
PLATÃO, pois
Votar é um esforço para quem não acha muita gracinha ao jogo parlamentar.
Nunca votei PS ou PSD e jamais votaria num deles (simplificando).
De qualquer maneira, apenas reconheço direito à existência dos conceitos e realidades da verdade e do acontecimento.
Em contrapartida, as palavras “progresso” e “modernidade” são as mais vazias e estúpidas que já ouvi pronunciadas.
ADENDA: O objectivo principal do que se leu é a crítica dos termos absolutamente vazios, estúpidos e imbecis (para não dizer pior) “progresso” e “modernidade”, que são a senha de um dos partidos que agora temos infelizmente diante de nós.




isso da “verdade” também a doutora Ferreira Leite, que tá sempre a insistir numa “política de verdade”. Cá pra mim andam os dois intoxicados com o Badiou…
Nicles (não é assim que se diz?).
Uma “política de verdade” é uma expressão redundante, um erro grave.
Não existe “política de verdade”, apenas existe “política”.
Qualquer puto que tenha lido Nietzsche sabe que a verdade nao existe senao como consequencia da afirmacao de uma necessidade.
Votar é uma maçada, de facto… Nem se percebe como é que a carneirada deste povo estúpido não quer um regime de partido unico tipo URSS.
Meu caro, há muito para aperfeiçoar na democracia, concordo, mas neste caso, para mim e para muitos -não facciosos e fanáticos-, a Maçada a ser combatida para mim, está… no distrito de Castelo Branco!
Massada.Só de peixe e, na festa do AVANTE.
Vidal.
A verdade libertá-lo-á do acontecimento.
Regime de partido único temos nós com o JS.
Com uma vergonha de um partido de múmias que abanam a cabeça e o rabo à voz e esgar do chefe.
transformaram a AR numa palhaçada de zombies que só aprovam o que é deles.
O governa legisla por decreto.
O que é isto?
Caro Justiniano,
A verdade não me liberta do acontecimento, a verdade provém do acontecimento.
Um acontecimento seria por exemplo derrubar o governo Sócrates sem eleições. Se um enorme movimento colectivo protagonizasse tal ocorrência, ou fosse inexplicavelmente impelido a tal, estaria a produzir verdade. Se esperar por eleições, não está a produzir verdade.
Em Platão a verdade não se submete à contingência.
Actualmente diremos que uma verdade não se submete a um capricho eleitoral-sofístico.
é isso é que sempre fez confusão no Badiou (mas a culpa é minha de certeza absoluta). Mas não consigo encontrar a justificação pela qual uma “revolução fascista” não seja igualmente um acontecimento.
Afinal, depreende-se das palavras do Carlos, se um movimento de extrema-direita derrubasse o governo JS, estaríamos igualmente perante um acontecimento.
Caro Vidal. Equívoco.
O acontecimento pode, ou não, ser uma manifestação da verdade, esta pré-existe ao acontecimento que lhe pode, ou não, passar ao lado, assim como um enorme logro (como equívoco é a forma mais comum).
A verdade é incontigente, o acontecimento se-lo-á sempre, e indiferente mas por vezes paralelo à verdade (e incidentalmente ou acidentalmente coincidente).
Só a verdade o libertará da opressão e da angústia do acontecimento.
Sócrates bastar-se-á com a derrota libertadora para poder descansar.
Caro órélio, a sua questão é interessante, mas eu nem sequer estava a partir de Badiou – mas sim de Platão (que, correcto, é a fonte de Badiou).
A distinção (provisória) poderia ser esta:
- o movimento nazi ou os camisas negras de Mussollini partiram do seu núcleo duro impondo-o a toda a sociedade.
- a revolução de Outubro partiu de todos os sectores da sociedade com vista a destruir o núcleo duro da situação anterior (o czarismo).
Parecem-me movimentos e factos totalmente opostos.
O que acha?
Caro Vidal.
Forçada essa (provisória) mas, e contudo, é apenas aparente porque as similitudes são bem maiores que as diferenças (acho que é e foi assim e se não for tanto pior) .
De qualquer modo o problema não é esse.
JS não é a situação. A superação de JS não equivale à superação da situação, é um mero evento de continuidade.
A situação é o Estado de Direito Liberal e Social e a sua legitimação, e esta, apesar da chusma de tentativas e consumações, mantém-se solidamente insuperável.
Fora da grande têta do Estado de direito liberal e social não há nada, ou melhor, há um grande abismo.
Vidal.
O 25 de Abril foi o acontecimento. Andou entre o paralelo e o perpendicular até se encontrar e coincidir com a verdade (mas cuidado que nem sempre assim é).
“Fora da grande têta do Estado de direito liberal e social não há nada, ou melhor, há um grande abismo.”
Caro Justiniano, esta frase é correctíssima!
Mas atenção, temos de decidir se o sermos mortais é a nossa mais firme e clara caracteríatica ou caracterização. O dia-a-dia humano, na ciência e na arte demonstra que essa queda ou depressão na mortalidade não é a nossa característica. Sempre que se vence essa limitação/confinamento na morte e na mortalidade prova-se de certo modo que há algo de inumano no homem. Assim sendo, crentes na nossa inumanidade, qual é o medo do abismo?
Repare, isto não é retórica: entre na Sistina e verá o que é a inumanidade (do belo).
Outra coisa: o 25 de Abril não foi o acontecimento. O acontecimento foi o PREC.
Quando pensamos em termos de “verdade” parece-me ser sempre em relação a alguma coisa ou acontecimento, por outro lado uma verdade cientifica é diferente duma verdade social; eu estabeleceria três momentos da “verdade”: verdade como conceptualização, verdade cientifica e verdade social. A politica enquadrar-se-ia na verdade social ou seja a solução dos problemas sociais; as políticas serão as diferentes propostas. A superação está na conceptualização a visibilidade no acontecimento.Se a situação é”o Estado de Direito Liberal e Social e a sua legitimação”no que estou de acordo, não me parece despropositado apesar da “chusma de tentativas” retirar-se autoridade à nossas capacidades de conceptualização. Diz-se que o inventor da lâmpada de iluminação só à milésima vez acertou. Claro que tento enquadrar-me num contexto histórico, que pretendo mais global e não de suposto progresso ou modernidade.
onde está “despropositado” deve ler-se: “contudo”
Caro Vidal. O abismo, como está bem de ver, é o lobo, e a sede, e a fome em forma de gente…(Nem lhe digo para visitar o que quer que seja para ver a humanidade porque não é necessário ir muito longe)
Outra coisa: O PREC foi a perpendicular
Caro Adão.
O problema da legitimação ou do discurso legitimador é que ele é como a gravidade…está lá, sempre, é difícil escapar-lhe, e mais cedo ou mais tarde o tema salta-lhe à frente.
Ou seja antes de qualquer coisa deve começar pelo discurso legitimador e deste modo (tentar) superar a situação(repare que os movimentos revolucionarios não atacam os princípios legitimadores do Estado de direito libera e social, saltam por cima).