Já agora …

Paulo Guinote a partir do nosso colega Francisco Santos:

Por qualquer razão Sócrates decidiu recomeçar a fazer citações de uma erudição a modos que…

No debate de ontem, foi Abel Salazar (a partir de uma inscrição à entrada de uma Faculdade) e um general romano, por identificar.

Quanto à peça íntima com Raquel Alexandra que é referida no post proposto aguentei menos de dois minutos. Realmente quando o comecei a ouvir falar que se tinha emocionado num congresso do PS com uma apresentação da história do partido, ia tendo um ataque de qualquer coisa má e mudei logo de canal. Num caso destes até a RAI num domingo de manhã ganha por comparação.

É que o problema não é a falta de um qualquer húmus cultural relevante que ninguém é obrigado a ter, é a tentativa desesperada de dar a entender que ele existe.

Mais valia assumir que leu o Manual de Resistência de Materiais em fichas de leitura e que o resto foi um ar que se lhe deu. Era mais genuíno.

[ Sublinhados meus ]

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Uma resposta a Já agora …

  1. Mocho de Minerva diz:

    Translado aqui um comentário que já deixei num post do Zé Neves, (‘Commonwealth’) mas a si dirigido. Nada tem a ver com o post acima, mas a vida útil de uma dos comentários num blog é reduzida, pelo que a localização anterior do meu paragafozito não andava já muito longe do caixote do lixo da história. Não que mereça necessariamente melhor sorte, mas dou-lhe outra oportunidade.

    Caro Carlos Vidal

    Deixo de parte a questão da substância, influência e consequência de lado, pois parece-me arrumada. Suponho que o que está subjacente à questão do que vem primeiro, se tese se mundo, se prende com a importância da ‘formalização’ na construção do domínio autónomo do político, e na consequente rejeição de ‘condições de possibilidade’ de ordem sociológica. Dito de outro modo, e procurando desenredar o laconismo enovelado do seu post, você diria que são os cortes teóricos operados por Marx e Engels que abrem a possibilidade da emancipação, e que esses cortes (por exemplo, o antagonismo entre classes) criam as suas próprias condições de possibilidade, em vez de deccorrerem delas. Ainda que certamente de inspiração badiouana, não anda muito longe do Althusser de Lire le Capital e a sua impaciência com o uso do ‘concreto’, particularmente no Marx pré-Capital. Mas julgo que isto arruma demasiado depressa com a dialéctica, para não falar da História. Quanto a isto, o meu ênfase seria diferente, e insistiria mais na dimensão ‘prática’, no sentido que lhe dá Marx na segunda tese sobre Feuerbach: ‘A questão de saber se ao pensamento humano pertence a verdade objectiva não é uma questão de teoria, mas uma questão prática.’ Não se confunda isto com uma rejeição do conceptual em favor da acção política. Pelo contrário, aqui Marx tem o Hegel a soprar-lhe ao ouvido, pois esta prática indica a recusa de uma adequação do pensamento ao que meramente existe , em favor de uma construção (concreta, histórica) da verdade. Para usar um pouco de jargão, a mudança de um paradigma de verdade enquanto correspondência (predicativa) para o de uma verdade especulativa que nos permite dizer que a realidade está aquém do conceito e “forçá-la”. Esta última questão, aqui apenas esboçada, toca na ‘tensão insanável’ de que fala o Zé Neves. Negri e Hardt tocam neste ponto e encontram-se com Marx, Engels e Hegel à esquina, ainda que vindos do outro lado. Quanto a mim, esta esquina, onde os conceitos e o concreto entram em tensão e permitem articular antagonismos contra a falsa paz reinante, é mais importante do que o sítio de onde vêm. Talvez os esforços teóricos de Negri e Hardty sejam limitados do ponto de vista da construção de um ‘paradigma’ e insistam demasiado nas singularidades, mas não há dúvidas que a sua noção e uso peremptório (especulativo e imperativo, por oposição a descritivo) do ‘comum’ desarranja as coordenadas actuais. O que não é de menosprezar, mesmo para quem, como eu, desconfia das suas incursões mais ou menos esgazeadas e pouco dialécticas naespuma dos dias.

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