O rei do topete

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Os malandros que não querem trabalhar e recebem subsídio, as leis que castigam os polícias e premeiam os ladrões, o ministério da Economia que só liga a grandes empresas. Não há, para o PP, apelo baixo demais: urge despertar o medo, reforçar as desconfianças básicas, incentivar a insegurança. Vale tudo para assustar o povo e tentar angariar mais um voto ao velhinho acuado, ao racista potencial, aos espíritos primários que por aí andem em busca de quem “ponha ordem nisto”.
E também não se vê limite à desvergonha daquela malta: o partido que ontem andava envolvido em manigâncias com o BES ou em jogatinas pouco claras a propósito de casinos é hoje o campeão das PME; o bando dos donativos do Jacinto Leite Capelo Rego bate-se pelo combate à bandidagem; o partido recordista do número de fotocópias por noite e de despachos por dia arma-se agora em paladino da moralidade.
O próprio Paulo Portas, sempre dentibus albis como é hábito das piranhas mais comilonas, declara-se nestes dias consternado pelas incertezas laborais que afligem os eleitores: «poucos portugueses não conhecem uma pessoa que não esteja no desemprego ou insegura no seu emprego». Atenção, que este lindo sentimento vem do chefe da maltosa que ainda há meses garantia que as «disposições que limitam os despedimentos dos trabalhadores, quer no sector privado quer no Estado» são «uma limitação à liberdade das empresas e ao seu desenvolvimento». Antes era imperativo poder despedir, agora há que dar segurança a quem tem emprego.

Um dos grandes males deste país é mesmo a falta de memória de curto prazo. Se assim não fosse, há muito que o Paulinho das feiras nem a uma eleição para o Benfica seria admitido.

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