Uma das simples vozes de apoio ao quase-engenheiro gasta reticências à velocidade de um TGV desgovernado. E gasta também algumas linhas a papaguear o entendimento da omertàpropalado por distintas figuras como o dr. Marinho Pinto: o que é dito em privado não tem nada de vir cá para fora, criando ruído e perturbando as almas dos votantes.
Reza a titubeante alma: «outro episódio, desta feita mais caricato, decorre do equívoco resultante de uma conversa privada em que se pretende indagar da disponibilidade de uma pessoa para integrar uma lista de deputados (coisa normal em tempo de preparação de listas eleitorais) e a sua interpretação como convite formal.» Isto, além da patusca preocupação com o formalismo do processo, é ignorar que o governante em questão se multiplicou em desmentidos categóricos e agora já admitiu a tal consulta. E é escamotear que a oferta de uma sinecura estatal como contrapartida também tem grandes chances de ter ocorrido mesmo, tendo em vista a queda desta primeira mentira.
Resumindo, o facto de uma conversa ter sido privada implica que é feio divulgá-la, por descabidas ou imorais que sejam as circunstâncias na sua origem. Al Capone não poria a coisa com mais subtileza: se por exemplo alguém lhe sussurrar uma proposta de suborno, fica feio fazer queixa às autoridades. Não se faz, entre gente de bem.
Assim, nada mais natural do que a coda «urge por isso que o Partido Socialista se mantenha distanciado destas estratégias de bastidores». De acordo com a alucinação, o pobre PS é que seria uma vítima, não o coito de aldrabões impenitentes que cada vez mais desvela ser. Admirável topete.

Este artigo foi publicado em cinco dias. Bookmark o permalink.

10 respostas a

  1. Como é possível que ainda haja alguém que se espante pelo facto de no PS se trocarem apoios por cargos? Vivo em Braga e, por cá, não é fácil distinguir o PS da rede clientelar que ao longo destes últimos trinta e tal anos Mesquita Machado foi construindo a partir da Cãmara.

  2. Justiniano diz:

    “coito de aldrabões impenitentes”
    Isto, desde que o coio de bufarinheiros te perdeu a soga é asseada de gaipos todos os dias…

  3. Chico da Tasca diz:

    Ó Luis Rainha, você é um palhaço. Não sabe a história como ela se passou realmente, não ouviu a conversa, e portanto não está abalizado para dar bitaites eivados de ódio.

    Você embarca na lógica de que se há um membro do governo envolvido, e se esse governo não é da cor que me agrada, deixa-me lá dar cabo do caracter do homem.

    Você devia de ter vergonha nessa cara.

  4. viana diz:

    A notícia de abertura do noticiário (pelo menos das 12h, mas suspeito que antes igualmente) da Antena 1 foi “Louçã não pede desculpa a Sócrates”! Claramente passando a ideia de que tal devia ter sido feito, quando Sócrates é que mentiu ao ter afirmado que Joana Amaral Dias não tinha sido contactada com o intuito de saber se estava disponível para integrar as listas do PS É completamente escandaloso! Tentem ouvir o noticiário das 13h, para ver se repetem a atordoada. Ainda para mais, no mesmo noticiário afirmaram que Paulo Campos continua a desmentir o convite, quando ele próprio afirmou que “indagou da disponibilidade”. Mas na Antena 1 são acéfalos, ou quê?! O grau de governamentalização da Antena 1 é assustador, como já se tinha visto a propósito do célebre anúncio de “promoção” da Antena 1 que não passava de um ataque ao direito à greve.

  5. Luis Rainha diz:

    Espanto não; alguma comedida felicidade por de quando em vez serem apanhados.

  6. Pingback: cinco dias » O coro tragicómico

  7. Luis diz:

    “a oferta de uma sinecura estatal como contrapartida também tem grandes chances de ter ocorrido mesmo” ???? Temos pois o Louçã elevado a papa, tudo o que diz é sagrado. Haja pachorra…

  8. Luis Rainha diz:

    Luis,

    Quem o afirmou não foi o Louçã, mas sim a JAD. A tal que mentia quando dizia ter sido contactada pelo PS.
    Se já é evidente que esta parte da história dela é verdadeira, porque iremos acreditar no escorregadio Campos, que comprovadamente já faltou à verdade neste episódio pouco edificante?
    E com isso do “papa” vem mesmo bater à porta errada…

  9. Luis Rainha diz:

    Prezado Chico,

    Você não anda bem, homem. Onde é que está aqui o “ódio”? Ou algo que dê a entender que eu ouvi a conversa? Pensando bem, onde é que aqui se menciona o seu estimado governante?
    Publico este comentário pois você já teve algum entertainment value; não o gaste com birras. Já o outro comentário fica arquivado por motivos de ordem estética: que raios é aquilo do “carailho”? Quando não se acerta nem com os palavrões, talvez seja hora de sair da tasca, que o Sol já vai alto.

  10. Luis diz:

    “Quem o afirmou não foi o Louçã, mas sim a JAD.” ? Olhe que não, olhe que não…

    “(…) Louçã acusou Sócrates de “traficâncias e política menor” ao oferecer lugares de Estado em troco de apoios eleitorais. (…) “Um partido que em vésperas de eleições anda a distribuir mordomias é um partido que não merece governar” (…) “Acontece, no entanto, que voltou a convidá-la para cargos de Estado em troca de um eventual apoio, seja a chefiar um instituto público na área da saúde, seja num qualquer lugar de Governo. (…)

    “Mostra-nos uma forma de política menor, de vergonha, que é uma política que oferece lugares de Estado, que trafica influências e oferece lugares a troco de algum apoio. Isto é uma vergonha, é a forma de governar em maioria absoluta, é pensar que o Estado é de um partido, mas não é. A democracia não permite traficâncias”, continuou o dirigente do Bloco, que foi peremptório: “Um partido que em vésperas de eleições anda a distribuir mordomias é um partido que não merece governar”.

    http://www.esquerda.net/index.php?option=com_content&task=view&id=12927&Itemid=1

Os comentários estão fechados.