“Apelo” a uma aliança BE-PS: mediocridade, tédio, “morrer devagarinho”, sem “grandes dores” – não chateia, tá?…
13 de Julho de 2009 por Carlos Vidal
A última morte de Marinetti. Enfim, é a vida…
Ora, eis que surge e se assume aquilo que há muito se desenhava ou anunciava subrepticiamente, eis que toma forma o que já estava mais do que em embrião e prontinho a apresentar-se publicamente, no fundo a razão de ser do manifesto dos “51″ economistas ou lá o que é (é também uma espécie de Louçã no seu melhor: num encontro universitário sobre Marx diz uma coisa, no manifesto dos “51″ diz o seu contrário…), um pedido de aliança Bloco-PS eis que chega, o rosto da mediocridade e da vida molezinha, a força da debilidade que tudo aceita desde que não seja demasiadamente mau, o elogio do “assim-assim”, o português “vai-se andando” como ideologia política, o meiozinho “já não é mau de todo”, a calminha e brandura salazarenta: é, no seu esplendor de nada, o manifesto (?) “Talvez não sejamos muitos e muitas …. mas existimos”, comemorando ou fazendo recordar por antítese (oh ironia das ironias, oh decadência…) um outro Manifesto, o do Futurismo de Marinetti, publicado em 1909 no Le Figaro – é verdade, faz 100 anos porra!!
Em 100 anos a espécie regrediu muito, em muito e em quase tudo: tornámo-nos pobrezinhos, medíocres, ou pobres mas honrados – ora bolas, apenas não queremos sofrer lá muito e nada mais, pronto. Agora, em 2009, escreve-se:
Esta choradeira faz Santana Lopes, Rangel ou Manuela Ferreira Leita passarem por espíritos utópicos, activos revolucionários, rupturantes, vitalistas e energéticos! Gente viva, em suma!! Em 1933, escrevia Cioran (fizeste bem, Nuno em te lembrares de Cioran há uns dias): “Fazer a apologia do espírito é uma prova de inconsciência, da mesma maneira que fazer a apologia da vida é uma prova de desequilíbrio.(…) Mas que será daqueles que já não podem glorificar nem a vida nem o espírito?” (Sur les Cimes du Désespoir).
Ah Marinetti, por fim, volta que estás perdoadíssimo: “Queremos cantar o amor do perigo, o hábito da energia e da temeridade. (…) Cabeça erguida!… Erectos sobre o pináculo do mundo, mais uma vez lançamos o nosso desafio às estrelas”.
Meu querido Marinetti, adivinhavas que isto iria acabar assim, tudo de cabeça baixinha a votar PS ??
Bom, não adivinhavas pois não, Filippo. De qualquer modo, ninguém vai ler este meu texto! Portanto, agora, toca a dormir que já é tarde, é hora de fazer OÓ …

Marinetti. “Irredentismo”. 1912

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