Jerónimo – Louçã

Foi um debate histórico para a esquerda.
Não porque tenha havido grandes novidades, rasgos ou declarações políticas. O único dos debates em que nenhum dos seus participantes tem a mínima responsabilidade sobre o estado a que o país chegou, demonstrou dois líderes partidários capazes de dar a esperança que outras políticas são possíveis.
O debate entre Jerónimo e Louçã deu-se entre dois homens que se respeitam.
Jerónimo e Louçã, sabiamente, conseguiram evitar a lógica da disputa de eleitorado percebendo que a esquerda e o povo nada ganha com essa disputa.
Desiludiram-se os comentadores de discurso feito que se perfilavam nas televisões para os chavões do costume, não podendo atribuir vitórias porque nenhum dos concorrentes desembainhou a espada.
Ganharam o PCP e BE,  em responsabilidade, respeito do eleitorado e capacidade em transmitir capital de esperança.

Momento Alto Louçã: Em todo o debate Louçã demonstrou estar perfeitamente adaptado aos tempos de resposta. Começava por uma introdução que enquadrava o tema e a pergunta e terminava com o que queria dizer.

Momento Baixo Louçã
: Demasiada insistência em apontar o dedo a uma e outra pessoa.

Momento Alto Jerónimo:  Clareza na inegociabilidade dos princípios com que o PCP se apresenta ao eleitorado, relembrando o célebre “O PCP é como o algodão, não engana”.

Momento Baixo Jerónimo: Logo na primeira resposta não soube explicar a proposta de nacionalização da banca comercial. Parecia que não tinha feito o aquecimento. Entrou mal.

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13 respostas a Jerónimo – Louçã

  1. i.tavares diz:

    Foi um debate, civilizado,poderia servir de exemplo,para todos os partidos.Infelizmente sabemos que não vai ser possível.No boletim do totoloto,foi claramente um X

  2. Fernando diz:

    Subscrevo o histórico. O BE e o PCP não são inimigos nem adversários. Hoje foi quebrado mais um tabu. O PCP e o BE podem dialogar, entender-se, encontrar plataformas de unidade concreta, para além dos vagos, “unidade na acção” ou “convergências pontuais”. Parabéns aos dois.

  3. Na minha opinião, quem entrou mal foi a Clara de Sousa com as duas primeiras perguntas a Jerónimo e a Louçâ. Confesso que esperei o pior.
    A pergunta a Jerónimo até parecia uma provocação a falar da nacionalização da Banca e das bichas dos clientes, como se mau serviço e nacionalização fossem sinónimos.
    Aliás, depois da nacionalização a Banca foi confrontada quem um enorme acréscimo de clientes e serviços para os quais não estava nitidamente preparada.
    Pareceu-me que o Jerónimo também sentiu a agressividade do começo e fez um esforço para se conter.
    Felizmente continuou e acabou bem, com grande clareza na defesa do programa e das propostas do PCP.

  4. ezequiel diz:

    conclusão: os dois senhores n explicaram coisa alguma. Um nem tentou (imagino que os meandros do sistema financeiro internacional sejam coisa macabra e acima de tudo incompreensível para o sacrosancto Jerónimo) O outro disse o que queria dizer mas n disse o que nos gostariamos de ouvir. Ninguém explica coisa alguma. Em Portugal vive-se a política normativa pura, um catolicismo subrepticio que penetra os lugares mais reconditos do subconsciente nacional: queremos isto, aquilo…toda a gente sabe onde quer chegar…mas há alguém por aí que saiba como. noop. não há. pontinho final. ou será que estou errado, “camaradas”?

    é exasperante, de facto. lideres-formatos…sem conteudos. conceitos vácuos. sem nada. é por isso que convencem menos pessoas.

  5. Leo diz:

    O momento mais baixo do Louçã foi socorrer-se do avô. Faço ideia das voltas que o senhor estará a dar na cova.

  6. fernando rosa diz:

    realmente o BE e o PCP como gostava de os ver mais vezes, centrados nos problemas e não em divergências politicas. O respeito de um pelo outro, e o inimigo comum. Um exemplo de postura e de respeito pelos eleitores.

  7. manuelmgaio, tem toda a razão. A inteligência da postura dos candidatos transformou a moderadora numa agitadora, afirmando as suas opiniões como se fossem factos.
    Esperava que a última pergunta fosse sobre os comunistas comerem criancinhas.

  8. joséjosé diz:

    Realmente os dois entrevistados reduziram-na á sua insignificancia…
    Tão Clarinha como a água barrenta…

  9. órélio diz:

    e afinal o que é que os separa? Porquê votar BE e não PCP ou vice-versa?

    Essa era uma questão interessante…

  10. Luis diz:

    “O momento mais baixo do Louçã foi socorrer-se do avô”.

    Tem razão, assim revelou a sua fragilidade e a necessidade de se auto-justificar. Foi um tiro no pé.

  11. j diz:

    Ah, você chama “àquilo” um debate!

    Um Jerónimo de Sousa mortinho para o suplício acabar porque não tinha nada a dizer, a não ser os chavões do costume, cheio de cábulas na secretária e em confrangedora incapacidade frente a um Francisco Louçã, um intelectual, sem papéis à frente e sempre com excelente capacidade argumentativa, ainda por cima, com dotes de pastor evangelista.

    Um e outro disseram a mesma coisa. Ou seja, nada. Ou melhor, o costume.

    Um PCP sectário, ideológico, da velha esquerda e que eu respeito porque é fiel aos princípios.
    Um BE, que não se sabe bem o que é, não ideológico, sustentado eleitoralmente em causas fracturantes e que eu não respeito porque não sei o que é.

    Um BE que, em certa medida, sobrevive eleitoralmente na mesma lógica do PP, embora com a diferença deste último não ter qualquer pudor em aceitar lugares governativos.
    Enquanto o BE não se compromete com o poder, porque sabe que, quando se comprometer, baixa eleitoralmente ao nível do PP ou mesmo abaixo.

    Um BE da esquerda “caviar” que apenas quer uma expressão eleitoral quanto baste porque, a partir daí, começa a ser um problema, porque não pode continuar a fugir às suas responsabilidades de governar.

    Um PCP sério, fiel e, repito, ideológico. Que tanto lhe interessa que esteja o PS ou o PSD no governo, porque a “luta” é estar na oposição.
    Um BE que não é “coisa” nenhuma ou, se quiser, que é um conjunto de “coisas”.

    Um PCP carrancudo, sem sorrisos cínicos.
    Um BE cínico.
    E o partido unipessoal do PP.

    Meu caro, já chega, que tenho que fazer.
    Estes debates não passam de uma grandessíssima coisa nenhuma.
    Ia para dizer que não passam de uma grandessíssima merda, mas não quer ser mal-educado, portanto apenas o pensei e não o escrevi.

    E como, até lá, não me vão passar os engulhos do PS, assim, vou passear.
    E esperar um ano por novas eleições quando a arrogância de José Sócrates, agora travestida de dócil leão, e o bafio salazarento do PSD, apoiado cinicamente nos ventos vindos dos lados dos pastéis de Belém deixarem espaço para um novo ciclo político.

  12. Luis diz:

    Não percebeu ainda, 33 anos depois, que a luta tem sido sempre contra a política de direita e contra os executores dessas políticas de direita, sejam eles quem forem, venham do PS, PSD e CDS-PP? Precisamente porque somos sérios, fiéis e respeitamos a nossa ideologia é que lutamos sempre contra a política de direita e contra todos os executores dessa política.

  13. Ascenção diz:

    Faço minhas (quase todas) as palavras do comentário de Luís, do dia 4. Não são todas as palavras porque não se trata de uma questão de “perceber” mas de não querer perceber, porque o coraçãozinho lhe pende para um PS sem Sócrates. Ou não?

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