Sócrates – Ferreira Leite

Felizmente terá sido o debate mais visto, entre duas das pessoas com maiores responsabilidades nos governos dos últimos 20 anos. Um debate fraquinho em que Ferreira Leite procurou o ataque pessoal primário enquanto José Sócrates procurava ironizar sobre o governo em que a líder do PSD foi Ministra das Finanças.
Um debate no qual se pôde verificar a mediocridade das assessorias dos dois líderes políticos. Sócrates teria certamente algo a ganhar se dissesse alguma coisa de esquerda – e não o fez,  e Ferreira Leite se, por exemplo, tivesse preparado a “questão Espanha” – parece que já ninguém se lembra da bandeira “visionária” de Sócrates nas últimas eleições ao apontar como principal eixo de internacionalização… Espanha.
As boas notícias é que Sócrates despede em directo todo o seu governo e que os vencedores são os partidos que não estiveram neste debate.

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14 respostas a Sócrates – Ferreira Leite

  1. Despediu-os em directo como não se despede a sopeira lá de casa. Também não mereciam mais. Concordo. O debate foi um atestado colectivo de mediocridade. Podemos votar descansados nestes senhores que tudo continuará na mesma!

  2. viana diz:

    “em que Ferreira Leite procurou o ataque pessoal primário” Esta não percebo? Pode exemplificar? Quem, como em outros debates, atacou pessoalmente o adversário chamando-o de mentiroso e desonesto, foi Sócrates: acusa o adversário de “esconder pretensões”, o adversário nega, e ele insiste, efectivamente chamando-lhe de mentiroso. Se isto não é um ataque pessoal, o que é?…

  3. Tiago Mota Saraiva diz:

    viana, veja o início de debate e a arrogância com que MFL coloca o seu passado académico. É certo que Sócrates utiliza um título profissional que não detém e fez uma licenciatura manhosa, mas esses factos, reveladores de uma forma de fazer as coisas, não o inabilitam para ser primeiro ministro.

  4. sidalia diz:

    pois a SIC deve enviar programas diferentes para os respectivos telespectadores. Porém duas coisas eram iguais no programa do debate: Socrates disse que nenhum ministro continuava e MFL vive com o complexo de inferioridade com Espanha … nela tudo é do antigamente. Todo o resto do debate o que viu no foi o mesmo que eu vi. Pergunto-me: será verdade que MFL poderá vir a ser PM?

  5. Augusto diz:

    Por acaso MFL esqueceu-se de que foi Administradora do banco espanhol Santander -Totta…

  6. luis guerra diz:

    Quero apenas lembrar a seguinte subtileza que ainda não vi comentada: os ministros de um NOVO governo são sempre NOVOS ministros. Será que se trata mesmo de um despedimento? Duvido.

  7. viana diz:

    Tiago, MFL relembrou o seu percurso pessoal em resposta directa a uma interpelação da moderadora. Não foi ela que trouxe à baila a falta de credibilidade de José Sócrates, foi a moderadora, com a sua primeira pergunta. E relembrar um percurso pessoal que se considera credível até pode ser considerado um ataque ao adversário, dado a sua falta de credibilidade, mas então é um ataque (muito) indirecto. Portanto, temos um pretenso ataque indirecto de MFL, incentivado pela moderadora, e omite-se os ataques directos e por opção de José Sócrates. MFL está mais longe politicamente de mim do que JS, mas não é por isso que vou distorcer o que aconteceu. JS comportou-se de modo execrável nos debates, tentando sistematicamente (com a excepção de Jerónimo de Sousa, porque sentiu que seria menos encurralado em termos argumentativos) colar a etiqueta de incoerente, desonesto (porque esconde políticas) e mentiroso a quem tinha à frente, em vez de discutir diferenças de políticas e de ideologia (que não tem). Louçã também fez isso, infelizmente, mas em menor grau. Fê-lo principalmente no debate com JS, e em parte foi por isso que foi aquele em que se saiu pior.

  8. Maria diz:

    para quem andou durante anos a dar o dinheirinho aos espanhois a dona manuela exalta-se demais lol.

    http://apombalivre.blogspot.com/2009/09/para-quem-andou-durante-anos-dar-o.html

  9. Maria da Fonte diz:

    Socrates tem aquele estilo de vendedor. Fala muito bem e com palavras bonitas, enrola o interlocutor com discurso falacioso, fazendo acreditar naquilo que todos sabem que é irreal, mas que agrada acreditar (no sonho). O problema é que, chegado ao governo faz tudo diferente do que prometeu.

    Ferreira Leite é o oposto. Tem pouco jeito para discursos e um discurso duro, no entanto, é pessoa com propensão para o exercicio das suas funções, com seriedade e competência.

    A diferença na escolha dos candidatos é notória. Cabe aos candidatos escolher entre a utopia e a realidade.

  10. Lila diz:

    Ontem assisti a um verdadeiro despique entre o que é a Esquerda e a Direita.
    Assisti a um debate entre duas visões – A Moderna, de Esquerda e a Retrógada, de Direita.
    Em abstracto, Sócrates é a Esquerda e Ferreira Leite é a Direita.
    Há Duas Atitudes ali presentes – um que mostra DETERMINAÇÃO e outra que mostra NEGATIVISMO.
    É tão simples como isto e é isto mesmo que está em causa nas próximas eleições – se vamos dar a Vitória à Esquerda ou à Direita.
    Eu não sou Socialista mas vou contribuir com o meu voto que a Esquerda vença a Direita, porque sonhar em tirar Sócrates para por lá a líder mais retrógada e caquética que algum partido teve, Ferreira Leite, é o que se chama “É pior a Emenda que o Soneto”.

  11. viana diz:

    Oh Lila também lhe lavaram a cabeça no Simplex? Olhe que aquilo não é um cabeleireiro normal!… Lá lavam as cabeças também por dentro. Tenho de admitir que fizeram um bom trabalho: repete na quase perfeição o discurso-cassete de que apenas existem dois partidos em que “se pode votar”. Sugeria apenas que diminuísse um pouco o nível de grandiloquência, o tom dramático. Acaba por parecer ridículo…

    Mais seriamente, o que realmente se decide de hoje a duas semanas é quão à Esquerda vai ser a maioria de deputados na Assembleia da República. Quanto mais votos houver no BE e CDU mais à Esquerda essa maioria será, e mais provável será termos um governo que finalmente implemente políticas de Esquerda. O PS terá então de decidir se realmente é um partido de Esquerda, disponibilizando-se para governar com o apoio parlamentar de BE e/ou CDU, ou se apoia ou se apoia no PSD. Infelizmente, a segunda hipótese é de longe a mais provável enquanto José Sócrates fôr líder do PS. Sou só eu a julgar estranho que a “Esquerda que quer derrotar a Direita” esteja depois das eleições mais disposta a juntar os trapos com a dita cuja, em vez de se virar para a sua Esquerda?…

  12. Aires da Costa diz:

    Tiago Mota Saraiva
    “Sócrates utiliza um título profissional que não detém…”

    A importância dada a sistemas de certificação profissional medievais é preocupante. Desconhecia a sua deferência para com o Corporativismo existente.

  13. António Figueira diz:

    Assim mesmo, Aires da Costa
    Vamos todos desprezar os sistemas de certicações (horrivelmente medievais) existentes: a partir de agora pode considerar-me médico (inclusivamente da sua cabeça, a menos que queira que eu lhe desenhe antes a casa, eu sou engenheiro mas também posso assinar projectos de arquitectura bem bonitos, estudar para quê?, um título é quando um homem quiser).
    Boa sorte, AF

  14. Carolina diz:

    Viana, não podia estar mais de acordo contigo.
    É mais que evidente, PS e PSD são iguaizinhos: e a prova definitiva é essa mesma, o PS (que se diz de Esquerda) procurará de certeza com o apoio parlamentar do PSD (de Direita).
    Sim, porque o PSD não vai chegar lá desta vez: a sua vez chegará quando o Furão Barroso não conseguir furar mais em Bruxelas, e voltará ao seu burgo Luso…assumirá a liderança do PSD, e estes ganharão tal esCavacado-Silva-Salvador-da-Pátria.
    Parece que andamos condenados a mais do mesmo por mais uns anitos.

    Bom, mas nestas legislativas vão levar uma cacetada da Esquerda de verdade. Oxalá. Bem precisamos de uma Esquerda mais forte.

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