Ler às mijinhas

 Eduardo Pitta repete o erro de Sócrates. O fim das deduções fiscais na área de educação e saúde e em domínios onde haja provisão pública é uma medida que vem de par com outras medidas propostas pelo BE visando o aumento da provisão pública nas áreas da saúde e educação. Tira-se de um lado, dá-se de outro, robustecendo o Estado e retirando o espaço de manobra do sector privado em áreas essenciais como a saúde e a educação. Discutível? Sim, mas discutamos a coisa por inteiro. E talvez concluamos que a tal da classe média, em matéria de saúde e educação, prefira não pagar o que quer que seja do que pagar e deduzir parte daquilo que paga a privados. Ler programas às mijinhas pode ser menos trabalhoso mas tem a desvantagem de aumentar a inteligibilidade e de não evitar a demagogia. Em relação aos PPR’s, remeto para as posições do Daniel Oliveira.

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8 respostas a Ler às mijinhas

  1. da-se diz:

    Esse pita é mesmo o fim da pitada, da-se!

  2. Vítor Dias diz:

    Para além de tudo o que já escrevi e recapitulei nas «cerejas», não percebo a este respeito porquê tanta conversa sobre a «classe média». Despesas com medicamentos, com taxas moderadoras, com livros escolares etc.etc tem algumna coisa ver só com classe média? Eu q

  3. Vítor Dias diz:

    Para além de tudo o que já escrevi e recapitulei nas «cerejas», não percebo a este respeito porquê tanta conversa sobre a «classe média». Despesas com medicamentos, com taxas moderadoras, com óculos, príoteses dentárias, com livros escolares etc.etc tem alguma coisa a ver só com classe média? Eu que paguei um balúrdio por uma colonscopia com anestesia num hospital privado porque o SNS só as faz sem anestesia (o que comporta riscos variáveis de pessoa para pessoa ) não tenho o direito de incluir essa despesa nas deduções à colecta por despesas de saúde que, além do mais, têm um tecto fixo (há 2 anos era, salvo erro, de 650 euros) ?
    E, caro José Neves, agradeço a invocação da minha memória mas faltou-lhe dizer que a minha memória nesta parte funcionava a desfavor da proposta do BE.

  4. chico da tasca diz:

    “E talvez concluamos que a tal da classe média, em matéria de saúde e educação, prefira não pagar o que quer que seja do que pagar e deduzir parte daquilo que paga a privados. ”

    Zé, se ninguém quer pagar o que quer que seja, quem paga ? Os contribuintes alemães ?

    Esse conceito de serviços totalmente universais e gratuitos só mesmo na cabecinha pensadora do radical de esqierda Louçã.

  5. zé neves diz:

    Caro Vítor Dias. Antes de mais, estamos de acordo em relação à famigerada “classe média”, isto é, estamos de acordo quanto aos limites do conceito e da facilidade com que é invocado. Não se pode falar de classe operária ou de classe burguesa mas de classe média é um fartote. Quanto ao resto, não creio que a sua memória, para cuja integralidade remeti em link, funcionasse a desfavor da proposta do BE. A sua crítica ao Vital Moreira dirigia-se ao Vital Moreira e não ao BE, isto pelo simples facto do BE propor, simultaneamente à retracção dos benefícios fiscais, uma expansão das necessidades de saúde e de educação cobertas pelo Estado – expansão igualmente defendida (podemos depois discutir os moldes da expansão) pelo PCP. Para pegar na questão do cólon: é evidente que o Vítor Dias, não havendo colonscopia com anestesia no SNS, deve poder descontar as despesas e os balúrdios que pagou ao privado. Mas eu, enquanto cidadão, teria todo o prazer em que os meus impostos contribuíssem para que a sua colonscopia com anestesia fosse efectuada sem que o Vítor Dias pagasse por ela mais do que lhe cabe a nível do seu IRS. Isto é, o SNS deve realizar colonscopias com anestesia.

  6. zé neves diz:

    Chico da Tasca. Os contribuintes portugueses, individuais e colectivos, devem financiar o Estado (que, como saberá, dispõe ainda de outras fontes de receita). Os impostos que o Chico paga e os impostos que eu pago devem financiar o Estado de forma a que este possa custear o acesso à educação e saúde de todos e de cada qual – do Chico da Tasca ao Américo Amorim.

  7. órélio diz:

    que engraçado, e eu a julgar que na concepção do Zé devíamos antes activar movimentos exteriores ao Estado… Espanto!! Afinal parece que não, parece que os mecanismos são os mesmíssimos da velha social-democracia (deus nos livre, se algum trotskista sabe disto)

  8. zé neves diz:

    órélio, a relação do trotsquismo com o Estado é mais complexa do que julga. Mas olhe, eu nem sou trotsquista. Sobre o público e o estado, escrevi na caixa de comentários a meu email anterior, e em resposta a um tal de orélio, que para mim a coisa não se resumia à dicotomia público-privado. quando tiver tempo, escrevo sobre isso.

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