Se fossem coçar os tomates

O acto de constituir arguido Rodrigo Moita de Deus por causa da acção das bandeiras é das coisas mais cretinas que aconteceram nestes últimos tempos. Não sou jurista, posso estar enganado, mas não creio que a brincadeira do 31 da Armada seja um crime público. Quem fez a queixa mostrou não ter muito que fazer e, sobretudo, uma completa ausência de senso político. Se eu fosse monarquico, aproveitava-me bem disso: passava a mudar as bandeiras por todo o país e esperava que fossem acusar umas dezenas de pessoas disso. Era a forma expedita de tornar existente, uma questão inexistente, com um pretendente impossível. Não podem tornar o António Costa, ou o substituto do turno, Conde Barão, como prémio?

Sobre Nuno Ramos de Almeida

TERÇA | Nuno Ramos de Almeida
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22 respostas a Se fossem coçar os tomates

  1. Anónimo diz:

    Caro Nuno Ramos de Almeida

    Costumo concordar consigo, mas desta vez julgo que não tem razão.
    Estes “meninos betos” do 31 da Armada que roubaram a bandeira não devem estar sujeitos às mesmas leis que o cidadão comum?
    Se qualquer outra pessoa roubar um bem público ou entrar em propriedade alheia deve ser julgado, mas estes moços não? Porque carga d’água?
    Se fosse o José Pinto Coelho a colocar uma bandeira nazi também achava bem?

    Desculpe lá, mas os “betinhos” do 31 da Armada lá porque assinam com três nomes não estão acima da lei… devem como qualquer pessoa ser interrogados e levados a julgamento se cometerem um crime público!

  2. Diz que é (crime) .E o que os meninos estão à espera é precisamente disso. Mas mesmo assim (sem senso político), eu por castigava-os a todos. No mínimo um ano de serviço cívico, a limpar as botas de todos os GNR deste país (brigada de trânsito incluída) assim como a polir as estátuas de todos os presidentes da 1ª república, conspurcadas com cócó de pomba. E se espingardarem muito, levam com as da 2ª e as da 3ª, se as houver (há?).

  3. Carlos Fernandes diz:

    Não sou nem deixo de ser monárquico (ter um Presidente, ou um Rei, é capaz talvez de ser mais barato um Rei…) agora como democrata não compreendo porque – antidemocraticamente -não se deixa fazer um referendo sobre esta questão.

  4. antónimo diz:

    Eu vinco que Moita de Deus pode assinar com três nomes, mas em termos de cagança e pergaminhos genealógicos são apelidos fraquinhos.

    Mais valia que usasse Botelho Moniz ou assim que sempre reforçava um lado mais malhado em vez do miguelista.

    Já os meus apelidos são bons mas, como estou acima destas coisas, profissionalmente assino só com os nomes próprios. Tipo assim o Duarte Pio – mas sem o Dom.

  5. E se alguém for colocar uma bandeira da Carbonária a casa do Duarte de Bragança, ou na sede da Causa Real? Também não é crime? Ou só não é se o autor tiver blogue?

  6. Grande ideia que o Nuno nos dá! Fica desde já convidado para o jantar de desagravo: http://corta-fitas.blogs.sapo.pt/3135391.html

  7. Acho muito bem que coloquem bandeiras da carbonária onde lhes apetecer, acharia muito mal que alguém fosse condenado por isso. Mas comigo é relativamente fácil, eu sou favorável às manifestações, desobediências civis, greves e até ao direito constitucional de revolta. Se o tipo que luta pelas suas ideias é blogger ou pedinte, tanto me faz.

  8. Antónimo diz:

    Pronto.

    Eu acho que isto é crime, mas eles não deviam ir presos.

    Ou talvez não devesse ser crime, e eles iam presos, ainda não sei muito bem mas parece-me que em abstracto nada justifica que ex-assessores da Celeste Beleza e da Leonor Cardona andem cá fora.

    Julgo que isto não provoca qualquer repulsa.

  9. ezequiel diz:

    nuno

    eu n sei se os tomates querem ser coçados por estes gajos

  10. ezequiel diz:

    nuno

    de blogger a pedinte

    não há grande distância

  11. Antónimo diz:

    Em alternativa, talvez fosse útil reponderar as penas:

    Entrar nos paços e assim sem se ser convidado (veja-se a Cláudia Jacques numa festa da Fátima Lopes que também foi barrada e logo duas vezes e tal como o Moita de Deus com o cabelo também ela usa postiços) é crime e dá prisão. Será que deve continuar a dar?

    Quanto ao desrespeito à República tenho menos dúvidas. Julgo que não deve ser crime – a gaja não se dá ao respeito e anda em topless pelos balcões, pelo menos a francesa anda e parece que com as maminhas da Laetitia Casta.

  12. Antónimo diz:

    Temos também o exemplo dado aos pequeninos:

    Qualquer cidadão da Quinta do Mocho, da da Marinha, das Marianas; de outros locais problemáticos dos concelhos de Loures, Amadora e Cascais; ou de outros sítios com altos índices de incidência criminal pode ficar com ideias.

    Já viram se desatam para aí a invadir e ocupar a propriedade pública privada de segurança e a roubar sem irem presos?

    Conhece-se bem o apetite do lúmpen pela posse de certo tipo de actos de exibicionismo e pela posse dos bens dos outros, privados dos seus legítimos proprietários contribuintes.

    Eu não facilitava.

  13. Antónimo diz:

    Depois temos a questão da ridicularização da autoridade.

    (1) A autoridade estava perto e não fez nada
    (2) Os meliantes recalcitraram e ainda disseram estar dispostos a trocar o que tinham furtado (ou roubado) pelo que tinham deixado numa tentativa de achincalhar o estado de direito
    (3) As autoridades até esta altura ainda não tinham ido procurar a bandeira pelo que ficam auto-achincalhadas por omissão
    (4) O Manuel Salgado falou de insegurança nocturna – novo auto-achincalhamento desta vez da autoridade camarária
    (5) Por força da lei, as autoridades são forçadas a constituir estes indivíduos como arguidos – possivelmente mais pela invasão e roubo do que por terem tirado desforço da República

    Ora, os moços andam sempre aí na órbita da defesa do estado de direito e da preservação das instituições, como se pode ler nos cartazes do CDS – a sério, alguém que diga ao dr. nuno de magalhães para cortar o cabelo que aquilo tudo parece muito pouco asseado. Podia ir ao salão de barbearia com o dr. nuno (teixeira de) melo, outro de boas famílias minhotas.

    Não me repugna que as pessoas sejam julgadas segundo as convições próprias pelo que o achincalhamento do Estado de Direito conduzido pelos moços devia ser justamente castigado.

    Talvez com uma dessas penalizações decididas administrativamente pela direcção-geral dos serviços prisionais – o que aliás nem condói o chefe da República, ou lá o que é.

  14. “O acto de constituir arguido Rodrigo Moita de Deus por causa da acção das bandeiras é das coisas mais cretinas que aconteceram nestes últimos tempos. Não sou jurista, posso estar enganado, mas não creio que a brincadeira do 31 da Armada seja um crime público.”

    Penso que está enganado Nuno, os factos parecem sempre configurar pelo menos um crime público. Por outro lado, parece mesmo ter havido queixa. Em ambos os casos, a abertura de inquérito, a audição dos supostos responsáveis e a consequente constituição como arguido(s) são “automáticas”. Até aqui nada de anormal nem especialmente oneroso para os “armados”.
    Só depois disto as autoridades podem tomar qualquer decisão substancial sobre o desenlace do caso, até aqui parece ter sido tudo “ex lege”.

  15. Pensando melhor, os factos podem também não constituir qualquer crime público. Mas se houve queixa (e se desapareceu um bem da Câmara, acho perfeitamente normal que seja apresentada queixa), a coisa tinha mesmo de seguir assim até agora. Os passos seguintes, esses sim, revelarão o “fair play” das autoridades.

  16. Sinónimo diz:

    Não me parece que haja grande diferença entre colocar lá uma bandeira da monarquia ou uma bandeira nazi, dado que são ambos regimes despóticos…

    …mas colocar lá a segunda bandeira já não tem tanta graça, pois não, Nuno Ramos de Almeida?

    (e se o cabeça rapada que lá colocar a bandeira também tiver um blog de sucesso, por exemplo, sobre experiências eugénicas… também colheria a sua simpatia pelo seu acto de desobediência civil e direito constitucional de revolta? ou a democracia deve ter dois pesos e medidas conforme o regime déspota sobre o qual hasteamos a bandeira?)

    A monarquia não foi uma brincadeira. Foi um sistema tirânico abolido à 99 anos por pessoas que deram a sua vida para que não voltassem a ser hasteadas bandeiras que legitimassem déspotas esclarecidos nascidos em berços de ouro, escolhidos pelo repugnante métoda da descendência directa!

    Reflicta sobre isto, e pense lá bem se agora acha tanta graça… 🙁

  17. Anónimo das 13.31,
    Finalmente alguém que percebe a razão pq eu facilito.

  18. Pedro diz:

    Nuno Ramos de Almeida,
    Parece-me claro que se está a tornar politicamente incorrecto dizer, a propósito deste caso, que a lei se deve aplicar cegamente e invocar aquela do ou há moralidade ou comem todos. Veja-se que a única coisa que se fez até agora foi uma queixa e um interrogatório da PJ. Se os tipos chgarem a sentar-se no banco dos réus, vai haver outra vez barricadas na Rotunda, desta vez ocupadas dos dois lados, o que vai ser engraçado.
    Mas, ainda assim, arrisco: Para o presidente da câmara de Lisboa, pelos vistos, é indiferente (deve ser) que o autor da brincadeira seja o Moita de Deus ou o zé tolas da Madragoa; que tenha um blogue, ou comunique por sms; ou que a coisa colocada no mastro fosse um pano azul e branco ou uma daquelas bandeirinhas de plástico dos gelados Olá. O presidente não é um bacano, pronto, não tem sentido de humor, e nem sequer tem o sentido das conveniências politicas (gostei particularmente desta). É um cinzentão.
    Mas olhe lá, não será um bocadito de mais ser rebelde, um ganda maluco, revolucionário, vá, e depois pedir compreensão às autoridades e censurar-lhes a falta de sentido de humor? Há aqui qualquer coisa que não encaixa. Já não se fazem revolucionários como antigamente. Qualquer dia está-se a pedir certificados de desobediência civil ao governo civil ;).

  19. António Figueira diz:

    Ao Sinónimo das 15h35,
    V. tem bem noção do que diz?
    Eu não sou monárquico, mas a história da tirania, do despotismo, da equiparação com o nacional-socialismo são absolutamente demenciais; evidentemente, a monárquica Inglaterra era um regime incomparavelmente mais liberal e democrático do que a república salazarista, e até na monarquia constitucional portuguesa as liberdades públicas estavam mais salvaguardadas do que na I República. Haja bom senso!
    AF

  20. Antónimo diz:

    Olha, o meu primo Sinó tb cá anda.

    Eu convencido que só os Moitas campeavam por estas bandas mas vejo que nós, os Nimos, também botamos discurso e influenciamos o debate.

    p.s. NRA, e Às 13h31 era eu o Antó Nimo e não o Anó Nimo, outro primo da gente

  21. Pedro,
    Interessante o seu comentário. Os monárquicos divertidos são recentes nestas andanças, mas as acções de desobediência civil são feitas para que as autoridades manifestem a sua falta de humor, de modo a que a opinião pública perceba que há uma repressão pouco tolerável a uma acção. Se quizer, uma acção só resulta se for divulgada e muito reprimida. O que eu digo no post é que os imbecis da CML fizeram-lhes a vontade.

  22. Exactamente, caro homónimo Ramos de Almeida. Estão a fazer o trabalhinho da necessária publicidade e o que “eles” não entendem, é o facto do preconceito dos “bigodes retorcidos, fados e touradas” ser precisamente aquilo que eles são. Gostava de ver o Costa, o salgado ou o Rosas a tentarem trepar escadote acima. A lei da gravidade e a protuberância adquirida no Bica do sapato, provocariam lamentável e estrepitosa queda. talvez parecida e com as mesmas sequelas daquela outra protagonizada por um também outro Costa, quando se auto-defenestrou de um eléctrico.

    Quanto à “ominosa e opressora” monarquia, basta ler os jornais da época, para depararmos com a crua e nua verdade: se existia censura, era a posteriori, com uma pequena multa e certa absolvição do delito. Ora, o que se passou na 1ª e 2ª república, foi exactamente o oposto, com tudo aquilo que se sabe. Quanto à 3ª república, já nem sequer estou muito certo da inexistência de censura que para já, é certo que se faz por omissão. pelo andar da carruagem, não tarda muito a ser re-instaurada, mas adocicada com um nome mais aggiornado às conveniências Cavaco-Socráticas.

    Uma pena, a permanente estadia dos dois GNR nos degraus de S. Bento. Lá é que era…

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