O que se passa com Esta Esquerda?
14 de Julho de 2009 por Tiago Mota Saraiva
Para além do que aqui já referi, o discurso de José Sócrates, ontem na apresentação da candidatura de António Costa, teve uma particularidade bastante interessante. Na mesma semana em que Costa se re-posicionou como pretendente a sucessor do primeiro ministro, José Sócrates fez um esforço para ser visto com gente de esquerda procurando, ontem, abraçar todos os apoios que se juntam a Costa temendo Santana.
Remetendo para posterior análise, o valor político dos recém-apoiantes de Costa, as suas motivações individuais ou o seu conteúdo político, também José Sócrates tem recebido alguns apoios, embora não tão abrangentes como os de Costa.
Curiosamente estes apoios de figuras com relevância mediática e que tradicionalmente defendiam e subscreviam as posições do BE, deixam-no exactamente no momento em que o Bloco pode crescer. Os recém-admiradores de Sócrates partilham da tese de Alegre, sem apresentar qualquer facto recente que lhes motive a mudança. O argumento é único, o que está à esquerda do PS não deve crescer porque não quer governar ou é irresponsável, no fundo, não constitui nem nunca constituiu alternativa.
O texto de Miguel Vale de Almeida é uma pérola política. Vale de Almeida procura que o leitor se identifique, fala de um “nós” abstrato, que rompeu com a esquerda revolucionária e que nunca esteve com a terceira via. Gente que gosta do PS “quando se apresenta do lado da igualdade, da liberdade, da modernidade”. Da sua actual posição, Vale de Almeida, declara que está em condições de afirmar que todo o passado recente da governação de Sócrates será purgado e que, a partir de agora, o partido socialista se vê “obrigado a pensar à esquerda e a pensar em diálogos com muitos cidadãos e cidadãs das várias esquerdas“. Factos, medidas e políticas concretas, nada disso interessa a Vale de Almeida, a Alegre ou a Galamba.
O que interessa a Esta Esquerda é que a estabilidade do regime não saia afectada e lutam com todos os meios para que a indignação dos cidadãos, de que se afirmam únicos defensores, não se reflicta numa significativa alteração dos equilíbrios políticos e sociais dos últimos trinta anos. Porque de facto, ganhe Sócrates ou Ferreira Leite, para a maioria das vidas das gentes d’Esta Esquerda, é igual ao litro.

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