DAN FLAVIN – uma recomendação antes que se faça tarde


DAN FLAVIN. Untitled (To Don Judd, Colorist). 1987.

Como eu quase nunca concordo com as ideias e piadas dele (e o “arrastão” puxa sempre para o “engraçado”, desde os bonecos aos títulos), o Daniel Oliveira classificou como soporíferos aos meus textinhos. Porra, e eu que não sabia disso. Pois então, se assim é, vamos a mais um post soporífero de todo, soporífero, soporífero como nunca se leu aqui: faço uma recomendação enquanto é tempo que tem a ver com uma exposição (ora, o Sr. Daniel já dorme nesta parte do texto).

A exposição está no CCB até 30 de Agosto, apressem-se todos; além do mais é uma mostra um tanto discreta em dimensão: são três obras de Dan Flavin em duas salas. São obras deste destacadíssimo “escultor” minimalista pertencentes à Colecção Panza, de que é proprietário o conde Panza di Biumo, homem famoso das artes e controverso que se dedicou muito coerentemente ao coleccionismo da arte das neovanguardas internacionais (anos 60-70), com especial destaque e atenção para com o minimalismo e a arte conceptual. A sua colecção é gigantesca e deu para dádivas ao MoCA de Los Angeles, ao Guggenheim e ao Hisrshhorn de Washington, sem esquecer dádivas a instituições italianas. A sua relação com os minimalistas nem sempre foi pacífica, pois uma ou mais vezes o conde mandou executar obras de Judd (o teórico central do minimalismo) de que dispunha apenas desenhos, no fundo refazendo o trajecto dos mesmos se se mantivessem nas mãos do próprio artista, pois o minimalismo pressupunha a produção industrial das obras, que nunca eram esculturas nem pinturas, mas antes “objectos específicos” (conceito de Judd).


“Monument”. 1967.

Simplificando a nossa descrição, as obras de Flavin são constituídas por lâmpadas fluorescentes coloridas que de imediato estabelecem relações com a arquitectura. Logo, esquivam-se da escultura relacionando-se com a arquitectura, e esquivam-se da pintura “fugindo” flagrantemente da parede e de uma bidimensional condição parietal. Pensando no minimalismo, devemos lembrar as “esculturas” cúbicas abertas de Don Judd, serializadas e produzidas compositivamente em redes geométricas multiplicando um módulo que se pode indefinidamente repetir, devemos pensar nos mesmos processos formais aplicados aos pavimentos de Carl Andre, às lâmpadas de Flavin, às “tábuas” de McKracken encostadas às paredes ou à pintura de Robert Mangold. Judd, Andre, Flavin ou McKracken põem-nos de imediato em contacto com uma realidade: o mundo do objecto. Mas, atenção, não foram os minimalistas que integraram o objecto na arte contemporânea, foi Duchamp, sempre ele.

Thierry De Duve, um assíduo estudante da obra do autor dos readymades, sintetizou a produção e inovação duchampiana em dois tópicos: 1) a arte é um nome próprio e 2) pode-se fazer não importa o quê; ora pode-se fazer tudo, mesmo tudo, desde que se saiba nomear algo como “arte”. Então, para Duchamp, a arte é um nome, uma fórmula linguística, mas não apenas – para mim, o readymade tem três componentes: o nome, o título (que numa fórmula brilhante Duchamp disse ser a “cor invisível” da pintura) e o objecto – o objecto de que ele se apropriava para chamar de… “arte”.

Aqui, entretanto, desaparecia a intervenção da mão e a manualidade. Como no minimalismo. Mas Flavin recorre à luz e a luz tem uma história teológica, numa vertente espiritual e artística. Ora de onde lhe vem esta dimensão sagrada? Do facto de que a luz ilumina e permite visualizar as imagens, mas ela, a luz, não pode ser vista.

Em relação às imagens Platão é talvez o autor com maiores ambivalências: elogia-as, como à visão, no Timeu; faz-nos desconfiar das imagens e da visão no Teeteto e no Fedro (onde diz que a visão não nos permite alcançar a sabedoria). Mas, teologicamente, é S. Tomás de Aquino, quando cita o Salmo XXXVI – “com a tua luz [Senhor] veremos a luz” – que melhor ilustra a dimensão simbólica da luz que, curiosamente, quando aqui falei de Caravaggio disse que não era o ponto central da sua obra. Tal como o simbolismo não é a dimensão central das luzes de Flavin, como dizia nos anos 60 o seu colega Mel Bochner: porque Flavin prefere sempre a presença à transcendência. Lógico.

É Merleau-Ponty quem nos pede um “contrato ingénuo” com o mundo, que o descrevamos e não comecemos por explicá-lo. Ora, Ponty é importante para o minimalismo, tal como as luzes de Flavin são importantes para a arquitectura que as envolve. E creio mesmo que quem vê Flavin nunca mais olha para uma sala da mesma meneira: através da luz “geométrica”, Flavin mostra-nos a arquitectura como nunca a vimos. Quem quiser experimentar, passe pelo CCB.

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74 Responses to DAN FLAVIN – uma recomendação antes que se faça tarde

  1. É tão pedante (ou inseguro?) que credita que é por escrever sobre temas culturais que os seus posts são soporíferos? Nem por isso, nem por não serem “engraçados”.

  2. Nuno Cruz diz:

    Gostei da referência ao MMP: L’œil et l’esprit é, apesar de tudo, um livrinho importante e repleto de pérolas: voir c’est avoir à distance.

    Gostei de Dan Flavin, como gostei do Serr, do magnífico Merz, do Anselmo, do Anish Kapoor e, por incrível que seja, dos chatos do Buren e do Stella.

  3. Carlos Vidal diz:

    Daniel Oliveira, ena que visita tão honrosa.

    (Já ganhei o meu pobre dia.)

  4. Pedro Martins diz:

    Soporífero é de facto a palavra certa. Daniel acertou na mouche.

  5. Carlos Vidal diz:

    Caro Martins qualquer coisa,
    Estas coisas das artes minimais e vanguardas são uma grande seca.
    Bendito seja o seu crâneo.

    De resto, o Daniel Oliveira acerta sempre, sempe.
    Bendito seja o vosso crâneo, que não se ocupa de merdas destas.

  6. Justiniano diz:

    Vidal.(ou DO)
    Mas o que é que os teus soporíferos posts têm a ver com temas culturais.

  7. miguel dias diz:

    Morte ao Valium!
    Lorenin nunca mais!
    Viva o Vidal
    E as artes minimais!
    (agora a sério, há um gajo desta onda que gosto muito, o Turrel que já esteve no ccb. também gramas?).

  8. Carlos Vidal diz:

    arquitecto, prefiro o Flavin, porque, depois de Caravaggio (lê o meu post antigo onde analiso contemporâneos e biógrafos do lombardo), foi aquele que mais fez por destranscendentalizar a luz, tornando-a “pura presença fenomenológica”. E mai nada.
    (Não esquecer que o Caravaggio estava interessado na luz como reforço de marcação de volumes e não em razões teológicas; quanto a aspectos teológicos – a sério pá – a obscuridade de Caravaggio é mais importante do que a sua luz; por outro lado, o problema do Flavin passa muito pela Fenomenologia da Percepção – Maurice Merleau).

    Bons sonos e sonhos.
    (Não vou voltar a misturar o sr. D. Oliveira nestas coisas.)

  9. miguel dias diz:

    mas é isso que turrel também faz: torna a luz “pura presença” fenomenológica. muito arquitectónico: janelas, clarabóias, em que o protogonista não são estas enquanto objectos, nem o que elas enquadram ou mostram, mas a luz. enfim, o objectivo do turrel, parece-me, é precisamente o que referes, mostrar-nos luz, tal qual, destranscendencializada.

  10. Miguel Nascimento diz:

    Caro Carlos Vidal,

    Desculpe o meu atrevimento em comentar novamente neste blogue!
    Mas diga-me uma coisa, muito sinceramente: não lhe parece um tanto ou quanto patético dizer-nos para nos apressarmos a ver esta exposição de lampadas fluorescentes, propriedade do senhor importante não-sei-o-quê, quando no mesmo CCB está prestes a terminar a exposição do Alonso Martinez – que levanta sérias questões estéticas, plásticas, sociais, etc… – sem que sequer esteja presente nos vulgares roteiros culturais?

    Com todo o respeito,
    Miguel Nascimento

  11. Pois eu cá acho os posts do Vidal muito engraçados (o que quer dizer que nunca saio daqui de mãos a abanar). As duas fotografias que acompanham este post é que estão um bocado ao lado do que é escrito: pintam as salas, comem a arquitectura, numa a sala ficou salmão, noutra reduzida a cinzas ou é da minha vista?

  12. Miguel Nascimento diz:

    Cara Fátima Ribeiro,

    O quê que isso tem a ver com arte??

  13. Caro Miguel das sérias questões,
    as minhas desculpas por não lhe ter pedido licença para falar.

  14. Miguel Nascimento diz:

    Cara Fátima Ribeiro,

    Parece-me que este país é uma séria questão mesmo! Vejo como única solução – se ainda existe – criar as sérias estruturas que não existem! Se lhe parece que a ironia social tem dado frutos, então sou eu quem lhe pede desculpas por lhe responder!

  15. Ironia diz:

    Caríssimo inimigo CV,

    Espero que tenha tirado bom partido da sua liberdade precária e que brevemente regresse à cadeia académica, presenteando-nos com posts sobre Arte, que eu dos de política já me cansei (Da próxima vez que vier para os meus lados, em vez de andar, de gatas, a fazer o que não deve, nem ninguém lhe encomendou, venha inteirar-se das 1001 diferenças entre a teoria do partido que apoia e a prática quotidiana do cabeça de lista desse mesmo partido. Faça um trabalhinho de investigação séria e denuncie, denuncie…). Os do seu partido e os de outros partidos, claro!
    Aqui pelas minhas bandas, o compadrio impera, é a regra, não a excepção, todos devem favores a todos da direita à esquerda, dos mais humildes aos mais senhores doutores (eu nunca tinha visto nada assim… provas que desaparecem de processos, mesmo havendo comprovativos da sua entrega, testemunhas que mal são informados do nome de quem está por trás das fraudes ou ilícitos, pedem muita desculpa e retiram o nome, alegando que a dita pessoa é muito influente e que para além disso, em tempos idos, já beneficiarem de um grande favor do dito cujo ou da família do dito cujo). É ver para crer!
    Nas autárquicas, nem vou gastar sola de sapato para ir anular o voto. Votos em branco? Por estas bandas? Não confio!
    As teorias políticas são lindas (belos ideais!), o pior, o pior é quem se chega à frente para fingir que as aplica.

    Por mim, fale-nos de Arte! Quanto mais melhor!

    Ah! Tenho uma novidade para lhe dar: O único livro que vendeu em Agosto, (quiçá neste ano) fui eu que o comprei. 🙂
    Andava a folhear uns livros que me interessavam e vejo: “Liberdade e Livre Democracia” (em saldo) com um autocolante agressivo: Preços mínimos 10 euros.
    Hesitei uns segundos…
    Dilema:
    1- Dou direitos de autor a um ser humano tão vil? (Dou um cêntimo que seja a esse fulano???)
    2- Leio sobre temas que me interessam, escritos por um fulano que, apesar de tudo, é criativo e tem um pouco mais do que dois dedos de testa?

    Fiz a opção 2 e não me arrependi. (Sou “mainstream” – portanto – é mais do que natural que tenha gostado tanto da leitura do seu livro!) Aprendi muito, (houve coisas que me escaparam, mas pertenço a outras Belas Áreas…) concordo com muitas das críticas, discordo de algumas… Mas isso será, ou não, tema para outro comentário…
    Fiquei interessada em ler os seus outros livros, mas esses irei lê-los quando puder à Biblioteca (o dinheiro cá em casa não estica, só encolhe a cada mês que passa e, para além disso, já ficou muitíssimo bem aviado de direitos de autor no que me toca), no conforto do ar condicionado e com uma vista soberba, para dar um pouco de verde aos olhos, quando aborda ou ilustra esses excessos abjecionistas (Lamento, meu estômago não é de ferro…).

    Adorei as fotografias de Acácia Maria Thiele. Excelentes!
    Que dizer da fotografia número 9? Acho que a Acácia Maria o favoreceu… e muito… nunca, nunca o imaginei tão belo! Ou então o CV é espantosamente fotogénico!!!
    (A Acácia não ficou nauseada? Não vomitou “in loco”? Se ela se aguentou estoicamente, eu quero um autógrafo, sff.
    Garanto que é o primeiro autógrafo que eu peço em toda a minha vida).

    CV, já pensou em mandar fazer uns cartões de visita com essa fotografia? Ou uns convites para o lançamento do seu novo livro (espero que haja novo livro… aqui sem ironias da minha parte) do género : “Sra. Ministra da Cultura/ Sra Ministra da Educação/ Caro/a leitor/a: Agora que me conhece na maior das intimidades (na minha verdadeira essência) venha ver conhecer-me a cara (a minha aparência)”.

    A CDU também podia fazer um bom investimento num mega-cartaz, para a manifestação de dia 12 de Setembro, a colocar à entrada da Assembleia com a seguinte legenda/slogan:
    “PM de Portugal
    Já chega de plagiar o Vidal”.

    Se puser um processo ao PM e deputados da Nação por Plágio, repetido até à exaustão, da fotografia nº9 – e respectivo conteúdo ideológico- o CV e a Acácia Thiele ficam milionários do dia para a noite. Quiçá será esse o grande “Acontecimento”, “L’évenement” que a neovanguarda portuguesa e vidaliana tanto deseja… Quem sabe não será por aí que se pode começar a mudar o rumo de Portugal…

    ( Ai, já sei que vou levar forte e feio… Já sei o que me espera… Vá, força, Machões-Pavões, vilipendiem-me, difamem-me, outra vez… Mostrem a vossa Coragem para comigo! Em grupo, são Machões, cuja CORAGEM impressiona fundo!!!)

  16. Ironia diz:

    Excelentíssimo CV,

    Venho corrigir uma gralha imperdoável, o título do seu livro é “Democracia e Livre Iniciativa”, sub-título “Política, Arte e Estética.” Imperdoável!

    Entretanto, impressionou-me a avassaladora quantidade de erros que – o meu caro inimigo – deu na conjugação reflexiva e pronominal dos verbos, mas dou-lhe os parabéns por desde 1996 até à data já ter aprendido gramática.
    Ou todos aqueles erros eram propositados? Para dar um cheirinho de “Sublime” no terror causado pelo contraste do uso gramatical com o deleite gerado por um léxico tão rico: “reificação”, “tautologia”, “episteme”, etc…???
    Em caso de dúvidas na conjugação, não lhe aconselho a gramática de Celso Cunha e Lindley Cintra. É escusado gastar a sua memória RAM aprendendo terminologias como: pronome enclítico, mesoclítico ou proclítico”. Compre uns livrinhos mais baratos de ensino de Português para Espanhóis. Penso que o livro de exercícios nível 2 chega-lhe e sobra. A explicação é clara e os exercícios práticos muito simples. Há na FNAC, comprei, há poucos anos, para oferecer a uma grande amiga espanhola, só que a minha memória RAM não registou o título. 🙂

  17. Carlos Vidal diz:

    Caríssimo Ironia, não há erros nos meus livros.

    Erro sim, patético, foi a sua troca: “Liberdade e Livre Iniciativa” não é mesmo a mesma coisa que “Democracia e Livre Iniciativa”.
    Sinceramente.

  18. Ironia diz:

    Caríssimo Setôr,

    Terá sido um “lapsus linguae” da minha parte??? Não se indigne tanto comigo, ainda não percebeu que tenho o sangue esterotipado e isso condiciona-me?

    Que parecido que o Senhor Setôr está a ficar com o nosso amado líder: Cavaco Silva (Outro Senhor Setôr que também nunca erra. Será este o destino de Portugal??).

    (Desculpe lá, mas os seus pontapés na língua “são mais cás mães”. Já agora, quando escreveu “desboroar” ( e há mais exemplos preciosos…) o Setôr queria dizer “esboroar” ou queria enriquecer a língua portuguesa com mais um neologismo? 🙂 )

    Questiúnculas à parte, para quando um novo post sobre Arte?

  19. Carlos Vidal diz:

    Não seja imbecil, pela última vez.
    Leia o livro, os livros (os meus, porque há alguns editores que me publicaram que merecem mais atenção do que eu). Perceba o que lá está.

    Desboroar é contemplado em todos os dicionários como = a esboroar.
    Mas tenho pena que seja tonto, porque sobre arte ou sobre qq outra merda, para si é igual.
    Um tipo escreve a sério sobre arte e depois vem um tonto perguntar-me a marca da caneta. Foda-se.
    E isso não é motivador para escrever sobre arte. Que chatice.

    (Mas lá terá que ser, em breve.)

  20. Ironia diz:

    Desencalme-se!
    Quanto ao desboroar, tem razão (mas, quanta egolatria… julga-se egrégio??? Não tem espelho em casa?)
    Olhe, desboroe-se! Encovile-se, ninguém o atura assim (Favas!!!).
    Hei-de desengulhar-me desses seus insultos repetitivos. O Setôr desbucha sempre as mesmas obscenidades. Já enjoa, safa! O meu estômago é sensível ao asco.
    Que desbrio!!! Que encristamento!!!
    Vá, se tem de ser, escreva (menos sobre política e mais sobre Arte, nem tudo é igual. Veja se consegue entender). Hei-de ler os seus livros se me apetecer, mas não conte com contribuição minha para direitos de autor.
    (Benditas bibliotecas!)
    Anda encarangado mesmo depois das férias?

    Está cada vez mais quezilento e encrudelecido (Pobres alunos!!!).

    Já sei que ando a ficar imbecil, tenho aprendido muito consigo, ó mestre!

    Boa noite, já se faz tarde!

  21. Carlos Vidal diz:

    Boa noite, quem quer que sejas.

  22. Inês Pedrosa diz:

    Agora pergunto-lhe eu, senhor Setôr: quando se atreverá a falar de arte sem referencias de outros escritores? Será que não tem capacidade de análise sem se apoiar em ninguém? Como diz acima o Miguel Nascimento, porquê que não fala da arte do Alonso Martinez? Tem medo de se arriscar a dizer asneiras por não ter nenhum critico a quem plagiar??

  23. Inês Pedrosa diz:

    Ah…Setôr! Só uma pequena advertencia! Se falar do Martinez, é melhor que pondere muito bem nas palavras a utilizar! Nos anos 80 ele deu uma valente carga de porrada no então director do sector de pintura do Ar.Co, só porque este o provocou verbalmente…! Posso lhe dizer que é cinturão negro de Kung-Fu e foi atirador especial na Legião Estrangeira. Se o ofender…no minimo levará um tiro entre os olhos da sua inseparável Smith & Wesson .32 Magnum com que dorme debaixo da almofada!

    Como sei tudo isto?? Pois bem…digamos que ele me comeu a cona durante uns anos…:)! E posso lhe garantir que é tão bom a pintar como a foder!!!

  24. Ironia diz:

    Bom dia, Inimigo!

    Ó CV, não me trates por tu, pá.
    Lá por causa da fotografia número 9, não somos íntimos, pá. Qu’é que julgas?!?
    No fundo, no fundo, até começo a pensar que és: “Porreiro, pá!”
    Até tiveste a decência de me desejares Boa noite (Ficaste doente? Já viste a febre?).

    Já entendi porque que é que o Setôr não me respeita.
    Alain Badiou foi sábio no L’éthique: “Torna-te como eu e eu respeitarei a tua diferença”.
    Ora, eu não quero tornar-me como o CV (Livra!), prefiro que não me respeite nas minhas diferenças. (Agora bou Badiar que tenho muito que fazer).

    Bom dia para si!

  25. Carlos Vidal diz:

    Inês, gostava de a conhecer.

  26. Inês Pedrosa diz:

    Ahahah…calculo que sim!

  27. Ironia diz:

    Ora, CV, Grande Sovina, Forra-gaitas, Avarento,

    Passei pela Biblioteca da minha área e fui informada que o autor Carlos Vidal não ofereceu um único exemplar à Biblioteca. (Lindo!)

    Eu nem queria acreditar! Tantas preocupações com a igualdade de oportunidades no ensino, tanto parlapié sobre os mais desfavorecidos, e o caraças, mas quando toca a partilhar ou a dar um mísero livrinho a uma biblioteca que serve milhares e milhares de utentes, ” ’tá quieto, ó morto!!”…

    A funcionária informou-me que o único exemplar que a biblioteca adquiriu (a pedido de algum imbecil, como eu) foi: “A representação da Vanguarda: Contradições, Dinâmicas na Arte Contemporânea” foi requisitado em 2008, há cerca um ano, por um estudante (demente), que nunca mais lá pôs os pés. (Abotoou-se ao livro, ou então adormeceu de tédio e ainda acordou…) É considerado um livro perdido.
    Deu-me uma folha com sugestões ao Senhor Director (ignoro a cor partidária do dito, mas quer-me parecer que é Bloco Central, se for CDU ou BE, já lixei tudo…). Já preenchi, mas ainda está comigo.

    Reza assim:

    Excelentíssimo Sr. Director da Biblioteca de ____________

    Sendo Carlos Vidal um autor de referência na cultura portuguesa, defensor do capitalismo, da burguesia e da aristocracia, que tanta falta fazem para impulsionar Portugal e para que este país se desenvolva economicamente, saindo da cauda da Europa, venho lamentar que esta biblioteca ainda não tenha adquirido os livros deste autor, “ideólogo” e artista da neovanguarda nacional, ainda para mais quando vejo nas prateleiras a gritante abundância de romances de Margarida Rebelo Pinto, Miguel Sousa Tavares, Nicholas Sparks, J. K. Rowling, etc., que pouco contributo dão para o desenvolvimento intelectual dos nossos jovens.

    Deste modo venho solicitar – a bem da mocidade portuguesa – a rápida aquisição dos seguintes títulos:

    _ Democracia e Livre Iniciativa, Lisboa, Fenda, 1996.

    _ Definição da arte Política, Lisboa, Fenda, 1997.

    _José Maçãs de Carvalho: Hotline, Macau, Fundação Oriente, 1997.

    _ Imagens sem Disciplina: Meios e Arte nas Últimas Décadas, Lisboa, Vendaval, 2002.

    _ A representação da Vanguarda: Contradições, Dinâmicas na Arte Contemporânea, Oeiras, Celta Editora, 2002

    _ Sombras Irredutíveis: Amor, Arte, Ciência e Política em Badiou, Lisboa, Vendaval, 2005.

    _ Por Que Razão Repudio Slavoj Žižek, Guy Debord e Alain Badiou? Retrógrados, Ultrapassados ou Dementes? , Oeiras, Celta Editora, 2009.

    _ Imprescindibilidade da Burguesia e do Novo-riquismo na Dinamização da Economia Portuguesa, Lisboa, Vendaval, 2009. 🙂 🙂

    Agradeço a atenção dispensada, com os meus melhores cumprimentos,

    ___________________________________________

    Escapou-me algum livro, Senhor Setôr? Se algum estiver em falta, diga, só na 6ª f ou no Sábado é que lá poderei voltar. Não me custa nada acrescentar, nem que seja no verso.

    Ah, e não tem de me agradecer este gesto generoso da minha parte (seu Ganda Forreta!), não faço isto por si, faço por mim (do meu bolso não leva mais direitos de autor. Não tenho pressa na leitura, ainda tenho muito que ler… há muita vida para além da leitura…) e por todos os imbecis (que gostam de ler, como eu) aqui do Concelho, mas andam a contar os cêntimos para fazer face à vida.

    Vamos ver se o Senhor director atende o meu pedido (disseram-me que a regra é atender os pedidos, assim haja dinheiro, mas que o investimento em novos livros de autores portugueses, não em voga, anda próximo do zero. A ver vamos!).

    Outra coisa, os seus impropérios para além de andarem na boca de todo mundo e da gaijada fina da burguesia, são muito mal-aplicados e sempre os mesmos, parece um papagaio, comentário sim, comentário não, lá vem o mesmo palavrão (sem querer até rimei): Que tédio. Cansa, cansa, cansa… Já não se aguenta…

    Varie, por favor (fornizie-se!, “por exemplos”).

    Cumprimentos.

  28. Carlos Vidal diz:

    Caríssima Ironia (é senhora, não é?),
    Falta-lhe o que estou agora a acabar (e você não está a deixar-me):

    “Invisualidade da Pintura: História de uma Obsessão (de Caravaggio a Bruce Nauman”

    Bom título, não?

  29. Ironia diz:

    Acho bom título, sim, senhor Setôr, mas parece-me não o conseguirá editar até ao dia 4 ou 5 de Setembro do ano transacto, pois não?
    Quanto à sua primeira pergunta, nem lhe vou responder, consulte um dicionário e aprenda se a “ironia” é masculino ou é feminina. (Grande sonso!)
    Não se distraia comigo, escreva sobre a invisuabilidade, sem esquecer o lado lumínico.
    Estou a impedi-lo de acabar um livro? Por alma de quem?

    Até amanhã!

  30. Ironia diz:

    Eminente Senhor Setôr,

    Pela derradeira vez, passe os olhos pela conjugação reflexiva e pronominal dos verbos (não é assim tão difícil…).
    Sei que nos comentários é muito fácil darmos gralhas pela coloquialidade e rapidez com que escrevemos ou porque resolvemos “dar uma volta” a determinada frase sem relermos o que já ficou escrito antes.
    Mas em livros editados??? Se não quer aprender, pelo menos contrate um revisor de texto. É o mínimo! (Pobres estudantes e leitores sujeitos a tantos pontapés, tanta bujardice…).

    “Por exemplos”, lembrei-me da sua entrevista ao Cherokee (que era e não era Cherokee…) final da pág. 124: “…Desconheço aqui o que o levou nesta exposição, em Portugal, ao romance de José Saramago, O Ano da Morte de Ricardo Reis, mas gostaria de lhe questionar se esta exposição…”.
    Ó eminente Senhor Setôr: Este é um exemplo precioso – entre dezenas e dezenas – que encontrei no seu sublime livro, e eu, Ironia, “gostaria de lhe questionar” se o “Sinhô Dôtô” anda consumir telenovelas brasileiras, ou se isto “trata-se” da neovanguada estrutural da língua, lançada pelo artista e gramático Vidal. (Quiçá é uma apenas uma questão de abilhamento liguístico?!?).

    “Por exemplos” leio muito pouco em português, costumo ler noutras línguas, escrevo, sobretudo, noutra bela língua e “me começo a me emaranhar no português” quando “leio-o”ou “leio-lhe”. Vê? Já nem eu sei bem… é “leio-o?? lhe leio?? leio-lhe?? o leio??” (Pobres estudantes!!! Meus ricos meninos… o que têm de “aturar-lhe”. Abrenúncio!).
    “Vamos a um supônhamos”, quando o Senhor Autor CV começar a perceber melhor COMO ESCREVE e O QUE ESCREVE, pode ser que os leitores entendam bem O QUE LÁ ESTÁ ESCRITO.
    Aposto que me vai responder que escreve assim, porque a culpa é da marca da caneta. Penso que será uma “parker” igual à do Meritíssimo Senhor Engenheiro Sócrates. Este útimo alegou que a caneta “parker” é o seu objecto favorito.
    ( Releia a sua resposta, aí em cima, sff: “Um tipo escreve a sério sobre arte e depois vem um tonto perguntar-me a marca da caneta. Foda-se.” Ainda há-de dobrar a sua língua e engolir o que diz.
    Ah, não vou ser a fazê-lo engolir seja o que for, fique descansado, durma bem.
    A própria vida costuma encarregar-se dessas questões dos “boomerangs”. Por mim, assunto encerrado).

    PS: Siga o meu conselho, não seja burróide, nem forra-gaitas, invista no tal livrinho de “Portugês para Espanhóis”, as explicações são simples e os exercícios práticos (se a memória não me falha) têm soluções. Vai ver que “lhe vai ajudar-lhe” muito.

  31. Carlos Vidal diz:

    Pois eu tive uma namorada que se irritou muito com esse “lhe questionar”, uma gralha no “Democracia”. A única.

    Ora, não me digas que és tu.

    Tu voltaste, Mariana?

  32. Carlos Vidal diz:

    Caríssimo/a Ironia (ou ironia suprema)
    Apaguei, como vê, o seu último excelente e pertinentíssimo comentário.
    Coisas da democracia e da livre iniciativa.
    Só permitirei mais comentários sobre o meu ídolo Exmo. Sr. DAN FLAVIN.

  33. Ironia diz:

    Só permitirei mais comentários sobre o meu ídolo Exmo. Sr. DAN FLAVIN.”, CV.

    Censura?
    Fui muito ofensiva para consigo? Mais do que o Senhor Doutor tem sido para comigo? (Chocante!!! Não há Livro Amarelo no 5 Dias?)

    Pois, relativamente ao seu ídolo “Exmo. Sr. DAN FLAVIN”, tenho-lhe a dizer que gostei e gosto muito, embora não seja o meu ídolo. Não sou muito dada a idolatrias, MAS sinceramente GOSTO!

    Também gosto muito de poesia, importa-se?

    “UND ES SIND DIE FINSTERN ZEITEN

    Und es sind die finstern Zeiten
    In der ander Stadt
    Doch es bleit beim leichten Schreiten
    Und die Stirn ist Glatt.
    Harte Menschheit, unbeweget
    Lang erfronem Fishvolk gleich
    Doch das Herz bleibt schnell gereget
    Und das Lachen weich.”
    Bertold Brecht

    Os tempos que correm andam [de facto] muito obscuros… a humanidade endurecida e paralisada,
    igual a um povo de peixes (chernes??) há muito congelados…
    Mas…
    o sorriso continua doce.

    (Ah, não estou a traduzir (Nem me atrevo! “Tradutore traditore”, Digamos, antes, uma “espécie de tradução” livre e imbecil), nada melhor do que o original: saborear cada palavra, apreciar o ritmo, escutar a musicalidade…)
    O poema, para mim, dada a estas idiossincrasias idiotas, continua actualíssimo.
    Ilustre Autor CV, não quer aproveitar este poema para enriquecer o seu livro sobre invisualidade caravaggesca?

    Agora vou reler do mesmo autor: “SCLECHTE ZEIT FÜR LYRIK”.
    Os três primeiros versos e os cinco últimos são lindos. Novamente, muito adequados aos tempos que correm.
    Os últimos versos sobre “…o horror aos discursos do pintor…” também lhe poderão ser úteis. Quem sabe?! (Leia Brecht, nunca fatiga, nunca é de mais…)

    (Que ironia!)

  34. Ironia diz:

    Caro/a CV,

    Publicou este comentário?
    A minha alma está parva/o!!!
    (“maus tempos para a poesia” e publica???)

  35. Ironia diz:

    Caro/a Inimigo/a CV,

    Dan Flavin dá-me luz e cor, ilumina!

    Já agora, só para ver se também publica este excerto do mesmo autor… (pode ser que sim, afinal, ele era – à época – daquela CDU alemã 🙂 )

    “Sonett Nr. 1

    Und nun ist Krieg, und unserer weg wird schwerer
    Du, Die mir beigesellt (Nicht) [acrescento eu, Perdão – pelo “nicht” – amigo Brecht!], den weg zu teilen
    […]
    Dies dir an diesen Meilenstein zu sagen
    Beauftrag ich die Muse des Gedischts”.

    (Uma espécie de tradução:
    Estamos em Guerra e o nosso Caminho é cada vez mais complicado.
    Tu, que (Não) partilhas comigo os caminhos a trilhar
    […]
    Digo-te ante esta pedra milenar
    Encarregarei a Musa da Visão/Poesia.)

    PS: Peço Mil Desculpas a Brecht!

  36. Ironia diz:

    Aviso!
    Este comentário NÃO É sobre D.F.

    “Apaguei, como vê, o seu último excelente e pertinentíssimo comentário.” (Há algo de excelente ou pertinente, em mim?? Foge! ainda estou para me recompor de tamanho elogio! Ou aprendeu a recorrer à figura de estilo: Ironia???)

    Quanto à censura que me fez, estou-me borrifando… “é-me igual ao litro!” (Até consigo entender que o Senhor Doutor não tivesse gostado de tanta ironia).

    Quando leio comentários de machões quadrilheiros, alcoviteiros, que não acertam duas para a caixa (Iaaac!), também gostaria de poder apagar… (Assim se medem as relações de poder… Ai, Alain Badiou, tu acertaste em muito do que disseste!).

    Por exemplo, não gosto disto:

    http://theinspirationroom.com/daily/print/2008/1/ishr-burka.jpg

    visto em conjugação com os três direitos fundamentais (dos seres humanos, mas, aqui, no que me toca, eu diria claramente: mulher) : “ver, ouvir e CALAR” (afixado algures numa prisão chilena, mas aplica-se nalguns posts e comentários deste blog, certo?). Às vezes esqueço-me que tenho o 3º direito fundamental.
    Fundamental!

    Pode censurar-me todos os comentários que quiser. Acho que fui justa! E a intenção subjacente à “Maldita Ironia” excessiva até era a de o alertar para umas gralhas, que não lhe custam muito corrigir e, a meu ver, fazem toda a diferença no papel.

    E eu posso censurar posts e comentários??? Também quero!

    (Não faço questão de que publique este comentário. A sério. Leia e deite fora.)

  37. Ironia diz:

    Grande Sonso me saiu na rifa!
    🙂

  38. Carlos Vidal diz:

    Decepcionado estou, portanto.

  39. Ironia diz:

    Antes ficar decepcionado o senhor Doutor, do que eu, Ok?
    “Desdecepcione-se!”

  40. Mário de Sousa diz:

    Ex.mo Sr. Carlos Vidal,

    Sendo este um post de arte contemporânea, e sendo o senhor um entendido no assunto, gostaria que me ajudasse a entender algo que não consigo mesmo entender!

    A questão é a seguinte: qual o critério de eleição de vedetas no mundo da arte e porquê que para isso alguns grandes artistas têm de ser propositadamente abafados?

    Desde já, muito obrigado!

  41. Mário de Sousa diz:

    Ex.mo Sr. Carlos Vidal,

    Calculo que não tenha disponibilidade para responder à questão que lhe coloquei…! Nem sempre temos vontade de abordar questões que podem pôr em causa até mesmo a nossa aparente ética!

    Mas será que algum dos “intelectuais” que aqui tem comentado, tem tempo para me ajudar a compreender a questão em causa?

    Os meus cordiais cumprimentos,
    Mário de Sousa

  42. Carlos Vidal diz:

    Caro Mário de Sousa,
    Está a perguntar-me, veja bem, uma coisa que são muitas. Para já duas:
    1 – como se faz a história da arte
    2 – como se faz crítica de arte

    A primeira, teoricamente, lida com “vedetas”, “deuses” ou apenas “consagrados”. Tem de saber articulá-los uns com os outros, ligá-los ao seu tempo, e tem de saber desligá-los do seu tempo e porquê. Por exemplo, não creio que hoje Miguel Ângelo seja menos valorizado do que no seu tempo, e este nosso tempo não é o tempo dele (mas por alguma razão ele “sobrevive” !!)

    Mas também há a história da arte contemporânea, que tem forçosamente de se ligar à crítica da arte que hoje se faz.

    Uma primeira conclusão: para se valorizar e consagrar, um factor se impõe – temos de conhecer muito bem o que hoje se faz (viajar muito, ver muito, perceber originalidades e epigonismos, etc.) e, ao mesmo tempo, temos de conhecer muitíssimo bem o que desde sempre se fez.
    Não se pode escrever e teorizar sobre a actualidade sem se conhecer Velazquez, Caravaggio, os impressionistas, por aí adiante.

    Desse conhecimento, surgem preceitos e princípios técnicos, formais, ideológicos, conceptuais. Trabalhando com todos eles, com todos esses preceitos e princípios (o que implica conhecimento e não só “opiniões”), conhecendo muito bem TODAS AS ÉPOCAS (e daí saber escolher especializações – posso conhecer melhor o barroco, o Impressionismo, etc.), depois disso tudo analisado em conjunto e, seguidamente, em separado, arriscamos um gesto de valorização e outro de desvalorização.
    Uma ou duas gerações é por vezes necessário para estabilizar essas escolhas e esperar por reavaliações (que são constantes).
    Estar atento a tudo isso, arriscar com certezas – tem de ser assim.
    “Perder” e perceber porquê, “acertar” e perceber porquê.
    É essencial, num caso e noutro, “perceber porquê”.

    Por agora, não consigo explicar melhor.
    Acho que já deixei aqui elementos essenciais.
    Também há que praticar. Desde sempre que andamos nisto.
    E nem Kant descobriu o segredo.
    Cumps.
    CV

  43. Mário de Sousa diz:

    Ex.mo Sr. Carlos Vidal,

    Muito obrigado! Nem o Mário Soares seria tão politicamente correcto!

    Mas vou colocar-lhe a questão de outra forma:

    – Porquê que para o mercado de arte funcionar, com a cumplicidade galerista/ critico de arte, alguns grandes artistas têm de ser propositadamente abafados?

    Aceite os meus respeitosos cumprimentos,
    Mário de Sousa

  44. Mário de Sousa diz:

    Ah…desculpe só acrescentar que o Sr. Carlos Vidal não chegou a utilizar a palavra “vocação”…! Talvez os tardios conceptualismos dominantes já não usem essa expressão! Desculpe a minha ignorancia…!

  45. Mário de Sousa diz:

    Ex.mo Sr. Carlos Vidal,

    Permita-me que na qualidade de seu admirador lhe faça 4 perguntas, esperando que o senhor me responda!

    Na sua opinião, repito NA SUA OPINIÃO, no panorama artistico nacional diga-me, por favor:

    1 – O nome do artista mais caro.
    2 – O nome do artista mais original.
    3 – O nome do artista mais virtuoso.
    4 – O nome do artista mais rebelde.

    Vai vêr que teremos assunto para uma conversa bem interessante!

    Os meus mais calorosos cumprimentos,
    Mário de Sousa

  46. Mário de Sousa diz:

    E, se me permite, só mais uma pequenina questão:

    Quando se depara com o trabalho de um artista para o qual não encontra referencias de comparação – talvez por se tratar de genialidade – o que faz? Cala-se porque não tem “andamento” para aquilo e espera que alguém fale primeiro? Ou faz imediatamente um rápido juizo e cala-se na mesma?

  47. Carlos Vidal diz:

    Começando pelo fim: um artista sem referências pode efectivamente ser hiper-valorizado por isso. Mas esta é uma resposta académica. Aprendemos em arte que não existem demiurgos (em última análise, o artista sem referências seria Deus: mas a ele, como sabe, já o sistematizámos suficientemente).

    Vamos às respostas:

    – artista português mais caro: Paula Rego (ou a falecida Vieira da Silva)
    – mais originais (aqui sou muito suspeito): entre os meus amigos João Onofre, João Pedro Vale e o meu “velho” mestre Jorge Pinheiro (sobre o primeiro e terceiro publiquei livros); ainda o novíssimo Carlos Bunga.
    – mais virtuoso: Jorge Pinheiro (veja o meu livro na Caminho); contudo, o conceito de virtuoso é estranho (pode referir-se a aspectos técnicos ou conceptuais, e aí as resultantes podem ser díspares)
    – mais rebelde: Jorge Pinheiro, por colocar obsessões pessoais e formais acima das linguagens de mediuns contemporâneos;
    Bunga, por uma pulsão destrutiva, ou regenerativa das formas destruídas.
    Mas, as perguntas são incompletas, deizam de fora uma das pessoas que mais me interessam e tem carreira, ela, de algumas décadas – a Helena Almeida.

    Apurando o juízo de valor, terei de falar de um triângulo composto de:

    sensibilidade – trabalho (estudo, conhecimento que entrecruza disciplinas: filosofia, sociologia, história, história da arte, etc) – trabalho e risco.

  48. Mário de Sousa diz:

    Ex.mo Sr. Carlos Vidal,

    Muito obrigado! Nota 20!
    Mas esqueceu-se, pela segunda vez, da seguinte pergunta:

    – Porquê que para o mercado de arte funcionar, com a cumplicidade galerista/ critico de arte, alguns grandes artistas têm de ser propositadamente abafados?

    (é que esses também contam…ou não??)

    Melhores cumprimentos,
    Mário de Sousa

  49. Mário de Sousa diz:

    Ah…e você só se refere a artistas que trabalham com grandes galerias…

  50. Mário de Sousa diz:

    …e as instalações do Carlos Bunga parecem pinturas do Richard Diebenkorn mas em 3 dimensões…!Original??…hhummm…

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