diversidades políticas

O Carlos parece não ter gostado do texto do João Teixeira Lopes. Eu por outro lado gosto, acima de tudo porque me coloca a questão numa ferida que me parece importante na política contemporânea: o caracter diverso e multidimensional das formas de opressão que vão além do capitalismo (em sentido restrito) e passam pelo patriarcado, pelo racismo e pelo colonialismo.
Por isso subcrevo claro esta parágrafo:
1.O PCP mantém intacta a visão estalinista sobre o indivíduo e os Direitos, Liberdades e Garantias fundamentais. Por isso, a questão das subjectividades e da política da diferença e do vivido devem subjugar-se aos princípios tidos como universais e colocados no topo da hierarquia. Desta forma, as opressões de género, de base étnica e cultural e de orientação sexual são negligenciadas face à opressão no trabalho, resultando esta, por sua vez, de acordo com a vulgata marxista, da questão da propriedade dos meios de produção. A legalização do aborto é uma causa do PCP porque incide sobre as mulheres trabalhadoras. Mas a paridade já não o é e os direitos LGBT muito menos. Por outro lado, a eliminação física de adversários e o seu silenciamento serão sempre justificáveis face a fins supremos (visão teleológica da História). Os massacres da nomenclatura chinesa sobre as minorias muçulmanas ou sobre dissidentes políticos encontram razão na necessidade de preservar um Partido Comunista ao comando do Estado, mesmo que a economia se reja já pelas leis selvagens de um capitalismo desenfreado. O mesmo se passa face ao tresloucado regime da Coreia Norte que Cunhal condenou como sendo um regime de sucessão dinástica mas que a «geração Jerónimo» recuperou como genuína experiência socialista. O Bloco, pelo contrário, percebe que o poder é multidimensional e proclama a sua presença em todas as lutas contra as multiformes garras da dominação.

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29 respostas a diversidades políticas

  1. Luis diz:

    “O Bloco, pelo contrário, percebe que o poder é multidimensional e proclama a sua presença em todas as lutas contra as multiformes garras da dominação.” ???

    Em todas? Em muito poucas e principalmente em nenhuma que belisque sequer o sacrossanto direito israelita de agredir os palestinianos, por exemplo. E nunca por nunca ser em denunciar e responsabilizar o agressor, quando este é o Estado de Israel. Pelo contrário, apadrinha resoluções que insistem no branqueamento da agressão israelita à Faixa de Gaza, escondendo-a no que designa por “conflito”. Clara que uma agressão que se insere na estratégia de esmagamento da legítima resistência do povo palestiniano à ocupação e de inviabilização das condições necessárias para a criação de um Estado palestiniano, pode sempre contar com o voto do BE. Que tal como a UE, sempre tão expedita a invocar os direitos humanos, logo os “esquece” relativamente a Israel, que coloniza há mais de 40 anos os territórios palestinianos da Cisjordânia, Faixa de Gaza e Jerusalém Leste.

  2. Paulo,
    É interessante que o PCP a quem tu apontas todos estes defeitos, votou favoravelmente aos casamentos gays, e o bom do PS que o Teixeira Lopes tanto gosta, votou contra.

  3. Pascoal diz:

    Oh Luis.
    Onde foste buscar isso?

  4. Paulo Jorge Vieira diz:

    meu caro nuno
    a agenda liberal do casamento parece pouco…
    e a discursividade em torno do PCP sobre a paridade e sobre as questões dos direitos individuais de LGBT (sangue) são o exemplo paradigmático do que fala o João Teixeira Lopes

  5. Luis diz:

    “Onde foste buscar isso?”

    Ó Pascoal não se lembra dessas denúncias da Ilda na última campanha eleitoral e do Miguel Portas a fingir que não era nada com ele?

    Mas era. Pode conferi-las aqui nas denúncias do Pedro Guerreiro no PE e também na sua declaração de voto:

    http://www.pcp.pt/index.php?option=com_content&task=view&id=33470&Itemid=587

  6. Sérgio Pinto diz:

    Nuno,

    Por acaso também gostei bastante do texto do Teixeira Lopes. Não só isso, como acho curioso que até agora ainda estou para ver alguém contra-argumentar seja o que for. Enfim, é muito mais fácil ir atirando os comentários do costume ao BE, mas o JTL também fala disso no artigo.
    E será que me podes explicar qual é esse PS de que o JTL gosta?

  7. jf diz:

    Sérgio Pinto,

    a contra argumentação está toda nos estatudos do PCP

  8. Sérgio Pinto diz:

    Jf,

    E vocês são capazes de exprimir a vossa opinião acerca do assunto ou a impessoalidade vai ao ponto de remeterem sempre qualquer discussão para um documento qualquer que supostamente prova tudo e mais alguma coisa?
    Já agora, sobre a eleição da Coreia do Norte, China, Cuba, Vietname e Laos como exemplos, continua a não haver uma palavrinha?

  9. Luis diz:

    “a contra argumentação está toda nos estatutos do PCP”

    Está nos Estatutos:
    http://www.pcp.pt/index.php?option=com_content&task=view&id=12&Itemid=38

    No Programa:
    http://www.pcp.pt/index.php?option=com_content&task=view&id=13&Itemid=39

    Na Resolução Política do XVIII Congresso do PCP
    http://www.pcp.pt/index.php?option=com_content&task=view&id=32864&Itemid=763

    E no comportamento diário, habitual dos seus militantes, dirigentes e eleitos. E o grave é que o Lopes sabe isso.

  10. Leo diz:

    Pela enésima vez aí vai o que foi aprovado no ultimo Congresso, Sérgio Pinto:

    “Importante realidade do quadro internacional, nomeadamente pelo seu papel de resistência à «nova ordem» imperialista, são os países que definem como orientação e objectivo a construção duma sociedade socialista – Cuba, China, Vietname, Laos e R.D.P. da Coreia. Com percursos diversos, experiências históricas próprias, evoluções distintas, problemas e contradições inerentes ao processo de transformação social num quadro de relações capitalistas dominantes, estes países estão sujeitos pelo imperialismo a uma intensa campanha de pressões económicas, ameaças militares e operações de desestabilização e intoxicação mediática que encerram graves perigos para a segurança internacional e que, a vingarem, significariam um grave retrocesso na luta libertadora. Independentemente das avaliações diferenciadas em relação ao caminho e às características destes processos – a exigir uma permanente e cuidada observação e análise – e das inquietações e discordâncias, por vezes de princípio, que suscitam à luz das concepções programáticas próprias do Partido, o PCP considera que não há vias únicas de transformação social e reafirma o inalienável direito destes países e dos seus povos, como de todos os povos do mundo, a decidir livremente sobre o seu próprio caminho. É esse o interesse da causa do progresso social e da paz em todo o mundo.”
    http://www.pcp.pt/index.php?option=com_content&task=view&id=32864&Itemid=763

  11. jf diz:

    Sergio Pinto,

    não sei se já pensou nisso, mas os estatutos de uma organização (neste caso de um partido) não são propriamente um documento qualquer. quanto a eleições, o PCP é o partido português que há mais tempo defende eleições livres e justas.

  12. joana de freitas diz:

    A meu ver, o texto do João Teixeira Lopes já recebeu o justo correctivo em «post» do Vítor Dias a ler aqui em http://tempodascerejas.blogspot.com/2009/08/desfacatez-no-seu-esplendor.html .

    Só mais uma coisa sobre um assunto tão velho como a Sé de Braga: fica Sérgio Pinto, sob a ameaça de ,se o não fizer, ficar aqui como impenitente mentiroso onde é que está qualquer texto (em citação integral, não é com salteados e rasuras) do PCP que elega «a Coreia do Norte, China, Cuba, Vietname e Laos como exemplos».

    Eu, que sou de outro tempo, se recebesse um desafio destes e não provasse o que tinha afirmado, nunca mais escreveria em nenhuma caixa de comentários.

  13. Luis Baptista diz:

    PCP á 88 anos como a verdadeira espinha nas costas da verdadeira direita e da falsa esquerda…

    Primeiro a burguesia republicana, depois o salazarismo, seguiram-se os comentadores dos meios de comunicação social dominante e agora a “dita esquerda” plural todos anunciam á anos e anos a queda do PCP… Será que conseguiram ? Certo certo é o aumento significativo que o PCP e a CDU têm registado desde 2005 e que tudo aponta para que se volte a registar em Setembro e Outubro… O PCP CONTINUA!

  14. Sérgio Pinto diz:

    Comportamento habitual dos dirigentes? Está a referir-se ao saneamento de dissidentes, à incapacidade de digerir o fiasco da URSS e de denunciar o seu governo como criminoso, às dúvidas quanto à democraticidade da Coreia do Norte, ao facto de instrumentalizarem os sindicatos para os pôr ao serviço do partido e não dos trabalhadores?

  15. Sérgio Pinto diz:

    Leo,

    Ainda bem que sabe que os países que indiquei são vistos como modelos. Triste é que isso não lhe suscite a mais leve indignação.

  16. Sérgio Pinto diz:

    Jf,

    Sim, claro. Continuo a notar a incapacidade de se expressar sobre temas incómodos. Os ‘estatutos’ não indicam a resposta ‘certa’, é?

  17. Sérgio Pinto diz:

    Joana de Freitas,

    Veja lá se não se leva demasiado a sério para não se afogar no próprio ridículo e na arrogância imbecil, quando acha que tem autoridade para “desafiar” seja quem for. Veja lá se entende, o país não é o PCP e a caríssima não pode sanear nem mandar para o gulag (ah, que saudades da URSS…) as pessoas que lhe desagradam.
    De qualquer forma, não precisa de ir longe: o Leo já aí colocou a transcrição desse adorável parágrafo, bem como o respectivo link. Delicie-se!

  18. Sérgio Pinto diz:

    Entretanto, o Nuno Ramos de Almeida escreveu um texto a sério, com pés e cabeça, sobre todo o assunto. Sobre esse vai valer a pena pensar e tentar responder. Em todo o caso, o meu obrigado ao Nuno por finalmente haver um texto que de facto argumente alguma coisa.

  19. Francisco Pacheco diz:

    Ó senhor Sérgio Pinto : então pedem-lhe um texto do PCP que confirme que o PCP considera certos países como «um exemplo» e V. Exª limita-se a dizer que já está publicado atrás o «adorável parágrafo»? Então não reparou que o PCP sobre aqueles processos até fala de« inquietações e discordâncias, por vezes de princípio, que suscitam à luz das concepções programáticas próprias do Partido» ? Então esqueceu-se de reconhecer perante os seus leitores que nem à martelada o parágrafo autoriza a sua tese dos «exemplos» ? Caíam-lhe os parentes na lama se reconhecesse que andou a aldrabar o pessoal ?

  20. Luis diz:

    “Entretanto, o Nuno Ramos de Almeida escreveu um texto a sério, com pés e cabeça, sobre todo o assunto”. Ah, bem. Mais um que chagou à conclusão que o texto do Lopes não é sério, não tem pés nem cabeça, enfim que é uma tontaria.

  21. Sérgio Pinto diz:

    Francisco Pacheco,

    O único aldrabão (ou analfabeto funcional, não tenho a certeza) é você. Não percebe esta frase: Importante realidade do quadro internacional, nomeadamente pelo seu papel de resistência à «nova ordem» imperialista, são os países que definem como orientação e objectivo a construção duma sociedade socialista – Cuba, China, Vietname, Laos e R.D.P. da Coreia. ? Não é a construção de uma “sociedade socialista” o objectivo do PCP? Não é, portanto, evidente, que o PCP elege esses países como exemplo?
    Não perceberá você que essas ‘inquietações’ não são suficientes para que esses países deixem de ser apontados como exemplo de “papel de resistência” aos “imperialistas”? Não será capaz de ver que esses países são referidos como importantes numa “luta libertadora”?

    Vergonha tenho eu que haja gente que se diga de esquerda e apoie países que são a antítese de tudo o que a esquerda deve representar.

    Luís,

    Percebeu mal (ou eu expliquei-me mal). O texto do JTL é sério e bastante bom. Infelizmente, foi preciso esperar bastante até alguém que com ele não concorda (o NRA) a apresentar argumentos em vez de divagações e insultos.

  22. Luis diz:

    “Não é, portanto, evidente, que o PCP elege esses países como exemplo?”

    Não. O que é evidente é que que o PCP diz que Cuba, China, Vietname, Laos e R.D.P. da Coreia são países que definem como orientação e objectivo a construção duma sociedade socialista. Ou dito de outro modo, dizemos que Cuba, China, Vietname, Laos e R.D.P. da Coreia auto-definem-se como tendo por objectivo e orientação a construção duma sociedade socialista.

    E no mesmo documento dizemos objectivamente, com todas as letras:

    “Apesar da crescente compreensão da necessidade dos partidos comunistas e da sua estreita cooperação, o movimento comunista vive ainda uma fase de grande instabilidade e continua a ser difícil definir, com rigor, as suas componentes e fronteiras. A diversidade de situações e tarefas imediatas, experiências, culturas, de avaliação da História, sempre foram características do movimento comunista, e a existência hoje de profundas diferenças exige que a cooperação, visando a unidade na acção, assente nos princípios de igualdade de direitos, soberania e não ingerência nos assuntos internos, rejeitando tanto nacionalismos e particularismos redutores, como «modelos» e concepções uniformizadores sem correspondência com a realidade.”

    Repito, rejeitando tanto nacionalismos e particularismos redutores, como «modelos» e concepções uniformizadores sem correspondência com a realidade.

    Quanto ao texto do Lopes parece que nem o esquerda.net o levou lá muito a sério porque já o retirou da circulação.

  23. Sérgio Pinto diz:

    Pode tentar torcer isso à vontade. O facto é que esses países são nomeados e a eles vêm associadas características que o PCP costuma definir como positivas e reivindicar para a sua própria conduta: resistência ao imperialismo, construção de uma sociedade socialista e luta pela liberdade. De onde a indução de que o PCP os elege como exemplos é perfeitamente razoável. Vergonhoso é que exista quem apoie e branqueie tais regimes.

  24. Luis diz:

    “a indução de que o PCP os elege como exemplos é perfeitamente razoável”. Não, nada tem de razoável. É apenas uma sua teimosia sem qualquer fundamento.

  25. Major Tom diz:

    Paulo Jorge Vieira,

    O que é que um homossexual faz num blogue de comunistas?

  26. Nuno Ramos de Almeida diz:

    Caro Major,
    Estranha discriminação. Um homossexual não pode estar num blogue com comunistas ou os comunistas não podem estar num blogue com homossexuais? Isso quer dizer, calculo eu, que os homossexuais estão proibidos de ser comunistas. Deve ser uma nova ordem da facção LGBT aggiornata ao PS. Está-se sempre a aprender.

  27. Major Tom diz:

    Nuno,

    A questão era e é endereçada ao Paulo Jorge Vieira. Fica-te mal fazeres a festa, atirares os foguetes e apanhares as canas.

  28. Nuno Ramos de Almeida diz:

    Major,
    A questão não estava no email do Paulo Vieira, mas numa caixa de comentários pública. Pareceu-me, e parece-me, discriminatória e discutível. Fiquei agora a saber que um comunista não pode sequer comentar uma troca de impressões com homossexuais. Está-se sempre a aprender.

  29. Major Tom diz:

    Nuno,

    A questão estava endereçada ao Paulo Jorge Vieira num espaço público porque gostaria que a resposta dele fosse também pública. Contigo nada tenho a comentar.

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