stefan Zweig com a consciênsa de ter deixado morrer sua mãe num campo de extrimação nazi,Heideger foi envergonhado de ter sido nazi !!Um pápa nazi e todo o mundo rasteja a seus pès,não Portugal está perdendo tuda a memória do seu pasádo enquanto arrivistas tem salários pharahónicos, portanto seria simples de todos terem um apartamento o falar e escrever com uma saberia seria òtimo para toda a sociadade Portuguesa,não o querem para não perderem o mau feitio da corrupção,enquanto nos outros paises as casas são reparadas para que sejam habitadas decentemente em Portugal deixam cair e com èlas um glorioso pasádo.
    Tem 74 anos e è P.D.G DO Montepio com jovens economistas competentes a fazêr um trabalho que não è nem de longe o que ele aprendeu na universidade.Nenhum politico atè agora não quis reconheçer esse grande erro,o qual vai-se agravando com a ida de jovens para uma guerra que não è a sua e da qual sairão mais revoltados que nós em 62, um politico não è só disponivel para jantares e voyajens, è todo um povo que ele è responsável senão acaba como o rei de França,ou os imperadores da Russia deviam ver os descendentes dos Portugueses na U.S.A, os salários dos administradores è uma chamada para uma verdadeira revolta seja ele Sòcrates ou Manuela,basta ver como se encontra Portugal de norte a sul acordem senão tal como o Mossada com os criminosos de Munich
    será o mesmo com aqueles que pensam que serão imunes

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