Mas em que ano estamos?

Em Portugal, pode a GNR revistar automóveis  “aleatoriamente“? Já nem sequer se exige o tal comportamento suspeito para se devassar a propriedade  alheia? Ou será que a frequência de um festival já é coisa suspeita qb? Esta gentalha fardada não tem mais nada para fazer?

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25 Responses to Mas em que ano estamos?

  1. j says:

    O termo “aleatório” não me parece adequado, de facto, sobretudo no contexto da legalidade da prática policial.

    Mas para pessoa tão bem formada, que julgo você ser, não lhe fica bem misturar-se com “gentalha”.

    Está a ser ordinário, Luís Rainha.
    E preconceituoso, que é bem pior.

    Desculpe a franqueza.

  2. Esloveno says:

    O discurso anti-autoridade é muito bonito, mas só teme quem deve. A polícia é garante das nossas liberdades, e como frequentador de festivais gosto de saber que posso divertir-me sem qualquer receio, e voltar para casa sem levar com um bêbedo em cima. A polícia não anda a prender festivaleiros, só traficantes e outros parasitas.

  3. m says:

    uma vergonha a actuação da gnr , incomodar putos inofensivos que só querem curtir umas broas e uns sons. claro que apanhar criminosos a sério , para além de se correrem riscos , dá muito mais trabalho , e trabalhar cansa. uns idiotas é o que eles são.

  4. luis t. says:

    A GNR devia ter sido extinta a seguir ao 25 de Abril. Havia uma carga demasiado negativa que vem das cargas policiais sobre os trabalhadores.
    Os dirigentes políticos não souberam, ou não quiseram dotar este corpo de uma cultura mais adequado a tempos novos.
    Aliás ainda continua a ser chamada para isso, à porta das fábricas que vão encerrando por este país fora.

  5. Luis Rainha says:

    “gentalha” não será a polícia em geral, mas é mesmo quem acha que ter um uniforme e uma arma é licença para revistar automóveis aleatoriamente. O que terá isto a ver com bêbados ou parasitas, desconheço.

  6. Justiniano says:

    Rainha! Meu imarcescível Cadichon.
    Já se sabe que a GNR está em auto gestão, o Comando Nacional tem tido dificuldades em arrebanhar a tropa no quartel.
    Dá-lhes para isto, à sucapa e ao invés de ficarem a dormir assim à laia de cão bem comido.
    Noite adentro é revistar automóveis, tabernas, pardieiros de alterne e outras andanças.
    Diz-se, que a febre é tanta, que chegam mesmo a adiantar gasóleo do próprio bolso.

  7. Pedro says:

    Para o j criticar ou insultar um tipo de GNR ou PSP é necessariamente insultar toda a polícia. Dá imenso jeito este tipo de reacção, porque assim deixa de ser “educado” chamar pelos nomes qualquer tipo de comportamento da ralé (e a GNR tem muita da pior ralé). Como por exemplo estes gajos.

    No Público e no Correio da Manhã há 3 dias anunciava-se que a GNR já tinha apreendido 163.4 gramas de haxixe, em 60 apreensões. Ou seja, apreenderam o suficiente para um charro a cada pessoa. O Correio da Manhã, para ilustrá-lo, mostrava uma foto de arquivo com uma mesa cheia de sabonetes que deviam pesar uns 40 kgs no total. Entretanto no Sacha Beach a branca está garantida para o jet set, com a conivência das autoridades. O que interessa é mostrar que está tudo sob controlo. Parece que com a paranóia securitária há gente que até gosta de ser revistada aleatoriamente.

  8. j says:

    «“gentalha” não será a polícia em geral…»

    Continuo a achar que foi “ordinário” na expressão que utilizou de “gentalha fardada”.

    A expressão “aleatório” terá sido usada, mal usada, repito, por um alto responsável.
    E você confundiu a árvore com a floresta, o que evidencia um preconceito.

    Acho que fez bem em ajustar o seu post com o comentário que lhe acrescentou. Porque a ordinarice não se critica com mais ordinarice mas com argumentos construtivos. Sobretudo vindo de pessoas com o seu nível cultural e cívico.

    Mas tudo bem, eu também já me tenho indignado com alguma gente ordinária. E, ás vezes, também o sou.

  9. Esloveno says:

    Luís, explicando melhor então, é a presença dessa “gentalha”, como lhe chama, que inibe comportamentos perigosos, como apanhar uma bebedeira e acelerar Alentejo fora na mesma noite, e que evita que um festival de Verão se transforme em mais um local onde sou constantemente assediado por pequenos traficantes que, esses sim, pensam que ser jovem é ser drogado (como acontece no Bairro Alto, por exemplo).

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  11. LR says:

    Esloveno,
    Que eu saiba, “presença”, ou mesmo “actuação”, não implica revistas aleatórias a automóveis. Certo? Ou gostaria de ser revistado ao acaso sempre que fosse ao Bairro Alto?

  12. Esloveno says:

    Luís, há poucos dias no Aeroporto de Lisboa fui afastado de uma fila no controlo alfandegário e revistado em maior detalhe. “Revista aleatória”, ouvi um dos seguranças (?) dizer. Foi mesmo esse o termo. Não houve problema algum e segui viagem. Não me senti lesado de forma alguma.

    Respondendo directamente à sua pergunta, não me importava que o mesmo acontecesse no Bairro Alto, onde há dias foi mortalmente esfaqueado um rapaz de 19 anos.

    Eu percebo perfeitamente a sua questão, a dos direitos individuais e constitucionais, mas quando se fala de vidas, ainda por cima de jovens filhos de alguém, acho que é uma questão menor.

    Como leitor assíduo, concordo com muitas das suas asserções, mas tenho que discordar desta, cordialmente.

  13. Justiniano says:

    Caro Esloveno!
    Não percebeste a questão (ões) do Rainha! O Rainha não tem questão.
    O Rainha, como bom Jacobino, untado e medalhado, está-se borrifando para os direitos individuais e muito mais, ainda, para a Constituição, o que lhe interessa é abocanhar, sempre que pode, as representações, por vezes putativas, do Estado de Direito Liberal Democrático.

  14. Luis Rainha says:

    Dispõe o «art. 251º do CPP, que para além dos casos previstos no art. 174º, nº 4, os órgãos de polícia criminal podem proceder, sem prévia autorização da autoridade judiciária, “à revista de suspeitos em caso de fuga iminente ou de detenção e a buscas no lugar em que se encontrarem, salvo tratando-se de busca domiciliária, sempre que tiverem fundada razão para crer que neles se ocultam objectos relacionados com o crime, susceptíveis de servirem a prova e que de outra forma poderiam perder-se;”
    Nas anotações ao art. 251º do CPP, Maia Gonçalves, refere (15ª edição), de forma acertada e à luz da melhor interpretação deste preceito legal que “os órgãos de polícia criminal podem, ir além dos poderes já conferidos por outras disposições, realizando revistas e buscas não domiciliárias mesmo sem prévia autorização judiciária, desde que a demora na obtenção dessa autorização faça perder a utilidade da diligência ou a ponha em grave risco de perder-se, ou proceder à revista de pessoas que tenham de participar ou pretendam assistir a qualquer acto processual, sempre que houver razoes para crer que ocultam armas ou outros objectos com os quais possam praticar actos violentos”.»

  15. Justiniano says:

    Rainha???

  16. j says:

    Embora me tenha insurgido contra a “gentalha” do Luís Rainha, e lhe tenha chamado ordinário pela expressão utilizada, o que mantenho, não deixa de ter razão na essência da questão.

    O conceito de “aleatório”, além de absurdo, é ilegal no contexto da prática policial. Pior ainda se feito por um simples segurança, como reporta o Esloveno. Isso é um manifesto abuso, idêntico ao que nos fazem nos supermercados (a mim não que eu não o permito, e já tive cenas desse tipo)

    Ainda que tal prática se faça e, por vezes, por razões “securitárias”, admito que sejam feitas, a expressão aleatória nunca devia ter sido usada, muito menos por quem a usou.

    Portanto, o Luís Rainha tem razão quanto à substância mas foi “ordinário” na forma como se expressou.

    Quanto à forma já emendou a mão. Quanto à essência estou do seu lado.
    Não se decidem revistas “aleatoriamente” mas em função do que está previsto na legislação processual penal.
    O que não significa, repito, por razões “securitárias”, que não se façam revistas aleatórias, o que não se deve usar é esse termo.
    E, claro, que nessa aleatoriedade, deve prevalecer o bom senso e não porque (nos) apetece chatear um gajo com um brinco na orelha ou porque tem pinta de drogado.

  17. Justiniano says:

    Da estatística, aleatoriedade e unidade da ordem jurídica.
    Um ensaio de L. Rainha, para breve.

  18. Esloveno says:

    Luís, a lei está totalmente desfasada da realidade. Quer mais exemplos dessa realidade? Que tal o festival nos arredores de Elvas que acabou com 176 detidos (13 mil doses de cocaína não me parece que seja coisa para consumo próprio) e com uma finlandesa de 20 anos morta por overdose?

    Há locais (que eu frequento) que se transformam temporariamente em supermercados de droga, e onde vidas são colocadas em perigo. Estes locais têm que ser fiscalizados, e eles são fiscalizados, e ainda bem que o são.

    Se a lei não o permite, então é a lei que está errada, e o Luís devia preocupar-se mais com o facto do CPP estar completamente desligado da realidade, e não com o facto da realidade não bater certo com o que está no papel.

    Não estamos a 24 de Abril de 1974, hoje a polícia está do nosso lado, e hoje a rua é um bocadinho diferente.

  19. Luis Rainha says:

    A bem da verdade, e aqui entre nós, já me parece que errada está a lei quando impede adultos de consumir o que querem, sob o pretexto que é errado, ou que faz mal, ou lá o que é (excepção feita ao álcool, claro; esta droga é consabidamente inofensiva e divertida).
    Mas se a lei estiver mesmo errada, que seja alterada onde deve; não na rua por majores desvairados.
    Já agora, e para que conste, o controlo à entrada do festival foi inexistente.

  20. Luis Rainha says:

    PS: escrevi este post sabendo bem que tinha uma filha dentro do festival em questão.

  21. Esloveno says:

    Quando são detidas pessoas nestes festivais, garanto-lhe que não são os consumidores. A esmagadora maioria dos meus amigos consome algum tipo de substância ilícita e jamais teve problemas com a autoridade (mais uma vez, o desfasamento entre a lei e a realidade). Quem é detido é quem faz disso uma indústria sem ética, com ligações ao roubo e outros crimes. E não consigo ter pena deles.

    Completamente de acordo, a lei não pode ser alterada por majores desvairados.

    PS: também por lá andei, que se há vício que tenho é a música :)

  22. Luis Rainha says:

    Engraçado este mundo em que os amigos consomem mas quem vende já é um bandido do pior. Salvo erro, 20 doses bastam para caracterizar tráfico; e se cultivar em casa para consumo está na mesma tramado.
    A fazer fé nas notícias que falavam em menos de 700g de haxixe apreendidos no Sudoeste… fracos traficantes temos nós.

  23. Esloveno says:

    Um traficante é um bandido do pior, sim senhor. E para quem consome fica resta uma questão: sustentar ou não uma indústria global que rouba e mata? Ou acredita na ética do narcotráfico? Ou acredita que o “pequeno comércio” do sector é independente de estruturas globalizadas que vão de Bogotá a Cabul, que sustentam ditaduras, grupos terroristas e máfias de todo o tipo?

    Mais vale cultivar em casa, pois claro, mas a lei não deixa. E se não cabe a um “major desvairado” alterá-la, porque é que há de caber a um qualquer cidadão fazê-lo?

    (Já agora, conhece assim tanta gente que cultive em casa? Duvido.)

    Percebo que tenha uma posição de princípio, ideológica, simpática até, cada vez mais popular, mas é ingénua, incoerente e desligada da realidade. Dizer que temos “fracos traficantes” é disso prova.

    PS: A amizade não impede que mantenha reservas em relação a determinados comportamentos daqueles de quem gosto. Nem que os chateie por causa disso.

  24. Luis Rainha says:

    Calma homem, que não tem de chegar a Cabul para encontrar haxixe. Essa história do cultivo caseiro tem uma boa justificação: porque se trata de um crime sem vítima. Só isso.
    Desconversa com isso dos “fracos traficantes”, graça derivada apenas das ínfimas quantidades de estupefacientes supostamente apanhadas naquele festival. Não se ponha a adivinhar sobre as minhas “posições”, que não chega longe.

  25. Bruuno says:

    mas afinal podem ou n podem os ninjas azuis, revistar sem razao aparente?… vou na rua a fumar um cigarro .. aparecem eles.. podem me revistar? .. sou obrigado a ser revistado ?

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