Jardim e as Ideologias

Alberto João Jardim nunca desaponta quando abre a boca: tem sempre coisas para dizer que nos deixam a nós boquiabertos. Honra lhe seja feita, que diz frontalmente os que outros do seu partido e área política apenas pensam.

Deu-lhe agora para comentar a Constituição da República Portuguesa, em particular o seu Art. 46, ponto 4, no qual são proibidas organizações fascistas. Veja-se:

4. Não são consentidas    associações armadas nem de tipo militar, militarizadas ou paramilitares,    nem organizações racistas ou que perfilhem a ideologia fascista.

Segundo Jardim, a Constituição não devia proibir quaisquer ideologias, mas a ter um ponto restritivo devia proibir todas as ideologias totalitárias. Os itálicos são meus, pois Jardim confunde proibir organizações de um certo cariz político, com proibir organizações que perfilhem e tenham no seu programa essas ideologias. A Constituição é clara sobre a liberdade de expressão, isto é, não proíbe nenhum cidadão de ser fascista e proclamar-se como tal. Portanto a CRP não proíbe ideologias. O que proíbe é que hajam “organizações racistas ou que perfilhem a ideologia fascista”. A razão é clara. Basta recordar que a CRP foi elaborada depois de Portugal ter sido libertado de uma ditadura fascista que durou 48 anos.

Mas isto de ideologias totalitárias também levanta perguntas. O que é uma ideologia totalitária? A menos que a ideologia preveja à partida um abandono da democracia, a suspensão de direitos e liberdades, e a imposição de um regime de tirania (como Manuela Ferreira Leite deixou escapar da boca recentemente), então poucas serão as ideologias políticas à partida totalitárias. Os regimes, esses sim, podem ser totalitários, até um regime de perfil à superfície democrático e parlamentar. O regime de Salazar/Caetano era totalitário, além de fascista.

Diga-se aliás que este ponto da CRP tem permitido a existência de um partido que se diz nacionalistas, mas que pelas suas actividades e associações, é um partido de perfile fascista e racista, o PNR. (Recorde-se o cartaz onde ovelhas brancas pontapeavam ovelha negras para fora de Portugal.)

Mas onde Jardim quer chegar é a proibição do comunismo, aliás em consonância com um movimento que nível europeu quer proibir o comunismo. Nas suas declarações às perguntas de jornalistas, até admite que na Madeira o PCP  “faz o jogo democrático” e “cumpre com as regras democráticas”.  Jardim, apesar de político há tantos anos, põe os pés pelas mãos e já nem sabe o que diz. Diz às tantas que não sabia se o PCP era um partido fascista (?!). Isto é, totalitário, fascista e comunistas, para ele é tudo a mesma coisa. E remete depois ao PCP a questão de afirmar se é ou não totalitário [ver a resposta do PCP], como se o programa do PCP, toda a sua história de combate anti-fascista e implantação de uma democracia, e a sua participação nas instituições democráticas não fossem prova suficiente do seu carácter democrático. Mais o PCP defende uma democracia avançada, tão avançada que nem cabe na cabeça de Jardim questionar se a nossa democracia está suficientemente desenvolvida em todas as suas vertentes: política, social, económica e cultural. Não basta haver vários partidos e eleições para ser uma democracia. A regime de alternância a que Portugal tem está sujeito, com uma continuidade da política de direita (então na Madeira, onde persiste o mesmo presidente da Região Autónoma, há décadas …) para haver democracia. A CRP, logo no Art. 2, prevê que a democracia deve ser visar

a realização da democracia económica, social e cultural e    o aprofundamento da democracia participativa.

A “democracia participativa” não se esgota no facto de se poder votar ou ser elegido. O termo implica a participação activa e o envolvimento da cidadania do processo político. Se estamos longe de atingir uma grande participação no simples acto de votar (veja-se o nível de abstenção nas últimas eleições) maior ainda é a distância entre os eleitores e quem exerce o poder.

Sobre André Levy

Sou bolseiro de pós-doutoramento em Biologia Evolutiva na Unidade de Investigação em Eco-Etologia do Instituto Superior de Psicologia Aplicada, em Lisboa
Este artigo foi publicado em André Levy. Bookmark o permalink.

12 respostas a Jardim e as Ideologias

  1. Chico da Tasca diz:

    Este post é uma lavagem e um branqueamento dos crimes do Comunismo.

    O PCP defende uma democracia avançada ? Democracia avançada era o salazarismo por comparação com o Comunismo que todos temos e tivemos a oportunidade de ver em diversas partes do mundo.

    O que o PCP defende e sempre defendeu são regimes como o da Coreia do Norte, a da Ex-União soviética, a dos paises da Europa de Leste, a de Cuba, isso é o que o PCP defende, sob a pele de um inocente cordeiro.

    Aliás, as verdadeiras intenções do PCP nem sequer são tornadas públicas, escondem o simbolo nos boletins de voto, e mudam o nome para designações inócuas.

    Aliás basta ler o Avante para se ter uma noção do que os Comunistas são e do que o PCP é.

    Os Comunistas lutaram pela Liberdade no tempo do Salazarismo ? Mentira ! Lutaram para acabar com o Salazarismo mas não para trazer a Liberdade, antes a Repressão. No fundo o que os Comunas queriam era entegar este país, de mão beijada, à União Sovética.

    Este post é uma fraude, está bem ao jeito das mentiras dos propagandistas e dos apoiantes do Estado Novo, e o Sr. André Levy, para além de mentiroso presta-se a papéis muito pouco dignos.

    Tenho a certeza que o Sr. André Levy, caso os Comunistas conseguissem pôr as patas opressoras neste país, seria recompensado e bem recompensado pelas altas hierarquias do aparelho, à semelhança dos colaboracionistas do Estado Novo, que também o eram, como todos sabemos.

    É com os André Levys que os regimes opressores sobrevivem e espalham o medo e se prepetuam. Há-os em Cuba, há-os na Coreia, há-os em todas as ditaduras.

  2. João Valente Aguiar diz:

    O comentário anterior é tão absurdo e tão copy/paste dos manuais de propaganda anti-comunista mais rasca que me escuso a tecer mais palavras.

    Sobre o assunto do ideal comunista como pretensamente totalitário deixo aqui um pequeno texto que publiquei aí uns tempos sobre o assunto num outro espaço:

    «Na teorização dos fenómenos autoritários europeus Hannah Arendt ocupa um lugar de relevo, inaugurando toda uma série de estudos que, desde então, passaram a colocar a República dos Sovietes no campo das chamadas experiências totalitárias. Distinguindo totalitarismo de autoritarismo, a autora pretendia na sua obra The origins of totalitarianism (1951), por um lado, separar o nazismo alemão de outros regimes fascistas ou autoritários, caso do italiano de Mussolini, do português de Salazar, do espanhol de Franco. Por outro lado, nessa mesma obra a autora agrupa a Alemanha nacional-socialista com a União Soviética de Staline, como os dois exemplos máximos de totalitarismo. Na base de todo este procedimento – ao qual não é em nada alheio o contexto da Guerra Fria dos EUA com a ex-URSS – está o vector liberdade/regime político. Para Arendt, «o princípio da autoridade» estaria «diametralmente oposto ao da dominação totalitária» (Arendt, 1994, p.404). Nesse sentido, a autoridade, e mais ainda no que concerne aos regimes autoritários, «está sempre destinada a restringir ou a limitar a liberdade, mas nunca a aboli-la» (Arendt, 1994, p.405). Por seu lado, «a dominação totalitária procura abolir a liberdade, mesmo em eliminar a espontaneidade humana em geral» (idem). Segundo a autora, a classificação dos regimes políticos em democráticos, autoritários ou totalitários passaria pela sua relação de, respectivamente, incremento da liberdade, restrição da liberdade e abolição da liberdade. O critério utilizado é formalmente elegante mas parece explicar muito pouco em termos das características estruturais que dizem respeito a cada regime político. Que preceitos metodológicos ou que técnicas de recolha e tratamento da informação capacitam o historiador e o cientista social de analisar o grau de liberdade em cada regime político? Como desligar a subjectividade do cientista social de uma caracterização que envolve, precisamente, o manejamento de uma categoria com uma forte carga moral? Indo mais longe, que conceito de liberdade subjaz a essa análise? Liberdade política, económica, ou outra? Liberdade para quem e como ela se exerce? Liberdade proclamada ou efectivada?

    Para citar apenas um exemplo, a ditadura de Salazar era caracterizada por Arendt como um regime autoritário e nunca como fascista ou totalitário. Ora, quando o fascismo português proibia sindicatos livres e partidos políticos oposicionistas, nomeadamente o PCP, quando reprimia greves de trabalhadores, concretizando-se em prisões, torturas, despedimentos de activistas e participantes nas greves, etc. apenas limita a liberdade de organização dos trabalhadores ou pretende, de facto, aboli-la? Quando o fascismo de Salazar e Caetano assassina militantes e dirigentes comunistas será mesmo que apenas visaria restringir a acção do PCP ou abolir este Partido? Por aqui se percebe a sinuosidade das categorias utilizadas pelos teóricos não-marxistas para caracterizar os regimes políticos. Assim, o desenvolvimento de um esforço de classificação dos regimes políticos que tenha como pedra angular um conceito tão relativo como é o de totalitarismo (se é que chega sequer a ser um conceito) parece-nos condenado à partida. Se é evidente que uma análise tipológica dos regimes políticos não se desliga nunca de valores, partir destes para chegar a uma classificação teórica, é um exercício epistemologicamente débil e, mais do que isso, sujeito a arbitrariedades de avaliação por parte do investigador, bem como se torna fácil embutir eventuais subjectivismos no quadro de análise. O argumento mais recorrente e que se espelha tanto nas operações de branqueamento do fascismo como nas tentativas de criminalização do comunismo um pouco por todo o mundo é o de que o socialismo seria sinónimo de totalitarismo. O argumento é velho e, pelo menos, desde os escritos de Arendt, de Popper e de Hayek que o socialismo e o marxismo seriam encarnações do Mal e do terror.

    Nessa linha de continuidade histórica, o historiador Rui Bebiano escreveu um conjunto de textos sobre a Revolução de Outubro. Para RB a Revolução Socialista teria sido a primeira experiência de totalitarismo no século XX. Assim, RB parte do princípio que «1917, longe de ser apenas uma data a celebrar em desfiles e sessões públicas, passou a evocar, com uma dimensão sem precedentes, o arranque da primeira grande experiência totalitária do século XX» (Bebiano, 2008). Este é o grande argumento de génese de todo e qualquer pensamento anticomunista e antisoviético. Segundo este autor, «a constituição da Tcheka (a poderosa polícia política), o lançamento dos primeiros alicerces do Gulag, o arranque das acções de deportação em massa (de sectores sociais dos campos ou de etnias inteiras), a colectivização forçada (que atingiu sectores sociais não privilegiados do mundo rural), o extermínio da oposição (mesmo a democrática, e não apenas aquela constituída pelos partidários do czarismo), as primeiras purgas dentro do próprio partido, tiveram o cunho, e inclusive a assinatura, comprovada pelas fontes documentais, de Lenine» (Bebiano, 2008). O curioso nesta afirmação de RB parte do pressuposto que o desencadear da repressão sobre os inimigos da Revolução Socialista teria emergido de uma mera decisão política assente numa qualquer pulsão sanguinária de Lenine.

    Quer dizer, para RB teriam sido Lenine e os bolcheviques a determinarem, cronológica e estruturalmente, a repressão da oposição ao novo regime. Mais uma vez, «a própria teoria do terror é definida desde cedo. Na sequência da tentativa de assassinato de Lenine, em Setembro de 1918, é decidido lançar formalmente o “Terror Vermelho”, e, no seu exercício, só entre 1918 e 1920 foram contabilizadas 12.733 execuções. Pouco tempo depois, as metas serão ampliadas: num documento de 1921 publicado por Nicolas Werth, o dirigente máximo bolchevique defende abertamente “uma política de terror, de repressão e de depuração em larga escala, dirigida às mais diversas camadas da população e sempre que qualquer ameaça possa pairar sobre o regime”» (Bebiano, 2008). Notável este exercício de historiador que sem citação de fontes exclama peremptoriamente que “foram contabilizadas 12.733 execuções”. Sem tirar nem pôr. Contudo, a questão está muito longe de ser metodológica. Na realidade, RB nunca menciona o facto de a sangrenta e bárbara guerra civil (1918-1920) ter sido despoletada pela oposição russa (ex-defensores do czar, mencheviques, democratas-constitucionalistas, etc.) e com a participação de exércitos estrangeiros (Inglaterra, França, Japão, Estados Unidos, incluídos). RB assinala que a tentativa de assassinar Lenine em 1918 despoletou a resposta por parte do governo bolchevique mas para o historiador, o governo soviético perante tal facto não deveria ter respondido. RB não diz, contudo, a filiação política dos autores do atentado de Lenine: socialistas-revolucionários de esquerda, com os quais os bolcheviques iriam, até 1919, continuamente tentar uma aliança política de modo a fortalecer a relação entre o operariado industrial de Moscovo e de Petrogrado e o imenso campesinato pobre das aldeias russas. Lenine e os dirigentes bolcheviques são retratados como assassinos, como indivíduos corporizando um desejo ardente de destruição e de morticínio. O historiador cita então um ex-oficial das forças armadas da URSS que, supostamente, teria tido acesso a documentos secretos de Lenine não incluídos nas obras completas do primeiro líder da União Soviética. «Anatole Latychev, historiador, biógrafo de Lenine e durante muitos anos seu indefectível admirador, um dos primeiros a consultar essa documentação, revelou o choque que sentiu quando leu as cartas, os telegramas e as ordens que durante quase setenta anos haviam permanecido secretos. Documentos que atestam a tenacidade mas também a feroz obsessão de Lenine em evitar a menor hesitação no acto de imposição violenta de uma nova ordem capaz, num futuro que se não poderia prever, de instaurar um “bem maior”. Telegrama para Baku: “Queimar toda a cidade, exterminar impiedosamente todos os resistentes”. Para os comandantes do Exército Vermelho no Cáucaso: “É preciso degolar toda a gente!”. Para Felix Dzerjinsky, o primeiro chefe da Tcheka, o futuro NKVD, que perguntava qual o destino a dar a um milhão de prisioneiros cossacos: “Fuzilá-los até ao último homem!”» (Bebiano, 2008). RB consegue atribuir de uma penada um milhão de mortos inexistentes a Lenine! Curioso que RB não se tenha apercebido da passagem de milhões de cossacos do Don para o lado dos bolcheviques precisamente porque estes não lhes ocupavam as terras, não os oprimiam e não os tratavam como seres inferiores como sucedia com o Exército Branco de Denikine. Bebiano acrescenta ainda mais uma pretensa citação de Lenine: «“Para o camarada Molotov e para todos os membros do Politburo”, com a menção de “não fazer cópia em caso algum”, [extraordinário o facto de alguém ter infringido o poder desse “temível ditador” Lenine e ter copiado a referida carta, nota nossa] e datado de 19 de Março de 1922 : “agora, e apenas agora, no momento em que, lá onde reina a fome, em que se come carne humana e centenas ou milhares de cadáveres enchem as estradas, podemos e devemos proceder à confiscação dos objectos preciosos das igrejas, com uma energia indestrutível, sem hesitar em esmagar toda a resistência”».

    Mais uma vez, RB não cita o modo como tal informação foi recolhida. Apenas se limita a repetir argumentos expostos num livro e sem nunca evidenciar o percurso de recolha desses dados. Por outro lado, RB não deixa de descontextualizar eventuais afirmações de Lenine. Por exemplo, é por demais conhecido o decreto de Lenine “A pátria socialista está em perigo!” de 21 de Fevereiro de 1918 e publicado no dia seguinte no Pravda. Aí, em face do avanço alemão em território russo, Lenine vai apelar, melhor dizendo, Lenine vai decretar, entre outros pontos, que: «todas as forças e meios do país são inteiramente postos à disposição da defesa revolucionária» (Lenine, 1978, p.479); «é dever de todos os Sovietes e organizações revolucionárias defender cada posição até à última gota de sangue» (idem); «nos batalhões [para cavar trincheiras e fornecer mantimentos às tropas] devem ser incluídos todos os membros da classe burguesa aptos para o trabalho, homens e mulheres, sob a vigilância dos guardas vermelhos; fuzilar os que resistam»; «são encerradas todas as publicações contrárias à causa revolucionária e partidárias da burguesia alemã, bem como as que pretendam utilizar a invasão das hordas imperialistas com o fim de derrubar o Poder Soviético» (idem, p.480); «os agentes inimigos, os especuladores, os saqueadores, os arruaceiros, os agitadores contra-revolucionários, os espiões alemães serão fuzilados no local do crime» (idem).

    Com efeito, este decreto do Comissariado dos Povos da Rússia Soviética está incluído nas obras completas de Lenine e evidencia de forma muito nítida a resposta que as autoridades soviéticas tiveram que tomar em face da ameaça de destruição por parte de inimigos internos e externos. Portanto, querer encontrar pretensos escritos enigmáticos, obscuros e escondidos de Lenine, faz lembrar o esforço de Sísifo.

    A violência verbal e as ordens políticas mais contundentes existem em vários escritos de Lenine e devem ser lidos em referência ao seu contexto de produção, como um produto inerente a uma situação de guerra bárbara e sangrenta desencadeada contra a república soviética. Pela leitura atenta e honesta dos documentos da época se denota facilmente o porquê da retaliação bolchevique – e é, sem dúvida, de retaliação, de resposta que se trata.

    Provavelmente, os Bebianos deste mundo prefeririam que Lenine e os seus camaradas tivessem caído na ingenuidade, nas hesitações e na luta interna intestina como ocorreu com o Comité Central da Comuna de Paris de 1871. Se a direcção bolchevique tivesse sucumbido aos mesmos erros da direcção revolucionária parisiense – que ajudou inquestionavelmente ao subsequente assassinato de 30 mil operários de Paris pelas burguesias francesa e alemã – não apenas Lenine, mas centenas e centenas de milhares de operários teriam sido brutalmente dizimados pelos Brancos e pelos corpos expedicionários americanos, ingleses, etc. e a república soviética teria desaparecido. No fundo, teria ocorrido um esmagamento da Comuna a uma amplitude inimaginável de vítimas operárias. Na realidade, se o resultado da guerra civil não foi idêntico ao da Comuna, isso não significa que não tenha ocorrido um verdadeiro morticínio contra milhões de russos. Dos 3.024.000 operários industriais da Rússia de 1917, em 1921, sobravam 1.243.000 para uma população total de 136 milhões de habitantes. Em Petrogrado dos 400 mil operários de Outubro de 1917, restavam 71.575 em Abril de 1918 (dados recolhidos em Martorano, 2002, p.126). Segundo dados oficiais, o número de trabalhadores empregados em 1922 era menos de metade do que antes da guerra – 4,6 milhões em vez dos 11 milhões de 1913 (dados da Narodnoye Khozyaistvo SSSR 1922-1972 p.345 e 346 citados por Bettelheim, 1976, p.172). De acordo com as mesmas fontes estimou-se que dois anos de guerra civil – por intermédio da fome, dos assassinatos e dos conflitos bélicos propriamente ditos – mataram mais russos do que quase quatro anos da Primeira Guerra Mundial: 7,5 milhões na primeira contra 4 milhões na segunda. Para RB espiões, sabotadores, agentes militares, etc. seriam vidas humanas, mas os milhões de camponeses e operários mortos em defesa do poder dos Sovietes não passariam de, pasme-se, vítimas do novo regime socialista!! (O mesmo exercício manipulador surge no Livro Negro do Comunismo).

    Sobre este assunto, é confrangedor que não haja um único apontamento dos historiadores e pensadores das chamadas “experiências totalitárias socialistas” que aborde sequer a desumanidade e o terror levados a cabo pelas forças políticas mais ou menos “democráticas” que derrubaram pela força e pela violência mais despudorada experiências populares de construção do socialismo.

    Lembro apenas duas: – a destruição da jovem república socialista finlandesa de 1918, afogada pelo sangue de mais de 27 mil mortos comunistas e operários. Destes apenas 5 mil morreram em combate. Mais de 7 mil foram executados e mais de 11 mil morreram em campos de concentração. (Dados retirados do Arquivo Nacional Finlandês – http://vesta.narc.fi/cgi-bin/db2www/sotasurmaetusivu/stat2 ).
    – a maior carnificina no Sudeste Asiático ocorreu na Indonésia onde cerca de 500 mil a 1 milhão de comunistas e operários foram assassinados por Suharto em Outubro de 1965 (dados governamentais, da Amnistia Internacional e de vários historiadores resumidos em Friend, 2003, p.113). Um relatório de 1977 da Amnistia Internacional – organização que em nada pode ser catalogada como comunista – estimava em cerca de um milhão o número de presos políticos comunistas. O próprio governo indonésio admitiu que manteve, de 1981 a 1990, entre 1,6 e 1,8 milhões de presos políticos (elementos citados no mesmo livro). Os mortos contam. Mas só de um lado das barricadas?»

    Peço desculpa pelo texto excessivamente longo, mas penso que pode ajudar a iluminar melhor esta questão que é, quanto a mim, um dos artifícios mais poderosos da ideologia dominante para perpetuar o grande capital no poder.

  3. Francisco do Restaurante diz:

    “Aliás, as verdadeiras intenções do PCP nem sequer são tornadas públicas, escondem o simbolo nos boletins de voto, e mudam o nome para designações inócuas.

    Aliás basta ler o Avante para se ter uma noção do que os Comunistas são e do que o PCP é.”

    Que teorias da conspiração, Chico. Em que ficamos, esconde ou não esconde?

    Quanto à constituição, esta não deve proibir é coisa nenhuma. Deve proibir a liberdade de expressão aos Chicos da Tasca, que ou têm pouco para fazer – porque os vejo a comentar tudo quanto é blog de esquerda – ou então será pago para tal. Tamanho medo a uma ideologia, Chico… Se ela é assim tão má, deixe-a andar que ela lá desaparece.

  4. lucastadeu diz:

    Pst,pst,sr.xico da tasca:pelo nome, o autor deve ter ascendência judaica.Já viu? um judeu comuna!Arre jesus saramago,estamos outra vez a reviver o partido bolchevique?Lenine,Staline,Trotsky,Kamanev,Zinoviev,Kaganovitch,Beria,,,na RDA:Erick Honecker,Egor Krenz,Gregor Gysi e, o tenebroso Markus Wolf…….
    Xor xico da tasca dê os meus comprimentos(sic!)ao dias loureiro,ao jakim coimbra, ao qq coisa de carvalho,ao joão rendeiro,ao paulo teixeira pinto,ao major das batatas e das batedeiras e a todos os ladrões de alto gabarito que nunca irão presos com esta ‘democracia’ de corruptos,da casa pia,herdeiros apaneleirados dos ballet rose.Parabéns a esses Incompetentes que deveriam pagá-las.Lê bem INCOMPETENTES,DESONESTOS!E só com um governo Comunista é que se fará a devida JUSTIÇA a esses bandidos.

  5. Este post, Chico, não é pretendia defender o comunismo numa discussão sobre ideologias, tinha um objectivo bem mais modesto: defender a Constituição da República Portuguesa e criticar a confusão que foram os comentários do Jardim.

    As posições do PCP sobre os países que referes são bem públicas e transparentes. Basta leres a resolução do último Congresso do PCP. Há uma declaração de solidariedade com a Correia do Norte, devido ao respeito pela sua soberania e este país resistir ao imperialismo. Lê com atenção o que lá vem escrito. Notarás também que afirmações sobre a Coreia do Norte são muito diferentes das sobre Cuba. São processos diferentes, condições diferentes, relacionamento diferente. Então o salazarismo era uma democracia mais avançada que Cuba? Antes viver em Cuba que na sua ilha irmã, Porto Rico, que é um protectorado dos EUA, onde os cidadãos pagam impostos para os EUA mas não têm direito a voto.

    O PCP não esconde o seu símbolo. Não deves votar há muito tempo. a foice e o martelo vêm lá muito claramente, junto do girassol, símbolo do Partido Ecologista “Os Verdes”. A CDU é uma coligação que congrega estes dois partidos, a Intervenção Democrática, e centenas de independentes. É uma coligação de esquerda que busca a unidade em torno de um projecto e uma alternativa. Dizer que isso é esconder é tão absurdo como dizer que a AD era um esconderijo para o PSD/PPD e CDS, ou que a Coligação por Lisboa à CML era o PS e PCP a esconderem-se por detrás de uma designação inócua. Isto é algo ingénuo da tua parte.
    Falas em branqueamento e depois dizes que o PCP não lutou pela liberdade. Não conheces certamente o objectivos do PCP durante o fascismo, que tanto correspondiam às aspirações dos portugueses que muitos deles foram pontos do MFA. Queria impor a repressão? Deves estar a confundir o PCP com o Spinola, o Otelo ou aqueles que conspiraram com a CIA contra a soberania portuguesa. A fantasia do PCP querer entregar Portugal à URSS não só reflecte uma mentira sectária anti-PCP que já tem barba branca, como revela um profundo desconhecimento sobre a história do PCP, partido que sempre recusou importar modelos e teve consciência que qualquer processo via o socialismo em Portugal teria que ser conduzido pelos Portugueses, segundo a história, características e condicionantes do nosso país. O PCP não queria nem quer fazer de Portugal uma Cuba, URSS ou Correia do Norte.
    “Basta ler o Avante!” Mas, quê? Tu lês?
    Infeliz é tua suposição que caso o PCP, com o apoio popular, subisse ao poder executivo, eu seria compensado. Sabes tu que os deputados do PCP são os únicos na Assembleia da República que não são beneficiados monetariamente pelo papel a que foram eleitos? Que até os membros que representam o PCP nas meses de voto não metem ao bolso o dinheiro que o Estado lhes paga? Dão esse dinheiro ao PCP, para que este possa ser financeiramente independente. Mas fazem a sua tarefa com espírito militante, sem exigir nada em troca. Até dá vontade de rir, pois isso das recompensas vemos nós num país em que ex-membros do governos PS ou PSD são premiados com posições públicas ou privadas e chorudos salários.
    Acusas-me de ser propagandista, mentiroso e ter um papel pouco digno, mas usas um discurso pautado por tanto cliché reaccionário, que nem merece mais resposta.

  6. i.tavares diz:

    O Jardim não compreende o que escreveste.O Chico levou uma lavagem tão profunda ao cérebro,que nem daqui a 200 anos recupera.

  7. Tio Sam diz:

    Por acaso lembram-se do 25 de Novembro?

  8. CMF diz:

    “regime de Salazar/Caetano era totalitário, além de fascista.”
    O regime de Salazar/Caetano era ditatorial, mas não era totalitário, e nem sequer fascista.

  9. vasco diz:

    O AJJ contribui prá subida da CDU.
    Ele sabe que fez asneira…e a Manela também.

    Porque, aquilo que aprendemos a não esquecer, está-se a repetir…

    Venceremos !

  10. Tiago Jorge diz:

    Força Chico da Tasca, concordo contigo. Todos nos lembramos da “liberdade” comunista em querer retirar ou roubar as terras e o património que alguns portugueses detinham, em prol de distribuir pelo povo.

  11. Nicolau da Romênia diz:

    Salazar fiz uma burrice grande, pois ele deveria ter matado pelo menos Um Milhão de Bandidos comunistas portugueses, deveria fazer um Gulag e exterminar os comunistas exploradores internacionais! Em 1989, derubamos a exploração satanica comunista global e o Ceausescu foi fuzilado e pendurado de cabeça pra baixo, vamos fazer um novo 1989, para a limpeza total da Europa do Leste do banditismo comunista! Marx,Engels,Lênin,Trotsky,Fidel Castro,Che Guevara e etc, são todos filhos de capitalistas podres e sanguinários exploradores socialistas globais!

  12. Bem, Salazar só não matou «um milhão» de comunistas por não haveriam tanto durante o fascismo. De resto, ele bem tentou matar os que havia. E teve algum sucesso. Logrou matar centenas de comunistas (e outros democratas) nas prisões e nas ruas. Não teve um “Gulag”, porque sendo Portugal um país pequeno, não tinha a grande estepe siberiana. Mas fez uso dos territórios que tinha, e criou a Prisão da Morte Lenta, no Tarrafal. Salazar até teve algum sucesso em reduzir os comunistas a uma organização pequena, clandestina e com reduzidas ligações às massas trabalhadoras. Mas estes souberam reorganizar-se, fazer face à opressão, crescer e ganhar influência e reconhecimento do povo português. Apesar da continuação de prisões, inclusive de altos quadros, foi durante o fascismo o único partido político democrático em operação, e instrumento fundamental para as várias frentes unitárias anti-fascistas. Um verdadeiro acto de banditismo constante, roubando a tranquilidade aos senhores do capitalismo monopolista e do regime que o servia. O resto do seu discurso é contraditório e incoerente. Mas parabéns por ter derrubado uma exploração satânica global. Que Deus o abençoe.

Os comentários estão fechados.