A Brigada do Reumático volta em força

Brigada.R.2

Em Março de 1974, uma representação de oficiais-generais das Forças Armadas apresenta a Marcello Caetano a sua solidariedade e obediência; eis o discurso do seu porta-voz:

«Sr. Presidente do Conselho:

Como mais antigo dos Chefes de Estado Maior dos ramos das Forças Armadas e ainda em nome dos que compõem esta qualificada representação de Oficiais-Generais, cabe-me o honroso encargo de me dirigir a Vossa Excelência, na alta qualidade que lhe assiste de primeiro responsável pelo governo da Nação e fazemo-lo por dever de consciência a que a todos muito particularmente e neste momento nos sentimos ligados.

E porquê nesta ocasião?

As Forças Armadas não fazem política mas é seu imperioso dever e também da nossa ética cumprir a missão que nos for determinada pelo Governo legalmente constituído.

Ao longo da nossa História de mais de oito séculos, tem sido a união dos portugueses até nas ocasiões mais críticas que tem despertado o ânimo e a confiança necessárias para prosseguir no rumo mais adequado ao interesse nacional. Essa afirmação de unidade é também razão da nossa presença.

[A nossa] missão de defesa tem sido cumprida com bravura, reconhecido sacrifício, espírito de abnegação, não só pelos oficiais aqui presentes mas também por milhares de outros portugueses, militares e civis que nada solicitando, tudo deram e continuam a oferecer numa exemplar disponibilidade de serviço à comunidade nacional.

Quando o interesse colectivo, mormente a protecção das populações que continuam ameaçadas, exige que se prossiga no esforço de defesa em busca de uma paz baseada na justiça e no progresso, acima de tudo queremos manter-nos unidos e solidários. A consecução destes objectivos implicará redobrados esforços, mas tudo valerá a pena quando está em causa (…) o futuro da Nação.

Sr. Presidente do Conselho:

Justifiquei a nossa presença neste momento. Não será de mais repetir que o militar se distingue pela sã camaradagem, sentido de coesão, capacidade de sacrifício e devoção à Pátria. Virtudes que devem ser tanto mais cultivadas, quanto mais difíceis forem as circunstâncias e as situações.

(…) A lealdade e a disciplina são atitudes fundamentais que o militar [ou o militante defensor do poder legal nos dias de hoje] não poderá deixar de manifestar nas suas relações hierárquicas. São princípios universais de ética militar que, vale repeti-lo, sempre deveremos ter presentes.

Finalmente, move-nos como supremo objectivo, o bem da Pátria. Num momento em que o progresso da Nação e o bem-estar dos portugueses dependem da protecção que lhes é dada pelas forças militares é também oportuno dizer a Vossa Excelência que estamos unidos, firmes e cumpriremos o nosso dever sempre e onde quer que lho exija o interesse nacional.»

Fim do discurso dos militares; segue-se o agradecimento de Caetano:

Este artigo foi publicado em cinco dias. Bookmark o permalink.

15 respostas a A Brigada do Reumático volta em força

  1. almajecta diz:

    A última moda Primavera-Verão é ir votar na democracia avançada.

  2. antónimo diz:

    estranho que um comunista se abasteça com Gonçalves, João!

  3. Pascoal diz:

    Continuas a fazer a apologia do “pensamento único”.

  4. Diogo diz:

    Os valentes militares ainda estavam todos vivos após o agradecimento de Caetano?

  5. Carlos Vidal diz:

    antónimo, às 19:27, está enganadíssimo.
    Distraído, muito distraído.
    Bom, para já não falar daquilo com que você se ocupa (quem veio primeiro, ovo ou galinha).
    A ligação dos “simplexes” à Brigada do reumático fi-la hoje várias vezes desde madrugada e é para continuar.
    João Gonçalves cita e menciona a minha foto (a que eu fui desencantar, fantástica!) da famosa Brigada. Tal significa apenas que, neste ponto (e não só), o Portugal dos Pequeninos e o 5dias (pelo menos eu, CVidal) concordamos em chamar velhos com reumático aos “simplexes”.
    Acho muito bem que o Portugal dos Pequeninos cite a minha foto, como eu já citei o Portugal dos Pequeninos várias e muitas vezes.

  6. almajecta diz:

    Estás a referir o Simplex ou a Pornex?
    Pois parece que a malta do Rainbow foi á tropa e em Moçambique onde o arco-iris, a ponta do ouro e a ilha de Sta Carolina, são lindos, bem como a cultura de influência inglesa e os “Nissan” a pegar de empurrão por falta de energia electrica da de cabora bassa.

  7. Carlos Vidal diz:

    Grande Jecta, estou a referir-me ao SIMPLEX (blogue), mas a pensar na PORNEX, obviamente.

    E, já agora aproveiro para definir “brigada do reumático”, definição inspirada na de 1974:
    – trata-se de um colectivo de fracos e pouco mais do que medíocres que se mantêm fiéis, de forma acéfala, a um poder moribundo – moribundo e medroso em face dessa insofismável condição.

    Que essa gente desapareça o mais depressa possível. Deseja-se e precisa-se.
    E que não voltem.

  8. Pascoal diz:

    O almajecta é uma espécie de alter ego do Carlos Vidal

  9. antónimo diz:

    pode ter feito desde manhã, mas a dele estava cá primeiro, ou então é o meu pc que tens buggs, que já a brigada campeava pelo portugal e aqui eu só via os simpsons. e do victor bento, ninguém diz nada?

  10. Carlos Vidal diz:

    Não Pascoal, não exactamente.
    O Alma é um professor de artes, como eu.

  11. almajecta diz:

    Prefiro a PORNEX, não é um colectivo, é composto por artistas e tambem mata do coração.
    Colectivo de egos modernistas? Ah!, Ah!, Ah! Olha que não, olha que não, é uma contradição nos termos, estes são hemiplégicos de centrão.

  12. almajecta diz:

    Foi a 14 carlos, foi a 14, mas não esquecer que Marcello Caetano havia convidado em 21 de fevereiro o Rolha e o Spínola a tomar o poder.

  13. Carlos Vidal diz:

    Sim, sim Jecta, foi a 14 de Março. E antes como o Rolha e o Spínola não aceitaram o poder o Marcello apresentou a sua própria demissão ao Tomás. O Tomás não sabia sequer o que era isso de “demissão” e reconduziu Marcello. Acho que foi isto que se passou antes do 25.

    Mas convém entretanto saber que gente é esta, os da brigada reumatóide actual: é gente de décima devisão que suplica ao governo – por sua vez gente de oitava divisão – que suplica, dizia eu, qualquer coisita. Mesma que nada, pelo menos “amor e compreensão”.
    Estes reumatóides actuais são pobres diabos sem eira nem beira.

  14. almajecta diz:

    Achas? Ainda mais miséria daquela em transcrição da exploração económica? Que epifenómeno aborrecido, demasiado fieis ao dogmatismo mecanicista sem autonomia suficiente. Se assim é, vou ali para a horta alimentar a toupeira que o Hegel me ofereceu.

  15. Carlos Vidal diz:

    Não tenhas dúvidas Jecta, os novos respigadores estão uns furos abaixo da velha e inconfundível brigada reumatóide: à segunda a coisa acaba sempre em farsa.
    À décima então………………………….

Os comentários estão fechados.