Se há uma coisa que muito tem distinguido PCP e BE é a estratégia política para alcançar o poder.
O PCP, sobretudo a partir da eleição de Jerónimo de Sousa para secretário geral, recentrou essa estratégia em torno da luta de massas. As eleições têm importância como um meio de contacto com as populações e de comunicação política, mas parte do princípio que não se poderá construir nenhum projecto transformador e revolucionário sem que estejam criadas as famosas condições objectivas. A importância da Marcha do Protesto em plena campanha das europeias ou a pouca relevância dada a concordâncias com outros partidos, são reveladores e coerentes com esta estratégia.
O Bloco, no seu início, assumiu-se como o partido dos movimentos e das causas. Criou plataformas e integrou outras, tendo feito dessas organizações a sua principal fonte de recrutamento e contacto com a população. Por isso, nos primeiro tempos de existência, o BE era o partido das causas, dos direitos LGBT à Taxa Tobim.
Mas esse partido foi desaparecendo.
Não desistindo das suas causas fundadoras o Bloco viu num PS definitivamente instalado à direita uma janela de oportunidade para ganhar peso eleitoral. Moderando o discurso e estabelecendo pontes com uma eterna e quimérica esquerda do PS, o Bloco recolocou a sua estratégia no acto eleitoral, transformando-o no partido mais parlamentarista do espectro político nacional (talvez a par do CDS).
Assim, como será fácil de entender, para a estratégia política do PCP o BE é pouco relevante, mas para a estratégia do BE, o PCP, é muito relevante.
Acreditando que o BE não pensa que o PCP desaparecerá eleitoralmente, resulta surpreendente que dirigentes do Bloco assinem artigos de opinião em que colocam, tal como o PS, o PCP fora dos partidos democráticos, como o faz João Teixeira Lopes no artigo “Os puros nunca se misturam“.
Coerentemente mediante esta análise, e sabendo que este dirigente do BE faz parte da tendência (como lhe chama) maioritária do BE, o Bloco nunca procurará qualquer entendimento político parlamentar com o PCP, ou com os seus eleitores – que no artigo são claramente hostilizados e tidos como perfeitos idiotas.
Para um partido de esquerda que escolheu a via parlamentar, não percebo onde irá encontrar a sua «esquerda grande».




“Coerentemente mediante esta análise, e sabendo que este dirigente do BE faz parte da tendência (como lhe chama) maioritária do BE, o Bloco nunca procurará qualquer entendimento político parlamentar com o PCP, ou com os seus eleitores – que no artigo são claramente hostilizados e tidos como perfeitos idiotas.”
Tem razão, Tiago. Desde que nasceu tem sido sempre esse o papel do bloco: hostilizar o PCP e retratar os seus eleitores como perfeitos idiotas. E assim fazer o frete de quem tem aplicado políticas de direita desde os últimos 33 anos. Umas vezes beneficiando o PSD (foi Miguel Portas e o BE quem pôs Santana na presidência em Lisboa) outras o PS.
“As eleições têm importância como um meio de contacto com as populações ”
“para a estratégia política do PCP o BE é pouco relevante”
A verdade é que o PCP aplica cada vez mais aquela máxima do “estão verdes, não prestam” à medida que o seu peso vai lentamente decrescendo na sociedade portuguesa.
À maneira do CDS vai-se contentando com o papel de “sobrevivente” embora se note que fica ressabiado.
O PCP é, efectivamente, um partido que está fora do sistema democrático. Isto verifica-se nas regras de funcionamento interno e no que defende para o país.
“à medida que o seu peso vai lentamente decrescendo na sociedade portuguesa.” ????
Pois anda desde há cinco anos a subir em todas as eleições, passou de quarta para terceira força na AR, mantém o lugar – cada vez mais destacado – de terceira força autárquicas, nas europeias tornou-se novamente a força mais votada em três círculos eleitorais (o PS só foi em dois), recuperou a terceira posição noutros círculos importantes, nomeadamente em Lisboa. E subiu em TODOS os círculos. Só a ignorância e má fé podem dizer que isto é decréscimo.
Luís, não foi Miguel Portas que deu a vitória a Santana, até porque nem sequer se chegou mesmo a saber se teria sido uma vitória.
Pascoal, esse é o típico comentário baseado em factos que gostaria que fossem verdade mas que a realidade teima em desmentir.
Pedro Morgado, “regras de funcionamento interno e no que defende para o país”, refere-se a quê?
“não foi Miguel Portas que deu a vitória a Santana” ??? Posto doutra forma, foi ele e o BE que ajudaram à derrota da coligação de esquerda em Lisboa.
Todo o texto do Tiago é muito folclórico e peca por exagerada superficialidade. Se tudo o que veemente afirma fosse verdade não teríamos um Partido Comunista Português a vergar perante a governabilidade de um belo conjunto de freguesias e autarquias de Norte a Sul do país (Coimbra, ovar, espinho, o primeiro porto do rui rio…), coligando-se com o PSD.
E sabe bem que tem hostilizado o BE tem sido o PCP com 4 artigos semanais no Avante!.
E acho que lhe falta acrescentar uma coisa o PCP é neste momento um projecto de resistência, uma pura fortaleza.
não digo que o artigo do joão teixeira lopes nao esteja exagerado. mas ja vi com cada um nojornal a avante a destratar o bloco, que comparado com isso o artigo do joão teixeira lopes é quase um elogio.
cada partido tem as suas estratégias, é isso que é a pluralidade, e cada um vota em quem se identifica.
“não teríamos um Partido Comunista Português a vergar perante a governabilidade de um belo conjunto de freguesias e autarquias de Norte a Sul do país (Coimbra, ovar, espinho, o primeiro porto do rui rio…), coligando-se com o PSD.” ????
Foi sempre esse o modo de actuação dos eleitos do PCP nas autarquias: onde têm maioria, convidam os eleitos das outras forças; onde estão em maioria, se convidados, aceitam o convite. Porque está mais que provado que nas autarquias importa juntar forças para resolver os problemas das populações. Sempre assim actuámos, a todos os níveis, em todo o país. Com bons resultados para as populações.
Espero que assim continuem a agir. É isso que as populações esperam dos eleitos da CDU. Eles sabem que servirão em todas as circunstâncias, sem sectarismos palermas.
Penso que a tua análise é correcta. Tenho pensado numa experiência, que aos mais novos talvez escape.A experiência italiana,a do “pentapartido” que foi formado, para derrotar o Partido Comunista Italiano à época com os votos necessários para formar governo.Isto para concluir que não tenho dúvida,se em Portugal for necessário uma coligação desse tipo, o Bloco de Esquerda estará presente.
“E sabe bem que tem hostilizado o BE tem sido o PCP com 4 artigos semanais no Avante!”
Coitado, ofendeu-se… Sim, li alguns artigos de opinião devidamente assinados e achei-os pertinentes. Nenhum deles ofendia ninguém, alguns gozavam obviamente com os patetas brindes privados e os elogios públicos ao ex-ministro socratino. Como dá para gozar a sua atitude de calimero infantil a amealhar queixas. Não percebeu ainda que quem anda à chuva molha-se?
Carlos Marques, agradeço o elencar de alguns dogmas sobre o PCP e não respondo à letra recordando a permuta dos terrenos do Parque Mayer, em que V. Exa ou um seu homónimo participou, porque entendo que a esquerda deve ter mais do que dois palmos de testa e não se deve perder em argumentos feitos (e alguns falsos).
fernando rosa, o tema do texto não são os artigos que dirigentes do BE ou o Avante publicam, nem me parece que seja por aí que se deva escolher o sentido de voto. O post é sobre a diferença de estratégias para alcançar o poder.
Se fosse sobre o artigo de João Teixeira Lopes diria que, mais do que ser um artigo ultra-sectário, faz uma coisa que raramente um político experimentado como JTL ousa fazer, que é menorizar a inteligência dos militantes, simpatizantes e votantes na CDU, colocando-os como cães afilados em torno do que jocosamente denomina como «geração Jerónimo».
Se um artigo deste tipo tivesse sido escrito no Avante e fosse sobre os militantes do BE, seria certamente capa de jornal, teria enorme destaque no Arrastão ou no Jugular e seria motivo de indignação na blogosfera.
Eu não quero discutir o artigo que, politicamente, é indefensável.
Já agora…
Vão hoje comemorar os 70 anos do Pacto germano-soviético? Há que ser coerentes…, porque estes acordos permitiram a existência da URSS por mais cinco décadas. Podem avaliar bem as consequências aqui:
http://images.google.com/imgres?imgurl=http://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/5/51/AxisTalks_Pent.png/300px-AxisTalks_Pent.png&imgrefurl=http://en.wikipedia.org/wiki/German%25E2%2580%2593Soviet_Axis_talks&usg=__uy3o97TUdUz1sy6BXemMp66Yy9k=&h=755&w=300&sz=144&hl=en&start=80&um=1&tbnid=PqKL6xmDVtf7HM:&tbnh=142&tbnw=56&prev=/images%3Fq%3Dmolotov.ribbentrop%26ndsp%3D20%26hl%3Den%26client%3Dsafari%26rls%3Den%26sa%3DN%26start%3D60%26um%3D1
Tiago,
1. Votações para eleição de pessoa por voto de braço no ar.
2. Visão excessivamente partidarizada do papel do deputado, obrigado a submeter-se às regras do partido e não ao compromisso com os eleitores.
Sobre o comunismo como ideologia, penso que o assunto está mais do que batido e concordará que não é um ideologia democrática.
“Sobre o comunismo como ideologia, penso que o assunto está mais do que batido e concordará que não é um ideologia democrática.” ???
Nem o Alberto João diria melhor, certo, Pedro?
E quanto às questões de vida interna do PCP, deve-lhe ter escapado que o PCP foi o único partido que sobre isso enfrentou uma queixa de ex-dirigentes seus ao Tribunal Constitucional que sobre isso se pronunciou dando razão ao PCP sobre todos os quesitos.
O Sr. Pedro Morgado,esqueceu-se de mais 2 pontos:
-1 comem “criãncinhas” ao pequeno almoço
-2 dão “picas” na orelha dos “vóvós”
Pedro Morgado, você fala do que não sabe ou faz por não saber.
1. votações para a eleição de pessoas são feitas de braço no ar (é verdade) ou por voto secreto. É a Assembleia Plenária de Militantes que no início das votações decide. No caso do congresso, por força da Lei dos partidos (feita de propósito para o PCP), que obriga “democráticamente” que todos os partidos funcionem da mesma maneira, não admitindo a diferença e especifidades de cada um,a votaçãopara a eleição de pessoas, no caso o Comité Central, é feita por voto secreto.
2. Não é por sí só o facto de um deputado do PCP ser fiel aos princípios do Partido o cumprimento do seu compromisso com os eleitores? Não votaram os eleitores nas listas do Partido? ou votaram no deputado A,B, ou C?
Que eu saiba ainda não existe (felizmente)os circulos uninominais.
Afinal de que ideologia democrática fala? da do vale-tudo, da dos interesses pessoais? da da corrupção ou da da honestidade política e respeito pelo voto dos eleitores?
Ambas as visões, de BEs ou de PCPs são prementes e defensáveis mas têm estratégias diferentes como diferentes são os objectivos.
Quem quer continuar na dança do avança recua, pedia “maiorias de esquerda” ontem, exactamente ao mesmo partido de governo, para hoje não admitir soluções efectivas de governo e criticar quem tenta alargar consensos de mudança, vota PCP, ou CDU. Quem se remete a esta posição, legítima, tem por certo tempo e condições de vida que lhe permitam aguentar quem aí virá com a mesma frescura “ideológica” (chamam-lhe), entrincheirados em “princípios inamobíveis”, pelo menos quando dão jeito, oops o que fui dizer. Por certo os defensores desta causa, instalados e nada dependentes da miséria que há e da que há-de vir, terão a simpatia dos demais que só lhes invejarão a “capacidade de sofrimento” e “paciência da espera”. Ainda assim posições louváveis e que somam a qualquer política de esquerda.
Quem, eventualmente com as mesmas bases ideológicas ou não, procure caminhos que viabilizem tão cedo quanto possível mudanças no poder em Portugal, porque para si a mudança política é uma questão vital, quem não tem tempo para discutir tachos ou ascendências no aparelho do partido, quem quer mudanças no País que não impliquem satisfações pessoais e benesses, a quem a sua vida exija mudanças políticas urgentes, vota BE.
Caro Tiago, o seu artigo é demasiado ligeiro e superficial para ser levado a sério: Vamos então a algumas questões pertinentes:
a) O PCP recentrou a sua estratégia de tomada de poder na luta de massas. É uma estratégia de tomada de poder ou de contestação ao poder instalado? É uma estratégia que visa resistir ao capitalismo dominante ou visa destruí-lo?
b) Se a segunda hipótese é verdadeira, a pergunta que se impõe é como? Através da clássica teoria marxista-leninista da revolução socialista proletária? Neste caso tudo se conjuga: O PCP é a vanguarda revolucionária do proletariado que dirigirá as massas rumo à revolução socialista. Como se a gigantesca fraude da URSS e de todos os outros países «socialistas» nunca tivesse existido.
c) Ao contrário do que diz, a eleição de Jerónimo de Sousa para secretário-geral do PCP é um passo indesmentível no reforço da concepção vanguardista e sectária que nunca conseguiu pensar para lá de uma lógica estritamente maniqueísta: nós somos a vanguarda; aqueles que nós controlamos também são bons (Verdes, ID, CGTP desde que o Carvalho da Silva não seja demasiado autónomo). Quanto aos outros…
d) Eu percebo a incomodidade do PCP face ao Bloco. Durante anos o PCP foi senhor absoluto à esquerda do PS perante uma extrema esquerda pulverizada em mil facções cada qual mais dogmática. Hoje, perante o crescimento indesmentível do Bloco, a sua capacidade de atracção do eleitorado não comprometido, a possibilidade, para o PCP sempre humilhante, de se verem eleitoralmente ultrapassados, reagem com calúnias e sobranceria. Pois é, meu caro Tiago : O João Teixeira Lopes, que foi um dos vossos, tem absoluta razão, porque «os puros nunca se misturam», excepto quando os controlam.
e) Para mim há uma questão basilar que o PCP evita cuidadosamente discutir de forma profunda e que é fundamental para analisar as questões relativas ao PCP ao BE e ao poder. Afinal a experiência da URSS foi globalmente positiva apesar dos «erros e desvios» como afirmava Álvaro Cunhal, ou, pelo contrário, não passou de uma mistificação grosseira e criminosa que atrasou a imposição da ideia de socialismo de forma quase irreparável? Ou, pondo a questão em termos mais prosaicos: afinal a China é o glorioso país socialista cujo PC tem 78 milhões de membros como era noticiado num recente Avante, ou a experiência terrível de que fala o artigo citado por Nuno Ramos de Almeida em que os sindicatos existem para proteger os investidores das revoltas dos operários?
pois , já paguei quota no be , logo no início , antes das causas fracturantes. não gosto de fracturas. até que , por gesso aqui e acolá ?… não resolve o problema geral do organismo , pois não? sempre prefiro a visão holística do pc.
de todos modos , o que eu acho mesmo , é que qualquer partido que investisse o dinheiro que gasta nas eleições em projectos de desenvolvimento do país , tipo criar umas empresas , umas ipss , ou outra cena qualquer com resultados claramente positivos , uns exemplos de como se faz bem , as eleições seguintes ? ganhava-as com uma perna às costas quase sem gastar um tostão . bom produto é sempre a melhor publicidade , é boca a boca de consumidores satisfeitos.
salivar não leva a lado nenhum de jeito , agir é que sim. mas agir e arriscar dá montes de trabalho , né? e leva tempo. salivar nem por isso. e é instantanêo.
pensar a longo prazo . criar raízes. desistirem da satisfação imediata. é assim tão difícil ? se calhar nem interessa , dado o interesse não ser o bem estar geral , mas sim o de alguns particulares que vivem de eleição em eleição. o tempo político é marcado por eleições e nada mais.
Cansei disto.
Pois é. E com o artigo do anafado sociólogo lá vou eu votar no Rui Sá. Mais um. E para as legislativas, com mais destes, vai pelo mesmo caminho.
Os puros não só não se misturam como reagem à la PS onde são poder!
É olhar para o caso de Setúbal que tem tudo menos uma gestão comunista, ou no mínimo socialista… nem os próprios militantes do PCP acreditam, vale da rosa, perseguições aos trabalhadores da câmara, tachos (3000 ao mês é fixe não? e cartãozinho do partido para os concursos também, Secil, Farmácia Sália, especulação imobiliária, Vitória de Setúbal.
No referendo da IVG não tinham um movimento só deles ??
Pois pá primeiro está o partido só depois as pessoas!
É uma chatice os votos pertencerem ás pessoas e não aos partidos, e no caso de alguns a democracia a dois tinha mais piada não era?
Post Scriptum:
Luis uma idéia boa, é sempre boa venha de onde vier, mas aceitar governar com qualquer um, deixa-me séria dúvidas.
Sem sectarismos? Só se for com o Rui Rio.
Pedro Morgado,
1. A votação de braço no ar é tão legítima como qualquer outra forma de votação. Ao que me parece ainda não foi ilegalizada.
2. Confunde uma opinião com um facto. Ainda que não concorde, sabe que é esse o entendimento que o PCP faz do lugar dos seus eleitos, certo?
“O João Teixeira Lopes, que foi um dos vossos” ???? Sim foi um dos muitos milhares de independentes das listas da CDU. Apenas isso.
“Quem quer continuar na dança do avança recua, pedia “maiorias de esquerda” ontem, exactamente ao mesmo partido de governo, para hoje não admitir soluções efectivas de governo” ???
Errado. Hoje exactamente como ontem pedimos a quem de direito, como o SG do PCP mais uma vez explicou:
“É no PCP e na CDU que reside a força da ruptura, da mudança e da construção de um Portugal com futuro, em condições de assegurar as mais elevadas responsabilidades na vida política nacional, tão mais possíveis e alcançáveis quanto mais larga for a influência social e eleitoral do PCP e da CDU.
O PCP será governo, se e quando o povo português quiser. Força política com trabalho e obra reconhecida no poder local, o PCP está em condições de assumir as mais elevadas responsabilidades no País quando a ruptura e a mudança de políticas forem impostas pela vontade popular com o reforço do PCP e com a ampliação decisiva da sua influência social, política e eleitoral.
É nesse sentido que nos dirigimos aos trabalhadores e ao povo para com o seu voto contribuírem para a alteração da correlação de forças no plano institucional favorável ao PCP que acabará por ditar uma outra política e um outro governo, patriótico e democrático, ao serviço dos trabalhadores e dos interesses nacionais.”
Pode consultar o resto aqui:
http://www.pcp.pt/index.php?option=com_content&task=view&id=34419&Itemid=195
“Quem (…) não tem tempo para discutir tachos ou ascendências no aparelho do partido (…) vota BE.”
Que teve sempre como primeiros candidatos Francisco Louçã, Fernando Rosas, Luís Fazenda e Miguel Portas. E continua a ter.
closer,
a) visa destruí-lo
b) luta de massas (leia o texto, por favor)
c) (não é uma questão. É a sua opinião)
d) (não é uma questão. É a sua opinião)
e) Uma experiência positiva e de estudo fundamental para quem se diz de esquerda, apesar dos erros e desvios que levaram à sua natural queda às mãos do capital.
Adiante.
O drama do PCP é continuar a haver quem defenda que as experiências do Leste e da China – com todo o seu cortejo de horrores e de violações de direitos humanos básicos – foram positivas.
O único lado positivo que as tiranias de leste tiveram foi forçar o capitalismo – enquanto conviveu com essas potências – a fazer de conta que tinha uma face humana e preocupações sociais.
Infelizmente, o “comunismo” fundou-se em países que nunca tiveram o mínimo respeito pela democracia (e por maioria de razão ainda menos um módico de respeito por uma democracia avançada, progressista, popular e até directa).
Mais do que a um pecado doutrinal genético, foi a essa matriz autocrática e tirânica de base – vivida desdes sempre na rússia e da china – que se deveu a falência do projecto. Liberdade, Fraternidade e Igualdade sistematicamente adiados para outras núpcias. Também não ignoro não ignoro as sabotagens nos sítios onde se tentou/tem tentado estabelecer o socialismo pela via da democracia burguesa.
O salto industrial, tantas vezes louvado, tanto podia resultar de uma acção comunista como capitalista. E entretanto, com igual número de vítimas de ambos os lados.
O PCP ganhava mais simpatizantes se dentro de portas admitisse que o projecto merece estudo pela parte da esquerda e deixasse de se preocupar tanto em justificar o injustificável pelo qual, aliás, não é minimamente responsável: No que toca à participação efectiva no andamento das coisas do mundo, o PCP sempre esteve do lado da liberdade (Não me venham com o PREC, onde campeavam barrosos e pachecos)
Continuam a ser o único partido com uma visão de sociedade alternativa clara, mas a cegueira parcelar em relação às malfeitorias cometidas noutras bandas, por partidos que se reclamam da mesma designação, torna-se antipática.
Se ao menos o PCP fosse mesmo diferente dos demais, na promoção desenfreada do carreirismo, na busca de tachos sempre que há uns pózinhos de poder, nos compadrios com construtores civis mal as eleições se aproximam, no uso de recursos estatais em proveito próprio, na perseguição feroz a quem seja sequer suspeito de se dar com gente de pouca confiança… aí eu seria capaz de me imaginar a votar na CDU.
Rainha, então vai votar em quem?
Parece-me que existe um novo movimento. “Os nulos”,que a comunicação
social, se apressou a dar-lhes tempo de antena.São sempre os mesmos,”Zinkalheiros”, Um movimento à medida dos angustiados, e gente sem ideologia.Votai,votai.Sejam nulos.
“O drama do PCP é continuar a haver quem defenda que as experiências do Leste e da China – com todo o seu cortejo de horrores e de violações de direitos humanos básicos – foram positivas.” ????
Eu fico banzado com quem acha que as primeiras tentativas da história da humanidade para a libertação da exploração milenar sejam reduzidas a um “cortejo de horrores e de violações de direitos humanos básicos”.
E mais banzado fico com quem tem a lata de decretar o banimento de quem pense o contrário. Sim, eu sou dos que acham que o que ocorreu no Leste e na China – e ainda ocorre – foi positivo. Vai-me banir definitivamente desta caixa de comentários? Faça-o, quero lá saber! Mas, depois não tenha o topete de me chamar sectário. Sectário – e pior, tacanho, parolo, palerma! – é quem pensa que todos têm de pensar do mesmo modo. Era só o que faltava. Pelo menos no meu partido todos nós temos o direito de nos exprimirmos com toda a liberdade, sem corrermos riscos de sermos rotulados seja do que for.
Rainha vai votar no Duarte Pio.
Manuel,
Se soubesse em quem vou votar andava menos ralado.
Luis
“Pelo menos no meu partido todos nós temos o direito de nos exprimirmos com toda a liberdade, sem corrermos riscos de sermos rotulados seja do que for.”
Isso só pode mesmo ser a brincar, certo? Já acabou a divisão entre os “camaradas firmes” e os que não eram “de confiança”?
Sabe o que é que fode a sua argumentação, Luís?
É que muito possivelmente vou votar no seu partido apesar de você ficar banzado com a minha lata e a liberdade de expressão de que uso quanto ao que denomina de “primeiras tentativas da história da humanidade para a libertação da exploração milenar” – quanto a isto talvez valesse a pena ler As Lutas de Classe na Idade Média, do seu camarada Álvaro Cunhal, para saber que isso deve pouco ao rigor.
Infelizmente, o sectarismo não grassa só no PCP – o seu partido terá mais fama do que os outros, mas no proveito não me parece que seja assim tanto (e o Bloco bem escusa de se rir) – ou na sua cabeça. Isso facilitava-me a tarefa e a escolha. O mesmo com a inenarrável política de negócios estrangeiros e com as escolhas para chefes de redacção do órgão de comunicação lá de casa.
Se não se importa, continuarei a ler Marx e Engels à minha maneira e a achar que o Estaline era um louco igual a tantos outros que têm andado pelos manuais de história e a suscitar igual, firme e duvidosa admiração e suporte.
E para o irritar (depois do 1º de Maio, fiquei sem grandes pachorras para o Bloco, para o Alegre nunca a tive e o Ferro pôs-se a andar) ainda voto no António Filipe.
“Isso só pode mesmo ser a brincar, certo?”
A brincar? Foi sempre assim. Nunca nos puseram rolha na boca nem nós permitíamos. E muito menos permitimos rotulagens palermas.
Por falar em sectarismo, temo-lo aqui em alto grau pela pena de Ana Gomes (uma moça que até aprecio):
Em boa parte da reclamação, a senhora tem razão
http://causa-nossa.blogspot.com/2009/08/o-descaramento.html
mas é óbvio que não quer desculpa nem recuo nenhum do PCP, apenas quer tirar dividendos políticos da carta, de contrário não fecharia a porta ao diálogo ao considerar «execráveis os desvios estalinistas da actual direcção política do PCP. »
Ao fim e ao cabo está-se marimbando para o que diz exigir.
“E para o irritar (depois do 1º de Maio, fiquei sem grandes pachorras para o Bloco, para o Alegre nunca a tive e o Ferro pôs-se a andar) ainda voto no António Filipe.”
Para me irritar? Morasse eu em Santarém e obviamente faria o mesmo. E vai ficar muito bem servido, o António Filipe é um gajo porreiro e um óptimo deputado.
Caríssimos todos,
como já por aqui escrevi e o Antónimo afirma, o PCP não tem o património exclusivo do sectarismo, nem de perto nem de longe. O artigo de Teixeira Lopes demonstra-o.
Ao contrário do que é difundido, no PCP, nunca me faltou espaço e sítio para dizer o que pensava e acreditem que muitas (tantas!) vezes a minha opinião foi minoritária.
Luis, claro que o PCP também reflecte a sociedade em que vivemos, e muitos dos seus males, mas a escala do problema que levantas é bem menor por comparação com outros partidos.
A propósito do histerismo da Gomes, alguém já deu por a criatura ter pedido desculpas ao PCP e à CGTP? Eu não dei por nada.
«Nunca nos puseram rolha na boca». Isso eu sei que é pura e simplesmente mentira.
A mim nunca ma puseram. Aos meus camaradas de célula nunca sequer ninguém tentou pôr rolhas. Em muitos plenários onde participei sempre ouvi os que quiseram falar. Admito que há muitas historietas mas eu nunca testemunhei nada disso e só posso falar pelo que vi e vejo. E francamente, se há coisa para que não tenho pachorra é para auto-vitimizações.
Também francamente, o que você afirma quanto a isso pouco me interessa, pois sei bem como as coisas aconteceram num passado bem recente; e não se trata de “historietas” mas sim de casos bem reais de perseguições, desconsiderações e filhas da putice recidivas.
“casos bem reais de perseguições, desconsiderações e filhas da putice recidivas.” Ó Luís Rainha você acredita em tudo quanto lhe contam ou apenas acredita em tudo quando lhe contam contra o PCP? È que nos divórcios geralmente há dois culpados… e muitas vezes quem quer sair provoca o conflito e culpa o outro.
Nisto acredito porque essa história me tocou de perto. Não vou explicar mais; mas garanto-lhe que não se trata de historietas nem de boatos nem de ressabiamento. E você sabe bem que é (ou foi, há bem poucos anos) verdade o que lhe digo.
“E você sabe bem que é (ou foi, há bem poucos anos) verdade o que lhe digo.” O que eu sei é que há bem poucos anos houve quem quis sair com estrondo. E precisamente para poderem sair com estrondo armaram-se em vítimas. Sei do que falo porque tenho casos de divórcios na família e acho que a única posição sensata é não tomar partido e deixá-los sair sem replicar. Foi mais ou menos assim que a direcção do PCP sempre actuou. Com sensatez.
Não houve só quem quisesse sair com o tal estrondo. Muitos seus “camaradas” foram ostracizados apenas porque “constava” que tinham opiniões e companhias suspeitas. Funcionários e simples militants com anos e anos de dedicação ao partido passaram a párias, sendo ignorados mesmo por aqueles que tinham por amigos; só que a lealdade aos Albanos desse pequeno mundo era mais forte. A “superioridade moral” já lá vai. Faça o favor de não tentar atirar-me areia para os olhos.