The Take, de Naomi Klein, documentário que mostra a ocupação de uma fábrica na Argentina
Os vencidos da vida quando se juntam é para jantar. É, pelo menos, assim que alguns comensais do grupo de Eça de Queiroz e dos seus amigos definiam as ambições políticas do seu repasto. Na terça feira vou jantar com talassas(o que é um “republicando”?). O meu bisavô comandou os marinheiros republicanos que ocuparam o São Rafael e bombardearam o palácio do rei. Apesar disso, não me incomoda homenagear um amigo que mudou a bandeira de Lisboa pela dos liberais de D. Pedro. Janto com uma pessoa de quem gosto e defendo o direito a mudar bandeiras. Sigo religiosamente a frase de Willhem Reich: “não construam monumentos que não possam derrubar”. Tenho a certeza que, ao contrário de muitos dos presentes no repasto, sou dos poucos presentes na York House que acredita na desobediência civil, em geral, e na violência divina da revolução francesa, em particular. Sou favorável aos cortes de estrada, às ocupações de fábricas e às manifestações não autorizadas, mesmo, a estranhas revoluções. Agradeço aos betos terem ajudado a abrir a caixa de Pandora. Tudo o que façam nesse sentido é bem-vindo.




Pois também houve um grupo, do qual fazia parte Nadir Afonso, que, para ironizar com esse, se auto-intitulou de “Os convencidos da Morte”, e também fizeram belas jantaradas e tertúlias….
Nuno: não confundas os “vencidos da vida” com jantaradas regimentais. Nem percebo sequer o que é que lá vais fazer com tanto que há a fazer. Um abraço.
Eh pá, é a primeira vez que vejo alguém a defender cortes de estrada e tal, assim por si só. Ok, se o NRAlmeida fosse numa estrada prestes a ser cortada com alguém ferido no carro, por ex., queria ver se aqui esta opinião se mantinha…
Quanto à questão das bandeiras, tal como já disse, não sou nem deixo de ser monárquico ( talvez seja mais barato não gastar a despesa de fazer várias e caras eleições presidenciais de 4 em 4 anos, desde que se garanta o fácil “apeio” do Rei por incompetência),agora discutam esta questão com seriedade e sem folcore, e sem marialvismos inútil, e pode-se começar a pensar então, e porque não…
Lá nos encontraremos, Nuno. No que respeita a questões de betos, creio bem que esse é um conceito perfeitamente aplicável a quem vemos hoje a perorar progressismos de diversos matizes: o que pensa que é o sr Louçã, o sr. Rosas, o Miguel Portas, o Manuel Alegre, a dra. Belém, a arq. Roseta, a menina A Dias e tantos, tantos outros mais ou menos verde-encarnados? Uns “mitras”? duvido muito.
No que se refere ao episódio a bordo do São Rafael, se o seu antepassado tivesse podido prever o que aqueles tiros de canhão trariam ao nosso século XX, talvez os tivesse elevado um bocadinho mais e acertado o alvo em direcção à Rotunda.
A propósito, recordo-me daquelas quartas-feiras de outros tempos, quando em Lourenço Marques ia lanchar a casa dos meus bisavós. Na varanda, com uma soberba vista para a Baía do Espírito Santo, o meu bisavô (maçon) por vezes recordava o seu passado de crente da república e dadas as circunstâncias que todos vivíamos, desabafava: …”grossa asneira fizemos em 1908 e 1910… grossa asneira… dizíamos e fazíamos o que bem queríamos”… e lá voltava a temas mais actuais.
E já agora, Nuno R.A., recordo também o dia 27 de Abril de 74, quando o meu pai me levou a dar uma volta de carro por toda a Baixa de LM, para “tirar algo a limpo”. Chegando a casa, disse à minha mãe:
-”Vamos ser corridos de África, mas dentro de dez anos, Portugal estará outra vez na mesma m…”
- ?
- “Então…? 16 anos de Afonso Costa e 48 disto que agora acabou… Os edifícios públicos ainda têm hasteada a bandeira de 1911?! Incrível!”
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Ao João Gonçalves: decerto sabes que um dos Vencidos da Vida – informal -, era o próprio rei D. Carlos que muito justamente devia surgir na pintura hoje exposta no Museu do Chiado.
Calculo o que queiras dizer com o “muito que há para fazer”: talvez salvar a esfíngica face a quem tão desastradamente tem gerido a situação embaraçosa em que se meteu. O silêncio nem sempre é de ouro. Neste caso, é exactamente aquilo que significa: o nada absoluto
Caríssimo Nuno,
Como calcula, sou favorável à república e acho que o 25 de Abril foi o melhor que aconteceu a Portugal no último século. Tirando isso, sempre respeitarei pessoas com as convicções diferentes das minhas e que lutam por elas. Até terça.