
LYNDA BENGLIS, num anúncio (já histórico) de uma sua exposição individual, publicado na Artforum em 1974.
No Centro Pompidou, Paris, a exposição Elles promete e muito. Primeiro, pelo tema – a produção artística feminina ao longo de todo o século XX, a partir dos excelentes fundos e colecção do próprio Centro (o MNAM). Depois, trata-se de um regresso e de uma política de continuidade do Centro para com as grandes exposições temáticas de longa investigação, após uma experiência muito afim (que poderá ser vista em paralelo com esta Elles), féminimasculin: le sexe de l’art (com gigantesco e imprescindível catálogo), de 1995, e, recentemente, a estranha Le Traces du Sacré, expo que me suscitou as maiores reservas, mas que tinha igualmente grande ambição: mostrar que a arte do século XX era dominada pela espiritualidade, desde Malevich a Pierre Huyghe. Agora é a vez de Elles e até Maio de 2010!! Reunindo obras de Marie Laurencin (1909) a Pipilotti Rist, uma notável rapariga que já andou por Serralves.
Perante um século de produção artística feminina, fico-me, por agora, pelo mapa conceptual das décadas posteriores a 60, quando os termos feminismo, neofeminismo e pós-feminismo se impuseram como nomes quase de guerra. E porque acho que sem se perceber o que se passou nas décadas mais recentes não se perceberá nada ou quase nada do século XX feminino (assunto que me interessa muito, ou muito mais do que as eleições de 27 de Setembro que reelegerão J Sócrates – que Deus tenha piedade de nós!!)
Para tal, comecemos por um importante documento que pretendeu esboçar um balanço da relação arte/feminismo desde as neovanguardas de 60 (não se espante leitor com este “neo”, pois é a forma de distinguir as vanguardas de 60 e 70 em diante das “vanguardas históricas” das décadas de 10 e 20) à actualidade.
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REGINA JOSÉ GALINDO. Quién puede borrar las huellas?. Performance. 2003.

DORIS SALCEDO. Instalação em Istambul. 2003.
O documento foi o nº 71 da October (1995), prestigiada publicação dirigida por Rosalind Krauss. Perguntava então a October: «como é que podemos entender as recentes práticas feministas que parecem ter ultrapassado, para não dizer que rejeitaram, o trabalho teórico dos anos 80, no sentido de um regresso à denominada “realidade” do feminino? E que papéis desempenham a continuidade/elaboração dos tópicos e práticas feministas dos anos 80 na presente cena?»
Esta pergunta era/é decisiva, pois permite fazer uma radiografia de activismos, comportamentos e produção artística, desde essa década pioneira que foram os anos 60. Assim, ao feminismo de 60 e 70 pode atribuir-se uma vocação essencialista (palavra problemática esta), biológica e física. Aqui, as autoras essenciais serão (para mim): Yvonne Rainer, Judy Chicago, Eleanor Antin, Carolee Scheemann, Yoko Ono, Lynda Benglis, Lygia Clark, Eva Hesse ou Ana Mendieta.
O feminismo na arte e estética dos anos 80 (Barbara Kruger, Sherry Levine, Lorna Simpson, Dara Birnbaum, Martha Rosler, Jenny Holzer, Laurie Simmons, Sarah Charlesworth, Louise Lawler, Vikky Alexander, Nancy Dwyer e «Guerrilla Girls»), por seu lado, e paralelamente a todas as restantes tendências estéticas críticas do mesmo período, é de natureza teórica, direccionado para uma materialização objectual autocrítica (quase abandonada que foi a prática performativa). Autocrítica expressa na opção por suportes de imediata reprodutibilidade técnica, sobretudo a fotografia e o vídeo, onde a produção de sentido se desenvolve no cruzamento obtido entre um programa conceptual que se propõe crítico em relação ao voyeurismo da cultura massmediática, e que para tal tem de privilegiar o uso dos instrumentos dessa massmediatização. Um cruzamento entre a crítica e a instrumentalização criticada. É a velha discussão do combate à sociedade do espectáculo a partir do espectacular.
Esta entrada nos dispositivos da cultura de massas é estabelecida com intuitos desconstrutivistas (Derrida e Baudrillard eram as referências), aliada ao estruturalismo e à psicanálise lacaniana — dispositivos teóricos que são postos ao serviço de uma vontade de desmascarar e expor, no seu próprio terreno, os aparelhos repressivos e discriminatórios da cultura de massas. Esta arte pretendia ser uma exposição e denúncia dos dispositivos mercantilistas que se alimentam do voyeurismo e da fetichização espectacular. Neste contexto, do corpo da mulher. Por o corpo da mulher ser portador de sentido, enquanto que o do homem é produtor de sentido (Laura Mulvey). E daqui, como vimos, parte a crítica feminista a toda a arte moderna.
A actualidade, segundo o questionário da October e suas proponentes, estaria a assistir a um feminismo menos entroncado nessas teorizações, para processar uma recuperação activa das formas de “arte de acção” dos anos 70: efémeras, perecíveis e performativas.
De certo modo, hoje, olhando para obras como as de Nan Goldin, Sue Williams, Karen Kilimnik, Dominique Gonzalez-Foerster, Vanessa Beecroft, Mona Hatoum, Marlene Dumas, Doris Salcedo, Regina Galindo, Ghada Amer ou Tania Bruguera, este diagnóstico de 1995 ainda pode ser válido. E talvez a exposição de Paris nos ajude a clarificar mais estas questões.




Qualquer das imagens,principalmente a primeira ,sugerem-me deformações em resultado do acidente de Chernobil.
Lá anda você a plagiar os criticos de arte…!!
Cara Inês,
Plagiador que plagia pladiadores, tem cem anos de perdoadores.
Inês, apareça na antiga boîte Nina, que lhe ofereço com todo o prazer um lanche, uma café, um livro…
Caro Setôr,
Acho que temos andado por boîtes diferentes…
Eu quero levar na cona e você oferece-me um livro??? Se for pornográfico, aproveite-o para bater uma punheta!!
E se for com dedicatória?
E a Cindy não consta, Mestre?
Já agora os parabéns pelo sucesso desta dedicada rubrica sobre arte contemporrânea. Os comentários recentes assim o atestam: o nível desce mas o interesse é crescente.
Tive agora conhecimento, por umas amigas lá de monsanto, que existe este espaço de divulgação cultural. Sei que o responsável é um senhor Doutor, que segundo consta é uma jóia de pessoa!
Fico feliz por saber que aqui se podem cruzar diversas camadas culturais e assim alargar horizontes! O que falta neste país é realmente cultura, pelo que, desde já, dou os meus parabéns ao senhor Doutor Carlos Vidal, que daqui em diante passarei a chamar de “Fôfo”!
Pois caro Fôfo,
Pode não acreditar mas existem colegas minhas que necessitam de cultura! Ás vezes de forma inacreditável!!
Irei lhe relatar um história que se passou comigo ainda há pouco tempo!
Houve um senhor, também com ar de doutor, que passou lá em monsanto e me contratou para um trabalho de 3 dias num hotel de luxo! Era uma festa de arromba de vários doutores. Todos finos!
Eu lá fui!
Passados 3 dias, de volta a monsanto, as minhas colegas vieram a correr (até a Odete que é coxa) pedir-me para contar como foi!
Eu comecei por explicar que naquela festa havia muitos pénis! Todos eles falavam do pénis!
Acredita que nenhuma sabia o que era um pénis??
Foi aí que me apercebi que o nivel cultural era realmente muito baixo! Mas com toda a minha – desculpe a pouca modéstia – capacidade pedagógica, eu expliquei a todas:
- O pénis é uma espécie de caralho só que é mole!!
Obrigado Fôfo pelo desabafo!
Inês e Gina Soraia,
Ahahahahahah… Na “mouche”.
Gina,
Parece que sim, que o Senhor Doutor é uma joiinha e um fofinho… além de ser da “alta cultura”, é um Homem às Direitas, muito vertical, sempre preocupado em dar lições de Ética.
Também consta que gosta de pagar serviços com livrecos, mas as suas colegas não caem na esparrela.
Gina Soraia desejo-lhe bons clientes. A vida está difícil.
É sobretudo para leitoras como a Gina Soraia que eu escrevo estes textos didácticos.
Porque sei que lhe serão úteis.
Gina, vive mesmo em Monsanto, é?
Que pena.
Ironia: é falso que o Vidal pague serviços com livrecos. Ainda ontem o vi no Intendente com os dois grossos volumes do Capitalismo e Esquizofrenia debaixo do braço.
Correcto miguel.
Isso era, de facto, para pagar bons serviços: as meninas gostam do Deleuze: muitos fluxos, fluxos, nomadismos, micro-políticas, corporalidade, antiplatonismo e o diabo a sete.
Miguel Dias,
Querifo Fôfo,
Importa-se de não adjectivar tanto porque assim não me consigo vir?
Porra! Já não sei se o “post”,é sobre arte ou pornografia. Ajudem-me
Tou a ver, mestre:
desterritorializas-te do Chiado para te reterritorializares no Intendente. Afinal de contas, do convento ao bordel são apenas quatro estações de metro. Levas mapa ou decalcas?
Ó Gina!
Andava à tua procura lá na mata e não te encontrava! Foi a Rosa quem me disse que agora atacas aqui!
Conta lá: esse Doutor Vidal apesar de ser um enconado que não escreve textos originais, nem arrisca….pelo menos paga bem?
Eu estou toda aberta a premutas! Se ele tiver a primeira edição da “Biografia de John Holmes” de 1973, eu não só engulo como até garguerejo!
Evidentemente que tenho, querida.
Gina Soraia,
Adonde andas cagente não te tem enchergado?
Anda pá beira dagente, agente cremos sermos cultas coma tu.
Vidas, posso ser teu amigo?
Não é por nada, mas as gaijas não te largam.
Pode ser que me respingue alguma.
Uso-as e mando-te uma pró Castelo do Queijo. OK?
Lá fui ver a exposição do Palácio Galveias, fiquei com a ideia de:
bem organizada como exposição,
predomínio da pintura sobre a escultura (2 esculturas) ” homem pequeno com reduzidas ambições”, grande ironia;
propostas de trabalho em vários sentidos como seria de esperar;
fotografia (muito bom), “três gerações” especialmente;
vídeo, construções não displicente;
não havia já catálogo à venda, o que é pena;
mais uns quantos que chegaram ao fim e ao início!
talvez consiga umas filmagens feitas lá, há algum inconveniente em pô-las na net?
mais abaixo o Dan Flavin- anos 60?? caramba como nós estamos atrasados, eu pelo menos!
cumprimentos
Caro Adão Contreiras, grato pela visita em nome dos alunos e colegas.
Gostei da sua análise e, quanto às fotos, nenhum problema.
Apareça sempre.
CV
Cara Inês, a partir de agora só a quero aqui como Inês.
Inês de Castro, gosta?
Uma? Manda todas. Faz-lhes a rodagem, que eu ponho-as a estagiar no meu alterne, o AnaPaula da Rua do Bonjardim.
Para chegarem ao Castelo do Queijo ainda têm muito que aprender.