A bandeira e o gesto simbólico

Há 5 anos atrás, Tiago, de 17 anos, foi energicamente detido por 5 elementos das forças policiais, por ter queimado uma bandeira de Portugal numa manifestação contra as touradas. Em consequência foi condenado sumariamente a cumprir 10 meses de serviço comunitário.

A bandeira era uma das famosas adulterações vendidas durante o Euro  e pertencia ao jovem que a queimou.

No Barnabé escrevia-se:

Pobre bandeira que, para ser respeitada, precisa de um juiz. Pobres países, os que obrigam os seus cidadãos a ser patriotas.

Sobre uma bandeira e um gesto simbólico, hoje o Vento Sueste escreveu isto. E o Luke Skywalker escreveu isto.

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6 respostas a A bandeira e o gesto simbólico

  1. Dez meses de serviços comunitário porque o sujeito ou tinha sentido cívico ou não tinha dinheiro para pagar a multa; porque, por cá, serviço comunitário só quando o arguido manifeste essa vontade (ou pelo menos não se manifeste contra).

    Assim sendo, podemos tirar o cavalinho da chiva que não é desta que vamos ver os 31 a prestar serviço a favor da comunidade durante as cerimónias de comemoração do centenário da República. Embora fosse bonito…

  2. Afinal, parece que o país leva os monárquicos a sério e o poder instalado, também. O que se torna mais cómico, é a CML estar muito ciosa da sua dita bandeira, que “por acaso” também é… monárquica! Foi concebida ainda durante o período pré-1820 e o Conde de Lippe influenciou decisivamente o seu desenho, baseando-se nas bandeiras regimentais da Prússia. Pergunte isso a qualquer turista alemão e ele logo lhe dirá que …”Lisboa é o único local no mundo que tem como bandeira um símbolo da desaparecida Prússia”. Cómico, no mínimo. O 31 da Armada, limitou-se a substituir uma bandeira monárquica pela do Reino!

    Sofia Ventura: ai, essa tendenciazinha para a chibata e o trabalho forçado. Quem é que lhe ensinou isso? A tradição do Santo Ofício, a Formiga Branca ou a sua sucessora PIDE/DGS. Que mania da disciplina punitiva.

  3. Como sou algarvio os meus antepassados não eram portugueses até 1910 (o Algarve não fazia parte do Reino de Portugal, apesar de se encontrar sob domínio da mesma coroa).

    Falando no conde de Lippe, na reorganização dos exércitos portugueses, até calhou escrever num código que ficou com o seu nome:

    “algarvios, alentejanos, ciganos e outras gentes de mau porte devem ir para corneteiros”

    Portanto “há 99 anos atrás” qualquer algarvio seria “gente de mau porte”, súbdito do rei de portugal, mas não português.
    Hoje, há pelo menos um algarvio nas forças armadas que não é corneteiro: o seu comandante supremo.

  4. Por Deus, Nuno. Tudo o que quis foi que não me tomasse por “eduquesa”.

  5. Pascoal diz:

    O facto de abandeira muincipal de Lisboa ser antiga não a faz monarquica.
    A actual bandeira portuguesa inclui vários símbolos que tiveram origem na simbologia real de estandartes de antigos reis portugueses. A esfera armilar era de Dom Manuel I. O escudo surgiu com Sancho I ou Afonso II, embora seja pouco claro quando ficaram definidos quantos eram os “castelos” que chegaram a ser doze ou treze ou as “quinas ou os besantes que ao que parece representavam o direito real de cunhar moeda.
    A bandeira da República representa o melhor da nossa História ao contrário daquela bandeira idiota dos Braganças na sua fase final.

  6. João Branco: sabemos quem é e salienta-se por ser um grande homem que tão bem utilizou o dinheiro dos outros, tornando Portugal no próspero país que hoje conhecemos.

    Pascoal: pode contorcer-se à vontade, mas a actual “bandeira”, além de ser um disparate heráldico (consulte as fontes especializadas), é uma autêntica fraude:

    1. A esfera armilar que lá vê é de facto a da Carbonária que lhe deu origem. A banditagem de 1910 estava longe de delírios manuelinos.

    2. O escudo, esse, não tiveram coragem para o substituir pelo fascio, tal como os franceses fizeram, abolindo a flor de lis e instaurando o 2fascio do lictor” que Mussolini tão bem utilizaria…

    3. O verde e o vermelho: aqui está a maior falsificação bastante alardeada posteriormente pela 2ª república. O verde simbolizava Portugal e o vermelho a Espanha. A bandeira verde-encarnada era de facto, a dos republicanos federalistas (Centro Republicano Federal de Badajoz) e como sabe, o prp era pró-federalista, pretendendo integrar Portugal numa Federação Ibérica que aliás, a actual 3ª república tudo faz para atingir. Os senhores terão a Monarquia de qualquer forma. Com os Bourbons.

    4. Quanto a representar “o melhor da nossa história”. Essa é boa!
    a) Os piores 16 anos da existência de Portugal como Estado, com perseguições à igreja, inaudita violência anti-sindical, radical cerceamento dos cadernos eleitorais e do direito ao voto, violência policial, terrorismo patrocinado pelo partido único no poder (consulte Formiga Branca na wikipedia, dá pouco trabalho e é elucidativa entrada). 45 governos em 16 anos, ruína financeira, esmagadora derrota militar na guerra com a Alemanha – em todas as frentes, desde a França a Angola e Moçambique -, golpes de Estado, hiper-inflacção; corrupção generalizada, assassinatos políticos em série (camioneta fantasma, leva da morte, etc); censura prévia à imprensa (quando na monarquiaera a posteriori, significando isto uma multa ou a absolvição); catastrófico número de presos políticos (a imprensa estrangeira, nomeadamente a francesa, é bastante eloquente quanto a este facto indesmentível); 48 anos de cripto-fascismo, a PIDE, os Tribunais Plenários, as chapeladas “eleitorais”, a continuação da censura prévia, a indexação da leitura, cinema, teatro, etc, , o vergonhoso e vexatório estatuto de “português de segunda” (no Ultramar), a péssima e trágica teimosia na política ultramarina (que me custou a prática expulsão de Moçambique, ao fim de 5 gerações da minha família naquele território); uma desastrada adesão a uma CEE, sem que os interesses da nossa economia fossem acautelados; o descalabro na educação, a “descolonização exemplar”, a plutocracia tentacular que tudo controla – de Belém a S. Bento, dos jornais à televisão -, enfim, “isto” a que quotidianamente assistimos. Foi apenas um sucinto resumo.
    O melhor da nossa história? Volte atrás no que disse e pense outra vez.

    Quanto à alegada “bandeira idiota dos Braganças”, fique sabendo que foi instituída pelas Cortes Constituintes em 1820-21 e significou apenas a adequação de Portugal a uma modernidade que urgia: abolição da Pena de Morte, modernização das infraestruturas – o Fontismo -, normalização da vida parlamentar, liberdade de imprensa e de organização política, o Código Civil, a consolidação do domínio colonial (se hoje existem PALOP, “caia de joelhos” diante da imagem de D. Carlos e agradeça-lhe a influência em Londres, porque com uma república no Ultimato de 1890, até os Açores teríamos perdido!), e ainda, um fulgurante período nas artes e letras, como há muito não havia memória.
    Atrevo-me mesmo a dizer que é certíssima a evidência de a Monarquia não ser o problema, mas sim aquilo a que chamamos “sociedade civil”: a nossa desinteressada gente – sempre à espera do paternalismo protector -, o egoísta politiquismo militante, o interesse pessoal em detrimento do interesse colectivo, enfim, o imundo caldo que Portugal engoliu e que nos propiciou o miserável século XX que tivemos. Ou duvida da grande superioridade humana e intelectual de homens como D. Pedro V, o irmão D. Luís, D. carlos e D. Manuel II? Quer compará-los com bestas como o Bernardino, o Sidónio, o patarata do Teófilo (o presidente e não o jumento que Camilo deu ao filho Jorge), o Carmona, o semi-analfabeto craveiro Lopes, o Tomás e outros que não menciono para não ser expoliado numa barra de tribunal? De facto, a bandeira azul e branca ºé infinitamente superior em tudo. No dia 27 de Abril de 1974, o meu pai – que se fartou de “fazer visitas” à Casa Amarela (PIDE) em Lourenço Marques, levou-me a dar um passeio de carro pela Baixa. Chegando depois a casa, disse à minha mãe:

    – “Vamos ser corridos de África, mas daqui a 10 anos Portugal estrá outra vez na m…”!

    – ?

    – “Então… 16 anos de Afonso Costa e 48 de Salazar, com prisões, ditadura, censura e tudo o mais… e a bandeira ainda não saiu do mastro?! Os símbolos são muito importantes!”

    Pois são, Pascoal, pois são.

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