O simplexe mais papista do que o Papa

Enquanto que Sócrates, muito bem, despacha o não-assunto da semana com um rotundo «não posso perder tempo a comentar disparates de Verão», o neófito candidato a acólito quer levar tudo até às consequências mais delirantes. Achando agora que «o silêncio irresponsável da presidência é inaceitável» e que «num país a sério veríamos um batalhão de jornalistas acampado à porta do presidente a exigir que ele se fizesse uma declaração». É outra vez a mesma história do “todos estão com o passo trocado menos o meu menino”: ninguém percebe nada de nada a não ser o João Galamba – nem o PR, nem a Imprensa. Estaria portanto Cavaco obrigado a desmentir o indesmentível (quem pode jurar pela inexistência de escutas, sejam elas do SIS ou do Segundo Império Marciano?), como se alguma acusação dele tivesse partido. Não comentar este disparate pegado é mesmo a única coisa que se poderia esperar de um presidente do tal país civilizado; para variar, Cavaco até acertou.

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4 respostas a O simplexe mais papista do que o Papa

  1. Gonçalo diz:

    Se calhar o Ukelele tinha, sim, obrigação de não tolerar comentários deste tipo. Não parte dele, mas parte de quem dele à pala mama ou mama à pala dele. O que, no livrinho de muito boa gente, quer dizer o mesmo. Achincalha a instituição, etc. mas já nos começamos a habituar à táctica (http://aeiou.expresso.pt/cavaco-foi-quem-mais-legislou-em-epoca-de-eleicoes=f530237). Além do mais, sim, tem poder para interpelar directamente o SIS. A não ser que os sacanas dos Pê-éSses tenham refundido um microfone numa moldura dos netinhos, num canito de porcelana, ou lá o raio. Por via das dúvidas, em São Bento deviam passar a falar baixinho, com a TV em altos berros e com as torneiras abertas. Ou então com a boca meio-atafulhada de bolo rei.

  2. antónimo diz:

    Por uma vez na vida Galamba tem razão. O PR não pode caucionar uma sugestão destas, em que a fonte anónima de Belém admite que Junqueiro acertou e que isso implica a existência de um espião governamental.

    É que ou há espião (e é muito grave) ou não há (e aí é a acusação que é muito grave)

  3. Luis Rainha diz:

    E quem é que pode garantir que não há?

  4. Antónimo diz:

    Ninguém pode garantir. Mas a fonte anónima admite que colaboram com o PSD (normal, previsível mas condenável) e sugere que há escutas, pois de contrário o PS não teria descoberto essa colaboração (mas acredito bem mais na versão de que alguém do PSD – inimigos de manuela, por exemplo. Aquilo é um bando de canalhas de faca na bota) .

    E isso está bem longe de ser um assunto de Verão, ou um mero fáite daivér. Ainda mais quando António Capucho (não é cosnelheiro de Estado??) se junta ao coro reforçando as acusações vindas de Belém.

    Se a colaboração de belém com o PSD é previsível, dada a concordância de amizades, já o tornar-se objectivamente um fazedor de factos políticos é absolutamente outro campeonato de interferência.

    cavaco fala de mais quando não deve e de menos quando devia (veja-se a madeira, o conselheiro de estado loureiro ou a indigitação de vitor bento)

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