Jerónimo – Sócrates (I)

O debate era difícil para Jerónimo de Sousa. A camisa de forças que Sócrates exigiu para estes debates, sem diálogo entre os candidatos e com temas estanques – regras que apenas o próprio parece ter autoridade para não cumprir, tornam difícil discutir com sem quebrar o acordo.
Jerónimo ainda tinha uma segunda dificuldade mais complexa, mas histórica. São raras as hipóteses do PCP em transmitir as suas ideias na televisão (veja-se por exemplo os poucos militantes/simpatizantes comunistas que têm acesso aos debates das televisões e reconheça-se que em dezenas de figuras não há uma única que demonstre alguma afinidade ou proximidade com as posições deste partido) ou em confrontar de uma forma pública os mandantes das políticas de direita.
A Jerónimo não se pede que recapitule uma série de números e estatísticas nem que se equivalha no conhecimento dos dossiers do primeiro ministro. A Jerónimo pede-se que seja muito melhor.
A Jerónimo exige-se (ao menos eu exijo) que em poucos minutos seja a voz dos professores, dos portugueses que ficaram sem centro de saúde ou maternidade, dos que ficaram no desemprego ainda que as suas empresas continuem a ser subsidiadas, dos que continuam a ser explorados ou dos que diariamente circulam nas novas praças de jorna…
Por isso a Jerónimo não se pede que se equivalha, mas que naquele curto e esporádico espaço de tempo, se confronte e dê voz, como costuma dizer, aos que menos têm e menos podem.

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12 respostas a Jerónimo – Sócrates (I)

  1. chico da tasca diz:

    Ó meu caro amigo, o Jerónimo nem falar sabe. À força de tanto repetir a cassette, o homem não sabe dizer mais nada nem sequer pensar pela cabeça dele. Aliás nem é isso que se pede a um comuna.

    E digo-lhe : o Jerónimo é aquilo e daquilo não passa.

    Quanto aos professores, essa escumalha tem é de levar com as mesmas regras que os outros portugueses levam nos seus locais de trabalho, porque o senhor sabe tão bem como eu que essa gente têm a pança cheia de privilégios, e ainda se arrogam o direito de serem eles a mandar nos Ministros.

    Vocês comunas deviam era de ter vergonha de usaram essa carneirada muito bem paga para jogadas de puro oportunismo eleitoral.

  2. Luis Rainha diz:

    Esse teu último pedido é justo e bom. Mas o homem falhou-te redondamente. Não chegou lá. Para a próxima, se calhar aquilo corre-lhe melhor; é que ele é, afinal, só um homem.

    Já agora, achas mesmo que todos podemos ter “centro de saúde ou maternidade” ao virar da esquina? É que as utopias devem ser gastas com propriedade.

  3. Tasqueiro.
    Ladras bem mas não mordes.
    Além disso és mal educado.
    Mas parabéns és um fascistoide perfeito.
    Aliás um produto genuinamente Salazarista.
    Em vias de extinção.
    jojoratazana

  4. órélio diz:

    Mas essa “voz” que tu tão desesperadamente pretendes corporizada em Jerónimo, já existe – chama-se Francisco Louçã.

  5. Tiago Mota Saraiva diz:

    Luis, acho que não se melhora o serviço nacional de saúde fechando maternidades e centros de saúde.
    Com uma população tendencialmente mais envelhecida é preciso que o médico esteja mais próximo e para alterar o progressivo envelhecimento da população é preciso que haja mais incentivos e apoios à maternidade.
    Esses apoios não são o chavão moderno para “dinheirinho”, mas condições para haver partos com melhores condições e próximos das áreas de residência – por inúmeras razões (proximidade da família, conhecimento dos médicos, vizinhança…) e nenhuma delas patrioteira.

  6. Tiago Mota Saraiva diz:

    Órélio, olhe que não, olhe que não.

  7. Luis Rainha diz:

    Tiago,
    Não faz qualquer sentido exigir maternidades ou hospitais a 20 km de qualquer cidadão português… a não ser quando tivermos o superavit da Noruega.

  8. Carlos Vidal diz:

    O raciocínio está incompleto Luis.
    Falta explicares que esse superavit norueguês é conseguido com medidas que o “nosso” PS nem da sua sombra quer ouvir falar.
    Portanto, não há almoços grátis nem milagres.

  9. Luis Rainha diz:

    Acho que essa medida se chama “petróleo”.

  10. Luis Rainha diz:

    E mais, Tiago: quando até já a Margarida Botelho aparece a representar os pontos de vista do PCP, não te podes queixar de falta de pachorra do pessoal das TVs. A mulher não existe.

  11. Manuel da Mata diz:

    1.Gostaria que Xico da Tasca tivesse ouvido hoje o verdadeiro Jerónimo de Sousa. Mas vê-se à distância que tipo de homem é Xico da Tasca.
    2. Jerónimo de Sousa esteve pouco contundente com Sócrates. Jerónimo sabe e é capaz de uma melhor prestação. Tem larga experiência parlamentar e não tem sido um deputado de fazer número.
    3. Não basta ser generoso e civilizado.
    4. Tenho esperança que os próximos debates lhe corram melhor.

    PS- O Bloco de Esguelha, na invenção feliz do poeta Daniel Abrunheiro, nunca poderá substituir o PCP. Vai encher e esvaziar, naturalmente.

  12. Carlos Vidal diz:

    Sim, Luis a medida chama-se petróleo e… impostos.
    Nomeadamente, o famoso sobre grandes fortunas
    (http://www.skatteetaten.no/Templates/Brosjyre.aspx?id=42952&epslanguage=NO)
    etc.

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