Carlos Magno

Na esplanada demoro-me num livrinho em que Lucien Febvre explora as teses de March Bloch sobre a génese da Europa. Como descrever a dívida de Febvre a Bloch sem fazer concessões à comunicação por soundbites? Bem, um soundbite que não cumpre os mínimos para boutade e que nem dá para estampar em t-shirts não é bem um soudbite: “A Europa surgiu, muito precisamente, quando caiu o Império Romano”.

Do Mediterrâneo a Carlos Magno, de Vestfália ao fuzilamento de Bloch pelos alemães, tudo isto me ocupa enquanto hesito entre o desejo de uma Europa suficientemente comprometida consigo para configurar como tal a hipótese de guerra fratricida, e suficiente memoriosa para activamente se conciliar com as diferenças que expulsou, queimou e colonizou – diferenças que paradoxalmente nunca deixou de celebrar como parte de seu património singular.

Entretanto chega o meu café, muito precisamente, quando se levantou a única rapariga gira da esplanada. (replay)

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