E se o quase-engenheiro passa a arguido, ainda antes das eleições?

socrates_morte
Sei que se trata de hipótese improvável: nunca os poderes que regem o lubrificado arrastar de engrenagens do nosso paísito poderiam tal permitir; depois há as férias judiciais, etc. Mas seria engraçado, lá isso seria.
Imagine-se a aflição do PS em busca de um substituto de última hora, dificilmente podendo retirar a escolha óbvia da corrida à autarquia de Lisboa. Imagine-se a desorientação do PSD (esta é fácil, pois desorientado já parece ele, todos os dias), confrontado com um opositor a quem não poderia assacar culpas nem vícios. E como reagiriam Bloco e PCP a uma possível guinada à esquerda e ao desaparecimento do slogan disfarçado de argumento “a política de direita dos últimos anos”? Também se pode ficar órfão de oponente.
A ganhar, só ficaria Portugal. E quem gostava de poder votar no PS sem assim apoiar e premiar uma criatura isenta de méritos, com um currículo que pouco mais é do que uma sucessão de manchas. Eis um engulho moral de primeira ordem, que só mesmo os simplexes conseguem fingir ignorar: tudo é preferível a Ferreira Leite – e a Sócrates também.
Mas isto parte da arriscada suposição de que o PS conseguiria encontrar nas suas fileiras uma figura capaz, honesta, motivadora e mesmo de esquerda. Com o deserto socratista alargando-se em dunas cada vez mais extensas e espessas, não se vê de onde poderia emergir tal D. Sebastião. Mas sonhar não custa.

Este artigo foi publicado em cinco dias. Bookmark o permalink.

13 respostas a E se o quase-engenheiro passa a arguido, ainda antes das eleições?

  1. se for a Ferreira Leite a arguida pelos danos que causou ao Estado no caso Citygroup?? Vamos lá falar da realidade e nao de hipóteses absurdas.

  2. Carlos Vidal diz:

    Uma curiosidade: serás então abstencionista?
    (Sem problemas, até porque não morro de amores pela democracia parlamentar burguesa – voto, sim, apoio uma das forças, isso sabe-se, mas o parlamento nunca seria o meu “santuário”)

  3. Luis Rainha diz:

    Carlos,
    Estas minhas rêveries são precisamente fruto dessa angústia: mas em quem votar, com mil raios? Não querendo também justificar a troupe do Albano e quejandos, só me resta mesmo o Bloco como malta capaz de fiscalizar e incomodar a sério quem fique a governar. Ou talvez escolha um daqueles partidos patuscos que andam sempre à míngua de votos… a AOC ainda existe?

  4. Carlos Vidal diz:

    Não, mas a Carmelinda Pereira nunca desiste da sua gloriosa luta.
    Deve figurar nos boletins até que o partido se chame só C. P.

  5. Luis Rainha diz:

    Manuel,

    Estará o quase-engenheiro, apesar de tudo, bastante mais próximo da pildra do que Ferreira Leite.

  6. i.tavares diz:

    Um amigo.que por acaso não é da minha cor, Dizia-me vai tempo. Sabes.
    Vivo numa grande angústia-então diz lá-Sei o que não quero,mas não sei o que quero.
    Pelos vistos ainda há muita gente a pensar assim.

  7. Filipe Diniz diz:

    É curioso como a essência deste post e do seu comentário explicam o post anterior…
    Porque diabo algumas pessoas que votam BE mas gostavam de votar PS (ou vice-versa) se vêem primeiro na obrigação de desancar no PCP?
    Vote como quiser, homem! Mas lá por se sentir mal com o seu voto não precisa de descarregar em cima dos suspeitos do costume.

  8. O POUS ainda existe e vai concorrer às legislativas. A Carmelinda não abranda e eu também sou candidata.
    Já há motivo para votar!

  9. Carlos Vidal diz:

    O POUS de Carmelinda Pereira é um projecto pessoal.
    Os movimentos ou movimentações de emancipação são sempre colectivos, ou, pelo menos, têm sempre de saber lidar com os colectivos.

  10. Eh pá, por amor de Deus! Nunca ponham aqui o Sócrates (o outro! o autêntico!) e o David quando se referirem ao “Sócrates”! Por favor, tudo menos isso!

  11. Luis Rainha diz:

    Carlos,
    É a morte do filósofo, homem. One can dream….

  12. O POUS é um projecto colectivo por isso estou envolvida e mais 190 candidatos. A Carmelinda e o Aires Rodrigues permanecem no partido que está renovado com muita gente nova e jovem e os candidatos são maioriáriamente mulheres e professores. Eu sou a cabeça de lista por Leiria.

  13. Luis Rainha diz:

    É pena; se fosse em Lisboa, já tinha o meu voto, pela assertividade e pelo desembaraço.

Os comentários estão fechados.