Cancelamento do Jornal de Sexta – bomba nos pés ou indício de outra notícia?

A forma como Sócrates se tem vindo a referir ao Jornal de Sexta da TVI é indissociável da notícia da sua suspensão. Ninguém neste país encontrará outra justificação plausível que não o desagrado que provocava no primeiro ministro as investigações levadas a cabo sobre os casos Independente ou Freeport. Politicamente esta decisão parece absurda e, pelo seu timing, muito preocupante para o PS. Ninguém acreditaria que, caso Sócrates vença as eleições, o Jornal de Sexta continuasse por muito tempo, mas nunca se pensaria que a poucos dias das eleições sucedesse algo, sobretudo porque Sócrates não se conseguirá dissociar da decisão. Daqui até às eleições este será um tema da campanha com o qual, aparentemente, o PS nada terá a ganhar e muito a perder, quanto mais não seja porque a interferência do governo na comunicação social ainda é um tema que preocupa as pessoas. Contudo, como acredito que os que preparam a campanha de Sócrates já estariam ao corrente da situação, temo que as notícias sobre este assunto possam preceder outra notícia, designadamente, sobre o caso Freeport. Este ataque político ao Jornal de Sexta só faz sentido se for seguido de outra notícia que Sócrates já deixou no ar na entrevista a Judite de Sousa: a “resolução” do caso. É bom que se perceba que, qualquer decisão (qualquer que seja) sobre o caso Freeport a 15 dias das eleições, é um acto político.

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13 respostas a Cancelamento do Jornal de Sexta – bomba nos pés ou indício de outra notícia?

  1. antónimo diz:

    A questão é: A Quem aproveita o crime? A Sócrates e ao PS não é de certeza.

  2. baudolino diz:

    é óbvio que vai haver uma decisão antes das eleições

  3. Tiago Mota Saraiva diz:

    Antónimo, neste momento ainda não há dados suficientes. A ser só isto compromete, e muito, o PS.

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  5. Carlos Vidal diz:

    Universidade Independente, Freeport e Cova da Beira.

  6. antónimo diz:

    TMS, Não há uma segunda oportunidade para causar uma primeira boa impressão. E a impressão é demasiado má. Mesmo que os dados se alterem o crime aproveita a outros que não ao PS e a Sócrates.

    Espero que não ajuda a esvaziar a esquerda (PCP e BE) pelo voto útil (no PS) e a encher a direita até à maioria absoluta

  7. Tiago Mota Saraiva diz:

    Antónimo, prudência.

  8. rosinha diz:

    Nada interessa ao PS esta situação. Mesmo que não tenha agora a ver com o assunto, Sócrates ligou-se a ele quando se referiu ao canal no Parlamento e na RTP. E também pelas notícias do Freeport.
    Estou em crer que a insolência de Manuela Moura Guedes na entrevista ao DN, também poderá ter contribuído. “…Se me tirarem do ar, serão estúpidos”… Convencida, e insolente. Os patrões não gostaram. Afinal não lhe pagam para isto…

  9. miguel diz:

    Logicamente, podemos concluir que o Tiago Mota Saraiva concorda que o lançamento do “caso freeport” a 15 dias das eleições de 2004 foi um “acto politico”.

    Entendi bem?

    miguel

  10. Tiago Mota Saraiva diz:

    Sim Miguel, claro que concordo. Como diz, em 2004, foi lançado um fumo de modo a que ninguém o conseguisse desmentir. O problema é que não era só fumo, também havia fogo. Em 4 anos o fogo foi circunscrito, mas ainda não foi debelado. E isso é estranho, muito estranho.

  11. Manuel Francisco diz:

    Há nisto tudo o traço alucinado que pertence já à ordem do irracional – o de alguém que sabendo que vai morrer não pára de matar no inevitável caminho que vai trilhando.

  12. miguel diz:

    “Em 4 anos o fogo foi circunscrito, mas ainda não foi debelado. E isso é estranho, muito estranho.”

    concordamos em absoluto. È estranho, muito estranho.

    Ou melhor, eu só achei estranho até ao inicio deste ano. Desde essa altura já não acho nada estranho. Pelo contrário, tornou-se consistente.

    As DUAS estorias de hoje apenas nos dizem que o empenhamento aumentou, porque agora é que conta.

    Agora temos uma reportagem mistério sobre o freeport que ainda vai ser usada durante umas duas semanitas (como se fosse possivel esconder uma reportagem já feita). Na semana seguinte o Jose manuel fernandes é demitido, sem ninguem explicar nada e na semana de 20/9 juntam-se pelo menos mais 5 estorias guardadas desde 1993. Na 5ª feira antes das eleições Cavaco faz uma critica qualquer ao governo que dura 6ª e sábado.

    Este é o planode comunicação para os proximos dias.

    Como dizia pessoa..”primeiro estranha-se, depois entranha-se”

    miguel

  13. Miguel diz:

    A Sra. Dona MMG era uma péssima jornalista e na minha opinião mal formada.

    Este Jornal de 6ª feira era um autêntico espectáculo sensasionalista, “um Jornal mascarado”. Por isso nunca devia ter começado.

    Por outro lado MMG mostrou aos portugueses muitas coisas que não sabiam.

    Infelizmente continuamos a acreditar na inocencia de todos. Só é pena que mais verdades nao tenham sido reveladas e que as que tenham sido sejam quase todas sobre Sócrates.

    É bom este Jornal do mais Sensacionalista que há ter acabado, mas perde-se uma inegável fonte de verdades e que combatia tudo o que se quer esconder e abafar.

    Talvez se em vez de Jornal tivessem feito um programa, nunca teriam acabado com ele. Porque aí já nao havia argumentos de má qualidade, mas sendo assim é obvio que a MMG se estava a por ao jeito, com um jornalismo tão “rasca”

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