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fazenda

O cartaz de Luís Fazenda é uma oportuna radiografia do momento mental do Bloco. Antes de mais, sobressai o peso da negativa como única mensagem: não há que mostrar alma, afirmar valores ou sugerir propostas. Urgente é negar algo, atribuindo sub-repticiamente a um oponente anónimo uma malfeitoria tremenda; neste caso o negócio. E repare-se como tal substantivo nem exige adjectivo para corporizar o abismo do mal. O negócio por si só irrompe como coisa maligna e a evitar – algo tão pernicioso que conseguiria até conspurcar uma cidade suja como Lisboa. Não interessa que sem negócios não houvesse cidades nem capitais, não importa que António Costa não tenha aparecido embrenhado em negociatas esconsas. Não, a mensagem deste Bloco é una e simples: “negociar é igual a traficar e estamos cá para impedir que tais pecados ocorram nas nossas 7 colinas”.
Sei bem que um cartaz é dizer tudo em décimos de segundos. Mas a brevidade, ao desistir do ornamento, por vezes desvela a alma de quem fala. E neste caso o retrato não fica bonito. Até dá saudades do “Zé” agora de triste memória; esse, ao “fazer falta”, sempre carregava os genes de alguma promessa, de um devir diferente ao virar da esquina. Fazia mais do que ser porta-voz da bruta denegação. Este é o caminho de Manuela Ferreira Leite, a seca pitonisa do “não”.

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