Os relógios não são os únicos cronómetros do tempo que passa, constato eu quando, de férias em Portugal, entretenho a espera no cabelereiro a folhear a Caras sem reconhecer uma única cara dos “famous for being famous” – tirando a sempiterna Lili Caneças, que já inquinava as revistas da beautiful people quando deixei o país, vai para 10 anos. É nessas romarias à pátria que percebo que sim, o tempo foge, e foge irreversivelmente. Por isso, quando vi Couto dos Santos e Deus Pinheiro nas listas do PSD para as próximas legislativas, senti-me rejuvenescer 15, 18 anos, ó Coimbra dos amores & da luta anti-propinas, a mantinha-roubada-que-afinal-não-foi-roubada, a malta aos gritos de “Não pagamos, não pa-ga-mos!” a desaguar em massa em Santa Apolónia, quais Lenines de batina, o cavaquismo a esboroar-se, meus ricos 20 anos. “Couto dos Santos”, repito, saboreando o nome como quem reencontra, inteiro e doce, o gosto perdido de uma madeleine.




E nos intervalos do não pagamos tratámos muito mal essa gente…
Recordo, sem ter a certeza de quem era o ministro da altura, a chegada a Santa Apolónia de milhares de capas e batinas para a manif que se seguiu a uma carga policial violenta…
como éramos imensos decidimos o percurso….lindo …
depois os nossos dirigentes instalaram-se, fizeram parte das listas do s e do sd. arranjaram bons empregos no estado e na periferia…
e uma parte de nós desistiu…
hoje quando penso em algumas das bastonadas que me aqueceram as costas pergunto-me como foi possível chegarmos aqui. tão irremediavelmente derrotados. tivemos o diabo nas mãos.
Eu quando vejo o xuxa Alberto Martins, criticando à esquerda e à direita ( há direita do PS?) pela linguagem utilizada por quem não concorda com ele, só me lembro da crise académica de Coimbra e pergunto-me: Oh Alberto, para que foi aquilo tudo? Não mais que um acto gratuito…
Hoje, defendes o teu Américo Tomás com unhas e dentes…
apetece-me linkar este post
Belo post (é bom acordar e encontrar coisas assim).
Grande post. Andava a mastigar um texto sobre o tema, que teimava em não sair.