Morte às aspirações monárquicas, viva o 31 da ARMADA!

Em relação às aspirações monárquicas e à monarquia (apesar de simpatizar, até artisticamente, com alguns, muitos, monárquicos), devo sempre responder com Saint-Just, de um relatório proferido no dia 26 do Germinal do ano II. Do jovem Saint-Just, sempre eterno:

Têm séculos de loucura e nós temos cinco anos de resistência à opressão e de uma adversidade que produz os grandes homens; e eles queriam corromper-nos! Somos maiores que eles: que é um rei comparado com um francês? Gostaria de saber quem eram, no tempo de Pompeia, os pais daqueles de quem descendem os reis nossos contemporâneos? Quais eram, para os seus descendentes, as suas pretensões ao governo da Grã-Bretanha, da Holanda, da Espanha e do Império? E como o pensamento rápido e a razão encontram pouco espaço entre as idades, todos esses tiranos são ainda para nós netos de lavradores, de marinheiros ou de soldados, que valiam mais do que eles.

Como sou visceralmente anti-monárquico, digo que nunca li nada tão apropriado e certeiro contra a monarquia como instituição, forma de Estado ou de governo, etc. E de Saint-Just me confesso admirador por ser um dos maiores escritores e pensadores da França.

Mas, ao ler isto no simplório SIMplex sobre a troca de bandeiras na Câmara de Lisboa: «Caso não haja uma resposta enérgica e firme por parte das autoridades, nunca a expressão “República (ou Câmara) das Bananas” foi mais apropriada.» E ainda isto: “Com o crime de furto rebaixado à categoria de anedota nacional, vivemos hoje num país mais perigoso. Pela parte que me toca, obrigadinho criminosos.” E, paroxismo: “Nunca tão poucos deram uma machadada tão grande na autoridade do Estado.” Ao ler isto, parece-me que o tipo simplexe (será saudável?) quer qualquer coisa em grande:


(Artemisia Gentileschi)

E ainda como eu próprio não me sinto obrigado a “respeitar” e “venerar” os símbolos da nação, sejam eles quais forem, só posso felicitar o pessoal do 31 da Armada, que tiveram piada, sim senhor, e nenhuma culpa têm do facto do sr. Costa estar de férias, nem da malta da câmara de manhã (parece-me) não terem reconhecido a bandeira tão cara aos do 31. Não fossem de férias e conhecessem melhor os símbolos.

Morte à monarquia! Viva o 31!

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9 respostas a Morte às aspirações monárquicas, viva o 31 da ARMADA!

  1. i.tavares diz:

    Na hora do almoço, quando,fui à Tasca cá do sítio,dei uma vista de olhos por um jornal,dizem que é de referencia,não sei de quê.O espaço dedicado ao 31,era o triplo do espaço dedicado à apresentação do programa eleitoral do PCP.Tudo bem o jornal até é de referencia.Só quero ver as próximas mesas redondas e “frete à frete” que são vários ,no cabo,se,os novos “educadores do povo” continuam a dizer que ninguém apresenta propostas.
    Já tínhamos um carnaval na ilha o ano inteiro.Pelos vistos vamos também ter direito ao nosso.
    O melhor que tenho a fazer,é fechar o atelier,oficina,costura,leitura,etc,e rumar ao meu acampamentozinho,no rio Lugenda,mesmo lá nos confins de Moçambique,e livrar-me dos bichos que por cá andam.
    PS–Mas só vou depois da FESTA

  2. antónimo diz:

    repito e complemento

    Não vi foi em lado nenhum televisivo que Moita de Deus foi assessor da Leonor Beleza, conselheira de Estado, e que vem de um blogue de ex-assessores laranjas e outras figuras imputáveis.

    O moço é crescidinho e até deve julgar que pensa (?) pela sua dele cabeça. Estou-me absolutamente lixando para a bandeira mas confesso que balanço entre o gosto de o ignorar (maus, maus, maus) ou o de o ver umas horinhas detido nos calabouços da PJ, mais o cabelinho à foda-se (agora à fosga-se, cáfila de meninos mariquinhas) e os tipos das redes de imigração que campeiam pelo Alentejo e fazem maroscas aos vietnamitas.

    Outra coisa: Uma bandeira municipal ainda não é um símbolo nacional, por muito que Santana – que no 31 da Armada deve contar com os votos de 38 autores, todos queria eu dizer – venha aproveitar para tentar sacar mais uns votos à conta da não detecção Costista.

    E ‘inda outra: A polícia ainda não foi buscar a bandeira porquê? Se fosse um gajo da Cova da Moura já tinha apanhado um arraial de porrada numa esquadra qualquer. Como a estes não podem dar umas marretadas ficam com a natureza contrariada?

  3. E ‘inda outra: A polícia ainda não foi buscar a bandeira porquê? Se fosse um gajo da Cova da Moura já tinha apanhado um arraial de porrada numa esquadra qualquer. Como a estes não podem dar umas marretadas ficam com a natureza contrariada?

    Além de subscrever o post, esta coisa do tratamento diferenciado anda-me a fazer espécie. É que ainda não percebi se a malta está feliz por ainda ninguém ter levado porrada ou se antes preferia que estes levassem porrada como os outros…
    É que se for a segunda hipótese, começo mesmo a desconfiar do espírito democrático dos indignados já que quanto à falta de humor não tinha dúvidas…

  4. Justiniano diz:

    Caríssimo Vidal!
    Descontado o exagero ” um dos maiores escritores e pensadores da França”, será um dos grandes, e bons, exemplos de que o acontecimento colhe sempre os seus mais estimosos adeptos. Por isto lhe digo que não rogue tanto pelo advento.

  5. Saint-Just devia estar a falar dos seus antepassados.
    Com 26 anos deve ter mandado matar mais gente que todos os monarcas da França juntos, por isso lhe chamavam o arcanjo do terror. Era uma espécie de Heinrich Himmler da altura.

    Felizmente foi republicanamente guilhotinado pela convenção.

  6. antónimo diz:

    Sra. D. Ana Maria, A mim, esta coisa do tratamento diferenciado também me faz duvidar do espírito democrático.

    Mas como não estou indignado e até acho a coisa bastante divertida e esclarecedora talvez a conversa não fosse comigo.

    (se quiser pode tratar-me pelo meu título profissional – é engenheiro – que outros entre tantas bastardias e coitos danados já se perdeu na noite dos tempos apesar dos apelidos sonantes.)

  7. O que é estranho é que se possa dizer, com cara séria, que a República é das bananas porque não se persegue convenientemente um idiota qualquer que tirou uma bandeira. Será que a seriedade é uma questão de bandeiras? Não será antes um assunto de transparência e justiça do poder instituido? Se assim for então o país é realmente das bananas, com ou sem República, com ou sem rei.

  8. Caríssimo Engenheiro Antónimo, usei a sua frase para expor a minha dúvida. Mas folgo em saber que, como eu, também não está indignado; antes pelo contrário, divertido.
    Só um reparo en passant: é ana cristina (e não é necessário o Sra. D.)

  9. Justiniano diz:

    Vidal!
    Experimente, novamente, a Declaração de independencia dos EUA.

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