PLATÃO, pois


PLATÃO, pois

Votar é um esforço para quem não acha muita gracinha ao jogo parlamentar.
Nunca votei PS ou PSD e jamais votaria num deles (simplificando).

De qualquer maneira, apenas reconheço direito à existência dos conceitos e realidades da verdade e do acontecimento.
Em contrapartida, as palavras “progresso” e “modernidade” são as mais vazias e estúpidas que já ouvi pronunciadas.

ADENDA: O objectivo principal do que se leu é a crítica dos termos absolutamente vazios, estúpidos e imbecis (para não dizer pior) “progresso” e “modernidade”, que são a senha de um dos partidos que agora temos infelizmente diante de nós.

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19 respostas a PLATÃO, pois

  1. órélio diz:

    isso da “verdade” também a doutora Ferreira Leite, que tá sempre a insistir numa “política de verdade”. Cá pra mim andam os dois intoxicados com o Badiou…

  2. Carlos Vidal diz:

    Nicles (não é assim que se diz?).
    Uma “política de verdade” é uma expressão redundante, um erro grave.
    Não existe “política de verdade”, apenas existe “política”.

  3. Carlos diz:

    Qualquer puto que tenha lido Nietzsche sabe que a verdade nao existe senao como consequencia da afirmacao de uma necessidade.

  4. Carlos Fernandes diz:

    Votar é uma maçada, de facto… Nem se percebe como é que a carneirada deste povo estúpido não quer um regime de partido unico tipo URSS.
    Meu caro, há muito para aperfeiçoar na democracia, concordo, mas neste caso, para mim e para muitos -não facciosos e fanáticos-, a Maçada a ser combatida para mim, está… no distrito de Castelo Branco!

  5. i.tavares diz:

    Massada.Só de peixe e, na festa do AVANTE.

  6. Justiniano diz:

    Vidal.
    A verdade libertá-lo-á do acontecimento.

  7. luis t. diz:

    Regime de partido único temos nós com o JS.
    Com uma vergonha de um partido de múmias que abanam a cabeça e o rabo à voz e esgar do chefe.
    transformaram a AR numa palhaçada de zombies que só aprovam o que é deles.
    O governa legisla por decreto.
    O que é isto?

  8. Carlos Vidal diz:

    Caro Justiniano,
    A verdade não me liberta do acontecimento, a verdade provém do acontecimento.
    Um acontecimento seria por exemplo derrubar o governo Sócrates sem eleições. Se um enorme movimento colectivo protagonizasse tal ocorrência, ou fosse inexplicavelmente impelido a tal, estaria a produzir verdade. Se esperar por eleições, não está a produzir verdade.

  9. Carlos Vidal diz:

    Em Platão a verdade não se submete à contingência.

    Actualmente diremos que uma verdade não se submete a um capricho eleitoral-sofístico.

  10. órélio diz:

    é isso é que sempre fez confusão no Badiou (mas a culpa é minha de certeza absoluta). Mas não consigo encontrar a justificação pela qual uma “revolução fascista” não seja igualmente um acontecimento.

    Afinal, depreende-se das palavras do Carlos, se um movimento de extrema-direita derrubasse o governo JS, estaríamos igualmente perante um acontecimento.

  11. Justiniano diz:

    Caro Vidal. Equívoco.
    O acontecimento pode, ou não, ser uma manifestação da verdade, esta pré-existe ao acontecimento que lhe pode, ou não, passar ao lado, assim como um enorme logro (como equívoco é a forma mais comum).
    A verdade é incontigente, o acontecimento se-lo-á sempre, e indiferente mas por vezes paralelo à verdade (e incidentalmente ou acidentalmente coincidente).
    Só a verdade o libertará da opressão e da angústia do acontecimento.
    Sócrates bastar-se-á com a derrota libertadora para poder descansar.

  12. Carlos Vidal diz:

    Caro órélio, a sua questão é interessante, mas eu nem sequer estava a partir de Badiou – mas sim de Platão (que, correcto, é a fonte de Badiou).
    A distinção (provisória) poderia ser esta:
    – o movimento nazi ou os camisas negras de Mussollini partiram do seu núcleo duro impondo-o a toda a sociedade.
    – a revolução de Outubro partiu de todos os sectores da sociedade com vista a destruir o núcleo duro da situação anterior (o czarismo).

    Parecem-me movimentos e factos totalmente opostos.
    O que acha?

  13. Justiniano diz:

    Caro Vidal.
    Forçada essa (provisória) mas, e contudo, é apenas aparente porque as similitudes são bem maiores que as diferenças (acho que é e foi assim e se não for tanto pior) .
    De qualquer modo o problema não é esse.
    JS não é a situação. A superação de JS não equivale à superação da situação, é um mero evento de continuidade.
    A situação é o Estado de Direito Liberal e Social e a sua legitimação, e esta, apesar da chusma de tentativas e consumações, mantém-se solidamente insuperável.
    Fora da grande têta do Estado de direito liberal e social não há nada, ou melhor, há um grande abismo.

  14. Justiniano diz:

    Vidal.
    O 25 de Abril foi o acontecimento. Andou entre o paralelo e o perpendicular até se encontrar e coincidir com a verdade (mas cuidado que nem sempre assim é).

  15. Carlos Vidal diz:

    “Fora da grande têta do Estado de direito liberal e social não há nada, ou melhor, há um grande abismo.”
    Caro Justiniano, esta frase é correctíssima!
    Mas atenção, temos de decidir se o sermos mortais é a nossa mais firme e clara caracteríatica ou caracterização. O dia-a-dia humano, na ciência e na arte demonstra que essa queda ou depressão na mortalidade não é a nossa característica. Sempre que se vence essa limitação/confinamento na morte e na mortalidade prova-se de certo modo que há algo de inumano no homem. Assim sendo, crentes na nossa inumanidade, qual é o medo do abismo?
    Repare, isto não é retórica: entre na Sistina e verá o que é a inumanidade (do belo).

    Outra coisa: o 25 de Abril não foi o acontecimento. O acontecimento foi o PREC.

  16. Quando pensamos em termos de “verdade” parece-me ser sempre em relação a alguma coisa ou acontecimento, por outro lado uma verdade cientifica é diferente duma verdade social; eu estabeleceria três momentos da “verdade”: verdade como conceptualização, verdade cientifica e verdade social. A politica enquadrar-se-ia na verdade social ou seja a solução dos problemas sociais; as políticas serão as diferentes propostas. A superação está na conceptualização a visibilidade no acontecimento.Se a situação é”o Estado de Direito Liberal e Social e a sua legitimação”no que estou de acordo, não me parece despropositado apesar da “chusma de tentativas” retirar-se autoridade à nossas capacidades de conceptualização. Diz-se que o inventor da lâmpada de iluminação só à milésima vez acertou. Claro que tento enquadrar-me num contexto histórico, que pretendo mais global e não de suposto progresso ou modernidade.

  17. onde está “despropositado” deve ler-se: “contudo”

  18. Justiniano diz:

    Caro Vidal. O abismo, como está bem de ver, é o lobo, e a sede, e a fome em forma de gente…(Nem lhe digo para visitar o que quer que seja para ver a humanidade porque não é necessário ir muito longe)
    Outra coisa: O PREC foi a perpendicular

  19. Justiniano diz:

    Caro Adão.
    O problema da legitimação ou do discurso legitimador é que ele é como a gravidade…está lá, sempre, é difícil escapar-lhe, e mais cedo ou mais tarde o tema salta-lhe à frente.
    Ou seja antes de qualquer coisa deve começar pelo discurso legitimador e deste modo (tentar) superar a situação(repare que os movimentos revolucionarios não atacam os princípios legitimadores do Estado de direito libera e social, saltam por cima).

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