A herança negra (e sem cabalas) do socratismo

Resumia ontem J Sócrates encerrando o Fórum Novas Fronteiras (título abstruso, mas banal como o orador e o partido, ou o ideólogo-mor, A.V.) que as cinco marcas deste governo seriam estas, e todas na área da acção político-social:
(i) o complemento social para idosos
(ii) o abono pré-natal
(iii) o aumento do salário mínimo nacional
(iv) o aumento do abono de família e (v) da acção social escolar
Mas não, Engenheiro Civil, não, não vão ser estas as marcas deste ruinoso governo, um governo que, como dizia António Barreto sobre a sua política educativa, imporá a passagem de décadas até dele recuperarmos. A pesada herança do socratismo, essa sim negra e sem cabalas, poderá assim ser resumida (muito, muito resumida):
(i) Educação – fomento de um clima de ódio à classe docente (pois quem fomentou esse ódio sente-o genuinamente: pela ministra, seus secretários e por aquela encorpada pessoa do norte, aos professores chamou-se-lhes tudo, mas mesmo TUDO: RATOS (Pedreira e a história do leite e da bolacha), ARRUACEIROS, COBARDES que só valiam alguma coisa em conjunto e nada individualmente (a pessoa do norte), culpados pelo abandono escolar (textualmente dito por aquela que é ministra), gente que valia menos que a opinião pública (dito pela mesma), professorzecos (V. Lemos – quem é??), etc. A tese da dirigente do ministério era: um aluno se abandona a escola foi antes abandonado por um professor – em que manual de introdução à Sociologia é que isto vem?
(ii) Justiça – Diz-se que nunca bateu tanto no fundo: no Ministério Público muita coisa se arrasta sem conclusão possível até à prescrição de tudo e mais alguma coisa, como toda a população sabe que vai acontecer e acontecendo. A táctica do governo de apontar os juízes como o bode expiatório deste estado de coisas (como fizera com os professores) não resultou – advogados e Judiciária (sem meios) estão contra o governo e nem Marinho Pinto o salva.
(iii) Saúde – Destruição paulatina do Serviço Nacional de Saúde, porta escancarada aos privados (e nem o ministro escapou!).
(iv) Cultura – Destruição dos teatros Nacionais D. Maria II (gestão Carlos Fragateiro) e S. Carlos (a pior direcção do pós-25 de Abril); por outro lado, ninguém dirá (facto insofismável) ter ouvido as palavras ARTE e CULTURA deste primeiro-ministro; nunca as prenunciou desde que é, infelizmente, primeiro-ministro (julgo eu).
(v) Dois dos ministros mais ridículos e ridicularizados também do pós-25 de Abril: Pinho e Lino – o primeiro não resolveu nenhum problema grave do tecido empresarial português, fez propaganda externa dos nossos baixos salários, nada resolveu da Auto-Europa a Aljustrel (apesar de aqui ter resolvido problemas do clube de futebol local, segundo o PCP, sendo portador de um cheque da EDP). Acabou da forma que todos conhecem. Lino, o ministro “Jamé” – é de considerar que tudo aquilo a que disse “Jamé” se veio a realizar e o ministro nunca se demitiu: um estóico.
(vi) Desemprego record – ainda há pouco um jornal do Minho, de que fiz eco num post, falava do fecho de dezenas de milhares de pequenas e médias empresas. Não está em causa o impacto da crise internacional, estão sim em causa as frases de Pinho de que ela não chegaria a Portugal, ou, recentemente, de Teixeira dos Santos, de que o pior já tinha passado.
(vii) por fim, a cereja em cima do bolo, o verdadeiro e único menino de oiro deste governo: o Código do Trabalho (para um próximo post).

Aliás, estou convencido que o Código do Trabalho é talvez a mais impressiva marca deste governo, tornando mesmo Bagão Félix num social-democrata esquerdista.
É preciso pois não esquecer isto, e que ninguém caia na demagogia (ou pior do que isso) das recentes medidas do governo, que vai pretender passar os próximos dois meses a distribuir “esmolas” e mais “esmolas” de “esquerda”.
Atenção, muita atenção.
(Mas quem quiser assobiar para o lado, que assobie.)

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3 respostas a A herança negra (e sem cabalas) do socratismo

  1. Este socratismo tem grandes seguidores. Vejam este artista que é assessor do PM http://celsoferreira2009.blogspot.com/2009/07/publico-denuncia-promiscuidade-do-ps-na.html

  2. ezequiel diz:

    Carlos,

    assobia-se sempre para cima, meu. especialmente quando se faz chichi.\\

    ruinosos sim senhor, este, os outros que o antecederam e os que surgirão a seguir num futuro mais ou menos próximo…ainda vão idolatrar Salazar, vais ver!!! (digo isto sem qq satisfação)

    se o pcp ou o be fossem eleitos seriam igualmente ruinosos. é triste, meu. olhar em redor e não ver ninguém em quem acreditar. uma triste forma de solidão comunitária. é uma experiência desoladora. aos olhos da vasta maioria, a política transformou-se em algo mesquinho e vazio, um lugar comum de máscaras e contra-máscaras, o ministro com os dedos transformados em cornos, o curso do PM, o freeport, os crimes de pedofilia gone unpunished. enfim. um festival de merda, é o que é. a desubstancializçao da política. o vazio semiótico, milhares de horizontes para “explorar”, “possibilidades” e muita “confiança” à mistura. a resubstanciação da política terá que ser uma máscara dado o actual estado de coisas, percebes? o bom terá que ser uma máscara. ve-me so o caralho do paradoxo!!! muitas palavrinhas com muitos sentidos, muitas liberdades, muita interpretação, caro Vidal, interpretação em abundância…dá pa todos!! não é por acaso q a hermenêutica é coisa muito, voilá, en vogue!! LOL eh eheh fosse o Jeronimo ou Louçã, dio mio, portugal ficava na penúria em 2 tempos. debt, you see. não acredito em ninguém. caí na mais populista descrença (no meu país). e o mais triste é perceber que a descrença tem fundamento. isto é que é fodido, sr prof vidal!!!! tu ainda tens os teus belos mitos para te confortarem nestas noites fervorosas do luso capitalismo estatal corporativista semi medieval….acende umas velas, Vidal!!! junto da janela. e reza. reza alguma coisinha, sempre te pode ajudar!!!! ehe eheh he LOL 🙂 (Sr prof, passei o dia no mar…cervejolas, enfim…:) eu acho piadas às crenças. só isso.

    abraço
    ezequiel

  3. carlos graça diz:

    Contra factos inegáveis, rien ne va plus… Já lá dizia o Wittgenstein, que a facticidade é a rainha de toda a descrição ( o pensamento visto como descrição factual e vivencial). E a manada incauta vai voltar a votar “nisto”…

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