
Paul McCarthy, Bear and Rabbit on a Rock
Numa altura em que o PS espreitou para além do seu ombro e da Mota-Engil, descobriu os ricos e enche a boca com justiça social. Num tempo em que as promessas se multiplicam como pãezinhos quentes no regaço do engenheiro dominical. É preciso explicar, muito devagarinho, o que é uma opção de esquerda nestas eleições. Ao contrário do que os assessores de turno e os cristãos novos do socratismo nos querem convencer, a esquerda não se mede pelas promessas e migalhas de subsídios que dá aos humilhados e ofendidos desta sociedade, mas pelo poder que lhes devolve. Governar à esquerda não são os anúncios repetidos de mais uns poucos euros nos subsídios de inserção, nos subsídios de velhice, nos subsídios de desemprego, embora todos eles possam ser úteis. Governar à esquerda significa dar poder às pessoas, dar direitos às pessoas, dar direitos à, chamada, sociedade civil. Não governa à esquerda quem aprova um código de trabalho a favor dos patrões, quem afronta os sindicatos e quer acabar com eles, quem acaba com o ensino superior público gratuito e com o Serviço Nacional de Saúde. Uma alternativa política de poder de esquerda tem de colocar como primeira prioridade dar poder à maioria dos trabalhadores (eu sei que é uma palavra caída em desuso). Significa, não só, redistribuir de uma forma mais justa o produto social, mas, sobretudo, dar poder político e económico à maioria da população.
Em estéreo no Blogue de Esquerda (quando conseguir funcionar com aquilo)




Grande post!
“…não são os anúncios repetidos de mais uns poucos euros nos subsídios de inserção, nos subsídios de velhice, nos subsídios de desemprego…”
Os contornos assistencialista e fracturante nos costumes – este já datado -, retocam-lhe a imagem, dão-lhe ares de progressista. Que bom os pãezinhos quentes no regaço do engenheiro dominical:)! Isto e o seu mundo tecnocrático do “chip no carro”, da “pulseira electrónica” ou do “cartão único” , eis a esquerda moderna.
É verdade, grande post Nuno!
O Blogue de Esquerda vai ressuscitar?
“Governar à esquerda significa dar poder às pessoas”
Há pessoas (uma microscópica parte da ‘sociedade civil’) que já hoje têm (muito) poder – económico e social, portanto, político – a todos os níveis, passando pelas empresas e pelo poder de Estado. Governar à esquerda significa dar poder a _estas_ pessoas? Mas elas já o têm. Estas pessoas sabem – têm «consciência de classe» – que governar à esquerda significa não redistribuir o poder pela ‘maioria da população’, mas antes retirar-lhes o poder. Para estas pessoas isso é insuportável, é uma atentado à sua própria condição social. Tudo farão para conservar o seu poder, que passa, o que é extraordinário, por fazer com que aquelas pessoas que na realidade não têm qualquer poder continuem a ser a «massa» protectora e legitimadora do(s) poder(es) desta minoria.
“dar poder à maioria dos trabalhadores” significa retirá-lo à minoria que o detém. E é aqui que está a (monumental!) dificuldade de ‘governar à esquerda’. Este é precisamente um dos pontos que dificulta os entendimentos entre os diferentes partidos políticos da esquerda: esta usurpação e redistribuição do poder será (ou deverá ser) paulatina, gradual, lenta ou acelerada, incisiva e determinada? As respostas variam consoante as leituras da (e o posicionamento na) realidade por parte dos indivíduos e dos colectivos em que estão inseridos.
Como escreveu o Tiago, “Grande post!”
Olá Paz,
É o blogue da sábado em que colaboro, mas ainda não consegui postar lá nada.
Caro Nuno. Apenas algumas questões para não navegar na vazio.
Dar direitos. Que direitos?
Quando é que o ensino superior foi gratuito?
Quem quer acabar com o SNS?
Quem quer acabar com os Sindicatos?
Justiniano,
Embora eu não tenha nome de imperador romano, tenho mais de 15 anos. O ensino e a saúde são segundo o nosso quadro constitucional tendencialmente gratuitos. Posso lhe garantir que já foram muito mais. Propinas de 1000 euros ano, é que estão muito longe de o ser. É difícil explicar a um PS rendido às delícias do mercado capitalista o que são direitos. Mas vou tentar, direito ao trabalho e a não ser despedido por nada, é um direito fundamental. A situação que se vive nos lugares de trabalho é mt próxima da de antes do 25 de Abril, em relação à prepotencia das entidades patronais. Esta governo não ouve os sindicatos e tem como um dos principais objectivos enfraquecer as organizações de classe em sectores onde elas ainda existem (professores, administração pública, justiça, etc…). É um objectivo estratégico de impor “reformas” combinadas apenas com o patronato, em que são sempre os mesmos, os que trabalham, que pagam a crise.
Nuno
Bizantinisses à parte, e tendo V.cmcê o nome com que os seus paizinhos o resolveram apodar, em mono era a mesma coisa.
- Porquê então “quem acaba com o ensino superior público gratuito e com o Serviço Nacional de Saúde”
- direito ao trabalho e a não ser despedido por nada, é um direito fundamental. O direito ao trabalho (numa dupla dimensão – económica e pessoal, direito à ocupação efectiva) é um direito fundamental (como V. conhece o quadro já sabe o que lá está pintado) mas não conheço o “e a não ser despedido por nada” (é a primeira vez que leio uma coisa destas).
Pelo menos o Nuno não é marxista, porque quem fala assim tanto em direitos não há-de ser, certamente, marxista.
Justiniano,
Você percebeu o que eu escrevi no post. Esta conversa é inútil.
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Caro Nuno
O que escreveu no post é assim mais do mesmo…prosa de qualquer controleiro e porta voz do centro de trabalho mais próximo à mistura com tiradas à Sean Hanity de esquerda.
Se são postas destas que vão animar a ” verdadeira esquerda” Sócrates pode andar descansado.