Receitas, Tomás Vasques e Antígona

O meu caríssimo Tomás Vasques perde tempo a responder ao meu post. Lamento, não tenho receita nenhuma. Apenas posso dizer-lhe que desistir de encontrar alternativas ao capitalismo não é solução. Os partidos socialistas claudicaram completamente às cantigas dos monetaristas durante os anos 80. O PS português tornou-se num aparelho de arranjar empregos em grandes empresas e de divisão de benesses entre ex-ministros e ex-dirigentes. Não é possível dizer-se de esquerda e aprovar o Código do Trabalho. Para o provar, basta citar as declarações dos deputados do PS, enquanto estavam na oposição, contra esse mesmo Código do Trabalho.
A frase do Jorge Amado, que citas, vale o que vale, quem escreveu os Subterrâneos da Liberdade e o Farda Fardão Camisola de Dormir, mudou muito de posição. Mas as citações, como dizia Benjamin: “são como salteadores à beira do caminho que inrompem armados e retiram ao passeante a sua convicção”. Gostava de lhe deixar uma citação muito antiga da Antígona de Sófocles, a irmã de Antígona, Isménia, diz-lhe: “estás a correr atrás do impossível”, Antígona responde-lhe: “Pois seja. Na última fronteira do possível, tombarei”. De facto, o caminho da esquerda está por construir, pode ser mesmo impossível. A única coisa que se sabe é que o caminho do PS não resolve nada e não é de esquerda. Voltando à tragédia de Sófocles, às vezes há actos que mudam a realidade, mesmo que pareçam impossíveis.

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TERÇA | Nuno Ramos de Almeida
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