O caso Liedson explicado aos meus filhos

A lei estabelece as condições da atribuição da nacionalidade.
Quem as preenche e se torna português, torna-se um português igual a todos os mais.
A lei não distingue entre vários tipos de portugueses: somos todos iguais em direitos e deveres.
Pretender o contrário, seja a que pretexto for, é profundamente errado.
A todos os títulos.

PS: Publicado igualmente aqui.

Sobre António Figueira

SEXTA | António Figueira
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10 respostas a O caso Liedson explicado aos meus filhos

  1. Pedro diz:

    Antonio Figueira, era de esperar que num blogue onde pelo menos dois se horrorizam tanto com a boca da Marta Rebelo, não se invocasse, nesta discussão, de forma tímida e formalista, a lei. Eu acho que é mesmo de ideologia que se deve falar, já que se chegou a ponto de trazer o Mário Machado à discussão.
    Eu sou tudo menos nacionalista. Enquanto o Liedson nasceu português por opção e decisão do Estado, eu nasci português sem querer por força de uma certa conjugação mecânico-genetica. Poderia ter nascido noutro pais qualquer que estaria tão ou tão pouco satisfeito como estou agora. Poderia estar agora a torcer pela selecção da quirguizia, com um gorro de pele de urso na cabeça. Pronto, sou um alvo do Mario Machado. Esta bem assim como certificado de boa conduta? ok.
    Mas volto então aqui a fazer a pergunta que fiz lá em baixo ao Luis Rainha,a ver se desta vez resulta, reformulando-a: Por que é que devemos ter uma selecção “nacional”? Não é isso afastar os estrangeiros de uma actividade económica? Como? Não é uma actividade económica?

  2. Carlos Vidal diz:

    Gostei, António, mas não sei é se mesmo assim a tal Marta Rebelo, ou lá o que é, percebeu.

    Se simplificasses um pouco mais…
    Se não simplificares, a esquerda moderna… não sei pá…
    Tenta.

  3. António Figueira diz:

    Pedro,
    É de lei que se trata, da ideologia da lei – geral e abstracta – contra casuísmos e subjectivismos (e V. engana-se: tanto V. como o Liedson nasceram portugueses por obra e graça do Estado português e da respectiva lei da nacionalidade: a sua origem “mecânico-genética” de pouco serviria se a lei não lhe atribuísse efeitos).
    Carlos,
    Premissa maior, premissa menor, conclusão (é para maiores de 6 anos). No caso Liedson, não cheira apenas mal a xenofobia evidente, cheira pessimamente a incultura republicana: uma jurista não percebe isto?!

  4. Zé_Lucas diz:

    Mais do que qualquer “lei”, o que está em causa aquí, é ter vergonha na cara. Prefiro que Portugal perca jogos, sejam eles de que modalidade forem, do que ganhar alguns mais com a selecção “C” do Brasil.
    Mas isto sou eu, que sou um grande parvo, claro está.

    Um grande Saravá

  5. António Figueira diz:

    Aqui não se desmente ninguém.

  6. Zé_Lucas diz:

    Só para completar, e esta questão é bem mais complicada do que parece, gostaria também de dizer, que não me choca nada que alguém que venha para Portugal, por exemplo, aos 5 ou 6 ou 10 anos, adquira a nossa nacionalidade e jogue nas selecções. Agora alguém que vem com a idade do Liedson, só joga na selecção Portuguesa porque não é chamado para jogar na do Brasil, tenham dó!

  7. W. diz:

    Não faço ideia do que falam, mas não pode ser presidente da república um português que não tenha nascido português. E nos USA é igual. A lei distingue entre portugueses.

  8. António Figueira diz:

    Caro W.,
    A lei também estipula que, para além de ser português de origem, também precisa de ter completado 35 anos – o que é que acha que pode retirar daqui?

  9. António Luis diz:

    Caro AF,
    Peço desculpa por intervir neste interessante debate, mas sinto que a questão, com todo o respeito, não estará bem colocada.
    Na verdade, o “dossier Liedeson” nada tem a ver com questões de nacionalidade mas sim de patriotismo.
    Um jogador pequenino (dizem que levezinho) que, há poucos anos, não chegava a Portugal a tempo de realizar a “pré-época”, que se coloca na área adversária em sistemático fora de jogo (vulgo “à mama”) e que marca alguns (poucos) golos manhosos – na sequência do chamado salto para a piscina – , embora encarne o verdadeiro espírito do jogador lusitano, não sei se dignifica o desporto rei e, por isso, é duvidoso que deva ser chamado à selecção nacional.
    Não obstante os meus insistentes apelos a uma postura isenta, a verdade é que me parece que continuas a negar o óbvio.
    Podes encontrar sem dificuldade mas, presumo, com alguma angústia, verdadeiros artistas (talentos natos), daqueles que transportam multidões aos grandes estádios, tais como Saviola (“El Conejo”), Cardozo (“Taquara”), Weldon, Keirisson, Mantorras, Di Maria (só para, de forma aleatória, citar alguns avançados), os quais, de forma desinteressada e abnegada, decidiram, no auge das respectivas carreiras, abraçar um projecto destinado a projectar no mundo o nome de Portugal.
    Era, assim, na minha modéstia opinião, interessante que o debate se centrasse na possibilidade destes verdadeiros patriotas, independentemente do que consta dos respectivos BI, pudessem representar a nossa selecção.
    O que é que achas?

  10. António Figueira diz:

    Caro AL,
    A ideia de ser representado por El Conejo é-me particularmente grata.
    Aliás, hoje almocei em casa de um colega que tem filhos pequenos e onde circulava um ternurento coelhinho, que é o companheiro de brincadeira das crianças.
    Perguntei como se chamava; responderam-me: “-Guisado”.
    É assim que eu gosto dos coelhos.
    Saudações do vizinho da segunda circular,
    AF

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